quarta-feira, 2 de outubro de 2013

QUEM HERANÇA VOCÊ CARREGA DE SEUS PAIS.

QUE HERANÇA UM PAI DEVE DEIXAR PARA UM FILHO


PREGAÇÃO PARA OS PAIS


Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. 2 - Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono. 3- Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão. Salmos 127:1-3

E nasceram a José dois filhos (antes que viesse um ano de fome), que lhe deu Azenate, filha de Porífera, sacerdote de Om. 51 - E chamou José ao primogênito Manasses, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai. 52 - E ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição.  Gênesis 41:50-52


A Bíblia diz que os filhos são herança do Senhor. Salmo 127:3.  Há uma tradução que assim diz:  A possessão que Javé concede são os filhos, seu salário é o fruto do ventre.  Ou seja, Deus abençoa os pais quando lhes dá filhos, pois filhos sempre são vistos como bênção na Bíblia. 
Contudo, mais do que abençoar, Deus dá uma herança aos pais quando crianças vêm a uma casa. (Hebraico Benin  : Herdar, possuir) Se fossemos pregar uma mensagem para a família no Salmo 127 talvez pudéssemos dizer que Deus: Edifica, protege, sustenta e abençoa 
Agora, O que é uma herança? Resposta: É algo de valor que herdamos de alguém por direito ou por favor.  Então o que os pais herdam de Deus? Resposta: Os filhos.
Bem,está claro o que os pais herdam, mas eu pergunto, o que os filhos herdam dos pais?
Alguns poderiam dizer: Bens, propriedades, dinheiro, negócio de família, talvez até estudo. 
Ao olharmos para um personagem Bíblico muito conhecido: José do Egito,quero hoje enxergá-lo não somente na figura de alguém que muito sofreu e foi honrado, como já o sabemos, mas quero vê-lo sob o prisma de um Pai que ao longo de sua caminhada deixou algumas heranças valiosíssimas para seus dois filhos.
História de José.... Filho preferido de seu pai é vendido como escravo por seus irmãos e vai para o Egito, lá ele é comprado por Potifar, cresce naquela casa,  mas a mulher de Potífar  acusa José injustamente e ele vai para a prisão.Na prisão ele assume o comando do cárcere, interpreta os sonhos de dois funcionários do palácio que o esquecem lá após saírem da cadeia. Depois de alguns anos interpreta os sonhos do Faraó que o faz  2º do Egito. No Egito ele tem dois filhos, e mais tarde por causa da fome um dia seus irmãos descem ao Egito para comprar comida onde reencontram o irmão que haviam vendido como governador daquela terra.  
São os seus procedimentos no decorrer dessa historia que nos mostram as heranças que José deixou para os seus filhos.


1° HERANÇA EMOCIONAL
José teve dois filhos na terra do Egito e ao seu primogênito ele chamou de Manasses que significa:“Aquele que faz esquecer”.  Gn41:51
 É interessante nos lembrarmos que na época do Antigo Testamento o nome de alguém significava muito mais do que simplesmente o som pelo qual ele seria chamado.
O nome de alguém tinha pelo menos duas representações:

1 – O que a pessoa era:
Jacó passou de “usurpador” para Israel “aquele que luta com Deus”
Abrão passou de “Pai exaltado” para Abraão “Pai de multidões”

2 – A circunstância que envolvia o nascimento da pessoa:
Samuel “Seu nome é Deus” – Ana havia orado muito por seu filho a afirmava: Do senhor pedi (1 Samuel 2)

Assim no Antigo Testamento quando se perguntava a alguém seu nome, estava se perguntando: “Quem é você” ou “o que é você?”
Preste bem atenção, José faz questão de expressar no nome de seu filho mais velho a cura que Deus havia operado em seu coração. E Manasses se lembraria disso todos os dias de sua vida.  O que é que José estava dizendo ao seu filho? Que mensagem ele estava passando? José estava dizendo:Manasses você pode ser uma pessoa emocionalmente equilibrada
Pense, talvez Manasses tenha perguntado a seu pai um dia: Pai porque me chamo “aquele que faz esquecer"? E então José teve a oportunidade de lhe contar tudo o que lhe fizeram, a traição, a vergonha, os dias de angústia, etc..... Mas ao final ele pode dizer ao seu filho de que apesar de tudo, ele, José era emocionalmente sadio.  
José estava dizendo aos seus filhos que Perdão é muito melhor do que vingança. José não era amargo, frustrado nem mesmo vingativo
Quando seus irmãos descem ao Egito para buscar comida ele teve toda a chance de se vingar dos seus irmãos mas ele não o fez. Recebeu os traidores e os perdoou, não se vingou dos irmãos, não se vingou da mulher de Potífar, esposa de seu primeiro chefe que o acusou injustamente e por isso ele foi preso.  
É importante notar que antes mesmo de reencontrar seus irmãos José já havia decidido esquecer e criar seus filhos num ambiente saudável. 
Muitos pais de hoje estão criando filhos em ambientes:

·                     Emocionalmente doentes. Pais amargurados com a vida, com a igreja.... (quantos pais vivem falando mal dos irmãos, dos pastores, da liderança quando as crianças são pequenas) e quando os filhos se tornam adolescentes eles nem querem saber de igreja, por quê? Porque ouviram que a igreja é ruim desde pequenos. 
·                     Vingativos (olho por olho, dente por dente)   “vai ter volta hein.....”
·                     Truculentos e Nervosos ao Extremo (vamos embora senão vou dar na cara de fulano) Quantos adolescentes eu mesmo vi reproduzirem comportamentos truculentos idênticos aos seus pais
·                     Pais que não conseguem liberar perdão (familiares que não se falam a anos) 
·                     Complexo de Vítima (sempre ele é o incompreendido da história)
·                     Pai que não chora (homem que é homem não chora) José chorou por várias vezes, Demonstrou firmeza e sensibilidade.

Então nossas crianças crescem nesses ambientes de uma carga emocional péssima e nunca vem encarnados em seus pais a graça de viver a cura de Deus. De crescerem em lares onde se pode dar a outra face para alguém que nos bateu.
Pais, deixem essa herança aos seus filhos para que eles não venham a correr o rico de se tornar depressivos, melancólicos exacerbados, ou então pedras de gelo que não tem medo de sepultar os relacionamentos a sua volta. 


2° HERANÇA MORAL
O que é moral, ou moralidade? 
Definição: “É o conjunto de costumes, e valores de uma pessoa, que funciona como um guia para suas ações”.
José deixou uma herança moral aos seus filhos, e quando digo isto é pelo fato de que eles viram em José comportamentos práticos na vida, no dia a dia, que eles podiam tomar para si. 
Ou seja, José foi para eles um bom modelo de vida. Isto é herança moral.  Veja o que diz Provérbios 24:32 “O que eu tenho visto, o guardarei no coração, e vendo-o recebi instrução”. 
José não precisava dizer aos seus filhos: “faça o que falo, mas não faça o que eu faço”
Algumas heranças morais que José deixou: 

·                     Trabalho: José era trabalhador. Ele Trabalhou na casa de Potifar  (Gn 39:1-3); Trabalhou na cadeia (Gn 39:22-23); Trabalhou no palácio ( Gn 41:40); 

Primeiro administrou uma casa, depois uma cadeia e depois uma nação. Ele aprendeu a trabalhar duro para crescer na vida.  Grave isto: A ociosidade é o sepultamento do homem vivo! 2 Tess. 3:10 ... se alguém não quer trabalhar, também não coma.
Precisamos inspirar e incentivar nossos filhos a trabalharem firme e constantemente. Pense comigo, hoje muitos só começam a trabalhar depois de formados, ou seja, eles nunca se passaram pelo mercado de trabalho, até o ponto em que vão precisar depender totalmente dele.  Um estágio, ou um trabalho temporário não faz mal para ninguém. 
Pai, três perguntas para fazer ao candidato á namorado:
1ª Você estuda? 2ª Que tipo de filho você é? (quem não honra os pais não sabe honrar a esposa)  3ª Você trabalha?  
Uma das piores ciosas que há para uma moça é casar com um homem que não gosta de trabalhar.  
Faz bem para um filho ver pais que trabalham de maneira séria e constante

·                     Boa Administração (Não era gastador, era comedido e inteligente) 

José arquitetou um plano de prevenção à fome para uma nação, conseguiu campo e terra para os seus irmãos.  Gn 41:56-57; Gn 47:13-31;
Hoje crianças estão crescendo em lares que gastam mais do que podem, com contas absurdas de cartão de crédito. Não aprendem o princípio da economia, não aprendem a receber um não para as suas vontades. 

·                     Persistência (aparentemente fracassou em duas tentativas – Potifar e Cadeia -  mas  ele nunca não desistiu de ser correto)

Foi traído pelos irmãos, foi acusado injustamente e foi preso, foi esquecido pelas pessoas que ajudou, mas ele não desistiu, não jogou tudo para o alto. 

·                     Ética: Apesar de ser várias vezes enganado pelas pessoas José nunca enganou ninguém.  

José era um homem de palavra, ele não mudou de atitude para com seus irmãos depois que o pai – Jacó – morreu. (Gn 50:15-21)  “O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo”. Provérbios 13:22
Os pais devem ser a “encarnação” do que querem que seus filhos sejam. 


3° HERANÇA ESPIRITUAL  (GN 48:1)
“E aconteceu, depois destas coisas, que alguém disse a José: Eis que teu pai está enfermo. Então tomou consigo os seus dois filhos, Manasses e Efraim”. Gênesis 48:1
Isto era o mais importante na vida de José: Ele era servo de Deus!! A Bíblia afirma por diversas vezes: “Deus era com ele...” O nome do segundo filho de José era Efraim, que significa: “Fiel”.  Gênesis 41:52 - "E ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição".   
Havia uma relação de fidelidade entre José e Deus e Deus e José. Efraim poderia perguntar a seu pai: Por que meu nome é este? E José poderia encher a boca e responder: Porque Deus é fiel e nós devemos ser fiéis a Ele também.
Os filhos de José são criados em um ambiente de amor e honra a Deus. Os filhos de José podiam olhar para ele e ver um homem de Deus. 
Em Gênesis 48 José faz questão de que seus filhos aprendam um princípio espiritual muito importante, o de estar no lugar da bênção. Aliás José leva os seus filhos até o lugar da bênção.  José leva seus filhos até  a presença de seu avô Jacó. Aquele era um lugar de bênção, pois Jacó era o patriarca e ele tinha a prerrogativa de abençoar em nome de Deus.  
É interessante frisar bem o que o texto diz: José é que leva os filhos! Ele toma a iniciativa pois como pai ele sabe o que é certo para seus filhos, o lugar onde eles deveriam estar. 
Pais que tem preguiça de trazer o filho para a escola bíblica por que é muito cedo, e não sabem que as vezes por essa sonegação mais tarde terão que buscá-los nas boates.....
A Bíblia diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6)
Veja o que diz Deuteronômio 6: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” 
José tinha entendimento espiritual das situações (Gn 50:22)  “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida”. Gênesis 50:20
Quanto tempo você gasta deixando uma herança espiritual para os seus filhos?  Quanto você está disposto a investir financeiramente na espiritualidade de seus filhos? Investir em oração?
Os filhos de José se tornaram grandes tribos em Israel, muita gente da sua descendência foi abençoada pela sua vida, sua herança transpassou gerações e nos abençoa até hoje. 
Deus quer que você pai deixe aos seus filhos a maior herança que eles podem ter, o conhecimento de Deus e de seu grande amor para conosco. 

Pr. Christian A. Doerzbacher


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A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: