sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” - Mt 5.3

Ministério de Ensino

IDENTIFICANDO-ME COM CRISTO
Pr. Bruno Marquardt


BEM-AVENTURANÇAS - 1

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” - Mt 5.3

1.   Explicação

            Humildade é difícil de definir ou explicar. Poucas virtudes cristãs  são tão mal compreendidas como a humildade. Temos a tendência de comprar a humildade com timidez, personalidade ou expressão. Uma pessoa que se  anula pode querer se considerar humilde, quando na realidade pode estar demonstrando uma forma sutil de orgulho: está pensando só em sim.

            Definição de Webster (dicionário): “Modesto, que não se impõe”. Uma pessoa dinâmica, sadiamente agressiva como Paulo, era também humilde. A uma pessoa pode faltar dinamismo por lhe faltar humildade.

            Outra definição de Webster: “posição sem destaque “. Uma posição social ou hierárquica baixa, necessariamente não tem nada que ver com humildade. Uma pessoa de elevada posição social pode humildemente usar sua posição para servir outros.

            A humildade começa com uma atitude de coração e se expressa como uma honesta avaliação de quem eu sou diante de Deus em Cristo. A humildade me faz rejubilar com os dons que Deus me deu, assim que eu faço uso deles sem ficar com a glória para mim; me leva a me alegrar com os dons que outros receberam sem me sentir inferior ou superior, pelo simples fato  de que meus dons são diferentes dos do outro (2 Co 3.4,5).

            Uma pessoa humilde é de confiança porque reconhece sua incapacidade de realizar algo sem o poder de Deus. Ele não é acanhado - mas ativo, e nunca dá a impressão de que está se exaltando no processo.

            Uma pessoa humilde muitas vezes transfere a honra para outros, mas também tem habilidade para receber louvores sem se embaraçar. Ele não duvida dos dons que Deus lhe deu, mas reconhece que são dons.

Termos gregos: “penês” e “ptochos”

            Podemos compreender um pouco melhor o que é humildade se analisarmos as palavras gregas que descrevem o que é “humilde ou pobre de espírito”.

“penês”  =   termo usado para descrever uma pessoa pobre, mas que tem o suficiente para as necessidades básicas de                        
                      sobrevivência.
“ptochos”= termo  usado  para  descrever uma pessoa pobre, mas que não tem absolutamente nada, completamente
                    desprovido de tudo, sem influência, sem prestígio e explorada pelos ricos.

            Em Mt 5.3 onde Jesus diz: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”, ele usa a palavra “ptochos”. Com isso Jesus quer dizer: “Feliz é aquele que percebe estar desprovido de tudo diante de Deus, e que nada tem em si que é capaz de torná-lo aceitável diante de Deus. Devido a isso é levado a depositar toda a sua confiança e esperança na graça de Deus que se torna real para ele em Cristo Jesus.

O resultado ou conseqüência naquele que é “pobre” ou “humilde de espírito” é: está se colocando na condição de receber o reino de Deus. “Aquele que se humilhar, será exaltado” - Lucas 18.14. E em Tg 4. 6 diz: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”. Não é um mérito que nos torna aceitáveis diante de Deus, mas é uma atitude pela qual o pecador não opõe resistência à ação do Espírito Santo em sua vida. Isso quer dizer que a humildade é o primeiro passo rumo aos céus. A primeira vez que nos humilhamos diante de Deus foi quando recebemos Cristo como nosso Salvador e Senhor. Por isso, só quando nos humilhamos é que nos tornamos participantes do reino de Deus.

            A importância da humildade

1.   Humildade e mansidão são as duas virtudes básicas do caráter de Cristo - Mt 11.28-30.
2.   Assim como o amor está ligado a cada um dos frutos do Espírito (Gl 5.22,23), da mesma forma cada traço do caráter de Cristo começa com humildade.


3.   Toda bênção espiritual começa com humildade:
·      Para nascer de novo preciso me humilhar - Mt 18.3,4.
·      Para vencer o diabo preciso primeiro me humilhar diante de Deus - Tg 4.7-10
·      Todo jejum proveitoso deve começar  com humildade - Esdras 8.21; Is 58.4.
·      O próprio Jesus foi declarado SENHOR porque se humilhou - Fp 2.5-11.
·      “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” - Tg 4.6

2)  Exemplos de Cristo:
a)   Fp 2.5-9 - Jesus deu o maior exemplo de humildade.
b)  João 17  - Na oração sacerdotal de Cristo:
·      Fez tudo em obediência ao Pai;
·      Deus toda glória ao Pai.
3)  Exemplos de fieis
a)   Centurião de Cafarnaum (Lc 7.1-10). O centurião reconheceu que Jesus poderia exercer autoridade na esfera espiritual, assim como ele exercia em humildade autoridade na esfera militar.
b)  João Batista (Jo 1.19-28).  Jesus o classificou como o maior dentre os nascidos de mulher. Mas João Batista não ficou com a glória para sai: “Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias  não sou digno de levar”(Mt 3.11).
Uma pessoa humilde é sincera consigo mesma. Conhece sua posição e não procura elevar-se. Orgulho      
sempre se exalta. Satanás quis e quer ter autoridade igual a Deus.

4)  Atitudes positivas em quem é humilde:
a)   A pessoa humilde vive sempre consciente e agradecida de quem ela hoje é em Cristo diante de Deus - alguém que por si só nada tinha e nada era; agora em Cristo tudo é e tudo pode - Ef 1.3; Fp 4.13.
b)  Rende graças a Deus quando leva a cabo uma obra.
c)   Presta honras a quem o merece.
d)  Para a pessoa humilde a reputação de Cristo é mais importante do que a dela.
e)   A pessoa humilde encara seus defeitos físicos como provas de ser propriedade peculiar de Deus - Sl 139.14.

5)  Atitudes negativas em que não é humilde:
a)   Não assume seus erros. Vive culpando os outros.
b)  Tem grande dificuldade para dizer: “Estou errado; me perdoa”.
c)   Interrompe o outro enquanto o outro está expressando sua opinião, para dar a dele que julga ser sempre a melhor. Os planos e idéias dele são sempre melhores do que as dos outros.
d)  Tem inveja dos outros que estão recebendo louvores.
e)   Guarda ressentimentos contra Deus por suas deficiências físicas.
f)   Vive sempre à espera de elogios e aplausos; e quando os recebe, encabula.
g)   Espera que os outros o cumprimentem primeiro.
h)  Quando é criticado, reage em ira.
i)    Tem espírito crítico: Pv 13.10; Pv 29.23.
j)    Sente alienação diante de Deus - Salmo 19.13:
k)  Julga-se mais espiritual do que os outros e por isso com mais “cartaz” diante de Deus pelo simples fato de evitar certas comidas, não cortar cabelo, ou não ter certos vícios.

6)  Auto exame :
      Quantas vezes já disse: “Por favor, me perdoa; eu estava errado”?
a)   Estou contente com os dons que Deus me deu?
b)  Meus íntimos me consideram humilde?
c)   Aceito tarefas que são difíceis porque desejo aprender a confiar em Deus, ou recuo logo por me julgar incapaz de realizá-la?
d)  Vibro quando recebo notícias de quedas de outros cristãos ou sou capaz de “chorar com os que choram”?
e)   Desejo o sucesso para todos os meus irmãos, mesmo que recebam mais louvor do que eu?

7)  Bênçãos na vida de quem é humilde:
1.   Passo básico para receber a Cristo como Salvador, bem como para continuar obedecendo a Cristo sempre.
2.   Felicidade, descanso e paz. Por ser humilde, Deus o exaltará aprovando sua vida.
3.   Terá atitudes maduras na compreensão de si mesmo do ponto de vista de Deus.
4.   Será cada vez mais forte em seu íntimo o único propósito que Deus estabeleceu para o homem: glorificar a Deus por sua vida, por seus atos e por suas palavras.
5.   A humildade é a virtude básica para compreender e praticar o princípio da autoridade.
·      O orgulho é a base da rebeldia.
·      A humildade é a base da obediência.



7)  Passos básicos para me tornar humilde:
            “Deus opera em vós tanto o querer como o realizar”(Fp 2.12). Deus também prometeu por meio do profeta Jeremias: “Nas suas mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os seus corações as inscreverei, e eles serão o meu povo” - Jr 31.33.     

            De que maneira o Senhor “opera o querer” e “imprime as leis na mente e as inscreve no coração”? - É quando o Espírito Santo, nosso Mestre, por meio da Palavra de Deus, nos influencia a tomarmos os seguintes passos e decisões:
    
1.   O E. Santo me convence primeiro do meu pecado e depois me convence do perdão e da redenção que há no sangue de Cristo. Deste modo renuncio ao diabo e toda forma de influência e orgulho satânico, e depois passo a adotar os princípios de vida de outro Senhor: JESUS CRISTO!!! Movido pela gratidão por ter-me redimido, passo a servi-lo e obedecê-lo.
2.   Satisfazer diariamente as condições para viver cheio do E.Santo (At 1.8; 2.38;  Ef 4.30-32; Ef 5.18-21).
3.   Lembrar-me diariamente do significado do batismo com água: por arrependimento diário afogar o velho homem e ressuscitar para andar “em novidade de vida” (Rm 6.4).
4.   Preparar-se para participar constantemente da Santa Ceia de maneira digna (1 Co 11.28).
5.   Aplicando diariamente os princípios bíblicos para educar os filhos no temor do Senhor. O orgulho, a arrogância e o egoísmo se manifestam e se desenvolvem em repetidos atos de desobediência (Pv 22.15). Quando os pais, humildes e tementes a Deus, com o seu bom exemplo e palavras sábias, levam os seus filhos a obedecer aos princípios da Palavra de Deus desde pequenos, e a voltar atrás em atitudes erradas - esses pais estarão incutindo humildade na criança. Muitos adultos tem dificuldade para se humilhar e pedir perdão quando erram, porque não aprenderam a fazer isso desde pequenos (Pv 22.6).
6.   Procurando tirar lições de cada fracasso da vida (Rm 8.28,29). - “Castiga a teu filho enquanto há esperança” (Pv 18.19), isto é, enquanto ainda aceita disciplina dos pais. Passada essa fase e o filho ainda não aprendeu a se humilhar, terá de aprendê-lo por meio der muito sofrimento, isto é, entrando em becos sem saída. Exemplos:
·      Filho pródigo: Lc 15.17;
·      Manassés:  2 Crônicas 33.10-13.
·      Povo de Israel: 2 Crônicas 7.13,14; Dt 8.2-5
.
O cristão que encarar todas as dificuldades da vida do ponto de vista de Deus, vai perceber que por trás de  cada uma delas está a  mão amorosa de Deus, desejando nos humilhar para poder nos exaltar: Rm 5.3,4; 1 Pe 5.5,6.
7.   Meditar constantemente no amor de Deus revelado em Cristo. Clamar perlo sangue de Cristo.
8.   Contemplar constantemente a glória do Senhor (12 Co 3.18).
9.   Orar como Cristo orava - Mc 1.35.
10. Quando surgir um atrito com um irmão, fazer os devidos reparos “sem demora” - Mt 5.23-26.
11. Pedir a Deus temor ao seu nome - Pv 2.1-5.
12. Sempre que a paz de Cristo fugir de nosso coração (Cl 3.15), procurar restaurá-la com o auxílio do E.Santo - Pv 139.23,24.
13. Pelo exercício da disciplina na igreja (Mt 18.15; 1 Tm 5.20).
14. Dia a dia tomar nossa cruz (Lc 9.23), isto é, renunciar diariamente aos desejos carnais que entristecem o Espírito, para que assim Cristo possa viver através de nós. Quanto mais praticamos essa renúncia diária orientados pelo E. Santo, mais humildes nos tornaremos e mais felizes seremos.













.=================================================================================
Fontes: “A verdadeira felicidade” – Jayme Kemp – Editora Sepal
              “Conflitos da Vida” – Larry Coy



Pr. Bruno Marquardt – E-mail: bruno.marquardt@terra.com.br

Nenhum comentário:

Postagem em destaque

A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: