sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” - Mt 5.8

Ministério de Ensino

IDENTIFICANDO-ME COM CRISTO
Pr. Bruno Marquardt

Bem-aventuranças - 6

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” - Mt 5.8
1.   Explicação:

            Deus não pede nada de ninguém que não faça parte também do seu ser. Ele diz: “Santos sereis, porque eu sou santo” (Lv 11.44). A redenção do pecado não somente nos garante o perdão, mas também a santificação, e desta maneira nos tornamos parecidos com Deus. Uma das conseqüências mais gloriosas da nossa salvação é que por causa dela nos tornamos co-participantes da NATUREZA DIVINA (2 Pe 1.4).

             O atributo moral de Deus que é básico para todos os outros é a sua santidade. Por isso ele pede que sejamos limpos de coração. Por santidade nós entendemos separação de tudo que é pecaminoso. A santidade de Deus separa Deus das criaturas pecaminosas e exige pureza absoluta daqueles que desejam ter comunhão com Ele.

A palavra “limpo” era usada:
·      para roupas sujas que foram lavadas;
·      para trigo debulhada de toda palha;
·      para um exército depurado de soldado covarde, descontente e incapaz;
·      para o leite puro, sem ser diluído com água;
·      para o metal purificado de todas as impurezas.

            Por isso Deus pede de nós santidade. O nome de Deus é chamado de santo e o seu trono é santo. Sua lei e seus propósitos são santos. Tudo o que Deus tocar, se torna santo. Ele chama o seu povo para ser uma nação santa, um sacerdócio santo, para viver numa terra santa, em uma cidade santa. Os santos anjos exaltam o Senhor por sua santidade. Eles não exclamam: “Deus é amor! Deus é amor! Deus é amor!”, mas sim, “Santo, Santo, Santo é Deus!”.
            Deus deu sua lei, os 10 mandamentos, para imprimir em seu povo a importância de sua santidade, bem como a necessidade de nossa santidade. Tudo que Deus tocar, se torna santo. A maior revelação de Deus é Cristo. O Espírito Santo foi enviado pelo Pai para ensinar ao povo a respeito da pessoa de Cristo. A noiva que está sendo preparada para Jesus deve ser santa e sem defeito.       Áreas da pureza: 1. Pureza de motivações;  2. Pureza moral; 3. Pureza de consciência.
 (1) Pureza de motivações
            A expressão de Jesus “limpos de coração” tem a ver com nossas motivações. “Do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt 15.19). Para entendermos isso precisamos compreender que a vida do ser humano se desenvolve em 3 níveis:          
1.   - Nível descoberto: são nossos atos exteriores, visíveis a todos;
2.   - Nível encoberto: são nossos desejos, pensamentos, invisíveis aos que estão à nossa volta.
3.   - Abaixo da linha de fundo: NOSSAS MOTIVAÇÕES.
Motivações corretas geram pensamentos corretos, que por usa vez geram ações corretas. Motivações impuras geram pensamentos impuros, que por sua vez geram ações impuras.

             O que é hipocrisia? É quando encobrimos motivações impuras com atos exteriores aparentemente puros. Orar e dar esmolas são atos em si puros. Mas Jesus disse: “Quando, pois, deres esmolas, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas para serem glorificados pelos homens”  - Mt 6.2.  Ou: “E, quando orardes, não seres como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos  cantos das praças, para serem vistos dos homens” - Mt 6.5.

            Como descobrir se nossas motivações são corretas, se nossos corações são puros? Através de um “detetor de mentiras” podemos descobrir tudo. Em Mt 6.24 Jesus diz: “Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida”. A ansiedade é um sintoma de que em alguma área de nossa vida Cristo não está sendo Senhor. Por isso, se um diácono perde o cargo e fica nervoso, seu nervosismo demonstra que a motivação para exercer aquele cargo era mais para satisfação pessoal e não para servir a Deus e aos irmãos.

(2) Pureza moral
Paulo resume o anseio o anseio do coração de Deus para o seu povo nas palavras: “Esta é à vontade de Deus”,
a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição ... porque Deus não nos chamou para a impureza, e, sim, em santificação” - 1 TS 4.3,7. Ser puro é discordar da inclinação pecaminosa de nossa carne, lutar contra essa inclinação, é alimentar constantemente esse desejo por santificação. A santificação é um processo diário: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23).

(3) Pureza de consciência:
“Uma consciência limpa é a alegria interior e a paz de espírito que resultam de se ter acertado todos os erros pessoais com aqueles a quem se tenha ofendido”. Para saber o que precisa acertado, fazemos quatro perguntas:
1.   Existe alguma coisa em meu passado que sempre que me lembro, eu preferia  que nunca tivesse acontecido?
2.   Você conhece pessoas que não gostam de você ? Será por causa de alguma ofensa que você tenha cometido contra elas?
3.   Há alguém para quem eu tenha falhado como exemplo de cristão? (principalmente na área da moral)?
4.   Haverá alguém cuja autoridade você deixou de respeitar?
2)  Exemplos de Cristo:
·      “Quem dentre vós me convence de pecado?” - Jo 8.46.
·      “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor  dos seus amigos” - Jo 15.13.
3)  Exemplos bíblicos de pessoas fieis:
·      José no Egito: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” - Gn 39.9. Resposta de José diante da tentação da mulher de Potifar para adulterar com ela.
·      Palavras de Jesus a respeito de Natanael: “Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo” - Jo 1.47.
·      Paulo: “Me esforço por ter consciência pura diante de Deus e dos homens” - At 24.16.
4)  Atitudes positivas do limpo de coração:
·      Domínio próprio espiritual, mental e físico.
·      Apreciação da vida do ponto de vista de Deus.
5)  Atitudes negativas em quem não é limpo de coração:
·      Pensamentos impuros - Rm 1.28
·      Sensualidade - Jd 19.
·      Desejos incontroláveis - 1 TS 4.7,8.
6)  Auto exame:
·      Esforço-me para me tornar santo como meu Pai dos céus?
·      Estou disposto a rejeitar pensamentos imorais assim que eu poderei apresentar corpo, alma e espírito puros a Deus?
·      Considero-me culpado de atos impuros, mesmo que ninguém os tenha visto?
·      Oriento-me pelos padrões de Deus para pureza?
·      Desejo me casar com alguém que tem elevados padrões morais?
·      Desejo ser um cônjuge com elevados padrões morais?
7) Bênçãos na vida de quem é limpo de coração:
·      “Verão a Deus”, isto é, terão mais íntima comunhão com Deus na Palavra e na oração: Jó 42.5; Sl 25.14.
·      “Verão a Deus” - face a face no céu
8)  Passos e decisões para me tornar limpo de coração:   Em geral não cremos que Deus tenha solução para nossos problemas de impureza: pensamentos íntimos, sexo e motivação. Essa descrença é um dos obstáculos à entrega total de nossa vida a Cristo. Mas Deus diz em Ez 36.26: “Porei em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos”. De que maneira o Espírito Santo fará isso? Quando nos leva a tomar as seguintes decisões:
1.   Entregar a vida Jesus Cristo.
2.   Reconhecer: “Não sou puro de coração”.
3.   Sabendo que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” quero agora que essa pureza se torne real no meu dia a dia. Para isso, por uma consciente decisão de minha vontade, me comprometer com Deus de buscar um padrão de absoluta pureza moral”. Posso tomar essa decisão crendo em Rm 6.14: “O pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei e, sim, da graça”.
4.   Pedir ao E. Santo sondar o meu coração - Sl 139.23,24.
5.   Meditar na Palavra de Deus, pois é por meio dela que o E.Santo se torna “EFICAZ PARA DISCERNIR PENSAMENTOS E PPPPROPÓSITOS DO CORAÇÃO”  - Hb 4.12.
6.   Crer no poder de Cristo em mim para me dar vitória sobre toda impureza do meu coração - Gl 2.19,20.
7.   Ficar atento a cada ansiedade e fracasso em minha vida. Eles revelam falsas motivações. “Toda tribulação traz consigo uma mensagem do coração de Deus” (Alexander Maclaren).
8.   Tão logo o E. Santo me convencer de pecado: me humilhar em arrependimento: crer no poder purificador do sangue de Cristo, e fazer as necessárias restituições.

Pr. Bruno Marquardt - E-mail: bruno.marquardt@terra.com.br




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A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: