segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O QUE A BÍBLIA NÃO DIZ, VAMOS ESTUDAR PARA VERMOS O QUE ENCONTRAMOS

































O que a Bíblia NÃO DIZ
...mas muitos pregadores e mestres dizem!

Paulo de Aragão Lins

Digitalização: Alencar




Nossos e-books são disponibilizados gratuitamente, com a única finalidade de oferecer leitura edificante aos deficientes visuais e a todos aqueles que não tem condições econômicas para comprar.
Se você é financeiramente privilegiado, então utilize nosso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros.


Índice


PREFÁCIO


Em 1994 tive o privilégio de conhecer o professor Paulo de Aragão Lins, considerado, pela comunidade teológica internacional, como um dos maiores exegetas e biblistas do nosso século.
Na ocasião pude notar e entender que se tratava de um renomado teólogo que simplesmente ama e respeita a Palavra de Deus, portanto, prefaciar este livro constitui-se uma grande honra para o meu ministério como professor das Sagradas Letras.
"O que a Bíblia não diz" é um título oportuno, inédito, eficaz e apologético - uma obra que merece a confiança de todos nós.
Os alunos do Dr. Paulo de Aragão Lins conhecem estes assuntos muito bem. Espera-se, contudo, que esta obra venha esclarecer a muitos estudantes de Teologia e de Bíblia, que não  tiveram a sorte de ter o Dr. Paulo como professor ou de conviver com ele.
Soli Deo Gloria!
Dr. Roberto dos Santos
Pastor, Teólogo e Diretor da Faculdade Antioquia Internacional


PRÓLOGO


Lendo a Bíblia e ouvindo os pregadores descobri que muitas coisas que eles falam, às vezes de maneira emocionada, convicta, são, na realidade, frutos da tradição oral, ou frutos da imaginação deles, mas não da Palavra Escrita.
Existem no meio evangélico, ensinamentos que são transmitidos há muito, repetidos por gerações de mestres, recebidos por tradição, os quais jamais foram analisados com o cuidado necessário, à luz das Escrituras.

A tradição tem substituído o texto sagrado em muitas doutrinas. Os ensinadores, com medo de se expor, preferem. repetir o que outros mais importantes falaram, dentro da esfera do "argumento de autoridade".
E o que é argumento de autoridade? É o seguinte: se um homem é importante dentro da sua igreja ou se já fez alguns cursos de nível superior, tudo o que ele diz é considerado verdade por muitos, principalmente se tiver escrito um livro.
Costumo sempre fazer esta pergunta: "Você crê mais na Bíblia ou nos ensinamentos de sua denominação ?
Muitos, surpresos, respondem: "E, por acaso, minha denominação ensina algo que não é ensinado pela BÍBLIA?" Bem, prezado leitor, apesar de isto parecer quase impossível, vou lhe dizer: todas as denominações que eu conheço ensinam muita coisas que não se encontram na santa Palavra de Deus. Foram herdadas da igreja católica, que por sua vez herdou dos mitos e narrativas do paganismo.
Não foi por acaso que um dos mais notáveis homens de Deus que já li, Ben Adam, escreveu estas palavras:
"Quando digo que, hoje em dia, para a grande massa do público professadamente religioso, a Bíblia é um livro quase que totalmente desconhecido, estou simplesmente enunciando uma verdade. O estudo da Bíblia, como meio de se procurar conhecer a vontade de Deus sobre alguma particularidade, praticamente morreu; e a leitura devocional das Escrituras sagradas, até mesmo entre os crentes evangélicos, é uma exceção, quando deveria ser a regra".
Quando apresentamos os textos bíblicos analisados, a surpresa é maior, pois descobrem que a tradição nas igrejas tem, em muitos casos, substituído a Palavra de Deus."
Somente para um alerta, escrevi este trabalho.
Espero que seja de bom proveito para você. Não entenda que estou introduzindo novas doutrinas ou que estou querendo iniciar uma nova igreja. Não! É apenas o desejo de ver você, doravante, lendo a Bíblia com mais atenção e só falando no púlpito ou em outro lugar o que a Bíblia realmente diz.
Que o Espírito Santo possa iluminá-lo cada vez mais em suas próximas leituras.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE OS TÍTULOS QUE OS TRADUTORES COLOCAM ESTÃO TODOS CORRETOS

O título antes de Mateus 25:14 na Versão Revista e Corrigida é o seguinte: "O Sermão Con­tinua: A Parábola dos DEZ Talentos." Vamos con­tar? O homem deu CINCO talentos para um ser­vo, deu DOIS para outro e ao último deu apenas UM. Muito bem. Se fizermos um rápida soma, teremos que mudar imediatamente o título para ''A Parábola dos OITO Talentos". Exato! Porque 5+2+1=8.
Ah! Mas, pode ser que o titulista estivesse re­ferindo-se aos talentos depois de multiplicados. Va­mos ver: O que recebeu CINCO, granjeou mais CIN­CO, o que recebeu DOIS, batalhou e conseguiu mais DOIS, e o outro, o pusilânime, apenas escondeu o dinheiro, o qual não rendeu juros, nem correção mo­netária. Ficou, portanto, com apenas UM.
Fazendo-se novamente a soma, teremos que mudar o título para" A parábola dos quinze talen­tos, porque 5+5+2+2+1=15!
Na Edição Revista e Corrigida antes de Lucas 6: 17, está estampado este título: O SER­MÃO DA MONTANHA". Assim que o versículo começa, Jesus está DESCENDO com os discípu­los e "parou num LUGAR PLANO" (Lucas 6: 17).
Onde o titulista foi buscar essa montanha?
Além de estar descendo, ainda parou num lugar plano. Isto só pode ter sido falta de atenção, ou então o titulista deduziu que o evangelista esta­va citando o mesmo sermão do monte que Jesus havia pregado.
O famoso Sermão do Monte, pregado por ­Jesus, segundo está registrado nos Capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, foi realmente pregado em um mon­te, pois lemos:
"Vendo Jesus as multidões, SUBIU A MONTE ... " (Mateus 5:1).
O outro sermão que foi pregado por Jesus relatado por Lucas, apesar de conter palavras bem parecidas e vários conceitos serem repetidos, foi pregado não em um monte, como o primeiro, mas em lugar bem diferente.
Na RA o título do Capítulo 25 de Jó é o seguinte: "DEUS NÃO OUVE OS AFLITOS PORQUE ES­TES NÃO TEM FÉ". Não está um pouco forte a gene­ralização? É verdade que muitos aflitos não têm fé, mas será que nenhum aflito têm fé?
É a própria Bíblia que nos manda ficar aflitos, para podermos receber as bênçãos de Deus. Tiago dá como mandamento o seguinte ''AFLI­GI-VOS, lamentai e chorai." (Tiago 4:9).
Também no Velho testamento o povo era concitado, de vez em quando, a afligir suas almas, para receber o perdão de Deus. (v. Levítico 16:29).
Na Versão Revista e Corrigida e na Revista e Atualizada temos o título do livro de Salomão como "Cantares de Salomão". No primeiro versículo, lemos o verdadeiro título: "Cânticos dos Cânticos". Somente a tradução brasileira tem o tí­tulo correto.
No título que encima o Capítulo 5 de Jui­zes, todas as traduções que consultei têm escrito assim: "O Cântico de Débora". Houve aqui um injustiça quanto aos direitos autorais, pois a música de louvor ao Senhor não é de Débora, apenas, mas foi feita de parceria com Baraque. Leia:
"E cantou Débora e Baraque, filho de Abinoão, naquele mesmo dia, dizendo .... " (Juizes 5:1).
O tradutor também cochilou na concordân­cia verbal. Uma tradução mais correta está na RA: "E CANTARAM Débora e Baraque ... " Ou é porque ele queria mesmo puxar a brasa para o lado de Débora?
No título que antecede Lucas 24:36 na Ver­são Revista e Corrigida (Bíblia de Estudo), lemos: ''Aparição de Jesus aos Doze".
Perguntamos: Onde foi que o titulista foi tomar emprestado o décimo segundo apóstolo, visto que Judas já tinha se suicidado? É claro que só havia mesmo ONZE e não doze! Matias só foi eleito depois da ascensão de Jesus e Paulo só foi chamado muito depois. Não existe qualquer motivo para o título errado, a não ser mesmo o cochilo.
Agora, algo que é realmente de pasmar. é que o apóstolo Paulo também por força do hábito, ao citar o texto em questão, parece não ter obser­vado bem o número dos apóstolos existentes, Ele citou assim:
"E apareceu a Cefas, e depois, AOS DOZE," (I Coríntios 15:5).
Só podemos pensar que "OS DOZE" era como uma espécie de instituição. Contudo, um evangelista mais cuidadoso, escreveu desta maneira:
"E OS ONZE discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designa­do. E, quando o viram, o adoraram. mas alguns duvidaram." (Mateus 28:16,17).
Marcos corrobora tal afirmação. quando afirma:
"Finalmente apareceu AOS ONZE, estan­do eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração ..."­(Marcos 16: 14).
Será que Paulo não disse ONZE e algum copista dos manuscritos originais cochilou e escre­veu DOZE?
Nos evangelhos encontramos muitas vezes Jesus contando histórias da época para ilustrar al­guma verdade e encontramos, ao mesmo tempo, títulos afirmando que são PARÁBOLAS, quando são apenas histórias.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE CINCO VIRGENS DORMIRAM E CINCO FICARAM ACORDADAS


Muitos pregadores, principalmente os nor­te americanos, quando se referem à parábola das dez virgens, chamam as virgens néscias de "virgens dorminhocas" .
Falando sobre as virgens sábias dizem que elas foram aquelas que ficaram despertas à espera do noivo.
Isto porém, decorre simplesmente, da leitu­ra superficial que fazem da Bíblia, pois o texto sagra­do mostra que o caso foi bem diferente disto. Leia:
"E, tardando o noivo, foram TODAS toma­das de sono, e ADORMECERAM". (Mateus 25:5)

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE OS ISRAELITAS COMERAM APENAS MANÁ E CODORNIZES NO DESERTO


Pensa-se, algumas vezes, que os filhos de Israel comeram SOMENTE MANÁ durante os 40 anos que passaram no deserto. Um estudo dos livros que cobrem este período - Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio - contudo, mostrará cla­ramente que eles se alimentaram de outros tipos de comida durante a sua peregrinação.
Em Êxodo 16:35, lemos: "E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos, até que entra­ram em terra habitada. comeram maná até que che­garam aos termos da terra de Canaã."
Isto, porém, não implica necessariamente que os israelitas foram alimentados exclusivamente de maná. Eles tinham rebanhos numerosos que lhes davam leite, queijo e, é claro, um suprimento limi­tado de carne. De tempos em tempos eles tinham que matar animais para comerem, uma vez que quarenta anos de vida é muita coisa para diversos animais de rebanho. Tinha que haver renovação.
Eles começaram a receber o maná pouco depois de saírem do Egito. Mesmo assim, no pri­meiro mês do segundo ano depois da saída do Egi­to, eles celebraram a Páscoa, comendo cordeiro, pães asmos e ervas amargas (Números 9).
Sabemos também que, enquanto passavam por algumas terras, tais como a terra de Esaú, Seir, eles foram instruídos assim:
"Comprareis deles, por dinheiro, COMI­DA para comerdes ..." (Deuteronômio 2:6). Se o maná fosse a única comida que eles tinham que comer, estas instruções a respeito da compra de co­mida estariam completamente fora de lugar!
Vemos a repetição disto em Deuteronômio 2:26-29:
"Então, mandei mensageiros desde o deser­to de Quedemote a Siom, rei de Hesbom, com palavras de paz, dizendo: Deixa-me passar pela tua terra. somente pela estrada irei, não me desviarei para direita nem para esquerda. A COMIDA QUE EU COMA vender-me-ás por dinheiro e dar-me­ por dinheiro a água que beba.
Tão-somente deixa-me passar a pé, COMO FIZERAM comigo os filhos de Esaú que habitam em Seir e OS MOABITAS que habitam em Ar. até que eu passe o Jordão, à terra que o Senhor nos­so Deus nos há de dar."
A tradução King James tem uma surpresa este texto, pois diz: "Tu me venderás CARNE por dinheiro, para que eu coma." (Deuteronômio 2:28).
Por que estas compras de comida, se a dieta eles era puramente maná? Não tem sentido. Vemos a confirmação quando Moisés diz que os filhos de Esaú e os moabitas venderam comida para eles conforme vimos no texto acima.
É verdade que, em certa ocasião, eles se queixaram de ter apenas maná. Lemos isto em Núme­ros 11:6:
"Mas agora a nossa alma se seca. Coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos."
Porém, quão válida era esta queixa? Era absolutamente verdade que eles nada tinham para comer a não ser o maná, ou eles estavam se quei­xando de não terem, na peregrinação, certos alimentos e temperos típicos do Egito? Deus lhes deu co­dornizes a comer nesta ocasião, mas ficou muito aborrecido com eles.
A Bíblia menciona o fato dos espias terem trazido de Canaã um tão enorme cacho de uvas, que ­foram necessários dois homens para carregá-los, como também trouxeram romãs e figos. Por acaso eles não comeram tais frutos? (Números 13:23).
Além do mais, a região através da qual fize­ram 41 acampamentos durante os 40 anos de pere­grinação abrigava vários OÁSIS, onde provavelmen­te cresciam tamareiras e outras fruteiras naturais.
Durante 40 anos, Deus supriu os israelitas com maná, que era seu pão, seu alimento básico, mas não existem razões para pensarmos que esta foi a única ali­mentação que tiveram durante todo aquele tempo.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE A BALEIA VOMITOU JONAS NA PRAIA DE NINIVE

Muitos afirmam que o peixe que engoliu Jonas vomitou-o "na praia de Nínive". Dizem tam­bém que o povo de Nínive contemplou este espe­táculo insólito e, como adoravam ao Deus-peixe. imediatamente aceitaram a mensagem de Jonas.
Lendo a própria narrativa bíblica, você vai descobrir que tais afirmações não têm qualquer fun­damento, por causa dos fatos simples que passare­mos a expor:
Jonas estava no ventre de um peixe no Mar Mediterrâneo, chamado pelos povos da Antigüidade bíblica de "Mar Grande".
Nínive encontrava-se muitos quilômetros para o interior da Assíria, às margens do rio Tigre, o qual observe em um mapa). não tem qualquer comunica­ção com o mar no qual Jonas e o peixe estavam.
Logo depois que Jonas foi vomitado na praia, Deus falou novamente com ele e afirmou algo que só podia ser falado a alguém que tivesse de caminhar bastante, o que realmente aconteceu. Veja os textos e as ênfases:
"E veio a palavra do Senhor SEGUNDA VEZ a Jonas, dizendo: Levanta-te, E VAI (quem vai ai a algum lugar é porque ainda não está no tal lugar) à grande cidade de Nínive (a descrição demonstra que Jonas ainda nem tinha visto a cidade) e  prega contra ela a pregação que eu te disse. E levantou-se Jonas, E FOI A NINIVE (é claro que ainda não estava nela), segundo a palavra do Senhor..."(Jonas3:1-3).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE OS MAGOS ERAM REIS, NEM QUE ERAM TRÊS, NEM QUE SE ENCONTRARAM COM JESUS NA MANJEDOURA


É interessante como a tradição a respeito dos magos que foram ver a Jesus INVENTOU três coisas que, de modo algum, fazem parte do fide­digno relato bíblico.
A primeira delas encontramos nas gravuras que aparecem em todo o mundo, tentando retratar a célebre visita. Nelas, vemos os magos entregando seus presentes diante de um bebê NA MANJEDOURA.
Isto jamais poderia acontecer, pois os ma­gos chegaram em torno de dois anos depois do nas­cimento de Jesus. Vemos isto claramente descrito em Mateus 2:16:
"Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-­se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, DE DOIS ANOS para baixo, conforme o tempo do qual COM PRECISÃO se informara dos magos."
Está vendo? Herodes informou-se "com pre­cisão" dos magos sobre o tempo em que a estrela aparecera no Oriente. O resto das informações que queria não se obteve porque os magos foram embo­ra para casa "por outro caminho". (Mateus 2: 12).
O fato é que os magos jamais estiveram ao lado daquela manjedoura. Quando viram Jesus, José e Maria, eles estavam EM UMA CASA! (Mateus 2:12).
A segunda ilusão a respeito dos magos é que eram TRÊS. A Bíblia jamais revela isto. Existe a inferência, deduzida dos presentes que ofertaram (ouro, incenso e mirra).-(Mateus 2: 11).
O fato de serem três presentes não quer di­zer que eram três magos. Podiam ter sido dois ou quatro, ou até mais. Também podiam ser três.
O ponto é que não se pode afirmar com certeza, baseado nos presentes. Um deles poderia ter trazido o ouro, ou então, se fossem quatro ou cinco, dois ou até três, poderiam ter trazido ouro, dois teriam trazido incenso e um, mirra.
A terceira coisa criada pela imaginação po­pular a respeito dos magos, é que eles eram REIS! Não existe qualquer evidência bíblica de que aque­les homens sábios, ou magos (no original "magi"), eram monarcas poderosos.
Não se pode deduzir isto de suas ofertas.
Podemos apenas entender que eram ricos, porém reis, não.
Ainda há aqueles que afirmam que eram três reis de países e raças completamente diferentes: um branco, um negro e um amarelo.
Quando se trata da Bíblia, não há lugar para muita imaginação.
A Bíblia afirma que "todos os reis se pros­trarão perante ele" (Salmo 72: 11), mas ainda não foi daquela vez. Aqueles homens eram simplesmente estudiosos a quem Deus quis brindar com a glorio­sa experiência de verem Seu Filho ainda criança.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JOÃO FOI O AUTOR DO QUARTO EVANGELHO


Durante anos li os mais importantes comen­tários que existem a respeito do Evangelho de João.
Até hoje, honestamente falando, nenhum ­deles apresentou qualquer evidência interna de que o Quarto Evangelho foi escrito por João.
Os maiores doutores em Teologia e Litera­tura, simplesmente usam o chamado "argumento ­de autoridade", para dizerem: "Não há sombra  dúvidas que o quarto evangelho foi escrito pelo apóstolo João."
Citam a tradição oral e as deduções puramente lógicas e teológicas, mas se esquecem do prin­cipal: o próprio texto bíblico.
Todos os grandes estudiosos do grego sabem que o quarto Evangelho foi escrito em uma lingua­gem muito erudita e escorreita, incompatível com a cultura de um simples pescador como o era João.
Existe um consenso entre muitos estudio­sos da BÍBLIA que o "discípulo amado" de Jesus ­seria o apóstolo João.
Muitos deles afirmam ser João tal apósto­lo, porque é como se ele usasse tal expressão por  motivo de modéstia.
Analisando mais detidamente o Evangelho de João, podemos inferir ser outro e não João, o discípulo por quem Jesus demonstrava um amor tão especial.
No quarto Evangelho, Capítulo 11, Versículos 3 e 5, lemos: "Mandaram-lhe pois suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo AQUE­LE QUE TU AMAS. Ora, Jesus AMAVA a Mar­ta, e a sua irmã e A LÁZARO."
Eis, pois, declarado, quem era o discípulo a quem Jesus amava: Lázaro.
Não existe qualquer evidência interna ou externa que nos impeça de acreditar que Lázaro tam­bém estava assentado ao lado de Jesus durante a última Páscoa.
A BÍBLIA diz no Capítulo 12 do quarto Evangelho que Jesus assentou-se à mesa com os doze, mas silencia a respeito de quem mais estaria com ele.
Será que os discípulos e irmãs que acompa­nhavam Jesus, inclusive ajudando o seu ministério com seus próprios bens, deixariam de ser convida­dos para tão importante acontecimento?
No relato desse evento, lemos: "Ora um de seus discípulos, AQUELE A QUEM JESUS AMA­VA, estava reclinado no seio de Jesus."
Observamos que o evangelista não falou "apóstolo", mas "discípulo".
É claro que, pelo contexto e por todas as evidências internas era Lázaro o discípulo a quem Jesus amava de uma forma especial.
Tenho certeza que foi ele que se reclinou junto a Jesus e, sendo um confidente do Senhor, perguntou: "Senhor, quem há de te trair?"
No quarto Evangelho 18:15 lemos: "E Si­mão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote."
João era um simples pescador do Mar da Galiléia, enquanto Lázaro era aparentemente um homem de grande importância, respeitado pelos judeus, conforme o quarto Evangelho 11: 19,31,33,36,45:
"E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca do seu irmão.
"Vendo pois os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressada­mente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo:
Vai ao sepulcro para chorar ali.
"Disseram pois os judeus: VEDE COMO O AMAVA!
"Muitos pois dentre os judeus, que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fize­ra, creram nele."
Será que era João o amigo do sumo sacer­dote que permitiu a entrada de Pedro na própria casa daquele, ficando no pátio?
Um simples pescador, seguidor de Jesus, tinha assim tal amizade com a suprema autoridade do povo judeu?
Não é muito mais lógico inferir que o ami­go do sumo sacerdote era alguém da sua classe, al­guém que, ao morrer, teve a visita deles, porque pertencia à alta sociedade dos judeus?
Veja o que diz a BÍBLIA sobre o conceito de que ele gozava:
"Muitos dentre os judeus tinham vindo ter com Marta e Maria, para as consolar a respeito de seu irmão." (IV Evangelho 11: 19).
É claro que alguns dos principais sacerdotes posteriormente pensaram até em matar Lázaro, mas só não o fizeram por causa do seu grande prestígio e amizade que tinha com o sumo sacerdote. (IV Evangelho 12:10).
Quando Jesus estava na cruz, encontramos outro relato que se refere ao discípulo "A QUEM ELE AMAVA". Leiamo-lo:
"Ora Jesus, vendo ali sua mãe e que O DIS­CÍPULO A QUEM ELE AMAVA estava presen­te, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. De­pois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa." (Quarto Evangelho 19 :26,27).
A quem Jesus confiaria o cuidado de sua mãe? Confiaria a um apóstolo que recebeu a incumbência de ir por todo o mundo, ou de ir a todas as nações, conforme os relatos de Marcos e de Mateus, ou a um homem de vida sedentária como era Lázaro, o qual tinha uma casa estabelecida em Betânia.
A quem Jesus confiaria sua mãe? A João, que seria deportado para a ilha chamada Patmos onde ficaria em situação instável, ou a Lázaro que tinha uma situação financeira estável?
Se a BÍBLIA diz claramente que os discí­pulos mais chegados de Jesus, os apóstolos, fugi­ram, como João estaria ali perto da cruz?
Não é muito mais evidente que quem esta­va perto da cruz era aquele que devia a vida a Jesus duas vezes?
No relato da ressurreição, no Capítulo 20 do quarto Evangelho, novamente encontramos a referência ao "outro discípulo A QUEM JESUS AMAVA". (v.2).
Pedro entrou primeiro no sepulcro e ficou observando os lençóis e o lenço que tinha estado sobre a cabeça de Jesus.
Quando o outro discípulo entrou, ele VIU E CREU (v.8). Por que? Quem mais estava tão fa­miliarizado com aquele portentoso milagre de ressurreição, a não ser o próprio Lázaro, que fora res­suscitado também?
No final do quarto Evangelho, descobri­mos algo que traz mais provas a respeito de Lázaro ser o "discípulo amado" e não João: Vejamos:
"E Pedro, voltando-se, viu que o seguia AQUELE DISCÍPULO A QUEM JESUS AMA­VA e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é o traidor? Ven­do-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.
"Divulgou-se pois entre os irmãos este dito, que aquele discípulo NÃO HAVIA DE MOR­RER..." (Quarto Evangelho 21:20-23).
A respeito de quem poderia ser divulgado tal dito de que não haveria de morrer? A respeito de João, sem qualquer conotação especial para isto, ou a respeito de Lázaro que havia morrido e que tinha sido RESSUSCITADO?!
Depois de todas estas considerações, pode­mos ainda inferir algo mais tremendo ainda.
O evangelho de Marcos foi escrito por alguém que não pertencia ao chamado "colégio apostólico". O mesmo sucede com Lucas. O evangelho atribuído a João não poderia ter tido o mesmo destino?
Em nenhum lugar do evangelho é citado o nome do apóstolo João. Aliás, em nenhum versículo do quarto Evangelho encontramos o ter­mo "apóstolo". Não seria uma evidência de que o escritor foi um discípulo daqueles que seguiam ao Mestre e não um dos doze?
A única evidência interna apresentada por doutos exegetas a respeito da autoria de João é o versículo 24 do Capítulo 21: "Este é o discípulo que testifica destas coisas." Este quem?
Não poderia e não existe toda a possibili­dade de ter sido Lázaro o autor do quarto Evange­lho? É claro que sim. E que importância teria tal descoberta? Simples e unicamente o desejo de co­nhecer cada vez mais e melhor o texto sagrado, nossa única regra de fé e de prática.
Agora, aproveitando o mesmo tema, vamos ver mais dois casos de autoria:
Existe um consenso entre os exegetas mais ortodoxos que o livro de Deuteronômio foi escrito parte por Moisés, parte por alguém mais, provavel­mente Josué, pois a descrição da morte e sepultamen­to de Moisés não podia ser escrita por ele mesmo.
No primeiro versículo de Deuteronômio, porém, a idéia que parece mais aceitável é que o livro foi todo escrito por outra pessoa, ou por ou­tras pessoas, pois fica muito claro e estabelecido que Moisés não escreveu qualquer palavra do livro.
Por quê?
Vejamos: "São estas as palavras que Moisés falou a todo o Israel, DALÉM DO JORDÃO, no deserto .. " (Deuteronômio 1: 1).
A expressão "dalém" dá a clara idéia de que a pessoa que a escreveu estava "aquém" do Jordão.
Como Moisés jamais atravessou o Jordão,pois Deus o proibira, o livro foi escrito AQUÉM do Jordão a respeito de Moisés, que falara DALÉM do Jordão.
Ora, se a pessoa está falando a respeito de alguém que está do lado de lá e nós sabemos que ele jamais atravessou para o lado de cá, podemos estabelecer que o livro foi escrito a respeito de Moisés e de seus discursos e não por ele próprio.
Outro interessante caso de autoria está no Salmo 72:
Nas Bíblias, Corrigida, Atualizada, Revisa­da e Contemporânea, no título do Salmo lemos:
"Salmo de Salomão."
O Salmo inteiro fala a respeito de eventos que realmente se assemelham a aspectos do reinado do rei Salomão.
No hebraico, o que está escrito, é: "Refe­rente a Salomão."
Está certo. O Salmo refere-se a Salomão, porém foi escrito por Davi.
E o que é melhor, foi um salmo profético, semelhante a muitos outros.
Neste caso, em lugar de ostentar o título "Salmo de Salomão", deveria trazer como epígrafe, "Salmo de Davi" ou, até mesmo, "Salmo de Davi, Referente a Salomão".
E como podemos deduzir isto?
É simples. Basta ler o último versículo do Salmo 72 onde está escrito bem claro, para quem quiser ler, sem cochilar, as seguintes palavras: "Fin­dam aqui as orações de Davi, filho de Jessé."

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE A VARA DE MOISÉS VIROU SERPENTE DIANTE DE FARAÓ


É muito comum acreditar-se, e até muitos pregam, que Moisés lançou a vara DELE diante de Faraó e ela se transformou em serpente. Isto, po­rém, JAMAIS ACONTECEU! A vara que se trans­formou em serpente foi a de Arão e não a de Moisés. Foi Arão quem lançou a vara diante de Faraó, por ordem de Deus, através de Moisés.
O mais incrível, porém verdadeiro, é que foi Arão também quem tocou com a vara nas águas, as quais se transformaram em sangue. Confira com o texto da Bíblia:
"E o Senhor falou a Moisés e a Arão, dizen­do: Quando Faraó vos falar, dizendo: Fazei por vós algum milagre, dirás a Arão: Toma a TUA vara, e lança-a diante de Faraó, e se tornará em serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou sua vara e tornaram-se em serpentes. mas A VARA DE ARÃO tragou as varas deles.
Disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão:
Toma tu a vara, e estende a tua mão sobre as águas do Egito, sobre as suas correntes, sobre os seus rios, sobre os seus tanques e sobre todo o ajuntamento das suas águas, para que se tornem em sangue. e haja sangue em toda a terra do Egito, assim nos vasos de madeira como nos de pedra.
E Moisés e Arão fizeram assim como o Senhor tinha mandado. e levantou a vara, e feriu as águas que estavam no rio, diante dos olhos de Faraó, e diante dos olhos de seus servos e todas as águas do rio se tornaram em sangue." (Êxodo 8-12,19,20).
Além disso, foi Arão quem, por ordem de Deus, fez vir rãs sobre o Egito e feriu o pó da terra, transformando-o em piolhos.
Moisés esteve presente quando tudo isto aconteceu. Porém, foi pelas mãos de Arão, seu ir­mão, e com a vara de Arão e não pelas mãos de Moisés e com a vara de Moisés que tais coisas acon­teceram. Veja também este texto:
"E disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão: Estende a tua vara e fere o pó da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egito. E fizeram assim: porque Arão estendeu a sua mão com a sua vara e feriu o pó da terra, e havia muitos piolhos nos homens e no gado. todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egito. (Êxodo 8:16,17).
Houve uma praga, a das úlceras, sobre os homens e os animais, que foi gerada por cin­za do forno, que Moisés e Arão tomaram seus punhos cheios e MOISÉS a lançou para cima. (Êxodo 9:8-10).
As pragas que foram concitadas por Moisés, foram: a das úlceras, conforme vimos acima, a da saraiva (Êxodo 9:23), a dos gafanhotos (Êxodo 10: 13). e a das trevas (Êxodo 10:22). Portanto qua­tro pragas. Arão, por sua vez, concitou três pragas. Isto soma sete pragas. E as outras três?
As outras três foram realizadas diretamente por Deus, sem qualquer um dos dois varões - Moisés ou Arão - levantarem a mão ou utilizarem a vara. Estas foram: a praga das moscas, a da peste nos ani­mais e a da morte dos primogênitos.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE A ARCA FOI CONSTRUIDA EM 120 ANOS


Noé levou realmente 120 anos para cons­truir a arca, como é a crença de muitas pessoas? A menção dos 120 anos que encontramos em Gênesis 6:3 nada fala a respeito do tempo exigido para cons­truir a arca.
"Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem. porque ele também é carne. porém os seus dias SERÃO CENTO E VINTE ANOS".
Deus simplesmente pronunciou o julga­mento a respeito da humanidade, dando-lhe um prazo de 120 anos, porém nada disse a respeito de como viria este julgamento. Não falou de um dilú­vio, nem da arca, nesta ocasião.
A esta altura dos acontecimentos, Noé es­tava com 480 anos de idade, pois o dilúvio veio quando ele estava com 600 anos, ou seja, 120 anos mais tarde! Os filhos de Noé, Sem, Cão e Jafé ain­da não haviam nascido. Eles só foram gerados quan­do Noé ultrapassou a casa dos 500 anos,
"E foram todos os dias de Lameque sete­centos e setenta e sete anos. e morreu. E era Noé da idade de quinhentos anos e gerou Noé a Sem, Cão e Jafé." (Gênesis 5:31,32).
Somente bastante tempo depois que eles nasceram é que Deus deu ordem para a arca ser construída. Os três filhos de Noé não somente já eram homens feitos quando Deus falou da arca, como já estavam CASADOS. Isto se infere clara­mente do texto bíblico. Veja:
"Faze para ti uma arca de madeira de Gofer. Farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira a farás: De trezentos côvados o comprimento da arca e de cinqüenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima. e a porta da arca porás ao seu lado. far-lhe-ás andares baixos, segun­dos e terceiros.
Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, (AQUI É QUE O DILÚVIO FOI ANUNCIADO), para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus. tudo o que há na terra expiará. Mas contigo estabelecerei o meu pacto, e entrarás na arca tu e os teus filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos contigo." (Gênesis 6:14-18).
Disto tudo concluímos que Noé não levou 120 anos construindo a arca. Pode, sim, ter prega­do durante 120 anos, mas, quanto a construir a arca, isto pode ter tomado um espaço de tempo consi­deravelmente curto, de uns dois a cinco anos

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE HOUVE VENTO OU FOGO NO DIA DE PENTECOSTES


Apesar do Capítulo 2 de Atos dos Apósto­los ser um dos mais conhecidos de toda a Bíblia, seria interessante analisarmos alguns fatos a ele rela­cionados que poderão torná-lo ainda mais notório.
É comum afirmar-se que os quase 120 dis­cípulos estavam reunidos em um cenáculo. Veja­mos se isto é exatamente correto: Em Atos 1:12-­24, Lucas afirma que os apóstolos voltaram do monte chamado das Oliveiras para Jerusalém e, "entrando, subiram ao cenáculo", onde reuniram-se os 11 apóstolos com as mulheres e a mãe e irmãos de Je­sus. Esta reunião, na qual oravam em torno de 20 pes­soas, foi feita realmente em um cenáculo de Jerusalém.
A narração continua dizendo que, NA­QUELES DIAS, Pedro levantou-se no meio da multidão de pessoas que era composta de QUASE 120. Será que estes quase 120 ainda estavam reuni­dos no mesmo cenáculo? O cenáculo era a peça da casa onde se comia a ceia ou jantar. Esta multidão estava, por acaso, no cenáculo, ou em outro local da casa no momento?
Outra coisa: quando os discípulos começa­ram a falar em línguas e uma grande multidão das várias nações que estavam em Jerusalém ficou atô­nita com o fenômeno, eles todos, incluindo os quase 3.000 que se converteram, ainda estavam em uma sala de jantar de uma casa?
Quando Atos 2:1 diz que: "Estavam todos reunidos NO MESMO LUGAR", significa ape­nas que estavam juntos. Não quer dizer que esta­vam no mesmo lugar onde estivera antes aquele grupo de em torno de 20 pessoas. Sem qualquer dúvida, tinham que estar em um lugar maior para comportar a grande multidão de quase 3.000 que se converteram, mais um grande número dos que não se converteram.
Eles estavam numa casa (2:2), a qual devia ser um lugar mais espaçoso, sem dúvida. E, dali, após a descida do Espírito Santo, devem ter saído à rua, falando em línguas que, naquela ocasião, não foram línguas estranhas, e sim, todos, apesar de galileus (2:7), estavam falando nos diversos idio­mas representados, "as grandezas de Deus:' (2: 11).
Apesar de o Espírito Santo ser comparado, por inferência, com o vento (v. Ez. 37:9 e Jo. 3:8), no dia de Pentecostes NÃO HOUVE VENTO. Veja, você mesmo, o que diz a Bíblia:
"E, de repente, veio do céu UM SOM, COMO DE UM VENTO veemente e impetuo­so, e encheu toda a casa em que estavam assenta­dos." (2:2). Vê? O que encheu a casa foi o SOM, não algum vento. Aquilo foi apenas uma comparação. Comparação semelhante encontramos em Apocalipse 14:2 e em várias outras passagens: "E ouvi uma voz do céu, como a voz de MUITAS ÁGUAS... "
Deus é também chamado de FOGO CON­SUMIDOR (Hebreus 12:29), porém, para sermos literais, temos que entender que as línguas reparti­das que pousaram sobre cada discípulo no dia de Pentecostes, eram COMO QUE DE FOGO (2:3). Isto quer dizer que eram parecidas aos olhos humanos com o fogo provocado pela combustão de algum material inflamável, mas eram algo di­verso, transcendental, divino.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE ALGUNS DITADOS QUE AS PESSOAS FALAM DIZENDO QUE SÃO BÍBLICOS, SÃO REALMENTE BÍBLICOS


Existe uma frase que é muito citada por membros leigos das igrejas, como se fosse um versículo bíblico. Ela é: "Os viciados não herdarão o reino dos céus." Esta frase não existe na Bíblia, mas existe outra que diz: "Ele conhece os homens vãos, e VÊ O VÍCIO." (Jó 11: 11).
Outra frase que não existe na Bíblia e que é muito citada como se fosse versículo, é a seguinte: "Faz a tua parte que eu te ajudarei." Apesar de não existir a frase, o conceito mais ou menos existe em textos como este: "Não temas, porque eu sou contigo: não te assombres, porque eu sou teu Deus: eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça." (Isaías 41: 10).
Agora cuidado, pois a frase popular e tão conhecida "Quem dá aos pobres, empresta a Deus", existe na Bíblia, apenas com uma troca de palavras. Muita gente já discutiu com aqueles que a citam, dizendo que ela não existe na Bíblia, e tiveram que deparar-se com Provérbios 19:17 "Ao Senhor em­presta o que se compadece do pobre, e Ele lhe pa­gará o seu benefício."

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE A NOSSA FÉ TEM QUE SER DO TAMANHO DE UM GRÃO DE MOSTARDA


Nem em Mateus 17:20, nem em Lucas 17:6, Jesus disse "se tiverdes fé DO TAMANHO de um grão de mostarda", mas em ambas as ocasi­ões Ele disse: "se tiverdes fé COMO UM GRÃO de mostarda", o que é algo totalmente diferente.
"Como um grão de mostarda" está referin­do-se à qualidade do grão.Os melhores horticultores já tentaram, em vão, HIBRIDAR o grão de mos­tarda e não o conseguiram. Com as outras hortali­ças isto é muito fácil. A fé genuína é como a se­mente de mostarda, que não pode ser mesclada com "filosofias e vãs sutilezas".

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O COXO CURADO POR PEDRO ESTAVA À PORTA DO TEMPLO


No episódio da cura do homem coxo, em Atos 3, existe um detalhe bem interessante que merece ser observado.
Muitos imaginam que o coxo estava senta­do à porta do templo, quando Pedro e João iam entrando. A coisa não foi bem assim. A Bíblia diz que era naquela porta que ele pedia esmolas todos os dias mas, quando encontrou-se com os apósto­los, estava exatamente SENDO CARREGADO por alguém para ser colocado no local costumeiro.
"E Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona. E ERA TRAZIDO um va­rão que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual, todos os dias, punham à porta do templo, chama­da Formosa, para pedir esmolas aos que entravam." (Atos 3:1,2).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE DALILA CORTOU OS CABELOS DE SANSÃO


Existe uma famosa pintura de André Mantegna (1431-1506). de Sansão e Dalila e ela está cortando o cabelo dele. Isto reflete uma crença muito comum a respeito desse assunto. Isto, po­rém, não é verdade. Dalila não cortou sequer um  fio de cabelo de Sansão.
Quem cortou, então, o cabelo de Sansão? A Bíblia diz que foi um homem. Veja:
"Então ela o fez dormir sobre os seus joelh­os, e chamou a um homem, e RAPOU-LHE as sete tranças do cabelo de sua cabeça. e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força." (Juizes 16:19).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE ELISEU AMALDIÇOOU OS RAPAZINHOS SÓ PORQUE LHE CHAMARAM DE "CARECA"


Com uma maldição proferida por Eliseu, 42 rapazinhos foram mortos por duas ursas que saíram do bosque, por causa da maldição. Eles estavam zom­bando de Eliseu, com uma frase chistosa: "Sobe, calvo, sobe, calvo!" (II Reis 2:23). Muitos dizem que Eliseu ficou irritado por ser chamado de "calvo".
Analisando bem o fato, olhando-o com olhos perscrutadores, poderemos descobrir o ver­dadeiro motivo pelo qual o profeta de Deus enten­deu, pelo espírito, que havia algo mais sério, de natureza espiritual, naquela zombaria.
Havia pouco, Elias tinha subido ao céu num redemoinho. Eliseu era o sucessor de Elias, a voz de autoridade sobre a terra naquele momento. Enquan­to Deus teve um plano especial e glorioso com Elias, de arrebatá-lo sem experimentar a morte hu­mana, física, com Eliseu seu plano foi diferente, pois o profeta morreu de morte natural.
Na zombaria dos rapazinhos, dizendo:
"Sobe, calvo, sobe, calvo!", estava implícita a suges­tão de que Eliseu também deveria subir ao céu. Em outras palavras, aqueles rapazes estavam dizendo:
"Vamos ver, Eliseu, prova que tens o mes­mo poder, consagração e autoridade de Elias. Sobe também do modo como ele subiu!".
Isto, se continuasse, tiraria, diante do povo, a autoridade profética de Eliseu, pois muitos inter­pretariam da mesma maneira a unção de Eliseu. Sua maldição teve uma razão de ser muito mais pro­funda do que apenas "vingar-se" de rapazinhos ir­responsáveis que o estavam chamando de "careca".

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE MARDOQUEU ERA TIO DE ESTER


Durante a vida eclesiástica já escutei mui­tos sermões falando de Mardoqueu como sendo TIO de Ester, o qual a criou desde pequena.
Mardoqueu, porém, não era tio de Ester e sim PRIMO. Eis o que diz a Bíblia:
"Este criara a Hadassa (que é Ester, filha do seu tio), porque não tinha pai nem mãe, e era moça bela de parecer, e formosa à vista. e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha." (Ester 2:7).
A confusão é criada por alguns por causa da referência ao TIO de Mardoqueu, Abigail. Veja:
"Chegando pois a vez de Ester, filha de Abigail, TIO DE MARDOQUEU (que tomara por sua filha), para ir ao rei ... " (Ester 2: 15).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS SURROU OS VENDILHÕES DO TEMPLO


"E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos e os cambiadores assentados. E, tendo feito um azorrague de cordéis, lançou to­dos fora do templo, também os bois e ovelhas e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas." (João 2:14,15).
Apesar do detalhe do "azorrague de cordéis" e do autor do quarto evangelho ter testemunhado que Jesus lançou todos fora do templo, não existe qualquer motivo para pregadores mais inflamados afirmarem que Jesus aplicou uma tremenda surra naqueles vendilhões do templo.
.          O próprio caráter de Jesus contradiz tal afirmação.
O que parece mais evidente é que ele, bran­dindo o tal chicote, usou-o para escorraçar os ani­mais dormentes, mas não chegou a aplicar chicota­das em qualquer dos homens ali presentes.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE MOISÉS PECOU PORQUE FERIU A ROCHA, OU PORQUE A FERIU DUAS VEZES


Qual terá sido o verdadeiro pecado de Moisés, o qual impediu-o de entrar na terra pro­metida? O que terá levado Deus a proibir seu profeta e libertador de gozar daquela conquista tão maravilhosa? Deve ter sido um ato bem maior do que o que normalmente se comenta a respeito. Va­mos analisá-lo.
O que mais se afirma é que Moisés teria ferido a rocha para dela tirar água, quando Deus apenas havia dito para ele FALAR à rocha. Há quem diga que o verdadeiro pecado de Moisés foi o de ferir a rocha DUAS VEZES, quando deveria tê-la ferido apenas uma.
Em Meribá, Deus diz para ele tomar a vara (Êxodo 17:5) e ferir a rocha (17:6). Em Refidim Deus manda novamente que ele tome a vara (Nú­meros 20:8) e fale à rocha (mesmo versículo). Moisés, então, levantou a sua mão e feriu a rocha DUAS VEZES (Números 20:11).
Deus chega a Moisés e Arão e afirma algo tremendamente duro. Fica até difícil de ser enten­dido o porquê. Veja o que ele diz:
- Porquanto não me crestes em mim, PARA ME SANTIFICAR diante dos filhos de Israel, por isso não metereis esta congregação na terra que lhes tenho dado (Números 20:12).
No livro de Deuteronômio (32:51), encon­tramos uma repetição do que Deus falara, desta vez com mais detalhes:
- Porquanto prevaricastes contra mim no meio dos filhos de Israel, nas águas da contenção em Cades, no deserto de Zim, pois ME NÃO SANTIFICASTES no meio dos filhos de Israel.
A primeira coisa que entendemos é que o problema maior foi o de NÃO SANTIFICAR A DEUS, o que significa deixar de dar-lhe glória por algum motivo.
Outra coisa que também entendemos é que na segunda vez Deus mandou Moisés TOMAR A VARA. Se não fosse para ferir a rocha pela segun­da vez, para que tomar a vara? Se fosse apenas para falar, não haveria qualquer necessidade de DEUS MESMO mandar Moisés tomar a vara.
Quanto a ter ferido uma ou duas vezes (e as duas vezes indicam provavelmente uma certa dose de ira), não vem tanto ao caso, porque Deus não se referiu a tal.
O problema, com já dissemos, foi mais profundo, algo mais sério. A Bíblia mostra sem sombras de dúvidas o que sucedeu. Antes de ver­mos diretamente o texto, vamos ver outra ênfase que se encontra em Salmos 106:32,33, falando a respeito do mesmo assunto:
"Indignaram-no também junto às águas da contenda, de sorte que sucedeu mal a Moisés, por causa deles, porque irritaram o seu espírito, de modo que FALOU IMPRUDENTEMENTE com seus lábios."
Vê como o caso foi relacionado com o FALAR IMPRUDENTEMENTE? Tem a ver com algo que Moisés falou que desagradou profundamente a Deus. Vamos, agora a Números 20:10, onde se reconhece facilmente o que aconteceu:
"E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura TIRAREMOS água desta rocha para vós?"
Vemos aqui uma expressão egoísta ("tiraremos"), uma dúvida ("porventura"), e uma ausência total da glória devida a Deus, o que deveria ser expressão tal como: "Ouvi agora, rebeldes, COM CERTEZA Deus tirará água desta rocha para vós!"
Esta imprudência no falar, deixando de dar glória a Deus, para lançar aquele feito sobre si mesmo e Arão, fez com que Moisés perdesse a bênção de penetrar com o povo na terra Prometida.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS VIRÁ COMO UM LADRÃO PARA OS CRENTES


"Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva. porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite." (I Tessalonicenses 5:1,2).
Este texto tem sido um dois mais citados e respeito do qual mais se tem pregado, principalmente nestes últimos dias. O que a grande maioria dos pregadores, contudo, deixa de citar e explicar, é o versículo que vem logo em seguida, o versículo 4 do mesmo Capítulo de I Tessalonicenses. Ei-lo:
"Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia COMO LADRÃO VOS APA­NHE DE SURPRESA."
Vale a pena meditar um pouco neste tre­cho sagrado e tão glorioso não é mesmo?

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE EXISTE MAIS DE UM ARCANJO


Apesar de uma tradição afirmar que existem três arcanjos - Miguel, Gabriel e Rafael - a Bíblia ja­mais fala de mais de um arcanjo, o qual é Miguel.
Gabriel é um anjo poderoso que, segundo seu próprio testemunho "assiste diante de Deus" (Lucas 1:19), porém não existe qualquer referência que aponte Gabriel como arcanjo. Como anjo, sim, mas como arcanjo, nunca.
Rafael não é citado na Bíblia, portanto está fora se cogitação. Resta Miguel. Este é realmente O arcanjo de que falam as Escrituras. Como o pró­prio nome está dizendo, ARCANJO significa "Pri­meiro Anjo", ou ''Anjo Principal", logo, se existe um primeiro, ou principal, os outros são anjos, mas não arcanjos.
As referências a respeito de tal assunto en­contram-se nos textos que citamos a seguir:
I Tessalonicenses 4:16 - "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com VOZ DE ARCANJO e com a trombeta de Deus. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
A RA é mais específica pois diz "a voz DO arcanjo".
Judas 9 - "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo ... "
Apocalipse 12:7 - "E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalharam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos."
Como vemos, Miguel é o comandante dos anjos, ou seja, O anjo principal, OU ARCANJO!

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE AS 99 OVELHAS FICAM SEGURAS NO APRISCO


Falando sobre a parábola da ovelha perdida, existe um hino que afirma o seguinte:
"As noventa e nove Seguras no aprisco .. "
Existe outro hino que confirma tal declaração com uma semelhante:
"Noventa e nove ovelhas há Seguras no curral"
Será que tais frases poéticas estão de acordo com o que está escrito na Bíblia? Vamos ver o que diz o evangelista Lucas:
"Que homem dentre vós, tendo cem ove­lhas, e perdendo uma delas, não deixa NO DE­SERTO as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la?" (Lucas 15:4).
Está vendo? Quando o pastor sai em busca da ovelha desgarrada, as outras noventa e nove fi­cam no deserto. Isto demonstra o grau de cuidado do pastor em relação à que se desgarra.
A confirmação disto encontra-se no Evan­gelho de Mateus 18:12:
"Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele NOS MONTES as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou?"
É sempre aconselhável dar um boa olhada na Bíblia, na hora de compor algum hino, não?

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE SAULO CAIU DE UM CAVALO

Apesar de tantos quadros, pintados por di­ferentes pintores, mostrando Saulo montado ora em um cavalo, ora em um mulo, não existe qual­quer evidência que ele estaria montado em um ani­mal de sela.
Naquele tempo um judeu possuir um cavalo ou mula, ou até mesmo um jumento era algo raro e dependia das muitas posses de alguém. Isto porque os romanos confiscaram todo o animal que podia ser montado para servir de montaria às suas legiões ou para carregar víveres durante as batalhas.
Graças às curtas distâncias do Oriente Mé­dio, muitas viagens eram feitas inteiramente a pé. Paulo deveria estar viajando a pé, o que seria algo perfeitamente normal (Atos 9:1-4).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O FILHO PRÓDIGO COMEU DA COMIDA DOS PORCOS


Há muitos que afirmam, durante suas men­sagens, que o filho pródigo depois que gastou toda sua fortuna, de maneira dissoluta, foi trabalhar nos campos de certo cidadão, cuidando de porcos. Até aí está tudo de acordo com o que diz a Bíblia. Con­tudo, gostam de acrescentar que o filho pródigo comia comida de porcos, as alfarrobas, que servia aos suínos que apascentava.
A Bíblia diz apenas que ele "desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos co­miam" (Lucas 15:16). Entre desejar comer e efeti­vamente deglutir aquela alimentação estranha ao homem, era algo bem diverso.
Algumas traduções dão "alfarrobas", en­quanto que outras dão "bolotas". Encontramos tra­duções com "vagens", "palha de milho" e "legumes". Julgamos que a melhor tradução é mesmo "bolo­tas", que são glandes do carvalho ou da azinheira.
Outra curiosidade do texto é que esta ex­pressão "ninguém lhe dava NADA." (V-16), dá a impressão que ele queria comer as bolotas e nin­guém queria lhe dar algum pão ou outro tipo de comida. Esta palavra NADA é um acréscimo de composição, ou seja, palavras que são colocadas para compor melhor o texto, mas que não se encon­tram nos originais.
A tradução mais correta seria, então, a se­guinte: "E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém LHAS DAVA." Ou seja, ele bem que comeria as tais bolotas, o problema é que nem mesmo as bo­lotas eram liberadas para sua alimentação.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE MARTA ERA UMA BOA DONA DE CASA


Apesar do próprio Senhor Jesus Ter dito que Maria havia escolhido a melhor parte, assentando-se aos seus pés para ouvir sua palavra, há muitas pessoas cristãs que defendem Marta de maneira renhida.
Dizem que Marta estava simplesmente fazendo seu trabalho doméstico, como qualquer boa dona de casa.
O que a Bíblia diz é que ela andava "DIS­TRAÍDA em MUITOS serviços." (João 10:40).
Isto demonstra que Marta, apesar do seu desejo imenso de fazer um bom trabalho, de servir e de agradar, não era uma dona de casa bem organizada, capaz de fazer seu trabalho sem distração, a fim de ter tempo para ouvir Jesus.
O Senhor, ao reclamar sua maneira pouco ortodoxa de dar contas de suas tarefas, disse: "Estais ANSIOSA e afadigada COM MUITAS COISAS."
O Senhor Jesus captou uma série de pro­blemas que normalmente atrapalham algumas donas de casa: Marta era DISTRAÍDA, não organizava bem suas tarefas, querendo fazer muitas coisas mesmo tempo, era ANSIOSA e ultrapassava seus limites. Alem do mais, não sabia planejar suas PRI­ORIDADES, principalmente buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. Deseja um diagnóstico  melhor? (João 10:38-42).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE MARIA MADALENA ERA UMA PROSTITUTA


Maria Madalena, aquela mulher que acompa­nhava Jesus e o servia, que esteve junto da cruz e foi a primeira a vê-lo ressuscitado e que o anunciou aos ou­tros irmãos, tem recebido, durante séculos de cristianis­mo, uma pecha desagradável que jamais mereceu.
Apesar de Jesus ter expulsado dela 7 demô­nios (Lucas 8:2), não existe qualquer referência que afirme que a pobre mulher, antes de conhecer a Je­sus, tenha sido uma PROSTITUTA!
Talvez a confundam com a mulher PECADO­RA, que regou os pés de Jesus com lágrimas e enxugou­-os com seus próprios cabelos. (Lucas 7:36-50).


A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O DINHEIRO É A RAIZ DE TODOS OS MALES


Embora muitas pessoas citem esta frase: "O dinheiro é a raiz de todos os males", não é isto que está escrito na Bíblia. A Bíblia diz que O AMOR AO DINHEIRO é a raiz de todos os males (I Ti­móteo 6: 10).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JUDAS SE ENFORCOU


"E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar." (Mateus 27:5).
"Ora, este adquiriu um campo, com o galardão da iniqüidade e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derrama­ram." (Atos 1:18).
Estes dois textos, ambos referindo-se a Judas Iscariotes, tem sido muito discutido no decorrer dos séculos,. Muitos acham que existe contradição entre as duas narrativas, porém existem algumas teorias que descartam a possibilidade de contradição.
Existe a chamada "teoria da corda partida". Há quem pense que Judas realmente enforcou-se, Porém, na hora em que se enforcou à beira de um precipício, a corda quebrou-se e ele caiu lá embaixo.
O que pode realmente ter acontecido é que ele saiu para se enforcar, porém, vendo um abismo diante de si, e estando desesperado, nem chegou a preocupar-se em preparar um laço de forca. Saltou no vazio e... arrebentou-se!

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O CESTO ONDE MOISÊS FOI COLOCADO SAIU BOIANDO PELO RIO NILO


São muitas as pregações e estudos bíblicos que falam do episódio do nascimento de Moisés e de ele ter sido encontrado pela filha de Faraó.
Nestas narrativas em sermões, estudos e li­vros, contam que Moisés foi colocado em um ces­to bem forrado e calafetado e ele foi colocado à deriva no rio.
A filha de Faraó não desceu ao Nilo para tomar banho, uma vez que ele era infestado de cro­codilos e isto era um perigo muito grande. A Bíblia diz que ela desceu para lavar-se.
Quando Moisés, com três meses, foi colo­cado no cesto, a Bíblia não diz que ele foi lançado nas águas. Nossas traduções em português, umas dizem que ele foi colocado em um "carriçal" e a outra diz que ele foi colocado "nos juncos". Ambas dizem que ele foi colocado À BEIRA DO RIO e não dentro dele. Confira Êxodo 2: 1- 5 e você terá a confirmação disto.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE SATANÁS FOI UM ANJO DE LUZ E DEPOIS CAIU

Existem no meio evangélico, ensinamentos que são transmitidos há muito, repetidos por gera­ções de mestres, recebidos por tradição, os quais jamais foram analisados com o cuidado necessário, à luz das Escrituras.
A tradição tem substituído o texto sagrado em muitas doutrinas. Os ensinadores, com medo de se expor, preferem repetir o que outros mais importantes falaram, dentro da esfera do "argumento de autoridade".
E o que é argumento de autoridade? É o seguinte: se um homem é importante dentro da sua igreja ou se já fez alguns cursos de nível superi­or, tudo o que ele diz é considerado verdade por muitos, principalmente se tiver escrito um livro.
Costumo sempre fazer esta pergunta: "Você crê mais na Bíblia ou nos ensinamentos de sua denominação?"
Muitos, surpresos, respondem: "E, por aca­so, minha denominação ensina algo que não é ensinado pela BÍBLIA?" Bem, prezado leitor, apesar de isto parecer quase impossível, vou lhe dizer: todas as denominações que eu conheço ensinam muitas coisas  que não se encontram na santa Palavra de Deus. Foram herdadas da igreja católica, que por sua vez herdou dos mitos e narrativas do paganismo.
Não foi por acaso que um dos mais notá­veis homens de Deus que já li, Ben Adam, escreveu estas palavras:
"Quando digo que, hoje em dia, para a grande massa do público professadamente religio­so, a Bíblia é um livro quase que totalmente desco­nhecido, estou simplesmente enunciando uma ver­dade. O estudo da Bíblia, como meio de se procu­rar conhecer a vontade de Deus sobre alguma parti­cularidade, praticamente morreu; e a leitura devocional das Escrituras sagradas, até mesmo en­tre os crentes evangélicos, é uma exceção, quando deveria ser a regra."
Quando apresentamos os textos bíblicos analisados, a surpresa é maior, pois descobrem que a tradição nas igrejas tem, em muitos casos, substi­tuído a Palavra de Deus."
Vamos analisar uma crença que veio do pa­ganismo, foi perpetuada na literatura e nas artes, porém não é ensinada pela Palavra de Deus. Refiro-me à pretensa queda de Satanás.
O ensino tradicional é que Satanás era um anjo bom que vivia no céu, tinha a categoria de arcanjo, era regente do coral celestial, mas um dia, movido de inveja, cheio de cobiça, cheio de vaida­de, resolveu insurgir-se contra a autoridade divina, moveu uma rebelião contra Deus, seduziu um grande número de anjos e foi expulso do céu.
Nesta hora houve uma catástrofe tão gran­de que a terra que havia  sido criada por Deus, de maneira tão bela, passou a ser "sem forma e vazia".
Também ensinam que ele estava no Éden e era perfeito, até que nele se achou iniqüidade. Ora, se sua queda só se deu no Éden, como é que ensinam que a grande catástrofe que destruiu a forma da terra se deu lá no princípio, quando ele caiu?
E  se ele caiu lá no princípio da criação, como é que no Éden ele ainda era perfeito?
Outra coisa: como Satanás pôde pecar sem ser tentado? Se alguém, por acaso, o tivesse tentado não teria sido Deus, porque Deus "não pode ser tentado  pelo mal e a ninguém tenta" (Tiago 1: 13).
E se alguém mais o tentou, teria que ser um tentador independente de Deus e se houvesse um tentador independente de Deus, então ele sena diabo primeiro, o primeiro Satanás.
Não é mais lógico, mais coerente, mais honesto, acreditar no que diz a Bíblia, aceitando a soberania de Deus e submetendo-se à Sua vontade? Você, leitor, está disposto a acreditar mais na Bí­blia, mesmo que o que ela disser, seja diferente do que ensinam as autoridades da sua Igreja?
Antes de continuar a ler, deixe-me logo explicar uma coisa muito importante: eu não sou mórmon (aliás, detesto os erros deles), nem sou testemunha de Jeová (também detesto os erros de­les), nem tenho compromisso doutrinário com  qualquer denominação.
Sou apenas um crente em Jesus Cristo, es­tudioso das Escrituras, amigo dos pastores e prega­dores, mas considerado "herético" por muitos, por­que só acredito no que a Bíblia diz.
O próprio Senhor Jesus Cristo afirmou coisa muito diferente do que se ensina hoje sobre Sata­nás, quando afirmou: "Vós tendes por pai ao dia­bo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai: ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele ... (João 8:44).
Jesus colocou este Arkê=Princípio, como o limite. Satanás jamais se firmou na verdade. Nem uma hora, nem um minuto, ou um segundo, Sata­nás firmou-se na verdade.
Então ele é o diabo desde o princípio. Deus o fez com esta finalidade, para, opondo-se ao seu plano cósmico, eterno, dar opções para os seres cri­ados fazerem uma escolha entre o bem e o mal.
O bem e o mal são criações de Deus no plano metafísico. Se, no plano epistemológico, pragmático, ou, simplificando, na realidade terrena, vemos a tremenda oposição entre o bem e o mal, no plano metafísico ambos convergem para o cum­primento do plano eterno de Deus.
Deus transcende o bem e o mal. Ele é supremo, superior a tal esfera. Não depende das nos­sas medidas ou julgamentos. Isaías afirma que Deus é o próprio criador do mal. Se ele não fosse o cria­dor do mal, teria que haver um outro Deus que o fizesse, ou então Deus teria que ser aquela entidade dualística ensinada pelo Taoísmo, Hinduísmo e outras crenças: Deus = Bem/Mal.
Veja o que diz Isaías: "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, faço todas estas cousas". (Isaías 45:7).
Alguns teólogos, com medo de admitirem algo tão grande e tremendo, dizem que este texto não se refere ao mal ontológico, mas ao mal pragmático, aos males que assolam a terra. Se assim fosse Deus teria dito o seguinte: "Crio os males".
A primeira epístola de João corrobora e es­clarece ainda mais o que Jesus afirmou. Leiamos:
"Quem comete o pecado é do diabo; por­ que o diabo peca desde o princípio" (I João 3:8)
Agora, chegou a hora de perguntarmos pela primeira vez: você crê mais na BÍBLIA ou nos ensinamentos da tradição? Para não perder sua po­sição privilegiada na igreja, você prefere ensinar a mentira ou, simplesmente, esconder a verdade? Prefere ficar calado e ser uma "Maria vai com as outras", concordando com erro, porque isto não vai lhe "queimar"?
Existe algum exegeta mágico que seja capaz de distorcer estes dois textos, procurando alguma outra explicação para o princípio?
Se foi no início da criação, ou no início da vida dele, ou no início da vida do homem, ou seja lá qual tenha sido, o fato insofismável é que quan­do Satanás começou a existir, já começou a pecar, porque ele já foi feito com a natureza pecaminosa, para cumprir um propósito.
Tal propósito está inserido, embutido e oculto na economia divina. Não temos qualquer senha de acesso para tal propósito.
Você questionará o Criador por causa dis­to? Não é melhor aceitar o fato que Deus fez o diabo com a missão específica de assolar a terra, de tentar o homem, de acusá-lo, de cumprir a ira divi­na sobre as pessoas, famílias e nações?
Veja o que diz um texto proferido pelo pro­feta Isaías: "Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, que produz a ferramenta para a sua obra; também criei O ASSOLADOR, PARA DESTRUIR". (Isaías 54:16)
Os únicos textos usados pelos que advo­gam que Satanás era bonzinho, são Ezequiel 28 e Isaías 14. Também se referem à citação que Jesus faz em relação a Satanás ter caído do Céu. Vamos analisar cada um deles.
Quando Jesus enviou os setenta para reali­zarem a obra inicial da evangelização, eles saíram entusiasmados e voltaram mais entusiasmados ain­da quando viram o resultado do trabalho realizado.
Eis o que diz Lucas: "E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam" (Lucas 10: 17).
Até aquele tempo jamais um demônio ha­via sido expulso. Era o início de algo completamente novo. Vemos, por exemplo, casos como o de Saul, em que um espírito mau da parte do Senhor vinha atormentá-lo e Davi, tocando a harpa o aliviava, mas não se fala ali de expulsão de demônios.
Ao ser iniciada a batalha espiritual na terra para destruir as obras do diabo, Satanás, o príncipe das potestades do ar, vendo que seu império estava se desmoronando, resolveu descer até ao nível da terra.
Jesus vendo o que acontecera, usou o pre­térito imperfeito do verbo e afirmou: "Eu VIA Satanás, como raio, cair do céu" (Lucas 10:18). Não existe, nesta frase de Jesus, qualquer idéia que Satanás era bom e depois tornou-se mau.
Vamos analisar, agora, alguns detalhes im­portantes de Ezequiel 28, o texto é mais utilizado por exegetas impacientes para tentarem provar que Satanás um dia foi bom e depois tornou-se mau.
Abra sua BÍBLIA, leia com atenção umas duas vezes, no mínimo este texto, até o versículo 19 e depois acompanhe nossa análise honesta e espi­ritual do texto.
A profecia de Ezequiel é eclética, mística e hermética. A profecia é contra o rei de Tiro, mas, ao mesmo tempo, há expressões que claramente se referem a outro personagem. Quem seria este ou­tro personagem? Você aprendeu que era Satanás. mas, será que era mesmo?
No início tal personagem é apresentado cheio de vaidade e orgulho espiritual, ao ponto de querer ser igual a Deus. No versículo 9 descobrimos que, no momento que ele se apresenta como um Deus, a Palavra diz que ele é homem, e não Deus.
Ora, se ele é homem, não pode ser Satanás porque Satanás é espírito. Se não é Satanás, nem é o rei de Tiro, é alguém muito importante no plano de Deus. Quem?
Na segunda parte do texto, que vai do versículo 11 ao 19, parece que tudo muda por com­pleto. Não podemos mais pensar neste personagem em termos do rei de Tiro. É alguém tão especial que vamos citar todo o texto:
"Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Jeová: Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedo­ria e perfeito em formosura."
"Estavas no Éden, jardim de Deus: toda a pedra preciosa era a tua cobertura, a sardônia, o topázio, o diamante, a turquesa, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro: a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado foram preparados.
"Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci: no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.
"Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti".
Muitas mentes criativas, férteis, consegui­ram interpretar este texto como referente a Satanás.
Se o texto fala de Satanás, perguntamos: o que estava ele fazendo no Éden, junto com Adão? Se ele já era mau e estava ali para fazer o homem pecar, como passou um período sendo bom, no mesmo Éden?
Se ele era querubim protetor, ou cobridor, ou guarda, como significa sua função, ou melhor a de um querubim, pois querubim é um guarda, um guardião, ele estava ali guardando o Éden contra o que, ou contra quem?
Contra outro Satanás? Aquele que o fez pecar, aquele que o tentou?
Estava guardando o Éden contra si mesmo? Se não era Satanás o querubim/guarda, quem era o guarda do Éden? A BÍBLIA sempre res­ponde a BÍBLIA, sempre. Leiamos Gênesis 2: 15:
"E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar E O GUARDAR".
Quem era, pois, o guarda/querubim do Éden? Adão, é claro!
Contra que ou contra quem Adão foi colo­cado para guardar o Éden? Contra Satanás!
Isto não aconteceu a contento, disto nós sabemos, o que acarretou toda a gama de proble­mas que vieram pela falta de cuidado de Adão.
E quem era o aferidor da medida? Adão, é claro. Por quê?
O que significa aferidor? "Instrumento de medição; conferido e harmonizado com o padrão; modelo; gabarito; régua; protótipo", etc.
Adão, como o primeiro homem, era o modelo para todos os demais. Como houve falha, Deus enviou outro aferidor, Jesus Cristo.
Jamais Satanás poderia ser aferidor de qual­quer coisa boa dentro do plano da criação de Deus.
Nossos primeiros pais viviam nus e não sa­biam, ou não viam isto, porque estavam vestidos de luz, vestidos do brilho das pedras afogueadas.
Em linguagem simbólica, não significa que estavam carregados de pedras, mas era uma luz tão bela que dificilmente poderia ser descrita por lin­guagem humana, o que fez o profeta descrever da maneira mais bela que ele podia.
Adão era perfeito, até que nele se achou iniqüidade.
Satanás nunca foi perfeito, porque Deus já O criou para assolar, para destruir, como instrumen­to de sua ira, conforme podemos constatar em dois textos paralelos do Velho Testamento.
Leiamos, em primeiro lugar, I Crônicas 21: 1: "Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel". Vemos, neste tex­to, que foi Satanás que incitou Davi.
Leiamos, agora, II Samuel 24: 1 :"E a ira do Senhor se tornou a acender contra Israel: e incitou Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel de Judá".
Afinal, quem incitou a Davi? Deus ou o diabo? Digamos que foi Deus, usando seu servo negativo, Satanás. Ele é o instrumento da ira de Deus, já que Deus é amor e é imutável. Ele criou O assolador para destruir, no momento em que ele precisa usar alguém assim.
No livro de Jó, quando os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, a Bíblia diz que "veio também Satanás entre eles" (Jó 1:6).
Deus dialogou com ele. Perguntou de onde ele vinha e falou sobre Jó. Deus queria provar a Jó e, como Deus não faz nada negativo, usou seu ins­trumento negativo e deu ordens para ele tocar nos bens e na família de Jó e, mais tarde, em seu pró­prio corpo.
Por que Satanás não fez isto antes, por quê?
Porque ele só faz qualquer coisa quando Deus o usa para fazê-lo. Ele não é tão autônomo, tão independente como muitos pensam e ensinam. Ele é um servo!
Veja o caso de Pedro, por exemplo. Em Lucas 22:31,32, nós lemos:
"Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos."
Veja como Satanás teve que pedir! Se ele fosse livre para tentar qualquer um, ele simplesmen­te tentaria sem pedir qualquer permissão.
Veja que Jesus não está falando somente sobre Pedro. Ele está falando sobre todos os após­tolos, pois diz: " vos pediu." Está no plural. Sata­nás pediu todos os apóstolos. Jesus disse que iria rogar, particularmente por Pedro, porque ele ainda não era convertido em plenitude.
Jesus disse que a fé dele poderia desfalecer, já que era um homem de pequena fé (Mateus 14:31).
E não somente isto. Apesar de sua função negativa, ele é um príncipe. Não sou eu que estou dizendo, foi Jesus quem afirmou isto. Ele disse
"Agora é o juízo deste mundo: agora será expulso o príncipe deste mundo" (João 12:31). Já não falarei muito convosco; porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim (João 14:30). E do juízo, porque o príncipe deste mun­do está julgado" (João 16:11).
O apóstolo Paulo corrobora tais afirmações do Mestre em Efésios 2:2, quando o chama de "o príncipe das potestades do ar".
É algo absurdo e infantil alguém falar de Satanás usando expressões como estas: "aquele ca­chorro, aquele porco, aquele imbecil, aquele no­jento", etc.
Por quê?
Porque ele é um anjo de Deus, criado para fazer esta obra negativa a que Deus o designou. Isto é difícil de aceitar, por muitos, mas é a pura verdade.
Com isto ele não deixa de ser nosso inimi­go, mas enquadrado dentro do plano magistral, eter­no e infinito de Deus.
Foi por causa disto que o próprio arcanjo Miguel, comandante dos anjos guerreiros do Se­nhor, demonstrou respeito pela posição do outro, de Satanás, porque entendia sua função e missão.
O apóstolo Judas estava criticando pessoas que "vituperam autoridades" e, logo em seguida, afirma:
"E, contudo, também estes, semelhante­mente adormecidos, contaminam a sua carne, e re­jeitam a dominação, e vituperam as dignidades. Mas o arcanjo Miguel, quando disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repre­enda" (Judas 8,9).
Vamos analisar, agora, outro texto que é usado pelos exegetas impacientes: Isaías 14, especi­ficamente os versículos 4 a 19.
Trata-se, também, de um texto rebuscado, pesado, cheio de símbolos. É necessário lê-lo com muita atenção, dando ênfase especial a todos os contextos.
O argumento principal é retirado dos versículos 12 a 14:
"Como caíste do Céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me as­sentarei, da banda dos lados do norte.
"Subirei acima das altas nuvens, e serei se­melhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o varão que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer os reinos? Que punha o mundo como um deserto e assolava as suas cidades? Que a seus cati­vos não deixava ir soltos para suas casas?
"Mas tu és lançado de tua sepultura, como um renovo abominável, como um vestido de mor­tos atravessados à espada, como os que descem ao covil de pedras, como corpo morto e pisado."
Para começar, em todo o texto há referên­cias a morte, sepultura, homem, etc, termos que não se aplicam jamais a Satanás.
Vamos observar um importante contexto que sempre passa despercebido por muitos analis­tas bíblicos.
Quem está falando todas estas palavras que acabamos de citar? Deus? O profeta Isaías? Outro personagem? Quem?
Observando o contexto, ele mostra que quem está falando estas palavras são ESTES TO­DOS (v.10)
Agora, perguntamos, estes todos quem?
O personagem a quem o texto se refere, possui certas características que enumeraremos a seguir:
Um grande poder;
Ele caiu de certo nível;
Ele é acusado de ferir os povos com furor;
Com a queda dele disseram que a terra descansou; (se fosse a queda de Satanás, seria o con­trário, pois com ela a terra ficou em polvorosa);
O Sheol, sepultura, ou inferno, con­forme é chamado o reino dos mortos no Velho Testamento foi dito que se turbou por ele, para sair ao encontro dele em sua vinda;
Os mortos despertaram por causa dele em sua vinda;
Despertou os príncipes ou principados;                                      Fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações;
Ele foi acusado de ter caído do céu;
Ele foi chamado de "estrela da manhã"; Ele foi acusado de dizer que subiria ao céu, sendo semelhante ao Altíssimo;
Ele morreu;
Ele foi sepultado;
Embora sepultado, saiu de sua sepul­tura, de maneira sobrenatural.
Perguntamos novamente: a quem se refe­rem estes textos? A Satanás? Simplesmente ao rei de Babilônia?
Por que os reis das nações o acusaram de tanta coisa e disseram que ele também estava enfer­mo, semelhante a eles? E por que esses reis das na­ções estariam enfermos?
Não se trata de uma referência aos dominadores espirituais das nações, os principados e potestades que dominam sobre países, como en­contramos em Daniel e outras referências?
Este personagem chamado de "estrela da manhã" e "filho da alva' é alguém tão horrível e asqueroso como Satanás? E como ele continuaria a ser chamado assim, se tivesse passado pela meta­morfose de anjo de luz para anjo do mal?
Por que não entendermos que esses reis das nações estavam zangados contra alguém muito di­ferente de Satanás? Sim, por que não entendermos que este texto refere-se exatamente ao oposto dele: ­o Senhor Jesus Cristo!
Estas palavras torcidas e de blasfêmia não partiram da boca de Deus, nem da boca do profeta, mas partiram DOS REIS DAS NAÇÕES!
Foram eles que chegaram a dizer sobre o corpo de Jesus na sepultura palavras exatas como estas: "os bichinhos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão".
É claro! Na sepultura esses vermes não pu­deram fazer outra coisa senão ficar acima e debaixo do corpo sacrossanto de Jesus, mas não puderam tocar nele, porque está escrito:
"Pois não deixarás a minha alma no infer­no, nem permitirás que o Teu Santo veja corrupção"(Salmos 16:10). "Nessa previsão, disse da ressurreição de Cristo: que a sua alma não foi deixada no Hades, nem a sua carne viu corrupção"(Atos 2:31)
Jesus morreu como qualquer homem, mas seu corpo não passou pela putrefação.
Vamos ver outro detalhe importante: a quem a Bíblia chama, realmente, de "Estrela da Manhã"? Conforme o relato do apóstolo Pedro, refe­re-se ao próprio Senhor Jesus. Leiamos II Pedro 1: 19:
"E temos, mui firme, a palavra dos profe­tas, à qual bem fazeis, em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclare­ça e a estrela da alva apareça em vossos corações".
Outra invenção é chamar Satanás de "Lúcifer" ou "Lusbel". Lúcifer significa "portador da luz" e Lusbel significa "senhor da luz". Desde quando Satanás é portador da luz ou senhor da luz? Isto é ou não é uma fantasia da cabeça de alguns?
Durante anos Satanás tem recebido da boca dos próprios cristãos uma glória que ele não possui - a de ter sido, um dia, um anjo bom.
É claro que, ele fez algo no céu, uma rebe­lião. Ele seduziu a terça parte dos anjos celestes, trans­formando-os em seus seguidores, em demônios.
Ousamos, contudo, dizer que tudo isto es­tava nos planos de Deus. Deus permitiu que tudo isto acontecesse para que de maneira mais comple­ta fosse manifestada a Sua glória.
Amado irmão ou irmã, aprenda a ler a Bí­blia com mais atenção e, o que é melhor, com mais reverência. Jogue para o alto tradições humanas e a submissão a autoridades humanas e atinja uma nova visão e dimensão do conhecimento bíblico. Escre­va para mim. Terei prazer em ajudá-lo a compreen­der melhor o texto sagrado.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE SOMENTE PEDRO FOI PEDIDO PARA SER PROVADO PELO DIABO


Quando Jesus avisou a Pedro a respeito do pedido de Satanás, quase todos os que conheço falam que Pedro foi pedido para ser cirandado. O que o texto diz é algo totalmente diferente. Confi­ra você mesmo em Lucas 22:31,33:
"Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos".
Quem olha rapidamente para o texto vê apenas Pedro sendo pedido por Satanás, mas quem olha com atenção, descobre que Jesus está falando de algo bem mais amplo, pois disse "vos pediu".
Se ele estivesse se referindo apenas a Pedro, teria falado "te pediu". No entanto, com o uso do "vos" referia-se a todos os apóstolos.
Quando lemos as histórias da igreja primi­tiva descobrimos que, realmente, todos os apósto­los foram provados por Satanás. E, por que Pedro foi avisado de forma especial por Jesus?
A resposta é muito simples: Jesus chamou Pedro de "homem de pequena fé". E no texto que lemos a inferência é clara que Pedro ainda não era um convertido no verdadeiro sentido da palavra. Alguma coisa muito séria faltava na experiência dele.
Jesus falou com Pedro que havia rogado por ele, em especial, porque Pedro era fraco e precisou de uma ajuda extra para resistir à tremenda tentação que veio sobre ele logo em seguida e anos depois.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS MANDOU PEDRO LANÇAR UMA REDE PARA PESCAR

Depois de um sermão proferido de cima de um barco que pedira emprestado a Pedro, Jesus ordenou-lhe: "Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar." (Lucas 5:4).
Pedro obedeceu a este mandamento de Je­sus, mas apenas PARCIALMENTE. Jesus falou com Pedro no singular, mas usou o plural em rela­ção a quem deveria pescar e em relação às redes: "....lançai (imperativo, segunda pessoa do plural) as vossas redes..." (também plural).
Pedro respondeu: " .. .lançarei A REDE" (singular). Por causa desta desobediência, "rompia-se-­lhes a rede." (5:6).
Só então eles chamaram os companheiros e usaram provavelmente todas as redes que tinham e, ainda assim, ambos os barcos quase iam a pique. (5:7).
É muito interessante saber EXATAMEN­TE o que Jesus quer de nós.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE ABSALÃO MORREU PENDURADO PELOS CABELOS


Muitas idéias errôneas a respeito de alguns acontecimentos bíblicos surgiram por causa das gra­vuras de um antigo livro de histórias bíblicas intitulado "História Sagrada".
Ê nesse livro que encontramos gravuras de Dalila cortando os cabelos de Sansão e vemos, tam­bém, uma mostrando Absalão, o filho rebelde de Davi, pendurado pelos cabelos entre os galhos de um carvalho.
Duas idéias surgiram de tal ilustração: a pri­meira é que ele estava pendurado pelos cabelos e a segunda é que ele morreu por causa disso.
Na realidade nada disto aconteceu. Ele ficou pendurado pela cabeça e foi morto por onze pessoas!
Era muito difícil ele ficar pendurado pelos cabelos, porque os cabelos de Absalão não eram tão compridos como muita gente pensa. Por quê? Ora, porque ele tosquiava (raspava) a cabeça todo fim de ano, conforme II Samuel14:26.
Vamos conferir pelo texto bíblico, porque a Bíblia sempre fala mais alto:
"E Absalão ia montado num mulo; e, entran­do o mulo debaixo da espessura dos ramos dum gran­de carvalho, pegou-se-lhe a cabeça no carvalho, e ficou pendurado entre o céu e a terra: e o mulo, que estava debaixo dele, passou adiante" (II Samuel18:9).
Enquanto ele estava nessa situação, chegou Joabe, general de Davi. Veja o que aconteceu:
"Então disse Joabe: Não me demorarei as­sim contigo aqui. E tomou três dardos, e traspas­sou com eles o coração de Absalão, estando ele ainda vivo no meio do carvalho. E o cercaram dez mancebos que levavam as armas de Joabe. E feri­ram a Absalão, e o mataram" (II Samuel18:14,15).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE QUEM SE ENCOLERIZAR CONTRA SEU IRMÃO "SEM MOTIVO" SERÁ RÉU DE JUIZO


É fato sabido que a tradução Revista e Corrigida da Bíblia foi feita comparando-se sem­pre o texto da tradução King James, em Inglês, fei­ta originalmente em 1611 por um grupo de filólogos contratados pelo rei, daí o nome "King James", ou "rei Tiago".
Por causa disto alguns textos excelentes bem traduzidos na King James chegaram até nós com a mesma força. Ela é considerada, nos países de fala inglesa, a "Authorized Version", o que significa a tra­dução oficial, autorizada pela Igreja da Inglaterra, a Igreja Anglicana, a religião oficial dos britânicos.
Enquanto isto, alguns pequenos problemas da tradução também chegaram até nós. É o caso de Mateus 5:22: "Eu, porém, vos digo que qualquer que, SEM MOTIVO, se encolerizar contra seu ir­mão, será réu de juízo." Neste versículo existe um desses casos: um acréscimo.
Quando o rei Tiago contratou os sábios tradutores para traduzirem a Bíblia, seu irmão havia discordado do rei de algum fato da corte e o rei ficou encolerizado contra ele e até mesmo sem diri­gir-lhe a palavra.
Na hora de traduzir este texto, algum bajulador real teve uma "excelente" idéia "teológica". Semelhante àquele pintor que retratou um rei que era cego de um olho fazendo pontaria com uma espingarda e, por conseqüência, fechando um olho, este sábio filósofo resolveu acrescentar a expressão "SEM MOTIVO", para agradar ao rei, querendo dizer que, desde que haja um motivo, podemos nos encolerizar contra o irmão. É claro que a aludida expressão não se encontra no original.
Quanta irreverência diante do texto sagrado!
Você já viu alguém ficar encolerizado com outro sem motivo?
As versões RV e TB e tiraram completa­mente o malfadado acréscimo, enquanto que a RA, sempre cautelosa, colocou a bajulação real entre colchetes.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS FALOU QUE SE ALGUÉM GUARDASSE A SUA PALAVRA JAMAIS PROVARIA A MORTE


É comum, quando alguém cita uma afirma­ção de outra pessoa, e tem tal pessoa como inimiga, torcer as palavras que foram ditas, ou colocar outras no lugar. Os escribas, fariseus e saduceus fizeram isto várias vezes com Jesus. Eis um típico exemplo:
Jesus disse para eles: "Se alguém guardar a minha palavra, nunca VERÁ a morte."
Eles retrucaram: "Morreu Abraão e os pro­fetas. e tu dizes: Se alguém guardar a minha pala­vra, nunca PROVARÁ a morte."
Vê como eles imediatamente confundiam as coisas? Jesus não disse que seus discípulos verda­deiros não PROVARIAM a morte. Jesus disse que eles não VERIAM a morte. (João 8:51, 52).

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE OS GAFANHOTOS QUE JOÃO BATISTA COMIA ERAM UMA ESPÉCIE DE VEGETAL


Quando se lê, no relato a respeito de João Batista, que ele comia gafanhotos, muitos sentem uma revolução no estômago, imaginando que o profeta estaria comendo algo imundo.
Já li em alguns comentários e já ouvi al­guns professores de Bíblia afirmando que aqueles gafanhotos eram uma espécie de vegetal.
A Bíblia, porém, deixa claro que João Ba­tista comia mesmo eram os insetos que conhece­mos pelo nome de gafanhoto, o que é uma boa tradução para a palavra grega "akridià'. Confira:
"E este João tinha o seu vestido de pelos de camelo e um cinto de couro em torno de seus lom­bos. e alimentava-se de gafanhotos e de mel silves­tre." (Mateus 3:4).
Voltando, porém, no tempo, ao lermos o livro de Levítico, vamos descobrir que João estava comendo uma das mais finas iguarias do seu tem­po, a qual era plenamente permitida até pela Lei do Senhor. Leiamos Levítico 11 :20-22:
"Todo inseto que voa, que anda sobre quatro pés, será para vós uma abominação. Mas isto comereis de todo inseto que voa, que anda sobre quatro pés: O que tiver pernas sobre seus pés para saltar com elas sobre a terra. Deles comereis estes: O GAFANHO­TO segundo a sua espécie, e o hargol segundo a sua espécie, e o hagabe segundo a sua espécie".
Segundo esta definição comer gafanhotos e até GRILOS E SALTÓES constituía-se uma dieta saudável e correta.

A BÍBLIA NÃO DIZ AS COISAS PELA METADE

Nestas duas últimas décadas criaram-se muitas doutrinas ou idéias doutrinárias baseadas em textos bíblicos, porém isolados dos seus contextos.
Isto não somente é perigoso, como é desones­to, porque cria, na mente de muitos, falsas idéias sobre Deus, sobre Sua providência, sobre a salvação, etc.
Vamos ver alguns desses textos:
" ... somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou."(Romanos 8:37.)
Este versículo é, quase sempre, citado as­sim, ou apenas a frase: "...somos mais do que ven­cedores..." visto assim é algo bonito, triunfalista, dentro da filosofia do pensamento positivo ou di­nâmico, mas gera uma idéia diferente do que real­mente o apóstolo Paulo estava ensinando.
O versículo 37 inicia-se com uma conclu­são de algo anterior que o apóstolo estava dizendo:
"Mas em todas estas coisas somos mais do que ven­cedores, por aquele que nos amou."
"Em todas estas coisas" é a chave do verdadeiro sentido que Paulo está dizendo.
Que coisas?
Vamos ver o que diz o contexto:
"Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à mor­te todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou." (Romanos 8:35-37.)
Em que, pois, somos mais do que vence­dores? Paulo está se referindo, aqui, a negócios? A bens? A heranças? A desenvolvimento empresarial? Não! Está se referindo a ...
·                Tribulação
·                Angústia
·                Perseguição
·                Fome
·                Nudez
·                Perigo
·                Espada
·                Morte

Não é que está errado aplicar o mesmo prin­cípio aos demais quadrantes da vida. O que vem ao caso aqui é que no momento em que Paulo escre­veu esta epístola, estava se referindo aos problemas da vida missionária naquela época.
Outro texto muito citado é
"posso todas as coisas naquele que me fortalece." (Filipenses 4: 13.)
Um grande problema em relação ao uso deste texto é que existe uma tendência de se olhar apenas para um lado, apenas visando o aspecto da obtenção dos bens materiais, sem olhar para o ou­tro ângulo do que o apóstolo colocou.
Já ouvi muitas pessoas usarem este texto assim:
·                posso ficar rico
·                posso comprar uma lancha
·                posso ser um grande empresário

Tudo isto é possível, contudo o versículo não é um texto mágico para criar condições de pro­gresso, sucesso e riquezas. Observando-se o contex­to, descobrimos que o apostolo Paulo estava mostrando todas as facetas do que pode ser um cristão. Vamos ler o texto anterior, ou seja, o contexto:
"Não digo isto como por necessidade, por­que já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância: em toda a maneira, e em todas as coisas fui instruído, tanto a ter abundância, como a padecer necessida­de". Posso todas as coisas naquele que me fortale­ce." (Filipenses 4: 11-13.)
Paulo afirmou categoricamente que se con­tentava com o que tinha, sem a injunção calvinista, seguida pelas novas teologias neopentecostais, que se alguém é crente tem que ser rico e muito rico.
Jesus falou algo muito diferente em Mateus 26:11 e outros textos: "Os pobres sempre os ten­des convosco".
No contexto lido Paulo disse que era possí­vel ter abundância e fartura, mas também disse que, naquele que lhe fortalecia, podia passar fome e pa­decer necessidade.
O que desejamos enfatizar aqui é que a for­ça concedida por Cristo ao filho de Deus capacita­-o a suportar as tribulações, ou aflições, como tam­bém a mantê-lo sereno e humilde no tempo da ri­queza, abundância ou fartura.
Vamos ver, agora, outro texto que dá mar­gem a muitos mal-entendidos e interpretações to­talmente diferentes da realidade:
"O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado." (I João 1:7.)
Até mesmo pessoas não crentes, pertencen­tes às mais heréticas seitas, falam estas palavras, em relação aos seus inúmeros pecados não confessados e sem arrependimento:
"Ora, estou seguro, porque o sangue de Je­sus Cristo me purifica de todo pecado."
Não pode haver erro mais crasso do que este.
Vamos ler o contexto e veremos que não é por aí...
Para começar, o contexto começa com um retumbante SE!
"Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o san­gue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo pecado." (1João 1:7.)
Se não andarmos na luz, nem mantivermos comunhão uns com os outros, evidenciamos, cla­ramente, uma natureza irredenta e, como pode al­guém não redimido ter todos os seus pecados puri­ficados pelo sangue de Jesus?
São inúmeros os textos citados isoladamen­te, fora de contexto, que dão origem a idéias e até a doutrinas espúrias.
Com estes exemplos desejamos, simples­mente, despertar seu raciocínio e santa atenção para não cometer injustiças com a exegese e a hermenêutica, crendo naquilo que a Bíblia não diz.
Vamos ver outro exemplo muito conhecido:
"Maldito o homem que confia no homem." (Jeremias 17:5.)
Com base neste texto sem contexto foram cria­das gerações e gerações de cristãos desconfiados, temero­sos, olhando de esguelha uns para os outros e dizendo:
Estou firmado na Palavra!
Não! Estas pessoas não estão firmadas na Palavra, mas, sim, em parte dela, isolada, sem o sen­tido completo e perfeito do que Deus disse.
É suficiente ler o versículo inteiro, para entender a realidade de algo tão importante:
"Assim diz o Senhor: Maldito o homem que ...
1.confia no homem,
2.faz da carne mortal o seu braço,
3.aparta o seu coração do Senhor."
Ora, se eu não fizer da carne mortal a minha força, o meu braço, a minha confiança, e não apartar meu coração do Senhor, terei suficiente discernimento para confiar nos meus irmãos em Cristo, co-herdei­ros comigo da mesma Graça de Vida.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS CONVIDOU OS DISCIPULOS PARA JANTAR


Tenho descoberto, cada vez mais, que a Bí­blia da Edição Revista e Corrigida é praticamente uma tradução literal da Bíblia inglesa conhecida como "King James Version".
Nesta última, em João 21:12, Jesus diz:
"Come and dine". ("Venham e jantem").
Os tradutores da Bíblia Revista e Corrigida traduziram, "vinde, jantai".
Ora, como Jesus iria convidar os discípulos para JANTAR, se, conforme diz o contexto, sendo JÁ DE MANHA: Jesus se apresentou na praia (João 21:4).?
Nas versões americanas "New International Version" e "Interlinear", o convite já é diferente:
- "Come and have breakfast".
Sabemos que o BREAKFAST é a PRIMEI­RA refeição do dia para os povos de fala inglesa.
Sabemos também que palavra "dine" a que se refere a King James é o verbo do substantivo "dinner", que é a maior refeição do dia, tanto po­dendo ser jantar, como o almoço, entre os ingleses. Os americanos é que se ativeram mais ao significa­do de "jantar".
As versões Atualizada, e Contemporânea, da nossa Bíblia em português, e a "Today's English Version", não se arriscaram muito e preferiram sim­plesmente. "Vinde COMER", o que desobriga o problema da hora.
A tradução New World registrou "Vinde, tomai o vosso primeiro almoço".
Tudo isto, junto com o versículo 15 ("Depois de terem jantado") deriva da expressão grega "ARISTESSATE", que, segundo a "Analytical Concordance to the Bible", significa o DESJEJUM!
"Jantar, em grego, é uma expressão com­pletamente diferente: "DEIPNOU".

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS ENSINOU UMA ORAÇÃO DOMINICAL


Nas traduções Revista e Atualizada e Bíblia Revista e Corrigida da Bíblia, encimando o Capí­tulo 11 de Lucas encontramos um título:
"A Oração Dominical"
Por que esta invenção? Por que oração do­minical? Por acaso onde está escrito que Jesus ensi­nou esta oração para ser recitada aos domingos?
Na Revista e Atualizada temos o mesmo título antes de Mateus 6:9.
Será que ninguém jamais observou que tal acréscimo trata-se de um dogma?
Não existe qualquer prova que tal oração tenha sido ensinada por Jesus em um domingo para ser feita aos domingos.
Isto pode levar-nos a um ritualismo vazio e sem sentido.
Ainda bem que uma tradução recente da Bíblia a revisada de Acordo com os Melhores textos em Hebraico e Grego da Imprensa Bíblica bra­sileira, retirou esse acréscimo insensato e deixou apenas este título: ''A Oração.

 

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O ENFERMO JUNTO AO POÇO DE BETESDA ERA PARALÍTICO
O título que vem antes do Capítulo 5 do quar­to evangelho é o seguinte: "Cura dum paralítico de Betesda". Este título não está correto pois em nenhuma parte do texto encontramos o termo "paralítico".
Parece até que nem havia paralíticos ali. O versículo 3 diz que ali "jazia grande multidão de enfermos; cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento das águas.
Vamos acompanhar a leitura dos versículos 5 a 7:
"E estava ali um homem que havia trinta e oito anos se achava enfermo. E Jesus, vendo este dei­tado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo res­pondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim".
Ora, se ele era paralítico como afirmou isto:
"enquanto eu vou"?
A realidade é que ele era apenas um homem enfermo e fraco. Não era paralítico. Talvez você pense que não existe importância em corrigir-se tais erros, porque não importa se ele era paralítico ou tinha qualquer outra enfermidade. Mas, importa e muito, porque ao falarmos das coisas de Deus te­mos que ser precisos em tudo, em cada detalhe, para evitarmos erros maiores.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE PEDRO VIU UM LENÇOL CHEIO DE ANIMAIS


Você já falou alguma vez, em suas prega­ções que Pedro teve uma visão de um lençol cheio de animais limpos e imundos, ou já ouviu algum pregador afirmar isto?
Na verdade não é assim que a Bíblia diz. Pedro não afirmou que era um lençol. Confira com a Bíblia:
Na Revista e Corrigida lemos assim:
"E viu o céu aberto, e que descia UM VASO, como se fosse um grande lençol atado pe­las quatro pontas, e vindo para a terra. No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu" (Atos 10: 11,1).
A Revista e Atualizada, em lugar de vaso, traduziu "objeto".
A melhor tradução parece mesmo a da New International Version, que diz: "...alguma coisa pa­recida com um grande lençol".

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O JOVEM QUE FUGIU NU FOI MARCOS

No Evangelho atribuído a Marcos lemos uma narrativa um pouco tragicômica:
"Então, deixando-o, todos fugiram. E um certo mancebo o seguia, envolto em um lençol so­bre o corpo nu. E lançaram-lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu nu" (Marcos 14:50-42).
Onde a tradição foi encontrar alguma evi­dência de que este jovem era João Marcos, o pretenso autor do segundo Evangelho?
Afirmam isto simplesmente baseando-se no fato de tal narrativa não se encontrar nos outros três evangelhos.
A base para afirmar isto é, contudo, muito fraca.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE OS ANJOS DESEJARAM OU DESEJAM PREGAR O EVANGELHO


Muitos ensinam que a pregação do Evange­lho foi entregue aos homens e que os anjos deseja­ram muito receber esta missão, mas não puderam.
Podemos afirmar, com toda a segurança, que nem Deus pensou em mandar os anjos prega­rem o Evangelho, nem jamais passou pelo pensamento dos anjos o desejo de pregar o Evangelho.
Os anjos têm missões específicas, grandio­sas e gloriosas da parte de Deus, mas nunca pensa­ram ou desejaram pregar o Evangelho.
Mas, em que texto os ensinadores desta idéia absurda querem basear-se para tal afirmação? Em I Pedro 1:12 que, de modo algum, afirma que os anjos desejaram pregar o Evangelho. Confira:
"Aos quais foi revelado que, não para si mes­mos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evan­gelho: para as quais coisas os anjos desejam atentar.
Nenhuma das traduções que consultei, em vários idiomas, ou no grego, fala a respeito disto.
Encontrei os termos "atentar", "perscrutar", "observar", "entender", "olhar para dentro", "examinar".
A que se refere tudo isto?
É claro que o texto diz que os anjos dese­jam entender o mistério do Evangelho, mas nunca pregar o Evangelho.

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O SACRIFÍCIO DE JEFTÉ FOI DEIXAR SUA FILHA SOLTEIRA PARA SEMPRE


O capítulo 11 de Juizes narra o tremendo livramento que Deus deu aos israelitas, através de Jefté, O gileadita.
Nos versículos 30 e 31 Jefté fez um terrível voto ao Senhor: "Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo que, saindo da porta da minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor, e o oferecerei em holocausto."
Foi imprudente o voto e grande o azar de Jefté, pois quem primeiro saiu de casa foi sua única filha, o que fez Jefté rasgar seus vestidos em desespero.
Já li comentários, de exegetas medrosos, afirmando que o holocausto foi o da virgindade da moça. Isto porque a jovem pediu a seu pai para chorar sua virgindade, junto com as suas compa­nheiras, pelos montes, por dois meses.
Por que esta idéia de "chorar  a virgindade"? Sabemos, muito bem, que para os israelitas era uma tremenda desonra não gerar filhos e a mu­lher estéril ou que morresse solteira era considerada uma aberração ou mesmo uma abominação aos olhos de Deus.
A Bíblia diz que, ao voltar a moça, seu pai cumpriu nela o seu voto.
Holocausto sempre se refere à morre de um animal e até de seres humanos. Os pagãos ofereci­am seus filhos a Moloque e até israelitas fizeram isto (Levítico 20:2).
Eram comuns, naquele tempo de desor­dem, votos loucos, semelhantes ao de Jefté.
Não sei porque existem teólogos que gostam de minimizar, ocultar, eufemizar e até torcer a verdade clara da Bíblia, semelhante ao grande inquisidor da Idade Média que disse: "Deixa, Cristo, sabemos cui­dar da Tua Igreja melhor do que tu mesmo"!

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS VEIO CUMPRIR A LEI EM NOSSO LUGAR


Ao dizer que não veio revogar a lei ou os profetas e sim cumpri-Ia, Jesus usou um termo que foi escrito em grego como PLEROSSAI, que sig­nifica" completar", "trazer ao pleno enchimento".
Isto revela outro aspecto bem mais rico da  obra de Cristo em relação à lei. Muitos simplisticamente afirmam que Jesus já cumpriu a Lei por eles e... pronto! Já nenhuma obrigação pos­suem em relação a ela.
O termo PLEROSSAI tem um significado ainda mais profundo que é o de ENGRAVIDAR.
A lei estava morta, estéril, sem vida em si mesmo, baseada apenas ao aspecto negativo do NÃO farás isto ou aquilo. Jesus, o varão por exce­lência, trouxe a semente bendita do Evangelho para fecundar a lei com o célebre "Eu, porém, vos digo".
Cada aspecto da lei foi preenchido, amplia­do, melhorado, por Jesus. Por exemplo, os antigos apenas diziam: "Não adulterarás".
Jesus deu vida a este mandamento. Alguém podia pensar que não adulterando estaria plenamen­te justificado diante de Deus. Jesus mostrou que havia algo mais, ao afirmar:
"Eu, porém vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no cora­ção já adulterou com ela. (Mateus 5:28).
Os antigos, escudados na lei, podiam ima­ginar que era suficiente não matar alguém para ter cumprido cabalmente o mandamento. A responsa­bilidade amorosa com o próximo, demonstrada por Jesus na parábola do samaritano responsável, era algo que não passava pela cabeça dos frios cumpridores deste mandamento.
Jesus disse que era o suficiente ficar irado contra alguém e proferir insultos contra ele, para transgredir o mandamento. (Mateus 5:21-26).
O Senhor ampliou, inclusive, o quarto man­damento, que se refere ao sábado. Muitos achavam e ainda acham que para cumprir o mandamento é su­ficiente ficar sem atividade se serviço desde o pôr-­do-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado.
Jesus completou ou trouxe vida a este con­ceito, quando apresentou o verdadeiro sábado do cristão. Ele mostrou que o verdadeiro descanso es­tava nele mesmo, quando afirmou:
"Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração. e achareis DESCAN­SO (ou sábado). para as vossas almas." (Mateus 11:28,29).
A palavra "descanso" em hebraico é "SHABATH", e em Grego é "ANAPAUSSIN", que também significa "REFRIGÉRIO".
Não é glorioso?

* * *

Se você souber de outras coisas que as pes­soas dizem estar na Bíblia mas não estão, escreva-­me uma cartinha. Terei prazer em responder:
Paulo de Aragão Lins
QS 07 Rua 218 Lote 68
72030-170 - Águas Claras, DF

Termino este modesto trabalho de esclarecimento, citando o escritor do livro de Eclesiastes:

"Vede, isto tão somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas invenções" (Eclesiastes 7:29).

Nenhum comentário:

Postagem em destaque

A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: