domingo, 5 de janeiro de 2014

Idolatria Espiritual
John Wesley

'Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém'. (I João 5:21)

1. Existem duas palavras que ocorrem diversas vezes nesta Epístola – paidia e teknia, -- às quais nossos tradutores conferiram a mesma expressão: filhinhos. Mas o significado delas é muito diferente. A primeira é muito propriamente atribuída, filhinhos; porque significa bebês em Cristo, -- aqueles que têm testado ultimamente do seu amor, e são, ainda, fracos e instáveis nele. A última, deveria, com mais propriedade, ser atribuída filhos amados: uma vez que ela não denota algo mais do que a afeição do orador por aqueles a quem ele tem procriado no Senhor

2. Um historiador antigo relata, que quando o Apóstolo esteve tão enfraquecido pela idade, não sendo capaz de pregar, ele foi freqüentemente trazido para a congregação, em sua cadeira, e afirmava justamente: 'Amados filhos, amem uns aos outros'. Ele não teria dada um conselho mais importante. E igualmente importante é este que se coloca diante de nós; igualmente necessário para toda parte da igreja de Cristo. 'Amados filhos, mantenham-se distantes de ídolos'.  

3. De fato, existe uma ligação íntima entre eles: Um não pode subsistir sem o outro. Já que não existe um alicerce firme para o amor de nossos irmãos, exceto o amor de Deus; também não existe possibilidade de se amar a Deus, exceto se nos mantivermos longe de ídolos.

I. Mas, quais são os ídolos de que o Apóstolo fala? Esta é a primeira coisa a ser considerada.

II. Nós podemos, então, em Segundo Lugar, inquirir: Como nós podemos nos manter longe deles?

I

1. Em Primeiro Lugar: Quais são os ídolos de que o Apóstolo fala? Eu não imagino que ele queira dizer, pelo menos, não principalmente, os ídolos que eram adorados pelos pagãos. Aqueles para os quais ele estava escrevendo, quer fossem judeus ou pagãos, não estavam correndo muito este risco. Não existe probabilidade de que os judeus agora convertidos tivessem sido, alguma vez, culpados de adorá-los. Tanto quanto os israelitas estiveram profundamente entregues a essa idolatria grave, por muitas eras, eles dificilmente, estiveram, alguma vez, envolvidos nisto, depois de seu retorno do cativeiro babilônico. Desde aquele período, todo o grupo de judeus tinha mostrado uma constante e profunda aversão a isto: E os ateus, depois de terem se voltado, uma vez, para o Deus vivo, tinham pelos seus ídolos anteriores, a mais extrema abominação. Eles abominavam tocar em coisas sujas; sim, eles escolhiam sacrificar suas vidas, a voltarem a adorar aqueles deuses a quem eles agora sabiam tratarem-se de demônios.



2. Nem nós podemos razoavelmente supor que ele fale daqueles ídolos que são agora adorados na Igreja de Roma; quer anjos, ou as almas dos santos mortos; ou imagens de ouro, prata, madeira ou pedra. Nenhum desses ídolos era conhecido na Igreja Cristã, até alguns séculos depois do tempo dos Apóstolos. Uma vez, de fato, o próprio João 'caiu ao chão, para adorar, diante da face de um anjo', que falava com ele; provavelmente confundindo-o, pela sua aparência gloriosa, com o Grande Anjo da Aliança; mas a reprovação severa do anjo, que se seguiu imediatamente, protegeu os cristãos de imitaram aquele mau exemplo: 'Não faças, tu, isto!'. Por mais glorioso que eu posso parecer, eu não sou teu Mestre. 'Eu sou conservo teu, e de teus irmãos, os Profetas: Adora a Deus' (Apocalipse 22:9).

3. Colocando, então, os ídolos pagãos e católicos de lado, quais são esses dos quais somos aqui advertidos pelo Apóstolo? As palavras precedentes nos mostram o significado desses. 'Este é o verdadeiro Deus', -- a finalidade de todas as almas que Ele criou; o centro de todos os espíritos criados; -- 'a vida eterna', -- o único alicerce da felicidade presente, assim como da felicidade eterna. A Ele, portanto, e tão somente, nosso coração é devido. E Ele não pode, Ele não irá, desistir de Seu título; ou consentir que ele seja dado a algum outro: Ele está dizendo continuamente a todo filho do homem: 'Meu filho, dá-me teu coração!'. E dar nosso coração a algum outro, é idolatria clara. Assim sendo, o que quer que tire nosso coração Dele, ou o divida com Ele, é um ídolo; ou, em outras palavras, no que quer que encontremos felicidade, e que seja independente de Deus.

4. Tome um exemplo do que ocorre, quase diariamente. A pessoa que tem estado, tanto tempo, envolvida no mundo, cercada e fatigada com abundância de trabalho, tendo, por fim, adquirido uma fortuna fácil, desprende-se de todos os negócios, e se retira para o interior, -- para ser feliz. Feliz em que? Para desfrutar. Porque ela pretende agora, dormir e passar o dia na inatividade agradável! Feliz em comer e beber o que seu coração desejar: talvez, uma refeição mais primorosa do que aquela dos velhos romanos, que festejaram sua imaginação antes que a iguaria fosse servida; e que, antes de deixar a cidade, confortaram-se com o pensamento de 'bacon gordo e repolho, também!'.

Feliz, -- em modificar, desenvolver, reconstruir, ou, pelo menos, decorar, a velha mansão que ele adquiriu; e, igualmente, em melhorar tudo ao redor dela; os estábulos, o alpendre, os jardins. Mas, neste meio tempo, onde Deus entrou? Em nenhum lugar, afinal. Ele não pensou Nele. Ele não pensou mais no Rei dos céus, do que no rei da França. Deus não estava nos seus planos. O conhecimento e amor de Deus estavam inteiramente fora de questão. Portanto, todo este esquema de felicidade no isolamento, é idolatria, do começo ao fim. 

5. Se nós formos para os particulares, a primeira espécie desta idolatria é o que João denomina, o desejo da carne. Nós estamos aptos a tomarmos isto em um significado mais restrito, como se ele se referisse a um dos sentidos apenas. Não é assim: esta expressão igualmente se refere a todos os sentidos exteriores. Ela significa buscar a felicidade na gratificação de algum, ou de todos os sentidos externos; embora, mais particularmente, nesses três sentidos menores, -- gosto, cheiro e tato. Ela significa, o buscar a felicidade nisto, se não de uma maneira grosseira, de uma maneira indelicada, através da intemperança declarada, por meio da glutonaria ou bebedeira, ou desavergonhada devassidão; ainda que, de em uma forma regular de epicurismo; na sensualidade distinta; em tal curso elegante de auto-indulgência, como não a perturbar tanto a cabeça, quanto o estômago; como não a prejudicar, afinal, nossa saúde, ou envergonhar nossa reputação. 

6. Mas nós não devemos supor que estas espécies de idolatria estão confinadas aos ricos e grandes. Nisto também, 'o dedo do camponês' (como nosso poeta fala) 'pisa no calcanhar do cortesão'. Milhares, da classe inferior, assim como os das classes altas, sacrificam suas vidas a estes ídolos; buscando sua felicidade (embora que de uma maneira mais humilde), em gratificarem seus sentidos exteriores. É verdade, que a carne, bebida, e os objetos deles são de um tipo inferior. Mas eles ainda elaboram toda a felicidade que eles tanto têm, quanto buscam; e usurpam os corações que são devidos a Deus.

7. A segunda forma de idolatria mencionada pelo Apóstolo é o desejo dos olhos: Ou seja: buscar a felicidade, em gratificar a imaginação (utilizando-se principalmente dos olhos); aquele sentido interno que é tão natural para os homens, quanto ver ou ouvir. Este é gratificado por tais objetos que são tanto grandes e bonitos quanto incomuns. Mas, assim como para os objetos grandes, parece que eles só se agradam deles, enquanto são novos. Fôssemos observar as Pirâmides do Egito, diariamente, durante um ano, que prazer elas proporcionariam, então? Mais ainda, que prazer um objeto maior do que esses -- o oceano, revolvendo a costa rica em moluscos, dá a alguém que esteja por tanto tempo acostumado a ele? Sim, que prazer nós recebemos, em geral, dos objetos maiores do Universo – do longínquo e amplo céu azul; terrivelmente largo, e maravilhosamente brilhante, com estrelas inumeráveis e luz incomensurável?

8. Os objetos bonitos são, em geral, a próxima busca de prazeres da imaginação. As obras da natureza, em particular. Assim, pessoas, em todas as épocas, têm se deleitado, com cenas rurais, e colinas e vales, e quedas d'água de correntezas murmurantes. Outros têm se agradado, em acrescentar arte à natureza, como nos jardins, com seus vários ornamentos: Outros com meras obras de arte; como edifícios, e representações da natureza, se em estátuas ou pinturas. Muitos, igualmente, encontrar prazer nas vestimentas bonitas, ou mobílias de vários tipos. Mas a novidade deve ser acrescentada à beleza; assim como a grandeza, ou, logo, ela tornar-se-á insípida ao sentido.

9. Nós estamos nos referimos à parte principal da beleza, ao prazer que muitos têm no seu animal favorito? Quem sabe, um pardal, um papagaio, um gato, um cachorro pequeno? Algumas vezes, isto pode ser devido a estes. Em outras, a nenhum, mas as pessoas agradam-se de poder encontrar alguma beleza, afinal, no favorito. Não, possivelmente ele seja superlativamente feio, aos olhos de todas as outras pessoas. Neste caso, o prazer parece surgir da mera extravagância ou capricho, ou seja, loucura. 

10. Nós devemos nos referir ao ápice da novidade, principalmente, o prazer encontrado na maioria das diversões e deleites, os quais, fôssemos repeti-los diariamente, em poucos meses se tornariam extremamente chatos e insípidos? Ao mesmo tópico, nós podemos nos referir ao prazer que é obtido em colecionar curiosidades; se elas são naturais ou artificiais, quer velhas ou novas. Isto adocica o trabalho do virtuoso, e torna todo seu trabalho leve.

11. Mas não é principalmente à novidade que nós imputamos o prazer que recebemos da música? Certamente, esta tem uma beleza intrínseca, assim como freqüentemente, uma excelência intrínseca. Trata-se de uma beleza e grandeza de um tipo peculiar, não expressa facilmente; relacionada proximamente ao sublime e ao belo na poesia, que fornece um prazer raro. E, ainda assim, admite-se que a novidade salienta o prazer que se ergue de alguma dessas fontes. 

12. Do estudo da língua, do Criticismo, e da Hístória, nós recebemos um prazer de uma natureza mista. Em todos esses, existe sempre alguma coisa nova; freqüentemente, alguma coisa bela ou sublime. E a História não apenas gratifica a imaginação em todos esses aspectos, mas igualmente nos satisfaz, por tocar em nossas paixões, nosso amor, desejo, alegria, devoção. A última desses nos oferece um prazer enorme, embora estranhamente misturado com uma espécie de dor. De modo que alguém não deve se admirar da exclamação de um poeta refinado.

O que é toda alegria e jovialidade, a não ser uma turbulência impura,
Quando a beleza é comparada à melancolia divina?

13. O amor à novidade é incomensuravelmente gratificado pela filosofia experimental; e, na verdade, por todo ramo da filosofia natural; que abre um campo imenso para as descobertas ainda novas. Mas não existe igualmente um prazer nisto, assim como nos estudos matemáticos e metafísicos, que não resultam da imaginação, mas do exercício do entendimento? A menos que nós digamos que a novidade das descobertas que fazemos, através das pesquisas matemáticas ou metafísicas seja uma razão, pelo menos, se não o principal, dos prazeres que recebemos disto.

14. Eu insisto muito mais nessas coisas, porque bem poucos as vêem, sob o verdadeiro ponto de vista. A generalidade dos homens, e, mais particularmente, dos homens de consciência e eruditos, está tão longe de suspeitar que existe, ou pode existir, o menor perigo nelas, que ela acredita seriamente que se trata de motivo de grande prazer, dedicar-se totalmente a elas. Quem deles, por exemplo, não se admiraria e elogiaria a engenhosidade incansável do grande filósofo que diz: 'Eu estou há trinta e oito anos em minha paróquia de Upminster, e estou certo de que existem não menos do que cinqüenta e três espécies de borboletas nela: Mas se Deus me concedesse alguns anos mais de vida, eu não duvido que eu pudesse demonstrar que existem cinqüenta e cinco!' Eu admito que a maioria desses estudos tem seu uso, e que é possível usá-los, sem abusar deles. Mas se nós formos buscar nossa felicidade nestas coisas, então, ela se torna um ídolo. E o desfrutar dele, não obstante, possa ser admirado ou aplaudido pelo mundo, é condenado por Deus, como nem melhor, nem pior do que a idolatria condenável. 

15. A terceira coisa, o amor ao mundo, o Apóstolo fala sob aquela expressão incomum - hE alazoneia ta biou, - que é afirmada por nossos tradutores, como o orgulho da vida. Usualmente se supõe que ela signifique a pompa e esplendor daqueles que são de uma classe mais alta. Mas ela não tem um sentido mais extenso? Ela, preferivelmente, não significa buscar felicidade no louvor de homem, que, acima de todas as coisas, produz orgulho? Quando isto é buscado, de uma maneira mais pomposa, pelos reis ou homens ilustres, nós chamamos de 'sede de glória'; quando é buscada, de uma maneira mais simples, pelos homens comuns, nós denominados 'cuidar de nossa reputação'. Em termos claros, é buscar a honra do que vem de homens, em vez daquela que vem de Deus apenas.

16. Mas o que cria uma dificuldade aqui é isto: Nós somos requeridos não apenas para 'não ofender a quem quer que seja', e 'providenciar coisas honestas aos olhos de todos os homens', mas para 'agradar a todos os homens, para a sua boa edificação'. Mas quão difícil é fazer isto com um olho único em direção a Deus! Nós devemos fazer tudo que se nos apresenta, para impedirmos 'que falem mal a respeito do bem que existe em nós'. Sim, nós devemos valorizar uma reputação limpa, se for dado a nós, apenas menos do que uma boa consciência. Mas, ainda assim, se nós buscamos nossa felicidade nisto, nós seremos capazes de perecer em nossa idolatria.

17. A quais, desses tópicos precedentes, o amor ao dinheiro se refere? Talvez, algumas vezes, a um, e, algumas vezes, a outro, já que ele é um meio de gratificar, tanto o 'desejo da carne', por causa 'do desejo dos olhos', quanto 'o orgulho da vida'.  Em qualquer um desses casos, o dinheiro é apenas buscado com o objetivo de uma finalidade mais além. Mas ele é buscado, algumas vezes, por amor a ele, sem qualquer outra visão mais adicional. Alguém que seja devidamente um sovina ama e busca o dinheiro, por amor a ele. Ele não busca coisa alguma além, a não ser, colocar sua felicidade em adquiri-lo ou possuí-lo.  E isto é uma espécie de idolatria distinta de todas as precedentes; e, certamente, a mais vil, e mais comum idolatria que uma alma humana é capaz. Buscar felicidade, tanto em gratificar este ou outro dos desejos acima mencionados é efetivamente renunciar ao Deus verdadeiro, e colocar um ídolo em seu lugar. Em uma palavra, existem tantos objetivos no mundo, em que os homens buscam felicidade, em vez de buscarem-na em Deus; tanto ídolos em que eles colocam seus corações; tantas espécies de idolatria que eles praticam.

18. Eu gostaria de levar ao conhecimento, apenas de mais uma, embora ela, em alguma medida, possa ser incluída em diversas das precedentes; sim, em muitos aspectos, sendo distinta de todas elas; ou seja, idolatrar a criatura humana. Sem dúvida, é da vontade de Deus que nós todos possamos amar uns aos outros. É sua vontade que possamos amar nossas relações, e nossos irmãos cristãos, com um amor peculiar; e esses em particular, a quem Ele tem feito particularmente úteis à nossas almas. Esses nós somos ordenados a 'amar fervorosamente'; ainda assim, 'com o coração puro'. Mas isto não é 'impossível para o homem?'. Preservar a força e ternura da afeição, e, ainda assim, sem qualquer mancha na alma, com pureza imaculada? Eu não quero dizer apenas não maculada pela luxúria. Eu sei que isto é possível. Eu sei que uma pessoa pode ter uma afeição inalterável por outra, sem qualquer desejo deste tipo. Mas ele é sem idolatria? Não se trata de amar a criatura mais do que o Criador? Não é colocar um homem ou uma mulher, no lugar de Deus? Dando a eles seu coração? Que isto seja cuidadosamente considerado, até mesmo, por aqueles a quem Deus tem reunido; através dos maridos e esposas; pais e filhos. Não se pode negar que esses devem amar um ao outro ternamente? Eles foram ordenados a assim fazerem. Mas eles não foram ordenados, nem lhes foi permitido, amarem um ao outro de maneira idólatra. Ainda assim, quão comum é isto! Quão freqüentemente, um marido, uma mulher, um filho, são colocados no lugar de Deus. Quantos destes que são considerados bons cristãos fixam suas afeições, uns nos outros, de modo a não deixarem lugar para Deus! Eles buscam sua felicidade na criatura, não no Criador. Um pode verdadeiramente dizer ao outro: Eu te vejo, Senhor, e objetivo de meus desejos.

Ou seja: 'Eu desejo nada mais, a não ser a ti! Tu és a coisa que eu tanto busco! Todos os meus desejos estão em ti, e junto à lembrança de teu nome'. Agora, se isto não é idolatria clara, eu não saberei dizer o que poderá ser.

II
       
        Tendo considerado largamente o que são esses ídolos, dos quais o Apóstolo fala, eu vou inquirir agora (o que pode ser feito mais sumariamente) como nós podemos nos precaver deles. 

1. Com este objetivo, eu aconselharia você, Em Primeiro Lugar, a estar profundamente convencido de que nenhum deles traz felicidade; que nenhuma coisa, nenhuma pessoa debaixo do sol; não, nem um amontoado de todos juntos, pode dar alguma felicidade sólida, satisfatória a algum filho do homem. O próprio mundo, leviano, imprudente, reconhece isto, sem refletir a respeito, enquanto ele considera, ou, mais do que isto, enquanto ele mantém veementemente que 'nenhum homem sobre a terra está satisfeito'. A mesma observação foi feita há dois mil anos: --

Permita seja dada ao homem, fortuna, ou escolha de posição;
ainda assim, ninguém sobre a terra viverá satisfeito.
    
        E se nenhum homem sobre a terra está contente, é certo que nenhum homem é feliz. Porque qualquer que seja a posição em que ele se encontre, o descontentamento é incompatível com a felicidade.

2. De fato, não apenas a parte inconseqüente do mundo, mas a parte pensante concorda que nenhum homem está satisfeito; a melancolia prova o que vemos, de todos os lados, no alto e no baixo, no rico e no pobre. E, geralmente, quanto mais entendimento eles têm, mais descontentes eles estão, porque eles sabem, com maior distinção, pelo que se queixam, e pelo que sentem dor. É verdade, que cada um tem (para usar de um jargão atual, e um excelente) seu cavalinho de pau [brinquedo de criança], alguma coisa que agrada ao garoto grande, por algumas poucas horas ou dias, e nisto ele espera ser feliz! Mas, embora a esperança floresça eterna no peito do homem; o homem nunca é feliz; mas estará sempre pronto a ser. Ainda que ele esteja caminhando na sombra inútil, que logo irá desaparecer!

Assim sendo, aquela experiência universal, nossa e de todos os novos amigos e familiares, claramente prova que, como Deus fez nossos corações para si mesmo, então eles não terão descanso, até que repousem Nele; até que nós nos familiarizemos com Ele, nós não estaremos em paz. Como 'um escarnecedor' da sabedoria de Deus 'busca sabedoria e não a encontra'; assim, um escarnecedor da felicidade em Deus, busca felicidade, mas encontra nenhuma.

3. Já que você está totalmente convencido disto, eu o aconselho, em Segundo Lugar, a parar e considerar sobre si mesmo.Você pretende ser um tolo e um louco todos os seus dias? Já não está em tempo de cair em si? Finalmente, acorde do sono, e chacoalhe o pó! Liberte-se desta idolatria miserável, e 'escolha a melhor parte!'. Decida-se, firmemente, a buscar a felicidade onde ela pode ser encontrada; onde ela não poderá ser buscada em vão. Decida-se a buscá-la no Deus verdadeiro, a fonte de toda bem-aventurança; e não se demore! Coloque em execução, imediatamente, o que você resolveu! Vendo que 'todas as coisas estão prontas', 'familiarize-se com Ele, e esteja em paz'.

4. Mas não resolva, ou tente executar sua resolução, confiando em suas próprias forças. Se você o fizer, você irá se frustrar extremamente.Você não será capaz de satisfazer-se com o mundo pecaminoso, muito menos com seu próprio coração pecaminoso; e, menos do que tudo, com os poderes da escuridão. Clame, portanto, ao Forte, por força. Debaixo de um profundo senso de sua própria fraqueza e desamparo, confie no Senhor Jeová, em quem está a força eterna. Eu o aconselho a clamar por Ele por arrependimento, em particular; não apenas para uma consciência plena de sua impotência, mas por um senso agudo da culpa excessiva, vileza, e loucura da idolatria que há tanto tempo o tem tragado. Clame por um conhecimento completo de si mesmo; de toda a sua propensão ao pecado e culpa. Ore para que você possa estar completamente revelado a si mesmo; para que você possa se conhecer como você também é conhecido. Quando, você, então, possuir esta convicção genuína, todos os seus ídolos perderão seus encantos. E você irá se surpreender, em como você pode, por tanto tempo, curvar-se sobre essas coisas, em que não se pode confiar, e que tão freqüentemente se afundaram debaixo de você.

5. O que você poderia ter perguntado a seguir?

"Jesus, agora que eu perdi tudo; permita-me cair sobre teu peito!".

        Tu não disseste, 'Se tu creres, tu verás a glória de Deus? Senhor, eu poderia crer! Ajuda-me, em minha descrença. E me ajuda agora! Ajuda-me agora a entrar no descanso que permanece para o povo de Deus; para aqueles que deram seu coração a Ti, todo seu coração; que receberam a Ti como seu Deus e seu tudo. Ó Tu que és mais fiel, do que os filhos dos homens; cheios de graça são teus lábios! Fala, para que eu possa ver a Ti!E como as sombras que fogem diante do sol, então permita que todos os meus ídolos desapareçam à Tua presença!'.

6. Do momento em que você começar a experimentar isto, lute a boa luta da fé; Tome o reino dos céus, com veemência! Tome-o, como se ele fosse, através de uma tempestade! Negue a si mesmo, todo prazer que você não está divinamente consciente que o leva para mais perto de Deus. Tome sua cruz diária: Não se importe com a dor, se ela se colocar em seu caminho. Nada é impossível ao que crê: Você pode fazer todas as coisas, através de Cristo que o fortalece. Faça-o corajosamente; e apresse-se para a liberdade, com a qual Cristo o faz livre. Sim, siga em Seu nome, e no poder de Sua força, até que você 'conheça todo o amor de Deus que ultrapassa todo entendimento'. E, então, você terá apenas que esperar, até que Ele o chame ao Seu reino eterno!

[Editado por Michael Anderson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]




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A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: