domingo, 5 de janeiro de 2014

SOBRE A PERFEIÇÃO John Wesley, ESTUDE COM A BÍBLIA

SOBRE A PERFEIÇÃO
John Wesley


“Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus”, (Hebreu 6:1)

Toda a sentença transcorre assim: “Portando, deixando os princípios da doutrina de Cristo, prossigamos junto à perfeição. Não colocando novamente o fundamento do arrependimento das obras mortas, e da fé em direção a Deus”, a qual ele tinha justamente antes denominado de “os primeiros princípios dos oráculos de Deus”, e “adequado para bebês”, porque tais apenas testaram que o Senhor é gracioso.

Que o fazer isto é um ponto da mais extrema importância, o Apóstolo sugere nas palavras seguintes: “Isto faremos, se Deus permitir. Porque é impossível para aqueles que foram, uma vez, instruídos, e testaram da boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e caíram, renová-los novamente junto ao arrependimento”. Como se ele tivesse dito: Se nós não “prosseguirmos até a perfeição”, estaremos no mais extremo perigo de “cair”. E se cairmos, é “impossível”, ou seja, excessivamente difícil, “renová-los junto ao arrependimento”.

Com o objetivo de fazer desta importante escritura tão fácil de ser entendida quanto possível, eu devo me esforçar:

I.            Para mostrar o que é a perfeição:
II.         Responder algumas objeções a ela; e,
III.       Advertir um pouco com os opositores dela.

I

        Eu me esforçarei para mostrar do que se trata a perfeição.
       
1. Primeiro, eu não concebo a perfeição aqui falada, como a perfeição dos anjos. Já que esses gloriosos seres nunca “deixaram seu primeiro estado”; nunca declinado de sua perfeição original; todas as suas faculdades nativas estão intocáveis: O entendimento deles, em especial, é ainda um farol de luz; a compreensão de todas as coisas, clara e distinta, e o julgamento deles sempre verdadeiro. Por conseguinte, embora o conhecimento deles seja limitado, (porque eles são criaturas), embora sejam ignorantes com respeito a inumeráveis coisas, ainda assim, eles não são capazes de errar: O conhecimento deles é perfeito em sua espécie. E como a afeição deles é tão constantemente guiada por seu entendimento não errado, assim todas as suas ações são adequadas a isto: assim eles fazem, todo o momento, não a própria vontade, mas a boa e aceitável vontade de Deus. Portanto, não é possível para o homem, cujo entendimento está obscurecido, a quem o erro é tão natural, quanto a ignorância; quem não pode pensar, afinal, a não ser pela mediação de órgãos, que estão enfraquecidos e deteriorados, como as outras partes de seu corpo corruptível: não é possível, eu digo, para os homens pensarem sempre corretamente, apreenderem as coisas distintamente, e as julgarem verdadeiramente. Em conseqüência disto, suas afeições dependendo de seu entendimento, são variavelmente desordenadas. E suas palavras e ações são influenciadas, mais ou menos, pela desordem, tanto de seu entendimento quanto de suas afeições. Segue-se que nenhum homem, enquanto no corpo, pode possivelmente obter a perfeição angelical.

2. Nem algum homem, enquanto ele está em um corpo corruptível, obtém a perfeição adâmica. Adão, antes de sua queda, era indubitavelmente tão puro, tão livre do pecado quanto até mesmo os anjos santos. Da mesma forma, seu entendimento era tão claro quanto o deles, e suas afeições tão regulares. Em virtude disto, já que ele sempre julgou corretamente, então, ele era capaz de sempre falar e agir corretamente. Mas, desde que esse homem rebelou-se contra Deus, o caso é amplamente diferente com ele. Ele não é mais capaz de evitar a queda em inumeráveis erros; conseqüentemente, ele não pode sempre evitar as afeições errôneas; nem ele pode sempre pensar, falar, e agir corretamente. Portanto, o homem, em seu estado presente, não pode obter a perfeição adâmica, mais do que a perfeição angelical.

3. A mais alta perfeição que o homem pode obter, enquanto a alma habita neste corpo, não exclui a ignorância, o erro, e milhares de outras enfermidades. Agora, dos julgamentos errados sempre surgem palavras e ações erradas, da mesma fonte. Eu posso julgar você errado: Eu posso pensar mais ou menos o melhor de você, do que eu poderia pensar: e este erro em meu julgamento pode não apenas ocasionar alguma coisa errada em meu comportamento, mas ter um efeito ainda mais profundo: ele pode ocasionar alguma coisa errada em minha afeição. De uma compreensão errada, eu posso amar e estimar você, quer mais ou menos, do que eu deveria. Nem eu posso estar livre da qualificar exageradamente alguém, por tal engano, enquanto eu permaneço em um corpo corruptível. Milhares de enfermidades, em conseqüência disto, atenderão meu espírito, até que ele retorne para Deus que o deu. E, em incontáveis exemplos, é insuficiente fazer a vontade de Deus, como Adão fez no paraíso. Conseqüentemente, o melhor dos homens pode dizer do seu coração: “A todo momento, Senhor, eu preciso do mérito de tua morte, por causa  das inumeráveis violações das leis adâmicas, assim como angelicais”.

É bom, portanto, para nós que não estamos agora, sob estas, mas sob a lei do amor. “O amor é” agora “o cumprimento da lei”,  que foi dada ao homem caído. Esta é agora, com respeito a nós, “a lei perfeita”. Mas, até mesmo contra isto, embora a presente fraqueza de nosso entendimento, nós somos continuamente capazes de transgredir. Assim sendo, todo homem vivo precisa do sangue da expiação, ou ele não poderá estar diante de Deus.

        4. Qual é então, a perfeição da qual o homem é capaz, enquanto ele habita em um corpo corruptível? É a de obedecer àquele gentil mandamento: “Meu filho, dá-me teu coração”.  É o “amar o Senhor seu Deus com todo seu coração, e com toda sua alma, e com toda sua mente”. Esta é a soma da perfeição cristã.  Ela está toda inserida naquela única palavra: Amor. O primeiro ramo dele é o amor a Deus. E como aquele que ama a Deus, ama seu irmão também, ele está inseparavelmente ligado ao segundo: “Tu deverás amar ao teu próximo, como a ti mesmo”. Tu deverás amar cada homem, como tua própria alma, como Cristo nos amou. “Sobre esses dois mandamentos dependuram-se toda a lei e os profetas”: Esses contêm o todo da perfeição cristã.

        5. Um outro panorama deste nos é dado, naquelas palavras do grande Apóstolo: “Que esteja em você, a mente que esteve também em Cristo Jesus”.  Porque embora isto, imediatamente e diretamente se refira à humildade de nosso Senhor, ainda assim, isto pode ser levado em um sentido mais extensivo, de modo a incluir o todo da disposição de sua mente, todas as afeições dele, todos os seus temperamentos, ambos em direção a Deus e ao homem.  Agora, é certo que como não existe afeição pecaminosa nele, então, nenhuma boa afeição ou temperamento bom estava faltando. De maneira que “quaisquer que sejam as coisas santas, quaisquer que sejam as coisas amáveis”, estão todas incluídas “naquela mente que estava em Jesus Cristo”.

6. Paulo, quando escreveu aos Gálatas, colocou a perfeição em ainda um outro panorama. Ela é o único fruto indiviso do Espírito, o qual ele descreve assim: “O fruto do Espírito é o amor, alegria, paz; longanimidade, gentileza, bondade, fidelidade”, (assim a palavra seria traduzida aqui), “submissão, temperança”.  Que gloriosa constelação de graças existe aqui! Agora, suponha que todos esses sejam unidos em um, de maneira a estarem unidos na alma do crente, esta é a perfeição cristã.

7. Novamente: Ele escreve aos cristãos em Éfeso, a respeito do “colocarem o novo homem, que é criado, segundo Deus, na retidão e santidade verdadeira”; e para os Colossenses,“do novo homem, renovado segundo a imagem daquele que o criou”; plenamente referindo-se às palavras em Gênesis (Gênesis 1:27) “Assim Deus criou o homem em sua própria imagem”.  Agora, a imagem moral de Deus consiste (como o Apóstolo observa) “na retidão e santidade verdadeiras”. Através do pecado, isto é totalmente destruído. E nós nunca poderemos recuperá-lo, até que sejamos “recriados em Jesus Cristo”. E esta é a perfeição.

8. Pedro expressa isto, de uma maneira ainda diferente, embora para o mesmo efeito: “Como aquele que o chamou é santo, assim seja você santo, em todo seu modo de vida”.  (I Pedro 1:15). De acordo com este Apóstolo, então, a perfeição é outro nome para a santidade universal: retidão interior e exterior: Santidade de vida, surgindo da santidade de coração.

9. Se alguma expressão pode ser mais forte do que estas, elas estão naquelas de Paulo aos Tessalonicenses (I Tessalonicenses 5:23) “O próprio Deus da paz santifica você totalmente: e possa o todo de você, o espírito, a alma, e o corpo” (esta é a tradução literal) “ser preservado, sem culpa, até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

10. Nós podemos mostrar esta santificação de uma maneira mais excelente, do que pelo obedecer àquela exortação do Apóstolo: “Eu suplico a vocês, irmãos, através das misericórdias de Deus, que vocês apresentem seus corpos”  (vocês mesmos, suas almas e corpos; uma parte colocada para o todo, através da figura comum de linguagem), “como um sacrifício vivo a Deus”; a quem vocês foram consagrados muitos anos antes, no batismo. Quando o que foi, então, devotado, é verdadeiramente apresentado a Deus, então, é o homem de Deus perfeito.  

11. Para o mesmo efeito, Pedro diz em (I Pedro 2:5) “Vocês são sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus, através de Jesus Cristo”. Mas quais sacrifícios, nós podemos oferecer agora, vendo que a dispensação judaica não está no fim? Se vocês têm verdadeiramente apresentado a si mesmos a Deus, vocês oferecem a ele continuamente todos os seus pensamentos, e palavras, e ações, através do Filho de seu amor, como um sacrifício de louvor e ação de graças.

12. Assim, vocês experimentam que Ele, de cujo nome é chamado Jesus, não carrega aquele nome em vão: Que ele, de fato, “salva seu povo de seus pecados”; a raiz, assim como os ramos. E esta salvação do pecado, de todo o pecado, é outra descrição da perfeição: embora, na verdade, ele expressa apenas o menor, o ramo mais inferior dela, apenas a parte negativa da grande salvação.

II
       
Eu proponho, em Segundo Lugar, responder algumas objeções a este relato bíblico da perfeição.

1. Uma objeção comum a ela é que não existe promessa dela na Palavra de Deus. Se isto fosse assim, nós deveríamos desistir dela: nós teríamos nenhum alicerce para construir encima: Porque as promessas de Deus são o único alicerce certo de nossa esperança. Mas, certamente, existe uma promessa muito clara e completa de que nós todos devemos amar o Senhor nosso Deus, com todo nosso coração. Assim, lemos em (Deuteronômio 30:6) “Então, eu circundarei teu coração, e o coração de tua semente, para amar o Senhor teu Deus, com todo teu coração, e com toda tua alma”. Igualmente expressa é a palavra de nosso Senhor, que é não menos que uma promessa, embora na forma de um mandamento: “Tu deves amar o Senhor teu Deus, com todo teu coração, e com toda tua alma, e com toda tua mente”. (Mateus 22:37). Nenhuma palavra pode ser mais forte do que essas; nenhuma promessa pode ser mais expressa. Do mesmo modo: “Tu deves amar teu próximo como a ti mesmo”,  é tanto uma promessa expressa como um mandamento.  

2. E, de fato, aquela promessa geral e ilimitada que transcorre, através de toda a dispensação evangélica, “Eu colocarei minhas leis na mente deles, e as escreverei em seus corações”, transforma todos os mandamentos em promessa; e, conseqüentemente, esta em meio ao restante: “Que esteja em vocês, a mente que estava também em Jesus Cristo”. O mandamento aqui é equivalente a uma promessa, e nos dá uma razão completa para esperar que ele operará em nos o que ele requer de nós.

3. Com respeito aos frutos do Espírito, o Apóstolo, ao afirmar, “os frutos do Espírito são o amor, alegria, paz, longanimidade, gentileza, bondade, fidelidade, submissão, temperança”, em efeito, afirma que o Espírito verdadeiramente opera o amor, e esses outros temperamentos, naqueles que são conduzidos por ele. De maneira que aqui também, nos temos um alicerce firme para pisar, esta escritura sendo igualmente equivalente a uma promessa, e nos assegurando que todas essas deverão ser forjadas em nós, desde que sejamos conduzidos pelo Espírito.

4. E quando o Apóstolo diz aos Efésios (Efésios 4:21-24) “Vocês têm sido instruídos, como a verdade está em Jesus”,  -- para “serem renovados no espírito de suas mentes”,  e “revestidos do novo homem, que é criado, segundo Deus”, -- ou seja, segundo a imagem de Deus, -- “na retidão e santidade verdadeira”,  ele não nos deixa espaço para dúvida, mas Deus irá assim “nos renovar no espírito de nossa mente”, e “nos recriar”, na imagem de Deus, em que fomos a princípio criados: Do contrário, não seria dito que esta é “a verdade como ela está em Jesus”.

5. O mandamento de Deus, dado através de Pedro, “Seja santo, como aquele que o chamou é santo, em todo o seu modo de vida”,  (I Pedro 1:15)  implica uma promessa de que deveríamos ser assim santo, se não estivermos em falta conosco mesmos. Nada pode estar faltando da parte de Deus: Já que ele nos chamou para a santidade, ele está indubitavelmente disposto, assim como é capaz de operar esta santidade em nós. Porque ele não pode desapontar suas impotentes criaturas, nos chamando para receber o que ele nunca pretendeu dar. Que ele nos chama para isso é inegável; por conseguinte, ele a dará, se não formos desobedientes ao chamado divino.

        6. A oração de Paulo pelos Tessalonicenses, para que Deus os “santificasse” completamente, e “que o todo deles, o espírito, alma, e corpo, pudesse ser preservado irrepreensível”, sem dúvida será ouvido em favor de todos os filhos de Deus, assim como daqueles de Tessalônica. Por meio disto, portanto, todos os cristãos são encorajados a esperar a mesma benção “do Deus da paz”; ou seja, que eles também sejam “santificados totalmente, em espírito, alma, e corpo”; e que “o todo deles seja preservado sem culpa, até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. (I Tessalonicense 5:23).

7. Mas a grande questão, é se existe alguma promessa nas Escrituras, de que devamos ser salvos do pecado. Sem dúvida, existe. Tal é aquela promessa em (Salmos 130:8) “Ele deverá redimir Israel de todos os seus pecados”; exatamente respondível àquelas palavras de um anjo: “Ele salvará seu povo de seus pecados”. E, certamente, “Ele é capaz de salvar completamente aqueles que vieram até Deus, através Dele”. Tal é aquela gloriosa promessa dada, através do profeta Ezequiel: (Ezequiel 36:25-27) “Então, eu borrifarei água limpa sobre vocês, e vocês serão limpos: De toda a sua sujidade, e de todos os seus ídolos, eu limparei vocês. Um novo coração, também lhes darei, e um novo espírito, eu colocarei em vocês: E arrancarei o coração de pedra de seu corpo, e lhes darei um coração de carne. E colocarei meu Espírito em vocês, e farei com que vocês caminhem na minha estatura, e vocês manterão meus julgamentos, e os cumprirão”. Tal (para mencionar não mais) é o que foi pronunciado por Zacarias (Lucas 1:73-75): ”O juramento que ele fez ao nosso pai Abraão, de que ele nos concederia sermos livres das mãos de nossos inimigos”,  (e tal, sem dúvida, são todos os nossos pecados), “para servi-lo, sem temor, na santidade e retidão, perante ele, todos os dias de nossa vida”.  A última parte desta promessa é peculiarmente merecedora de nossa observação. Afim de que ninguém dissesse: “Verdade, nós devemos ser salvos de nossos pecados, quando morrermos”,  é que esta cláusula foi notavelmente acrescentada, como se a propósito de prevenir contra esta pretensão, todos os dias de nossa vida. Com que moderação, então, pode alguém afirmar que ninguém deverá desfrutar desta liberdade até a morte?


8.  “Mas”, dizem alguns, “este não pode ser o significado das palavras; porque a coisa é impossível”. É impossível aos homens: mas as coisas impossíveis aos homens, são possíveis a Deus. “Mais do que isto, é impossível em sua própria natureza; Porque isto implica uma contradição, a de que um homem possa ser salvo de todo o pecado, enquanto ele está em um corpo pecaminoso”.

Existe uma grande quantidade de força nesta objeção. E, talvez, nós admitamos a maioria daquilo pelo qual você luta. Nós já admitimos que, enquanto estamos no corpo, não podemos estar totalmente livres do pecado. Não obstante todo nosso cuidado, nós devemos ainda estar inclinados a julgar de maneira errada em muitas instâncias. E um equívoco no julgamento, muito freqüentemente, ocasionará um erro na prática. Mais do que isto, um julgamento errado pode ocasionar alguma coisa no temperamento ou paixões, que não está estritamente correto. Pode ocasionar temor desnecessário, ou  esperança mal alicerçada, amor irracional, ou aversão irracional. Mas tudo isto não é, de forma alguma, inconsistente com a perfeição acima descrita.

9. Vocês dizem: “Sim, isto é inconsistente com o último artigo: isto não pode consistir com a salvação do pecado”. Eu respondo: Isto, perfeitamente bem, consistirá com a salvação do pecado, de acordo com aquela definição do pecado (que eu compreendo seja a definição bíblica dele), uma transgressão voluntária de uma lei conhecida. “Mais ainda, todas as transgressões da lei de Deus, se voluntária, ou involuntariamente, são pecado: Porque João diz: ‘Todo pecado é uma transgressão da lei’”. Verdade, mas ele não diz: toda transgressão da lei é pecado. Isto eu nego: Que prove isto quem puder.

Para dizer a verdade, isto é uma mera disputa de palavras. Vocês dizem que ninguém está salvo do pecado em seu sentido da palavra: mas eu não admito este sentido, porque a palavra nunca é assim tomada nas Escrituras. E vocês não podem negar a possibilidade de serem salvos do pecado, em meu sentido da palavra. E este é o sentido em que a palavra, pecado, é, repetidas vezes, tomada das Escrituras.

“Mas, certamente nós não podemos ser salvos do pecado, enquanto habitamos em um corpo pecaminoso”. Um corpo pecaminoso? Eu suplico que observe, quão profundamente ambígua, quão questionável, esta expressão é! Mas não existe autoridade para isto nas Escrituras: A palavra corpo pecaminoso nunca foi encontrada lá. E já que ela é totalmente antibíblica, então, é indiscutivelmente absurda. Porque nenhum corpo, ou matéria de qualquer tipo, pode ser pecaminoso: Espíritos apenas são capazes do pecado. Eu imploro: em que parte do corpo o pecado habitaria? Ele não pode habitar na pele, nem nos músculos, ou nervos, ou veias, ou artérias: ele não pode estar nos ossos, mais do que no cabelo ou unhas. Apenas a alma pode ser o lugar do pecado.

10.  “Mas o próprio Paulo não diz: ‘Estes que estão na carne, não podem agradar a Deus?’”. Eu estou temeroso que o som dessas palavras enganou muitas almas descuidadas: que entendem que aqueles que estão na carne, significa o mesmo que aqueles que estão no corpo: Não: nada disto. A carne, neste texto, não significa o corpo, mais do que ela significa a alma. Abel, Enoque, Abraão, sim, todas aquelas multidões de testemunhas citadas por Paulo, no décimo-primeiro capítulo de Hebreus, verdadeiramente agradaram a Deus, enquanto estiveram no corpo, como ele próprio testifica. A expressão, portanto, aqui significa nem mais, nem menos, do que eles que são descrentes; aqueles que estão em seu estado natural; aqueles que estão sem Deus no mundo.

11. Mas vamos prestar atenção à razão da coisa. Por que o Altíssimo não pode santificar a alma, enquanto ela está no corpo? Não pode santificar vocês, enquanto vocês estão nesta casa, assim como fora dela? Podem as paredes de tijolos ou pedra impedi-lo? Não mais podem essas paredes de carne e sangue impedi-lo, num momento, de santificá-los totalmente. Ele pode exatamente salvar facilmente vocês de todos os pecados, no corpo, quanto fora dele.

“Mas ele prometeu salvar assim a nós do pecado enquanto estamos neste corpo?”.  Indubitavelmente ele o fez: Porque uma promessa está incluída em cada mandamento de Deus: Conseqüentemente nesta: “Tu deverás amar o Senhor teu Deus, com todo teu coração, e com toda tua alma, e com todo teu entendimento”. Porque este e cada outro mandamento são dados, não ao morto, mas ao vivo. Ele está afirmado nas palavras acima citadas, de que nós devemos caminhar “na santidade, perante ele, todos os dias de nossas vidas”.

Eu me estendi muito tempo nisto, porque ele é o grande argumento daqueles que se opõem à salvação do pecado: e, também, porque ele não tem sido tão freqüentemente e tão completamente respondido: Visto que os argumentos tomados das Escrituras já foram respondidos milhares de vezes.

12. Mas ainda uma objeção mais plausível permanece, tomada da experiência, não existem testemunhas desta salvação do pecado. Em resposta a isto, eu admito:

(1.) Que não existem muitos. Até mesmo neste sentido, não existem muitos antepassados. Tal é nossa dureza de coração; tal é nossa lentidão em crer no que ambos os profetas e Apóstolos falaram, que existem poucas, excessivamente poucas testemunhas verdadeiras da grande salvação.

(2.) Eu admito que existem falsas testemunhas, que tanto enganam suas próprias almas, e falam de coisas que eles não conhecem, quanto “falam mentiras em hipocrisia”. E freqüentemente, eu tenho desejado que não tenhamos mais de ambas as espécies. Não é nada estranho que homens de imaginação entusiasta enganem a si mesmos neste assunto. Muitos fazem o mesmo com respeito à justificação: Eles imaginam-se justificados, quando não estão. Mas, embora muitos imaginem isto falsamente, ainda assim, existem alguns que estão verdadeiramente justificados. E assim,  embora muitos imaginem que eles estão santificados, quando não estão, existem muitos que realmente estão santificados.

(3.) Eu admito que alguns, que uma vez desfrutaram da completa salvação, a perderam totalmente agora. Eles uma vez caminharam na gloriosa liberdade, dando a Deus todo o seu coração, “regozijando-se, mais e mais, orando sem cessar, e em todas as coisas dando graças”. Mas isto é passado. Eles agora estão sem as suas forças, e se tornaram como os outros homens. Talvez, eles não tenham desistido de sua confiança; eles ainda têm um sentido de seu amor perdoador. Mas, até mesmo isto, é freqüentemente assaltado por dúvidas e medos, de maneira que eles a seguram com as mãos trêmulas.

13. “Mais ainda; isto”, diz alguns homens devotos e sensíveis, “é a mesma coisa com a qual lutamos. Nós admitimos que possa agradar a Deus fazer de alguns de seus filhos, por um tempo, inexprimivelmente santos e  felizes. Nós não negaremos que eles possam desfrutar de toda santidade e felicidade da qual você nos fala. Mas é apenas por um tempo: Deus nunca pretendeu que isto continuassem até o fim de suas vidas. Conseqüentemente, o pecado é apenas suspenso; ele não é destruído”.

Isto, vocês afirmam. Mas trata-se de uma coisa de tão profunda importância, que não se pode admitir, sem uma prova clara e irrefutável. E onde está a prova? Nós sabemos que, em geral, “os dons e chamados de Deus são sem arrependimento”. Ele não se arrepende de algum dom que ele outorgou aos filhos dos homens. E como o contrário apareceria, com respeito a este dom específico de Deus? Por que nós imaginaríamos que ele faria exceção com respeito ao mais precioso de todos os seus dons, neste lado do céu? Ele não é tão capaz de nos dar sempre, assim como dá-lo, uma única vez? Tão capaz de dá-lo por cinqüenta anos, como por um dia? E como pode ser provado que ele não está disposto a continuar nesta sua bondade amorosa? Como esta suposição, de que ele não está disposto, é consistente com a afirmação concreta do Apóstolo? Quem, depois de exortar os cristãos em Tessalônica, e, neles todos, os cristãos em todas as épocas, “a regozijarem-se, sempre mais, e orarem sem cessar, e em todas as coisas dar graças”,  -- imediatamente acrescenta (como se com o propósito de responder àqueles que negaram, não o poder, mas a vontade de Deus ao operar isto neles): “Porque esta é a vontade de Deus, concernente a vocês, em Jesus Cristo”. Mais do que isto, é notável que, depois de ele ter entregado esta gloriosa promessa (tal ela é propriamente), no vigésimo-segundo versículo: “O mesmo Deus da paz santificará vocês totalmente: E o todo de vocês” (assim é no original) “o espírito, a alma, e o corpo, serão preservados irrepreensíveis, até a vinda do Senhor Jesus Cristo”; ele acrescenta novamente: “Fiel é aquele que os chamou, e que também fará isto”. (I Tessalonicenses 5:23-24). Ele não apenas os santificará totalmente, mas os preservará naquele estado, até que ele venha para recebê-los para si mesmo.

14. De acordo com isto está a clara evidência. Diversas pessoas desfrutaram desta bênção, sem qualquer interrupção, por muitos anos. Diversos desfrutam disto até hoje. E não poucos desfrutaram disto, até o momento de sua morte, como eles declararam com seu último suspiro; calmamente testemunhando que Deus os salvou de todos os pecados, até que o espírito deles retornou a Deus.

15. Quanto a todo o tópico de objeções tiradas da experiência, eu espero que seja observado mais alem, tanto as pessoas objetadas de terem alcançado a perfeição cristã, ou aquelas que não a obtiveram. Se elas não alcançaram, quaisquer que sejam as objeções trazidas contra elas, isto não atinge o ponto. Porque elas não são as pessoas das quais estamos falando. Portanto, o que quer que elas sejam, ou façam, está além da questão. Mas, se elas já a obtiveram; se elas responderam à descrição dada, sob os nove artigos precedentes, nenhuma objeção razoável pode ser colocada contra elas. Eles estão acima de toda censura; e “cada língua que se erguer contra elas,  as  condenará terminantemente”.

16. “Mas eu nunca vi alguém”, continua o opositor, “Que respondeu à minha idéia de perfeição”. Pode ser que sim. E é provável (como eu já observei), que você verá. Porque sua idéia inclui abundantemente muito mais: até mesmo, liberdade daquelas enfermidades que não são separáveis do espírito que está ligado à carne e sangue. Mas, se você mantiver o relato dado acima, e admitir a fraqueza do entendimento humano, você poderá ver hoje inegáveis exemplos da genuína e bíblica perfeição.

III

1. Resta apenas, em Terceiro Lugar, discutir um pouco com os opositores desta perfeição.

Agora, permita-me perguntar: Por que você está tão irado com aqueles que professam tê-la obtido? E tão enlouquecido (eu não posso dar a isto algum título mais leve), contra a perfeição cristã?  -- contra o mais glorioso dom que Deus, alguma vez, deu aos filhos dos homens sobre a terra? Examine isto em cada um dos pontos precedentes de esclarecimento, e examine o que eles contêm de odioso ou terrível:  o que é planejado para excitar o ódio ou o temor de qualquer criatura racional.

Que objeção razoável, vocês podem fazer ao amar ao Senhor seu Deus com todo seu coração? Por que vocês teriam alguma aversão a isto? Por que vocês deveriam estar temerosos dela? Ela causaria algum dano a vocês? Ela diminuiria a felicidade de vocês, quer neste mundo ou no mundo vindouro? E por que vocês não estariam desejosos que outros possam dar a ele todo o seu coração? Ou que eles possam amar seu próximo, como a si mesmos? Sim, “como Cristo nos amou?”. É isto detestável? Este é o próprio objeto do ódio? Ou é a coisa mais agradável sob o sol? Ela é apropriada para causar terror?  Ou, antes, ela é desejável no mais alto grau?

2. Por que vocês são tão avessos a terem, em vocês, toda a “mente que estava em Jesus Cristo?”.  – Todas as afeições, todos os temperamentos e disposições, que estavam nele, enquanto ele habitou entre os homens? Por que vocês estariam temerosos disto? Seria algo pior para vocês, se Deus operasse em vocês, neste exato momento, toda a mente que estava nele? Se não, por que vocês impediriam outros de buscarem essa bênção? Ou se desagradarem daqueles que pensam que já a obtiveram? Existe alguma coisa mais graciosa? Existe alguma coisa mais desejável, através de cada filho do homem?

3. Por que vocês seriam contrários a terem todo o “fruto do Espírito?” – “amor, alegria, paz; longanimidade, mansidão, gentileza, fidelidade, bondade, temperança?”.  Por que vocês estariam temerosos de terem todos esses plantados no mais intimo de suas almas? Já que “contra esses não existe lei”, então, não pode existir alguma objeção razoável. Certamente nada é mais desejável, de que todos esses temperamentos criassem profundas raízes em seus corações; mais do que isto, nos corações de todos que são chamados pelo nome de Cristo; sim, de todos os habitantes da terra.

4. Que motivos, vocês têm para temer, ou nutrirem alguma aversão ao serem “renovados em” toda “a imagem Dele que os criou?”. Isto não é mais desejável do que alguma coisa sob o céu? Isto não é completamente agradável? O que vocês podem desejar, em comparação a isto, tanto em suas próprias almas, ou para aqueles aos quais vocês nutrem a mais forte e terna afeição? E quando vocês desfrutam disto, o que permanece, a não ser “serem transformados de glória em glória, através do Espírito do Senhor?”.

        5. Por que vocês seriam contrários à santidade universal, -- a mesma coisa, sob outro nome? Por que vocês nutririam algum preconceito contra isto, ou olhariam para isto com apreensão? Quer vocês entendam, através daquele termo, o estar interiormente de acordo com toda a imagem e vontade de Deus, ou um comportamento exterior, em todo o ponto adequado àquela conformidade. Podem vocês conceber alguma coisa mais agradável do que isto? Alguma coisa mais desejável? Coloquem o preconceito de lado, e certamente vocês desejarão vê-la difundida sobre toda a terra.

6. É a perfeição (para variar a expressão), o ser “santificado totalmente no espírito, alma e corpo?”. Qual daquele que ama a Deus e ao homem pode ser contrário a isto, ou nutre uma compreensão assustadora dela? Em seus melhores momentos, não é o desejo de vocês serem todos uma só peça? – Todos consistentes consigo mesmos? – Todos, fé; todos, mansidão; e todos, amor? E supondo-se que vocês fossem, uma vez, possuidores desta gloriosa liberdade, vocês não desejariam continuar nela? – Serem preservados “irrepreensíveis, até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo?”.

7. Por que motivo, vocês que são filhos de Deus seriam contrários, ou temeriam apresentar a si mesmos, suas almas, e corpos como um sacrifício vivo, santo, aceitável a Deus? – Ao Deus, seu Criador, seu Redentor, seu Santificador? Pode alguma coisa ser mais desejável do que esta inteira autodedicação a Ele? E não é da vontade de vocês, que toda a humanidade pudesse se unir neste “serviço justo?”. Certamente, ninguém pode ser avesso a isto, sem ser um inimigo de toda a humanidade.

        8. E porque vocês estariam temerosos, ou seriam contrários a ela, está naturalmente inserido nisto: ou seja, no oferecer todos os nossos pensamentos, e palavras e ações, como um sacrifício espiritual a Deus, aceitável a ele, através do sangue e intercessão de seu bem-amado Filho. Certamente, vocês não podem negar que isto é bom e proveitoso aos homens, assim como agrada a Deus. Vocês, então, não suplicariam devotadamente que tanto vocês quanto toda a humanidade pudessem assim adorar a Ele em espírito e verdade?

9. Permitam-me fazer uma pergunta mais. Por que algum homem de razão e religião estaria tanto temeroso, quanto avesso à salvação de todo o pecado? Não é o pecado o maior mal deste lado do inferno? E se for assim, naturalmente não se segue que um completo livramento dele é uma das maiores bênçãos, deste lado do céu? Quão sinceramente, então, ela seria suplicada a todos os filhos de Deus! Através do pecado, eu quero dizer uma transgressão voluntária de uma lei conhecida. Vocês são contrários a serem libertos disto? Vocês têm medo de tal livramento? Vocês, então, amam o pecado, de tal modo a serem tão relutantes em se separarem dele? Certamente que não. Vocês não amam, quer o diabo ou suas obras. Vocês antes desejam estar totalmente libertos deles, e ter o pecado arrancado, tanto de suas vidas quanto de seus corações.

10. Eu tenho observado freqüentemente, e não sem surpresa, que os opositores da perfeição são mais veemente contra ela, quando ela está colocada neste panorama, do que em algum outro, qualquer que seja. Eles permitirão tudo que você diz do amor de Deus e homem; da mente que estava em Cristo; dos frutos do espírito; da imagem de Deus; da santidade universal; da inteira abnegação; da santificação no espírito, alma, e corpo; sim, e do oferecer todos os nossos pensamentos, palavras e ações, como um sacrifício a Deus; -- tudo isto eles permitirão, assim como permitem que o pecado, um pequeno pecado permaneça em nós até a morte.

11. Suplico, comparem isto com aquela notável passagem em “Guerra Santa”  de John Bunyan. “Quando Emanuel”, diz ele, “dirigiu Diabolus e toda as suas forças para fora da cidade de Mansoul, Diabolus ofereceu uma petição a Emanuel, de que ele teria apenas uma pequena parte da cidade. Quando isto foi rejeitado, ele implorou para ter apenas uma pequena sala dentro dos muros. Mas Emanuel respondeu: ‘Ele não teria lugar, afinal; não, nem para descansar a sola de seus pés”. O bom e velho homem esqueceu de si mesmo? A força da verdade, então, não prevaleceu sobre ele aqui, quando tão completamente aniquilou seu próprio sistema, – para afirmar perfeição da maneira mais clara? Porque, se esta não é a salvação do pecado, eu não posso dizer qual é.

12. “Não”, diz um grande homem, “este é o erro dos erros: eu odeio isto do fundo do meu coração. Eu persigo isto, por todo o mundo, com fogo e espada”.  Mais ainda, por que assim veemente? Vocês seriamente pensam que não existe erro igual a este sob o céu? Aqui está alguma coisa que eu não posso entender. Por que aqueles que se opõem à salvação do pecado (poucos, em exceção) estão tão ansiosos -- eu diria, furiosos? Vocês estão lutando pro aris et focis? "por Deus e seu país?”. Por tudo que vocês têm no mundo? Por tudo que é próximo e querido a vocês? Pela sua liberdade, sua vida? Em nome de Deus, por que vocês são tão aficionados pelo pecado? Que bem alguma vez ele fez a vocês? Que bem ele alguma vez igualmente fará a vocês, quer neste mundo ou no mundo vindouro? E por que vocês são tão violentos, contra aqueles que esperam para se libertarem dele? Tenham paciência conosco, se nós estamos errados; sim, permita-nos desfrutar de nosso erro. Se nós não o obtivermos, a própria expectativa deste livramento nos dá conforto presente; sim, e ministra força para resistirmos àqueles inimigos que esperamos vencer. Se vocês pudessem nos persuadir a desanimar desta vitória, nós poderíamos parar a disputa. Agora “nós estamos salvos pela esperança”: Desta mesma esperança um grau de salvação brota; Não fiquem irados com aqueles que estão felices errore suo, “felizes em seu erro”. Quer a opinião deles esteja certa ou errada, o seu temperamento é inegavelmente pecaminoso. Nos suporte, então, como fazemos com vocês; e veja se o Senhor não irá nos livrar! Quer Ele não seja capaz, sim, e disposto “a salvá-los ao extremo, que venham até Deus, através dele”.

 [Tunbridge Wells, 6 de Dezembro de 1784]


 [Editado por Dave Giles, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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Somos amigos de Deus Nosso relacionamento com Jesus é mais especial do que imaginamos. Ele chamou os seus discípulos e disse: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo: 15, 15). Existem muitos que querem ser servos, porém o desejo maior de Jesus é ser nosso amigo. Amigos gostam de se encontrar, e todos precisam de amigos. Amigo é presente, e temos prazer em estar perto dele, abraçar e dar boas risadas. Mas será que Deus precisa de amigos? Ele nos deixou o exemplo. Nossa fé é esse relacionamento com Ele. E como vemos, abraçamos e beijamos Jesus? Cristo disse: “Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer” (Mt: 25, 45). Sempre que você abraça e beija um irmão, também abraça e beija Jesus. Esse deve ser o nosso entendimento. Em nossos relacionamentos, experimentaremos momentos delicados, e Jesus Cristo quer nos ensinar o que está em Mt 26: 47-50, que diz: “Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos 12, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo. Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: ‘Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o’. E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: ‘Salve, Mestre!’ E o beijou. Jesus, porém, lhe disse: ‘Amigo, para que vieste?’ Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam”. Quando Jesus disse: “Amigo, para que vieste?”, era para Judas começar a chorar. Quando alguém diz: “Amigo, para que vieste?”, é para você não fazer a besteira que pretendia fazer. Judas tinha o livre-arbítrio, e Jesus sabia que ele estava ali para traí-lo, mas o Senhor disse a referida frase. Judas precisava ter uma resposta. Jesus não o chamou de filho, mas de amigo. Essa palavra é tão forte, mas, infelizmente, as pessoas estão perdendo e menosprezando o sentido dela. O livro de Provérbios enaltece a verdadeira amizade quando diz: “Em todo o tempo, ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv: 17, 17). Em todas as estações da vida, ama o amigo. Todos nós passamos por estações na nossa vida, por angústias tão terríveis, mas, se tivermos amigos, esses momentos podem ser mais leves. “Em todo tempo, ama o amigo”. Na hora da angústia, do sofrimento, ele se faz irmão. Deus abençoe!