terça-feira, 25 de novembro de 2014

Vamos estudar o que é Adoração a Deus.

A ADORAÇÃO A DEUS

Ne 8.5,6 “E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo;
porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo
se pôs em pé. E Esdras louvou o SENHOR, o grande Deus; e todo o
povo respondeu: Amém! Amém!, levantando as mãos; e
inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra.”
A adoração consiste nos atos e atitudes que reverenciam e honram à majestade do grande Deus do
céu e da terra. Sendo assim, a adoração concentra-se em Deus, e não no ser humano. No culto
cristão, nós nos acercamos de Deus em gratidão por aquilo que Ele tem feito por nós em Cristo e
através do Espírito Santo. A adoração requer o exercício da fé e o reconhecimento de que Ele é
nosso Deus e Senhor.
BREVE HISTÓRIA DA ADORAÇÃO AO VERDADEIRO DEUS. O ser humano adora a Deus
desde o ínicio da história. Adão e Eva tinham comunhão regular com Deus no jardim do Éden (cf.
Gn 3.8). Caim e Abel trouxeram a Deus oferendas (hb. minhah, termo também traduzido por
“tributo” ou dádiva”) de vegetais e de animais (Gn 4.3,4). Os descendentes de Sete invocavam “o
nome do SENHOR” (Gn 4.26). Noé construiu um altar ao Senhor para oferecer holocaustos depois
do dilúvio (Gn 8.20). Abraão assinalou a paisagem da terra prometida com altares para oferecer
holocaustos ao Senhor (Gn 12.7,8; 13.4, 18; 22.9) e falou intimamente com Ele (Gn 18.23-33;
22.11-18).
Somente depois do êxodo, quando o Tabernáculo foi construído, é que a adoração pública tornou-se
formal. A partir de então, sacrifícios regulares passaram a ser oferecidos diariamente, e
especialmente no sábado, e Deus estabeleceu várias festas sagradas anuais como ocasiões de culto
público dos israelitas (Êx 23.14-17; Lv 1—7; Dt 12; 16). O culto a Deus foi posteriormente
centralizado no templo de Jerusalém (cf. os planos de Davi, segundo relata 1Cr 22—26). Quando o
templo foi destruído, em 586 a.C., os judeus construíram sinagogas como locais de ensino da lei e
adoração a Deus enquanto no exílio, e aonde quer que viessem a morar. As sinagogas continuaram
em uso para o culto, mesmo depois de construído o segundo templo por Zorobabel (Ed 3—6). Nos
tempos do NT havia sinagogas na Palestina e em todas as partes do mundo romano (e.g. Lc 4.16; Jo
6.59; At 6.9; 13.14; 14.1; 17.1, 10; 18.4; 19.8; 22.19).
A adoração na igreja primitiva era prestada tanto no templo de Jerusalém quanto em casas
particulares (At 2.46,47). Fora de Jerusalém, os cristãos prestavam culto a Deus nas sinagogas,
enquanto isso lhes foi permitido. Quando lhes foi proibido utilizá-las, passaram a cultuar a Deus
noutros lugares, geralmente em casas particulares (cf. At 18.7; Rm 16.5; Cl 4.15; Fm v. 2), mas, às
vezes, em salões públicos (At 19.9,10).
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MANIFESTAÇÕES DA ADORAÇÃO CRISTÃ.
(1) Dois princípios-chaves norteiam a adoração cristã. (a) A verdadeira adoração é a que é prestada
em espírito e verdade (ver Jo 4.23 nota), i.e., a adoração deve ser oferecida à altura da revelação
que Deus fez de si mesmo no Filho (ver Jo 14.6). Por sua vez, ela envolve o espírito humano, e não
apenas a mente, e também como as manifestações do Espírito Santo (1Co 12.7-12). (b) A prática da
adoração cristã deve corresponder ao padrão do NT para a igreja (ver At 7.44 nota). Os crentes
atuais devem desejar, buscar e esperar, como norma para a igreja, todos os elementos constantes da
prática da adoração vista no NT (cf. o princípio hermenêutico estudado na introdução a Atos).
(2) O fato marcante da adoração no AT era o sistema sacrificial (ver Nm 28, 29). Uma vez que o
sacrifício de Cristo na cruz cumpriu esse sistema, já não há mais qualquer necessidade de
derramamento de sangue como parte do culto cristão (ver Hb 9.1—10.18). Através da ordenança da
Ceia do Senhor, a igreja do NT comemorava continuamente o sacrifício de Cristo, efetuado de uma
vez por todas (1Co 11.23-26). Além disso, a exortação que tem a igreja é oferecer “sempre, por ele,
a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15), e a
oferecer nossos corpos como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1 nota).
(3) Louvar a Deus é essencial à adoração cristã. O louvor era um elemento-chave na adoração de
Israel a Deus (e.g., Sl 100.4; 106.1; 111.1; 113.1; 117), bem como na adoração cristã primitiva (At
2.46,47; 16.25; Rm 15.10,11; Hb 2.12; ver o estudo O LOUVOR A DEUS).
(4) Uma maneira autêntica de louvar a Deus é cantar salmos, hinos e cânticos espirituais. O AT está
repleto de exortações sobre como cantar ao Senhor (e.g., 1Cr 16.23; Sl 95.1; 96.1,2; 98.1,5,6;
100.1,2). Na ocasião do nascimento de Jesus, a totalidade das hostes celestiais irrompeu num cântico
de louvor (Lc 2.13,14), e a igreja do NT era um povo que cantava (1Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg
5.13). Os cânticos dos cristãos eram cantados, ou com a mente (i.e. num idioma humano conhecido)
ou com o espírito (i.e., em línguas; ver 1Co 14.15 nota). Em nenhuma circunstância os cânticos
eram executados como passatempo.
(5) Outro elemento importante na adoração é buscar a face de Deus em oração. Os santos do AT
comunicavam-se constantemente com Deus através da oração (e.g. Gn 20.17; Nm 11.2; 1Sm 8.6; 2
Sm 7.27; Dn 9.3-19; cf. Tg 5.17,18). Os apóstolos oravam constantemente depois de Jesus subir ao
céu (At 1.14), e a oração tornou-se parte regular da adoração cristã coletiva (At 2.42; 20.36; 1Ts
5.17; ver o estudo A ORAÇÃO EFICAZ). Essas orações eram, às vezes, por eles mesmos (At
4.24-30); outras vezes eram orações intercessórias por outras pessoas (e.g. At 12.5; Rm 15.30-32;
Ef 6.18). Em todo tempo a oração do crente deve ser acompanhada de ações de graças a Deus (Ef
5.20; Fp 4.6; Cl 3.15,17; 1Ts 5.17,18). Como o cântico, o orar podia ser feito em idioma humano
conhecido, ou em línguas (1Co 14.13-15).
(6) A confissão de pecados era sabidamente parte importante da adoração no AT. Deus estabelecera
o Dia da Expiação para os israelitas como uma ocasião para a confissão nacional de pecados (Lv 16;
ver o estudo O DIA DA EXPIAÇÃO). Salomão, na sua oração de dedicação do templo,
reconheceu a importância da confissão (1Rs 8.30-36). Quando Esdras e Neemias verificaram até que
ponto o povo de Deus se afastara da sua lei, dirigiram toda a nação de Judá numa contrita oração
pública de confissão (cap. 9). Assim, também, na oração do Pai nosso, Jesus ensina os crentes a
pedirem perdão dos pecados (Mt 6.12). Tiago ensina os crentes a confessar seus pecados uns aos
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outros (Tg 5.16); através da confissão sincera, recebemos a certeza do gracioso perdão divino (1Jo
1.9).
(7) A adoração deve também incluir a leitura em conjunto das Escrituras e a sua fiel exposição. Nos
tempos do AT, Deus ordenou que, cada sétimo ano, na festa dos Tabernáculos, todos os israelitas se
reunissem para a leitura pública da lei de Moisés (Dt 31.9-13). O exemplo mais patente desse
elemento do culto no AT, surgiu no tempo de Esdras e Neemias (8.1-12). A leitura das Escrituras
passou a ser uma parte regular do culto da sinagoga no sábado (ver Lc 4.16-19; At 13.15).
Semelhantemente, quando os crentes do NT reuniam-se para o culto, também ouviam a leitura da
Palavra de Deus (1Tm 4.13; cf. Cl 4.16; 1Ts 5.27) juntamente com ensinamento, pregação e
exortação baseados nela (1Tm 4.13; 2Tm 4.2; cf. At 19.8-10; 20.7).
(8) Sempre quando o povo de Deus se reunia na Casa do Senhor, todos deviam trazer seus dízimos
e ofertas (Sl 96.8; Ml 3.10). Semelhantemente, Paulo escreveu aos cristãos de Corinto, no tocante à
coleta em favor da igreja de Jerusalém: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte
o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” (1Co 16.2). A verdadeira adoração a Deus deve,
portanto ensejar uma oportunidade para apresentarmos ao Senhor os nossos dízimos e ofertas.
(9) Algo singular no culto da igreja do NT era a atuação do Espírito Santo e das suas manifestações.
Entre essas manifestações do Espírito na congregação do Senhor havia a palavra da sabedoria, a
palavra do conhecimento, manifestações especiais de fé, dons de curas, poderes miraculosos,
profecia, discernimento de espíritos, falar em línguas e a interpretação de línguas (1Co 12.7-10). O
caráter carismático do culto cristão primitivo vem, também, descrito nas cartas de Paulo: “Quando
vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação”
(1Co 14.26). Na primeira epístola aos coríntios, Paulo expõe princípios normativos da adoração
deles (ver 1Co 14.1-33 notas). O princípio dominante para o exercício de qualquer dom do Espírito
Santo durante o culto é o fortalecimento e a edificação da congregação inteira (1Co 12.7; 14.26; ver
o estudo DONS ESPIRITUAIS PARA O CRENTE).
(10) O outro elemento excepcional na adoração segundo o NT era a prática das ordenanças — o
batismo e a Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor (ou o “partir do pão”, ver At 2.42) parece que era
observada diariamente entre os crentes logo depois do Pentecostes (At 2.46,47), e, posteriormente,
pelo menos uma vez por semana (At 20.7,11). O batismo conforme a ordem de Cristo (Mt 28.19,20)
ocorria sempre que havia conversões e novas pessoas ingressavam na igreja (At 2.41; 8.12; 9.18;
10.48; 16.30-33; 19.1-5).
AS BÊNÇÃOS DE DEUS PARA OS VERDADEIROS ADORADORES. Quando os crentes
verdadeiramente adoram a Deus, muitas bênçãos lhes estão reservadas por Ele. Por exemplo, Ele
promete (1) que estará com eles (Mt 18.20), e que entrará e ceará com eles (Ap 3.20); (2) que
envolverá o seu povo com a sua glória (cf. Êx 40.35; 2Cr 7.1; 1Pe 4.14); (3) que abençoará o seu
povo com chuvas de bênçãos (Ez 34.26), especialmente com a paz (Sl 29.11; ver o estudo A PAZ
DE DEUS); (4) que concederá fartura de alegria (Sl 122.1,2; Lc 15.7,10; Jo 15.11); (5) que
responderá às orações dos que oram com fé sincera (Mc 11.24; Tg 5.15; ver o estudo A ORAÇÃO
EFICAZ); (6) que encherá de novo o seu povo com o Espírito Santo e com ousadia (At 4.31); (7)
que enviará manifestações do Espírito Santo entre o seu povo (1Co 12.7-13); (8) que guiará o seu
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povo em toda a verdade através do Espírito Santo (Jo 15.26; 16.13); (9) que santificará o seu povo
pela sua Palavra e pelo seu Espírito (Jo 17.17-19); (10) que consolará, animará e fortalecerá seu
povo (Is 40.1; 1Co 14.26;2Co 1.3,4; 1Ts 5.11); (11) que convencerá o povo do pecado, da justiça e
do juízo por meio do Espírito Santo (ver Jo 16.8 nota); e (12) que salvará os pecadores presentes no
culto de adoração, sob a convicção do Espírito Santo (1Co 14.22-25).
EMPECILHOS À VERDADEIRA ADORAÇÃO. O simples fato de pessoas se dizendo crentes
realizarem um culto, não é nenhuma garantia de que haja aí verdadeira adoração, nem que Deus
aceite seu louvor e ouça suas orações.
(1) Se a adoração a Deus é mera formalidade, somente externa, e se o coração do povo de Deus está
longe dEle, tal adoração não será aceita por Ele. Cristo repreendeu severamente os fariseus por sua
hipocrisia; eles observavam a lei de Deus por legalismo, enquanto seus corações estavam longe dEle
(Mt 15.7-9; 23.23-28; Mc 7.5-7). Note a censura semelhante que Ele dirigiu à igreja de Éfeso, que
adorava o Senhor mas já não o amava plenamente (Ap 2.1-5).
(2) Outro impedimento à verdadeira adoração é um modo de vida comprometido com o
mundanismo, pecado e imoralidade. Deus recusou os sacrifícios do rei Saul porque este desobedeceu
ao seu mandamento (1Sm 15.1-23). Isaías repreendeu severamente o povo de Deus como “nação
pecadora... povo carregado da iniqüidade da semente de malignos” (Is 1.4); ao mesmo tempo,
porém esse mesmo povo oferecia sacrifícios a Deus e comemorava seus dias santos. Por isso, o
Senhor declarou através de Isaías: “As vossas festas da lua nova, e as vossas solenidades, as
aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis
as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque
as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1.14,15). Semelhantemente, na igreja do NT, Jesus
conclamou os adoradores em Sardes a se despertarem, porque “não achei as tuas obras perfeitas
diante de Deus” (Ap 3.2). Da mesma maneira, Tiago indica que Deus não atenderá as orações
egoístas daqueles que não se separam do mundo (Tg 4.1-5; ver o estudo A ORAÇÃO EFICAZ). O
povo de Deus só pode ter certeza que Deus estará presente à sua adoração e a aceitará, quando esse
povo tiver mãos limpas e coração puro (Sl 24.3,4; Tg 4.8).
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A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: