quarta-feira, 30 de março de 2016

Só Jesus é o SENHOR!

A Idolatria no Coração
Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos dentro do seu coração, tropeço para a iniquidade que sempre têm eles diante de si; acaso, permitirei que eles me interroguem? Ezequiel 14:3

A idolatria é um dos assuntos mais frequentes no trato de Deus com Israel. Embora a noção de idolatria esteja associada ao culto e a criação de imagens, as Escrituras descrevem a idolatria como um problema do coração do homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. (Mateus 15.19). Ver tambémGl 5.20,21; Ap 22.15.

O Ser humano é por essência um adorador. A história mostra que os povos da Antiguidade possuíam objetos que representavam suas divindades para as quais direcionava sua devoção. O deus maior nessas culturas idólatras era o sol.

Para os Babilônicos e Assírios, o deus sol era chamado Shamash. Semíramis era mulher de Nimrod, fundador e rei da Babilônia e mãe de Tamuz de quem dizia que seria o Messias, o Filho da promessa. Semíramis (ou Astarote), deusa da fertilidade e da guerra, era adorada por vários povos do mundo bíblico, em culto lascivo (Jz 10.6; 1Rs 11.5). No tempo de Jeremias muitas mulheres de Judá a adoravam, com o nome de Rainha dos Céus (Jr 44.17-19).

A idolatria está fundamentada na exaltação do homem. Qualquer coisa que colocarmos nossa afeição demasiada e obediência, acima de JAVÉ configura idolatria.

Os gregos adoravam a deuses concebidos segundo o caráter humano, tendo um para cada necessidade, como Zeus, Possêidon, Hera e muitos outros.

O mesmo acontecia com os etruscos que tiveram grande influência sobre os Romanos (tomaram Roma quando ainda era um aglomerado de aldeias). Eles praticavam augúrios, fazendo seus vaticínios no monte sagrado chamado Vaticano através das vísceras de animais e outras ciências ocultas.

A idolatria é a rejeição do verdadeiro Deus (Javé – Eu Sou; Adonai - Senhor) em favor dos falsos deuses. As nações pagãs que circundavam Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus. Os deuses pagãos das nações vizinhas de Israel não requeriam o tipo de obediência que o Deus de Israel requeria. Muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa no seu culto, tendo para isso prostitutas cultuais.

O termo idolatria no Antigo Testamento significa: ‘aven – ofegar, portanto, esforçar-se, geralmente em vão. Zanah - praticar fornicação, ser ou agir como uma meretriz, cometer adultério, ser um prostituto ou prostituta cultual, ser infiel (a Deus) e shav - vacuidade, vaidade, falsidade, nulidade, mentira.

O primeiro mandamento que Deus deu ao povo de Israel é: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra... Êxodo 20. 1-6

Deus sabia que o povo de Israel estaria exposto a muitas influências pagãs e que precisava ter os olhos fitos no caráter de Deus. Jesus disse: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração (vontade e caráter), de toda a tua alma (ser moral) e de todo o teu entendimento (intelectual, afetivo e volitivas). Mateus 22.37. Ele estava se referindo a Deuteronômio 6.5 quando Moisés repetiu para Israel os mandamentos e exortações de Deus.

No entanto, no estabelecimento de Israel na Terra Prometida, volta e meia o povo se desviava de Deus, recebia as consequências da desobediência, se arrependia e Deus voltava a abençoar. Vejamos este texto:

Edificaram os altos de Baal, que estão no vale do filho de Hinom, para queimarem a seus filhos e a suas filhas a Moloque, o que nunca lhes ordenei, nem me passou pela mente fizessem tal abominação, para fazerem pecar a Judá. Jeremias 32:35

Vai e dize a Jeroboão: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Porquanto te levantei do meio do povo, e te fiz príncipe sobre o meu povo de Israel, e tirei o reino da casa de Davi, e to entreguei, e tu não foste como Davi, meu servo, que guardou os meus mandamentos e andou após mim de todo o seu coração, para fazer somente o que parecia reto aos meus olhos; antes, fizeste o mal, pior do que todos os que foram antes de ti, e fizeste outros deuses e imagens de fundição, para provocar-me à ira, e me viraste as costas. 1 Reis 14. 7-9

Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar..., fez o que era reto perante o SENHOR, andou em todo o caminho de Davi, seu pai, e não se desviou nem para a direita nem para a esquerda..., no duodécimo ano, começou a purificar a Judá e a Jerusalém dos altos, dos postes-ídolos e das imagens de escultura e de fundição. 2 Crônicas 34.1-3. Ver também 2 Rs 23. 23-25

Ele(rei Azarias ou Uzias) fez o que era reto perante o SENHOR, segundo tudo o que fizera Amazias, seu pai. Tão somente os altos não se tiraram; o povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos. O SENHOR feriu ao rei, e este ficou leproso até ao dia da sua morte e habitava numa casa separada. 2 Reis 15:3. Veja também 2 Cr 26:18,19,21

A questão é mais séria do que imaginamos. Os ídolos, nas Escrituras referem-se à abominação, ao desvio de Deus. Entretanto, esse desvio de Deus não está ligado somente à adoração visível diante de imagens de escultura, mas se aplica à adoração idólatra que ocorre dentro do coração humano.

O profeta Ezequiel faz uso do termo diferentemente do uso mais comum, quando aplica à adoração que ocorre dentro do coração humano. Ele não está fazendo referência a imagens, postes-ídolos ou coisas semelhantes, mas a tudo que o coração do homem venha a adorar dentro de si. O contexto indica que “ídolo do coração” é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus na vida de alguém.

Jesus disse em Mateus 15:919 que é do coração que procedem os maus designos. Idolatria é quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou demônios (satanismo), do poder, raça, prazer, antepassados, do Estado, do dinheiro, de bens materiais, desportos e artistas. A idolatria começa no coração.

A cultura do entretenimento há muito vem movimentando os gostos, os interesses e as motivações. O humanismo colocou o homem como gerente de sua vida e a sua própria vontade como seu cliente preferencial. É a idolatria do EU que está no próprio coração. É a glória de Cristo que está em jogo quando o Cordeiro está sutilmente fora do centro de nossas vidas.

Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se... Portanto, meus amados, fugi da idolatria. 1 Co 10.6,7 e 14

Idolatria é um pecado que tem suas raízes na mente, em nossos pensamentos, crenças, julgamentos e imaginação. Tiago identifica o problema central do cristão como sendo os desejos cobiçosos de dentro do coração. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1.14,15

Quando projeto a minha própria vontade em alguém ou alguma coisa, crio um deus e o coloco no trono da adoração. É um deus manipulável segundo a minha vontade e cobiça. No entanto, na realidade o que está assentado no trono da minha vida sou eu mesmo.

A cobiça é maneira sutil de Satanás levar as pessoas à idolatria. Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Colossenses 3.5,6. Uma pessoa insatisfeita com aquilo que tem e que sempre cobiça mais, não hesitará em obedecer aos princípios e vontade de ídolos (demônios) para conseguirem aquilo que desejam. Por isso Jesus disse: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt 6.24), e Paulo advertiu: “Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios” (1Co 10.21).

Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. 2 Coríntios 6. 16. Ver também Provérbios 23:4-6

A questão mais profunda da motivação é: quem é o senhor destes padrões de pensamento e sentimento? Quem além de Deus é meu deus? O que tem nutrido minha vida de significado? Se minha resposta for qualquer outra coisa que não seja Deus, então tal coisa funciona como meu ídolo!

Só há um caminho para escaparmos da idolatria. O Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou para ser o nosso tudo. A Sua morte é nossa morte e a Sua ressurreição é a nossa ressurreição! Diante das investidas malignas com o intuito de que Cristo não seja adorado, em nossa mente precisamos “dar nomes” aos pecados confessá-los ao nosso Senhor Jesus Cristo. Isto significa levar o morrer de Cristo para que a vida Dele se manifeste em nós em nossa maneira de pensar e encarar este mundo.

É a Cruz de Cristo na qual morri para o mundo o pecado e para mim mesmo que precisa fazer a diferença, me tornando um filho de Deus que adora somente a vontade do seu Senhor. A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? —diz o Santo. Isaías 40:18-31

Eu sou o SENHOR; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem as imagens o meu louvor. Isaías 42:8. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21

quarta-feira, 23 de março de 2016

Sem SANTIDADE no coração, no corpo, na alma ninguém verá o SENHOR!

A IMPORTÂNCIA DA SANTIDADE AO SENHOR.

1 Pe. 1.13-15
13 Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para a ação; sejam sóbrios e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado. 14 Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância15 Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,

O que significa santidade?
Qual a importância da santidade na vida cristã?

Começamos este estudo com essas preguntas por simples razões, que precisamos analisar. Quando falamos varias e varias vezes sobre um assunto, isso no trabalho, na escola, ou em quaisquer outras áreas da nossa vida, isso mostra a importância que este assunto, ou tema tem para aquela realidade. A importância de algo ou de alguém é percebida, na maioria dos casos, pelo número de vezes que se comenta a seu espeito.

Isso também acontece com relação a alguns estudos bíblicos, pois quando alguns assuntos se tornam relevantes, percebe-se claramente a insistência em aborda-lo. Assim sendo se a santificação é um assunto pouco discutido na igreja, talvez seja porque a sua importância, para a vida cristã, tenha sido desconsiderada ou desprezada. Faça uma pequena reflexão, há quanto tempo você é evangélico? Nesse tempo você já foi instruído por seu líder, ou pastor a respeito da santidade, e qual a importância que ela tem para aas nossas vidas?

Definindo o que é santidade:
Acredito que seja mais produtivo esse estudo, se dizer o que não é santidade, assim teremos uma compreensão melhor quando ela for definida.

1.    SANTIDADE NÃO É
A.    MERO MORALISMO
Notadamente, alguns cristãos se destacam por sua postura moral, seu comportamento ético, honestidade, firmeza de caráter e palavras. Espera-se exatamente isso de cada cristão e é indiscutível que uma postura moral elevado faça parte de uma vida santificada. No entanto uma pessoa não precisa ser necessariamente cristã para ter essas qualidades, um padrão moral e de conduta. Veja o que fala Jesus em:
Mt 5. 46,47. 46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! 47 E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!Mt.19.16-22 16 Eis que alguém se aproximou de Jesus e lhe perguntou: "Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna? " 17 Respondeu-lhe Jesus: "Por que você me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos". 18 "Quais? ", perguntou ele. Jesus respondeu: " ‘Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe’ e ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’". 20 Disse-lhe o jovem: "A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda? " 21 Jesus respondeu: "Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me". 22 Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. Lc. 6. 32,33 32 "Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam. 33E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? Até os ‘pecadores’ agem assim.
Outros textos: Lc. 11.12; At. 10. 1,2; 16.14; Rm. 2.14,15.
Encontramos em vários seguimentos da sociedade, pessoas cujo caráter e excelência moral superam em muito os daqueles contados como cristãos. Não estou dizendo que essa pessoa não sejam cristãos, pois sabemos que valores e práticas morais são construídos e lapidados ao longo de todo um processo. Basta olhar para nós mesmos e ver o quanto ainda temos uma longa estrada a percorrer na construção de uma vida imprescindível diante de Deus.
B.     ATIVISMO RELIGIOSO
Geralmente se confunde santidade com ativismo religioso, eu fui um que passei por esse processo, achava que a minha atividade na igreja, como líder, chegava cedo, arrumava tudo para o inicio do culto e etc... Era uma vida de santidade, mas quando apertado pelo Senhor descobrimos a nossa fragilidade, e quando Deus quer que entendamos a nossa situação, ele nos balança de uma forma que, não conseguimos suportar a sua santidade. Tendemos a qualificar as pessoas como santificadas na medida em que elas assumem cargos de liderança na igreja, ou se envolvem nas mais diversas atividades do templo. Aprendi que servir a Deus tem que partir de um coração voluntário, esse sentimento nasce naturalmente, uma vida consagrada a Deus trará prazer em servi-lo e servir ao próximo, mas ativismo religioso não pode ser sinônimo de vitalidade espiritual e em muitos casos é sintoma de que alguma coisa não está bem. Lc. 10.40-42.
C.    CONHECIMENTO DOUTRINÁRIO
O conhecimento doutrinário é fundamental para a vida cristã sadia e equilibrada, mas existem pessoas que estudam e esse conhecimento vira uma doença na cabeça dessas pessoas, que começam a interpretar de uma forma errada e perigosa contra ele mesmo, contra o próximo e contra Deus. Esse conhecimento é extremamente necessário para os cristãos. No passado vemos relatos, estudos e a própria Bíblia trazendo informações, sobre este assunto, sobre crescer no conhecimento. 2Pe. 1. 2,3 Graça e paz lhes sejam multiplicadas, pelo pleno conhecimentode Deus e de Jesus, o nosso Senhor. Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude.
Porem se esse conhecimento, que nos foi dado em Jesus Cristo usarmos para o nossas próprias teorias e ideias, estamos em sérios apuros. o teo o conhecimento sozinho, não é sinônimo de santificação. É verdade que precisamos dos conhecimentos teológicos, bíblicos e doutrinários para crescer espiritualmente, todavia esses conhecimentos devem ser usados como uma ferramenta. A partir do momento em que ele se torna um objeto em si mesmo, perderá a sua razão de ser.
2 Pe. 1. 5-8 Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimentoao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. 8Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos.

D.    ESPERIENCIAS ESPIRITUAIS
Outra prática que se percebe em nossos dias é igualar a santificação com experiências espirituais. A vida cristã é uma comunhão diária e intensa com o Senhor Deus e não pode ser padronizada por ninguém, a não ser pela própria Bíblia. Assim como em todos os relacionamentos, o relacionamento com Deus é marcado por experiências individuais. Entretanto ninguém pode ser rotulado como mais ou menos santo pela qualidade e tipos de experiências que tem um exemplo à igreja de Corinto. “Eu sou de Paulo, outros, eu de Apolo e etc”.

2.       SANTIDADE É

a.      No Antigo Testamento
A Palavra hebraica usada para se referir ao que é santo é “qadosh”, cujo significado básico é “separar dentre outras coisas”. Entretanto, as opiniões sobre o significado da palavra santificar, no Antigo Testamento, oscilam entre “brilhar e cortar”. Uma da à ideia de pureza e a outra de separação. No entanto, o conceito de separação é mais forte e adequado para o uso do termo. Pessoas eram separadas para serviços específicos. LV. 21.8 e utensílios eram separados para serem usados no templo Êx. 35. 10-19. A palavra também se refere a uma separação de cunho moral e ético que distinguiria o povo de Israel dos demais. Em fim os termos relacionados à santificação. No Antigo Testamento, apontavam para a realidade de que Israel era o povo santo (separado) para o serviço de Deus e deveria evitar qualquer coisa que desagradasse a esse Deus. Ainda que o conceito de santidade tenha em si a realização de atributos morais e espirituais, ele tem muito mais a ver com um estado de relacionamento, de comunhão e consagração ao Senhor.
b.      No Novo Testamento
No Novo Testamento a palavra é “hagios”. Essa palavra é usada para descrever a santificação dos crentes em dois sentidos: O primeiro é a separação da prática do pecado deste mundo; O segundo é a consagração ao serviço de Deus.
c.       Definição
Em primeiro ligar devemos lembrar que o pecado trouxe a humanidade duas consequências das quais advém todos os demais problemas da raça humana:
A culpa e a corrupção. A culpa está relacionada com a penalidade pela desobediência do homem a Deus e a justa retribuição pela mesma. Neste caso,o homem se encontra condenado.
A corrupção. É o efeito do pecado sobre toda a natureza humana, levando assim o ser humano a cometer mais pecados ainda. Neste caso o home se encontra corrompido. A justificação é a solução para a culpa do pecado. Ela ocorre quando o pecador é declarado por Deus justificado da sua culpa, não pesando sobre o homem nenhuma condenação. Rm 5.1, é algo que acontece fora da pessoa e de modo definitivo. É um ato livre, soberano e gracioso do Senhor Deus, no qual o homem não tem nenhuma participação ou mérito. Todo esse processo tem como base a obra expiatória de Jesus Cristo, que morreu na cruz do Calvário.
A corrupção por sua vez, é tratada pela santificação. Segundo o breve Catecismo de Westminster a “santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão”. (Pergunta 35). Essa obra da graça de Deus, diferentemente da justificação, é realizada dentro de nós. Seu agente é o Espírito Santo que aplica em nós os resultados da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a quem o crente está unido. A santificação também envolve a nossa participação responsável, e o seu objetivo é restaurar a imagem de Deus, que em nós ficou corrompida por causa do pecado, e nos habilitar a viver de forma a agradá-lo. Partindo dos conceitos bíblicos, pela santificação somos capacitados a um novo relacionamento com o Criador, tanto para servi-lo quanto para adora-lo.

3.      Aspectos da santidade na vida pessoal
Uma vez que a santidade não pode ser confundida com práticas externas, vejamos inicialmente como ela está intimamente ligada à vida de uma pessoa.

A santidade e o Coração
A palavra coração no sentido bíblico é usada como o centro da vida pessoal, a fonte de toda motivação, dos pensamentos e dos desejos, ou seja, o mais intimo do ser humano. Segundo o ensino bíblico, a santidade começa exatamente no coração, já que todas as atitudes humanas são praticamente, reflexos daquilo que se passa nelePv 27.19 Assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós. O Antigo Testamento está repleto de referências que tratam da importância que tem o coração do homem diante de Deus.
Dt. 6. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.
Sl. 51.10 Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.
Sl. 119.11. Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti.
Pv. 4.23 Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.
Jesus Cristo em seu ministério, insistiu que, se o coração não estiver santificado, todo o corpo estará em pecado.
Mt. 15.19 Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias.
Mc.7.21 Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios,
Por isso, a análise que o Senhor Deus faz da vida de uma pessoa começa pelo coração. 1Sm 16.7 O Senhor, contudo, disse a Samuel: "Não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração".
Rm.8.27 E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.
Assim, sendo, se alguém deseja trilhar o caminho da santificação deve começar examinando as suas motivações interiores, elas devem proceder do coração. Deste modo a santificação não será confundida com ascetismo, formalismo ou legalismo. A santificação deve ser uma resposta de gratidão do pecador pela graça recebida, reconhecendo não haver nele nenhum bem que o fizesse merecedor.

A santidade e o Temperamento
Geralmente as pessoas culpam seu temperamento para justificar as suas faltas. Diversos pecados são apontados, meramente como características de um determinado tipo de temperamento. Assim passou a ser a preguiça, ira, animosidade, cinismo, dentre tantos outros. Embora para algumas pessoas seus comportamentos sejam reações naturais da sua forma de ser, isso não significa que algumas das suas atitudes ou reações não sejam pecaminosas. O temperamento de cada pessoa também está sujeito ao pecado e precisa ser trabalhado na escola da santificação. (Gn. 4. 7 Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo")Veja a repreensão que Deus estava dando a Caim, fala de procedimento, pensamentos pecaminosos, atitudes erradas. E no final do versículo Ele diz a Caim. Esses desejos você deve domina-lo. Tem muitos cristãos que se escondem nessas atitudes, agem de uma forma grosseira, arrogante pra com outras pessoas e se alicerça na sua verdade “ele tinha que escutar o que eu estou falando, ninguém fala dos erros dele, alguém tem que falar algumas verdades pra essa pessoa”. E usam de palavras fortes e erradas para tentar corrigir tal pessoa. O apostolo Paulo exortando aos gálatas ele diz. Gl.6. Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado. O apostolo ainda orienta dizendo, cuide-se pra não cair no mesmo erro. Então, assim sendo, precisamos observar a nossa atitude, no falar, no temperamento, na nossa forma de agir.

A santidade e os relacionamentos pessoais
Viver uma vida isolada, distante das pessoas, ou das grandes cidades, ou em mosteiros etc. não nos leva a uma vida de santidade. Muitos acham que viver em uma vida isolada em mosteiros, ou, coisa desse tipo, o ajuda a ter uma vida de santidade. Errado!
Certamente existe a necessidade de cultivarmos momentos de comunhão com Deus, porém, definitivamente, não há santificação na busca do isolamento pleno. Cl 2.23 Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Aliás, é exatamente por meio dos relacionamentos que haverá, ou não, a genuína demonstração de uma vida de fé e amor. 1Co. 13.2 Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.
Tg. 2.17 Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.
Na comunidade é que somos edificados e temos o nosso caráter testado e moldado. Na igreja, na família e na sociedade é que demostramos, ou não, os frutos do Espírito e as marcas de um coração santificado.
Ef. 4.11-16 11 E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, 12 com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, 13 até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. 14 O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro.15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. 16 Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.

A importância da santidade para a igreja.
Numa época em que tanto se discute estratégias de crescimento e planejamento de igrejas, talvez a santidade, um dos principais itens, seja esquecido. Vejamos algumas verdades ministeriais do trabalho eclesiástico onde a santidade é fundamental.
1.      Pregação e ensino da Palavra de Deus. Não se vê mais pregação e estudo com esse tema. Existe todos tipos de temas menos esse SANTIDADE PARA A IGREJA DO SENHOR.
2.      Liderança. A cada dia vem crescendo o número de seminários e escolas de estudos teológicos, escola de formação de lideres etc. Técnicas são desenvolvidas e uma quantidade enorme de livros é vendida anualmente sobre o assunto. E com isso muitos tem se afastado do verdadeiro ensinamento, muitos tem esquecido este principal quesito. Não se pode esquecer que o comprometimento com a santidade é indispensável àquele que quer servir como líder entre o povo de Deus. Gn.71; Js.1.7,8; 1Sm.15.22. Essa orientação bíblica deve ser aplicada com sabedoria por todos aqueles que estão imbuídos da tarefa de escolher seus lideres. At. 6.3; 1Tm. 3.1-7; Tt.1.5-9. Se deixarmos que o prestigio de uma pessoa, sua formação acadêmica, seu carisma ou apresentação pessoal nos fascinem, corremos o risco de fazer uma má escolha, assim como aconteceu, por exemplo com Israel ao escolher seu primeiro rei, Saul.
3.      Evangelismo. O conteúdo da atual evangelização também deve ser reavaliado segundo o proposito de Deus, que é a santificação para seus filhos. 1Ts 4.3ª A vontade de Deus é que vocês sejam santificados:abstenham-se da imoralidade sexual. A mensagem do evangelho sempre foi pregada com ênfase ao arrependimento, que era uma exigência.
Mt. 3.2  Ele dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo".
Mt.4.17 Daí em diante Jesus começou a pregar: "Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo".
At. 2.38 Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.
At. 17.30,31 No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam.
31 Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos".
At.26.20 Preguei em primeiro lugar aos que estavam em Damasco, depois aos que estavam em Jerusalém e em toda a Judéia, e também aos gentios, dizendo que se arrependessem e se voltassem para Deus, praticando obras que mostrassem o seu arrependimento.
Não basta um mero assentimento intelectual ou comprometimento social, porque o proposito de Deus na vida do pecador começa com a sua regeneração e caminha em direção à glorificação. A entrada que liga essas duas pontas é a santificação. Esse modelo bíblico de evangelização, onde o que é requerido do pecador é claramente explicado, deveria ser levado muito mais a serio, assim, o evangelho deixaria de ser apresentado como proposta de um bom negócio com Deus. Precisamos redescobrir a santidade, precisamos ver qual a importância que a santidade tem pra nossa vida cristã. Para finalizarmos meditemos nesse texto.

1 Pe.1.16
pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo".

Tg. 1.4
E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.

Mt. 5.48
Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês".

Que Deus nos ajude a vivermos uma vida de santidade.



quarta-feira, 16 de março de 2016

Jesus o SENHOR.

O QUE É TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO?
Parte de uma série sobre os Dez Mandamentos

“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”                                                 Êxodo capítulo 20, versículo 7
Os nomes das pessoas e das coisas são muito importantes. Tanto é assim que o grande escritor William Shakespeare chegou a escrever em uma das suas  peças: “se a rosa tivesse outro nome, não cheiraria tão doce”.

Nomes são tão importantes que reagimos mal quando nosso nome é escrito ou pronunciado errado. E nomes ou apelidos (uma outra forma de nome) ridículos podem causar complexos nas pessoas.

Nos tempos bíblicos, os nomes eram ainda mais importantes pois, na cultura daquela época, eles caracterizavam a personalidade das pessoas - hoje em dia os nomes são escolhidos essencialmente por razões estéticas ou de marketing. Alguns exemplos demonstram bem a importância dos nomes nos tempos bíblicos:
Jacó mudou de nome - para Israel = “aquele que luta com Deus” - depois do episódio da sua luta com o anjo (Gênesis capítulo 32, versículos 22 a 30).
Quando Moisés se encontrou com Deus pela primeira vez, no monte Sinai, perguntou qual era o nome d´Ele. Afinal conhecer esse nome, que ninguém até então sabia, iria demonstrar ao povo de Israel que Moisés tinha intimidade com Deus.
Outros personagens bíblicos importantes também mudaram de nome (por exemplo, Abrão virou Abraão) ou passaram a ser conhecidos por apelidos  (por exemplo, Simão virou Pedro), à medida que evoluíram na sua vida espiritual.
E é por causa da importância do nome que os cristãos devem ser batizados, segundo ensina a Bíblia, "em nome" do Pai, Filho e Espírito Santo. Pela mesma razão, os cristãos concluem suas orações "em nome" de Jesus. E repreendem os demônios também usando esse nome.

Dar nome a alguém ou a alguma coisa significa que quem nomeia tem poder espiritual sobre quem é nomeado. Por isso são os pais que costumam dar o nome dos filhos – essa prática sempre existiu em todas as culturas. Foi por causa disso que Deus pediu a Adão que nomeasse os animais (Gênesis capítulo 2, versículos 19 e 20).

Agora, como ninguém pode compreender totalmente a natureza de Deus e/ou ter poder sobre Ele, ninguém poderia nomeá-lo. Por isso Ele mesmo disse a Moisés como deveria ser chamado: “Eu sou o que sou”, ou ainda segundo algumas traduções “Eu serei o que sempre tenho sido” (Êxodo capítulo 3, versículos 13 a 15).

É importante perceber que o mandamento de não tomar o nome de Deus em vão segue imediatamente o mandamento de não fazer imagens ou figuras d´Ele, pois uma coisa é, de certa forma, continuação da outra.

O mandamento contra o uso indevido do nome de Deus ensina que as pessoas não podem tomar algo que é sagrado e empregá-lo de forma indevida (em vão). Assim as pessoas não podem usar esse nome em interjeições (algo que fazem com frequência), adivinhações, piadas e, sobretudo, nem em promessas vãs ou maldições. Fazer isso seria desrespeitar sua majestade e santidade.

É exatamente por causa desse mandamento que os judeus nunca se referem a Deus pelo seu nome. Quando se referem a Ele usam, de forma alternativa, as palavras "Senhor" ou "Eterno". E a mesma abordagem pode ser encontrada em muitas traduções da Bíblia: quando aparece "SENHOR" (Adonai, no hebraico) é porque no texto original consta o nome de Deus.

Acho que há ainda uma dúvida a ser esclarecida: é errado jurar em nome de Deus, no caso de uma assunto sério? É sim, muito errado. Mas é interessante perceber que a proibição não vem do terceiro mandamento e sim de uma ordenança específica, proibindo esse tipo de prática, dada pelo próprio Jesus (Mateus, capítulo 5 versículos  33 a 37).

Concluindo, as razões para o terceiro mandamento são simples de explicar e entender, como também é relativamente fácil cumprir o que é pedido por Deus nesse caso. Por isso é surpreendente perceber tratar-se de um dos mandamentos mais violados pelas pessoas. E isso acontece por pura falta de cuidado. Nesse particular, os cristãos têm muito que aprender com os judeus.

terça-feira, 15 de março de 2016

Seja separado!

O santo e o profano, o imundo e o limpo, o justo e o ímpio“… para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”  (Levítico 10.10.)
A análise do texto hebraico contido neste versículo nos ajuda a entender o que, para Deus, significa santidade e pecado. O texto hebraico é o seguinte: ?? ??(ulahabhdiyl bêyn haqqodhesh ubhêyn hachol ubhêynhathâmê’ ubhêyn hathâhor).
A expressão “e para fazer diferença” em hebraico é o termo ???????, ulahabhdiyl, cuja raiz é o termo ???, badal. Essa palavra significa “dividir”, “separar”, “selecionar”. Quando Deus faz diferença entre o santo e o profano, ele está fazendo uma divisão entre seus filhos e os filhos da perdição, entre a descendência de Sete e a descendência de Caim, selecionando, assim, aqueles se tornaram dignos de entrar na presença de Deus e tornar-se herdeiro de suas promessas. Em um futuro próximo, Deus separará definitivamente o joio do trigo.
O termo badal é formado por duas letras hebraicas: ?, beit (que significa “casa”) e ?, dálet, que signfica “porta”. Unidas, essas duas letras (??) significam “a porta da tenda”. O pai de família costumava sentar-se sozinho à porta da tenda, onde se protegia do sol, tomava conta de seus funcionários e observava a estrada caso surgisse algum estranho. Esse costume é relatado em Gênesis 18.1-2: “Apareceu o SENHOR a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia”. Observe que foi quando estava nessa posição de “separado” que o Senhor falou com Abraão, foi quando ele estava “vigiando e orando”. Aquele que é separado para Deus deve fazer como o pai de família que se assentava à porta da tenda. Ele deve estar protegido na “sombra do onipotente” (Salmo 91.1). A palavra “sombra” em hebraico é tsal, a mesma palavra usada para “imagem”, quando Deus disse que fez o homem à sua “imagem e conforme a sua semelhança” (Gênesis 1.26). Ou seja, somente estamos protegidos à sombra de Deus quando temos a imagem de Deus, quando o copiamos, quando buscamos ser santos assim como ele é santo (1 Pedro 1.16). Nesse momento, somos verdadeiros “filhos de Deus”, pois um filho se parece com seu pai, eles possuem uma imagem parecida.
Além disso, aquele que é separado para Deus deve, como Abraão, estar vigiando sua casa, tanto sua família como seu corpo espiritual, para que nenhum pecado os contamine, e observar sempre as estradas, sempre atento à chegada do inimigo.
É interessante observar que foi nessa ocasião, quando Abraão estava separado, vigiando à porta da tenda, que Deus anunciou que separaria o justo Ló do meio da pecaminosa Sodoma. Em Gênesis 18.23, vemos Abraão pedindo a Deus que separasse o justo do ímpio: “E, aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o ímpio?”. Ou seja, o separado é aquele que está vigiando a porta de sua tenda e escondido à sombra de Deus.
No hebraico, a palavra “entre”, na frase “fazer separação entre”, é ???, bêyn. A raiz desse termo é ??. Como vimos acima, a letra ? (beit) significa “casa”, ou “tenda”. Aqui, a segunda letra é o ? (nun) que tem o desenho de uma semente e dá a idéia de “continuidade” e “nova geração”. Combinadas, as letras ?? significam “a continuidade da casa”. Analisando a cultura em que essa língua era utilizada entendemos melhor o que isso significa. Os judeus antigos construíam suas tendas com um tecido feito de pêlos de bode. Com o passar do tempo, a constante exposição ao sol desbotava e enfraquecia o pêlo, o que determinava uma substituição contínua de partes do tecido da tenda. A cada ano, a esposa fazia um novo painel, com cerca de três pés (mais ou menos um metro) de largura. O antigo painel desgastado era retirado para ser substituído, sendo aproveitado para fazer uma parede ou piso, e o novo painel era adicionado. Como a tenda possuía essa manutenção e troca constantes, ela durava quase que eternamente, aí a idéia de “continuidade da casa”. O termo ??? (bêyn) significa “entre” pois a tenda era dividida em duas partes, uma masculina e uma feminina, de modo que a parede fazia divisão entre as duas partes da casa. O termo ??? (bêyn) também significa “entender”, ou “inteligência”, pois o entendimento é a habilidade de discernir entre duas ou mais coisas, entre o certo e o errado, entre o justo e o ímpio, entre o santo e o profano. Ou seja, aquele que é separado para Deus recebe do Senhor a capacidade de discernir entre o certo e o errado, pois o “homem espiritual discerne bem todas as coisas, mas de ninguém é discernido” (1 Coríntios 2.15).
Em hebraico, a palavra “santo” é ??? (qodhesh), que significa “separado” ou “especial”. A raiz do termo ??? (qodhesh) é ?? (chad), que significa “unir”. Ou seja, o “santo” é aquele que se separa para unir-se, que abandona os desejos e o pecado para estar junto a Deus. Somente por meio de Cristo podemos alcançar a verdadeira comunhão com Deus, pois sé ele é o verdadeiro Emanuel, o “Deus conosco”. A palavra ?? (chad) é fruto da união das letras ? (chet), que passa a idéia de uma parede, com a letra ? (dálet) que, como vimos acima, significa “porta”. Unidas, as duas letras ?? (chad) significam “porta na parede”, uma passagem que põe fim à separação entre o dentro e o fora. O santo (???, qodhesh) rompeu a separação que foi colocada entre o homem e Deus quando da queda no Éden. Ele é restituído à comunhão com Deus através do sacrifício vicário de Jesus Cristo. Além disso, o santo mostra para o ímpio a porta, que é Jesus, pois ele mesmo disse: “Eu sou a porta das ovelhas” (João 10.7). Assim como Abraão, que estava separado para Deus na porta de sua tenda, o santo anuncia ao mundo o caminho da salvação e mostra ao pecador como se reconciliar com Deus.
Em hebraico, a palavra ???, qodhesh (“santo”) também se relaciona com o termo ????, qodqod, que significa “dobrar a cabeça em respeito”. O temor e o respeito a Deus é o princípio de toda a sabedoria (Provérbios 1.7). O verdadeiro santo é aquele que se “dobra”, que se submete à vontade de Deus, reconhecendo que somente o Senhor sabe o que é “bom, perfeito e agradável” (Romanos 12.2). Além disso, o termo ???, qodhesh (“santo”) também se relaciona a ??? (qadach), que significa “queimar”. O santo, isto é, aquele que é separado para Deus, deve ter em si a água da palavra e o fogo do Espírito, pois João batizou com água, mas Jesus verdadeiramente nos batiza com o Espírito Santo e com fogo (Lucas 3.16). Por fim, o termo ???, qodhesh (“santo”) também se relaciona com ??? (qydh), que significa “derramar óleo de Acássia sobre a cabeça”, “ungir”. Unção significa revestimento de poder. O santo, aquele que é separado do pecado, é revestido de poder pelo Senhor, força espiritual para curar os enfermos, libertar os cativos, expulsar demônios, pregar o evangelho e anunciar o ano aceitável do Senhor (Marcos 16.17-18; Lucas 4.18). 
A palavra hebraica para “profano” é ?? (chol), que significa “furar”, “buraco” ou “dor”. Ou seja, o profano é aquele que tem furos, fendas e brechas em sua vida. É como um barco furado, que se inunda de água até o ponto em que começa a afundar. O pecado também gera dor, pois é como a ferida provocada por um instrumento perfurante, um espinho. Além disso, a palavra chol também significa “comum”, ou seja, “não separado para algo especial”. O santo (qodhesh) pelo contrário, é separado para uma obra muito especial, para uma “soberana vocação em Cristo Jesus” (Filipenses 3.14).
A palavra hebraica para “imundo” é ??? (tame’). As duas primeiras letras têm aqui significado especial. A primeira letra é ? (tet), cujo desenho original lembra a forma de um balde. A segunda letra é ? (mem), que representa um líquido, como a água ou o sangue. Unidas, essas duas letras ?? (tam) significam “aquilo que precisa ser lavado com a água” ou “aquilo que precisa ser lavado pelo sangue”. Em João 15, lemos que Jesus afirma que os santos, aqueles que estão conectados com ele (a videira), dão muito fruto, por isso ele os limpa para que dêem mais frutos. Mas Jesus afirma que os seus discípulos já estão “limpos pela água da palavra” (João 15.3). Somente quem foi limpo pela água da palavra pode verdadeiramente ter seus pecados lavados e estar junto com Deus, separados para Deus.
A palavra hebraica para “limpo” é ???? (thâhor), cuja raiz é o termo ?? (thar). Como vimos, a letra ? (tet) lembra a idéia de um balde, de um recipiente que contém alguma coisa. A segunda letra aqui é ? (resh), que significa “homem” ou “cabeça”. Unidas, as letras ?? (thar) dão origem à palavra “parede”, e passam a idéia de “aquilo que guarda o homem”, “aquilo que protege o homem” ou “um homem que se contém”. O homem que é limpo diante de Deus sabe controlar as suas atitudes, vive em santidade, e por isso está protegido por Deus e escondido nele. Há uma parede de anjos que o protege, e ele mesmo é firme como uma muralha, como uma casa edificada sobre a rocha, de modo que, vindo a tempestade, ela permanece firme.
Medite nessas palavras, e descubra em Deus a verdadeira santidade.

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UM OBREIRO SEM APROVAÇÃO DE DEUS, É COMO UMA OVELHA SEM REBANHO.