quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Estude vale a pena!

Visão Geral do Livro de Provérbios

Livro de Provérbios
Tema:
sabedoria abundante em poucas palavras
É a sua vida livre de problemas e frustrações? Poucos diriam que é. E amiúde os empenhos para resolver os problemas são tiros pela culatra, deixando a pessoa em situação ainda pior do que a anterior. Há uma fonte de conselho em que a pessoa pode confiar para melhorar a situação?
Há uma fonte particularmente excelente de orientação no livro bíblico de Provérbios. Embora escrito no Oriente Médio há mais de 2.500 anos, as máximas breves de Provérbios se aplicam a todas as pessoas e continuam ainda atualizadas.
A Bíblia indica que a maioria dos provérbios são de autoria do Rei Salomão. (Pro. 1:1; 10:1; 25:1) Embora os registros bíblicos não digam diretamente que Salomão os escreveu, dão a entender, de maneira convincente, que ele o fez. Dizem que ele falou milhares de provérbios e “ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de pôr em ordem muitos provérbios”. — 1 Reis 4:32; Ecl. 12:9.
Neste livro bíblico, o estilo de expressão é poesia hebraica, que consiste não em rima de versos, mas em pensamentos paralelos. Muitas vezes as linhas de paralelo formam um contraste, como é o caso de Provérbios 10:28, que diz: “A expectativa dos justos é alegria, mas a própria esperança dos iníquos perecerá.” Em outros casos, as expressões paralelas são sinônimas, como se nota nestas palavras de Provérbios 18:15: “O coração do entendido adquire conhecimento e o ouvido dos sábios procura achar conhecimento.”
I. PROPÓSITO SUBLIME
O propósito do livro de Provérbios é explicado logo no seu começo, onde lemos: “Os provérbios de Salomão, filho de Davi, Rei de Israel, para se conhecer sabedoria e disciplina, para se discernirem as declarações de entendimento [“palavras de significado profundo”, A Bíblia de Jerusalém], para se receber a disciplina que dá perspicácia, justiça e juízo, e retidão, para se dar argúcia aos inexperientes, conhecimento e raciocínio ao moço.” — Pro. 1:1-4.
O livro de Provérbios dirige muito dos conselhos aos jovens, pessoas “inexperientes”, cujo coração está aberto para todo o tipo de influência e que são desencaminhados facilmente. Precisam chegar a estimar a “sabedoria”, que envolve ver as coisas como elas realmente são e saber dar a este conhecimento um uso prático. “Disciplina” também é necessária, tanto na forma de autodomínio como na forma de punição imposta por outros. — Pro. 1:1-4; 2:7, 10-13; 4:1, 5-7, 13.
Os provérbios oferecem ajuda especial para o desenvolvimento das faculdades mentais na direção certa. Há muito incentivo para adquirir perspicácia e “argúcia”, isto é, perícia e bom juízo em todos os setores da vida. (Pro. 1:4; 8:5) Esta educação nunca termina. “O sábio escutará e absorverá mais instrução, e homem de entendimento é aquele que adquire orientação perita para entender um provérbio e uma expressão enigmática, as palavras de sábios e seus enigmas.” (Pro. 1:5, 6) Os provérbios bíblicos amiúde assumem a forma de charadas e “enigmas”, que são declarações complexas e intricadas que precisam ser decifradas. Entendê-las exige tempo e meditação. A abundante sabedoria de Provérbios é acessível somente àqueles que estão dispostos a procurá-la. Isto é deixado bem claro nestas palavras de Provérbios 2:1-5:
“Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares contigo os meus próprios mandamentos, de modo a prestares atenção à sabedoria, com o teu ouvido, para inclinares teu coração ao discernimento; se, além disso, clamares pela própria compreensão e emitires a tua voz pelo próprio discernimento, se persistires em procurar isso como a prata e continuares a buscar isso como a tesouros escondidos, neste caso entenderás o temor de Yehowah e acharás o próprio conhecimento de Deus.”
Consideremos alguns exemplos de conselhos sábios disponíveis no livro de Provérbios.
II. COISAS QUE DEUS ODEIA
Os que desejam saber o que é certo e o que é errado se deparam com uma quantidade espantosa de opiniões diferentes. Os provérbios podem ajudar a esclarecer a confusão. Por exemplo, em apenas quatro pequenos versículos que se seguem, aprendemos a respeito de certas atitudes mentais e as ações correspondentes que Deus odeia:
“Há seis coisas que Yehowah deveras odeia; sim, há sete coisas detestáveis para a sua alma: olhos altaneiros, língua falsa e mãos que derramam sangue inocente, o coração que projeta ardis prejudiciais, pés que se apressam a correr para a maldade, a testemunha falsa que profere mentiras e todo aquele que cria contendas entre irmãos.” — Pro. 6:16-19.
A intensificação de um número pelo número seguinte, mais alto, é usada muitas vezes pelos escritores bíblicos. (Jó 5:19; 33:29; Pro. 30:15, 16, 18, 19, 21-31; Isa. 17:6; Amós 1:3, 6, 9, 11, 13; 2:1, 4, 6) Em Provérbios 6:16-19, os números não devem ser entendidos literalmente, como se dissesse que Deus odeia apenas seis ou sete coisas. As sete categorias são básicas e abrangem todos os tipos de atos errados. As primeiras seis concentram-se em três tipos de proceder errado — em pensamento (“olhos altaneiros”, “o coração que projeta ardis prejudiciais”), em palavra (“língua falsa”, “testemunha falsa que profere mentiras”) e em ação (“mãos que derramam sangue inocente”, “pés que se apressam a correr para a maldade”).
Especialmente odioso é o sétimo tipo de indivíduo mencionado. Ele deriva intenso prazer de atiçar contenda entre pessoas que de outro modo viveriam juntas pacificamente. O aumento de seis para sete, sugere que os humanos sempre continuam multiplicando seus atos maus.
Quando alguém chega a entender que o Criador encara o orgulho, a intriga e a mentira no mesmo nível do derramamento de sangue e outros atos violentos, deve sentir-se movido a fazer mudanças vitais nele mesmo. O resultado será melhores relações com outros e maior alegria cada dia da vida.
III. LIDAR COM A IRA
Uma das causas mais frequentes do sofrimento entre as pessoas é a ira descontrolada. Muitos talvez achem que entregar-se à ira é evidência de força. Mas a Palavra de Deus declara exatamente o contrário, dizendo: “Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade.” (Pro. 16:32) Embora os guerreiros que capturam uma cidade demonstrem muita força, controlar o temperamento exige força e coragem ainda maiores.
Como pode alguém continuar a manter o seu temperamento sob controle? Provérbios oferece estas excelentes orientações:
“Não tenhas companheirismo com alguém dado à ira; e não deves entrar com o homem que tem acessos de furor, para não te familiarizares com as suas veredas e certamente tornares um laço para a tua alma.” — Pro. 22:24, 25.
“Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” — Pro. 15:1.
“O princípio da contenda é como alguém deixando sair águas; portanto, retira-te antes de estourar a altercação.” — Pro. 17:14.
Todas estas declarações incentivam a fugir de situações que suscitam a ira desde o começo. A razão é bem expressa nestas palavras adicionais: “Se agisse de modo insensato por te elevares a ti mesmo, e se fixaste nisto o teu pensamento [“se maquinaste o mal”, Almeida, atualizada], põe a mão à boca. Pois, bater o leite é o que produz manteiga, e premer o nariz é o que faz sair sangue, e premer a ira é o que produz a altercação.” — Pro. 30:32, 33.
Todas as pessoas ocasionalmente tendem a se exaltar de maneira imprudente. Exigem excessivamente dos outros, ou talvez digam ou façam algo que ofenda. Em tais ocasiões a pessoa deveria ‘por a mão à boca’, reprimindo quaisquer palavras ou ações adicionais que provocariam ainda mais aquele que ficou ofendido. Assim como é necessário bater o leite para fazer manteiga e premer ou golpear o nariz para causar uma hemorragia, assim uma briga só acontece quando as pessoas soltam as rédeas dos sentimentos de furor e continuam incitando umas às outras à ira.
IV. EVITAR A PREGUIÇA
O livro de Provérbios tanto recomenda o trabalho árduo como desencoraja a preguiça. O escritor inspirado declara: “O preguiçoso disse: ‘Há um leão lá fora! Serei assassinado no meio das praças públicas!’” (Pro. 22:13) Para evitar o trabalho, o preguiçoso inventará desculpas fantásticas, tais como a que um leão entrou na cidade e que ele pode ser morto se sair. Três outros provérbios salientam como alguém não disposto a trabalhar afeta a si mesmo e a outros:
“O preguiçoso mostra-se almejante, mas a sua alma não tem nada. No entanto, far-se-á que a própria alma dos diligentes engorde.” — Pro. 13:4.
“Por causa do inverno, o preguiçoso não lavra; vai estar mendigando no tempo da colheita, mas não haverá nada.” — Pro. 20:4.
“Como vinagre para os dentes e como fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para os que o enviam.” — Pro. 10:26.
V. A NECESSIDADE DE DISCIPLINA
Visto que os humanos são imperfeitos e inclinados à lei do menor esforço, a maioria das pessoas rejeita a disciplina. O livro de Provérbios incentiva uma atitude diferente, dizendo: “Faze deveras teu coração chegar-se à disciplina e teu ouvido às declarações de conhecimento.” (Pro. 23:12) Disciplina aqui significa tanto autodomínio como correção administrada por outros. Amiúde é dada através de “declarações de conhecimento”, isto é, expressões vindas de alguém com conhecimento e que serve para informar outros. Às vezes, porém, a disciplina precisa ser mais firme do que simples palavras. “Feridas de contusões são o que expurga o mal; e os golpes, as partes mais íntimas do ventre.” (Pro. 20:30) A disciplina firme, quando aceita no espírito correto, não só contém os atos ruins mas também motiva a pessoa a fazer uma mudança íntima, para melhor.
A respeito da disciplina dos filhos pelos pais, lemos: “Não retenhas a disciplina do mero rapaz. Não morrerá se lhe bateres com a vara. Tu mesmo lhe deves bater com a vara, para que livres a sua alma do próprio Seol.” (Pro. 23:13, 14) “Quem refreia a sua vara odeia seu filho, mas aquele que o ama está à procura dele com disciplina.” — Pro. 13:24.
É claro que a disciplina precisa ser administrada sempre com autodomínio e não num acesso de ira. E não será necessário usar todas as vezes a punição física. Em várias ocasiões, apenas umas poucas palavras de conselho sábio são suficientes. “Uma censura penetra mais em quem tem entendimento do que golpear cem vezes um estúpido.” — Pro. 17:10.
VI. EVITAR A IMORALIDADE SEXUAL
O livro de Provérbios condena a imoralidade sexual. Considere, por exemplo, as seguintes palavras de aviso:
“Pois o mandamento é uma lâmpada e a lei é uma luz, e as repreensões da disciplina são o caminho da vida, para guardar-te da mulher má, da maciez da língua da mulher estrangeira. Não desejes no teu coração a sua lindeza e não te cative ela com os seus olhos lustrosos, visto que por causa duma mulher prostituta fica-se reduzido a um pão redondo; mas, no que se refere à esposa de outro homem, ela caça até mesmo a alma preciosa.” (Pro. 6:23-26)
Aqueles que se empenham em atos sexuais imorais com frequência terminam na miséria. Os que procuram prazer sexual com uma “mulher prostituta” ou de outra maneira praticam fornicação talvez também paguem com a perda de sua saúde quando sucumbem diante das dolorosas e mutiladoras doenças venéreas. O perigo é ainda maior quando alguém procura intimidades com o cônjuge de outra pessoa. Uma adúltera põe em perigo a “alma preciosa”, ou a vida, do seu parceiro ilícito. A respeito disso, o escritor inspirado acrescenta:
“Pode um homem juntar fogo no seu seio sem se queimarem as suas vestes? Ou pode um homem andar sobre brasas sem se chamuscarem os seus pés? Assim é com aquele que tem relações com a esposa do seu próximo; ninguém que tocar nela ficará impune. . . . Quem comete adultério com uma mulher é falto de coração; quem faz isso, arruína a sua própria alma. Achará praga e desonra, e seu próprio vitupério não será extinto. Pois o furor dum varão vigoroso é ciúme, e ele não terá compaixão no dia da vingança [contra aquele que cometeu adultério com sua esposa]. Não terá consideração para com nenhuma sorte de resgate, nem consentirá, não importa quão grande faças o presente.” (Pro. 6:27-35)
A infidelidade marital pode resultar em dano irreparável para as pessoas e famílias envolvidas.
VII. CUIDADO COM ‘A DOCE VIDA’
Para muitas pessoas, através da história, a principal coisa na vida tem sido a busca dos prazeres. Embora a Bíblia não desencoraje ninguém de se divertir, enfatiza a necessidade de se obter um conceito mais equilibrado das diversões. “Achaste mel? Come o que for suficiente para ti, a fim de que não tomes demais e tenhas de vomitá-lo.” (Pro. 25:16) Assim como comer mel literal demais pode deixar a pessoa fisicamente doente, assim o excesso de diversão voltada para a ‘doce vida’ pode levar à doença tanto física como espiritual. Além disso, o excesso de prazeres amiúde conduz a circunstâncias de extrema miséria. “Aquele que ama a hilaridade será alguém em necessidade; quem ama o vinho e o azeite não enriquecerá.” — Pro. 21:17.
O que dizer da determinação de acumular riquezas? O livro de Provérbios avisa que as riquezas não são seguras e podem desaparecer subitamente. Lemos: “Não labutes para enriquecer. Deixa da tua própria compreensão. Fizeste teus olhos relanceá-la [a riqueza], sendo que ela não é nada? Pois, sem falta fará para si asas como as da águia e sairá voando em direção aos céus.” (Pro. 23:4, 5) Visto que fortunas imensas podem ser perdidas rapidamente por serem manejadas deficientemente ou por circunstâncias imprevistas, as Escrituras admoestam as pessoas a dirigir seus esforços na direção de alguma coisa mais segura do que a busca das riquezas. Observe atentamente este conselho:
“Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho. Fixa teu coração nas tuas greis; porque o tesouro não ficará por tempo indefinido, nem o diadema por todas as gerações. Desapareceu o capim verde e apareceu a relva nova, e ajuntou-se a vegetação dos montes. Os carneirinhos são para a tua vestimenta e os cabritos são o preço do campo. E há suficiência de leite de cabra para teu alimento, para alimento dos da tua casa, e os meios de vida para as tuas moças.” — Pro. 27:23-27.
Nem as riquezas materiais (“tesouro”), nem uma posição de destaque (“diadema”) garantem segurança real. Tempo, esforço e dinheiro investidos em negócios amiúde se perdem devido ao fracasso de empreendimentos arriscados. Acontecimentos inesperados podem causar o desaparecimento súbito tanto da riqueza como da posição respeitável.
Por outro lado, esforços empregados na criação de animais domésticos não resultam em decréscimos, mas geralmente resultam em acréscimos para o proprietário. Deus provê “vegetação” abundante para alimentar os animais domésticos. Através da história humana os cuidados diligentes na criação de animais têm provado ser, de maneira constante, mais seguros como meio de se obter alimento, roupa e rendimentos do que as riquezas ou a proeminência. Daí, o sábio conselho: “Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho.” O princípio nestas palavras pode ser aplicado hoje ao trabalho diligente em qualquer campo de trabalho seguro.
O livro de Provérbios, embora escrito há milhares de anos, contém orientação incomparável para as pessoas que vivem hoje. Leia estas palavras inspiradas regularmente. Medite nas suas lições. Embora cada provérbio tenha apenas algumas palavras, sua sabedoria abundante pode fazer a sua vida perdurar de maneira segura e feliz.

Nenhum comentário:

Postagem em destaque

A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: