quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Um amor pela obra rei Ezequias

Ezequias – o Homem Que Confiava em Deus

 “No terceiro ano de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, começou a reinar Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá. 2Tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; sua mãe se chamava Abi e era filha de Zacarias. 3Fez ele o que era reto perante o Senhor, segundo tudo o que fizera Davi, seu pai”. 2Reis 18.1-3
O Rei Ezequias é um dos reis de Judá, ao lado de Josias, em cujo reinado Deus concedeu um reavivamento impressionante. Isso aconteceu numa época em que o juízo de Deus já havia sido comunicado ao povo através dos profetas Oséias e Isaías e que se cumpriu através dos babilônios poucas décadas depois da morte de Ezequias.
No entanto, pouco antes do ocaso, Judá teve esse reavivamento espiritual, uma reforma radical e abrangente. É isso que nos relatam os livros de Reis (2Rs 18-20) e de Crônicas (2Cr 29-32), além do profeta Isaías (Is 36-39).
Estima-se que Ezequias reinou nos anos 715-686 a.C. (alguns consideram o período de 726-697 a.C.), em todo o caso, foi a época em que grande parte do Reino do Norte – Israel – devido à sua idolatria, havia sido levado cativo pelos assírios. Assim, era um período de opressão espiritual e de insegurança, com perspectivas de um futuro deprimente.
É interessante observar que, nos livros de Reis e de Crônicas, a vida de Ezequias é relatada sob perspectivas diferentes:
O livro de 2Reis ressalta as reformas políticas e morais implementadas por Ezequias, enquanto 2Crônicas relata detalhadamente sobre a purificação do Templo e o restabelecimento dos cultos, incluindo a festa da Páscoa, aspectos estes que são totalmente omitidos em 2Reis.
Despertamento no fim dos tempos do povo de Deus
A história de Ezequias é especialmente atual e desafiadora porque nós – Igreja do Novo Testamento – nos encontramos igualmente no fim dos tempos. Esta começou notadamente por ocasião do Pentecoste, porém– se observarmos corretamente os sinais dos tempos – atualmente se encontra no último estágio.
Já no Século XVI, Martinho Lutero escreveu um ensaio alertando sobre a apostasia no Cristianismo da sua época.
Já no Século XVI, Martinho Lutero escreveu um ensaio (“Von der babylonischen Gefangenschaft der Kirche” - “Sobre o Cativeiro Babilônico da Igreja”), alertando sobre a apostasia no Cristianismo da sua época. Quanto mais temos motivos hoje para alertar contra as influências liberais, esotéricas e de fanatismo que ocorrem em igrejas que se denominam “evangélicas”!
Mesmo assim, são poucas as personalidades conhecidas que falam em um reavivamento mundial, de uma futura “segunda reforma”, da “transformação” de povos e nações inteiras ao Cristianismo, etc.
Já há vinte anos, o missiólogo C. P. Wagner, que se auto-denomina “apóstolo” do Cristianismo atual – profetizava que, até que ele morresse, haveria “18 milhões de cristãos na Turquia!”[1]
Além disso, não faz tanto tempo que a organização evangélica mundial “AD 2000”, juntamente com a organização católica “Evangelização 2000”, pretendiam oferecer “um mundo majoritariamente evangelizado” como presente a Jesus no Seu 2.000º aniversário.
Naquela época havia vários “profetas” dizendo que “Deus quer que nos preparemos para o maior avivamento de todos os tempos” e , na opinião deles, “esta é a melhor época, de todos os tempos, para viver com Deus”.
Se, porém, analisarmos com seriedade a situação das igrejas que se consideram evangélicas, pelo menos no mundo ocidental, precisamos concluir que, na maioria dos países, o testemunho cristão está extinto ou sob ameaça de extinção.
No entanto, isso não deve ser motivo de resignação. Apesar de que, nas cartas do Novo Testamento, não haja promessas de um avivamento global para os tempos finais, mas uma tendência para a apostasia, mesmo assim Deus pode, a qualquer tempo e em qualquer lugar, promover avivamentos locais e que podem se expandir. É exatamente isso que podemos aprender da história de Ezequias e também de Josias, em cujas épocas – no fim dos tempos de Israel – Deus concedeu esses avivamentos impressionantes e imprevisíveis.
Um exemplo atual da ação de Deus é a China onde, na nossa opinião, estamos observando o maior avivamento de todo o mundo.
Um exemplo atual para isso é a China onde, na nossa opinião, estamos observando o maior avivamento de todo o mundo e que, no entanto, ocorre sem grandes alardes e que talvez nem seja observado pelos próprios cristãos na China, porque eles somente conseguem acompanhar o desenvolvimento espiritual de seu imenso país em âmbito apenas regional. Lá não existem – pelo menos oficialmente – publicações ou informativos cristãos que relatem sobre o avivamento nas diversas províncias e que, por exemplo, apresentem estatísticas sobre o enorme crescimento da chamada “Igreja Subterrânea”.
“Tempestade tropical” inesperada e repentina
É significativo que o avivamento à época de Ezequias, aparentemente, ocorreu sem que tivesse havido um histórico anterior de vida espiritual do povo de Deus. Ao menos não lemos nada sobre reuniões de oração públicas ou secretas que muitas vezes acontecem durante anos antes de um avivamento. Podemos observar isso diversas vezes na história posterior da Igreja, porém, não parece ter sido o caso no fim dos tempos de Israel. Fica a impressão que não havia nenhuma condição de prognosticar esse avivamento, mas que ele lembra uma repentina “tempestade tropical”, como Martinho Lutero, em 1524, a retratou acertadamente e de modo impressionante:
Queridos alemães, comprem enquanto o mercado está com portas abertas; recolham enquanto houver o brilho do sol e tempo bom; aproveitem a graça e a Palavra de Deus enquanto estiver disponível! Saibam isto: A graça e a Palavra de Deus são como uma tempestade tropical e que não volta mais para o lugar onde ela já passou. Ela esteve com os judeus; no entanto, o que passou, passou, agora eles não tem mais nada. Paulo a levou para a Grécia. O que passou, passou; agora eles têm o turco. Roma e a terra latina também a tiveram; o que passou, passou, agora eles têm o Papa. E vocês, alemães, não pensem que a terão para sempre, pois, a ingratidão e o desprezo não permitirão que ela fique. Por isso, apanhem e segurem aqueles que conseguem apanhar e segurar! Mãos preguiçosas devem ter um ano difícil.[4]
Condições desfavoráveis
Ezequias cresceu em um ambiente ímpio. Seu pai Acaz foi um rei extremamente cruel e ímpio. É inimaginável que o seu filho tenha sido preparado com uma formação especial “bíblica” para suas futuras atribuições. Somente a menção expressa do nome da mãe Abi (abreviatura do nome Abijah [“Deus é meu pai]) e do pai desta, Zacarias (“o Senhor lembra”) parecem indicar que, por parte da mãe, pode ter havido uma influência positiva.
Isso seria um grande consolo e um incentivo para as mães que, ao lado de pais não crentes ou não espirituais, educam os filhos para o Senhor e os preparam para que se tornem discípulos de Jesus.
Ainda assim, por razões que nós desconhecemos, o filho do ateu Acaz recebeu o nome “Ezequias” (“Deus é minha força”) quando nasceu e, de fato, Ezequias posteriormente viveu de modo que honrou o nome de Deus – ele confiava em Deus!
Confiou no Senhor, Deus de Israel, de maneira que depois dele não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele” (2Rs 18.5).
Esse rei, cuja confiança em Deus não foi superada por nenhum outro rei entre o povo de Deus, de fato, deveria incentivar-nos ao estudo e à imitação!
Outra peculiaridade na vida de Ezequias é que, quando clamou ao Senhor, sua vida foi acrescida de exatos 15 anos. Como confirmação para isso, Deus fez a sombra do relógio solar retroceder 10 graus.
Finalmente Ezequias é um dos poucos reis que, ao término de sua vida, não estava marcado por pecados ou idolatria, mas pelas “boas obras”. Ele não morreu “sem ser encontrado” (como aconteceu com Jorão, um de seus antecessores), pelo contrário, ele foi sepultado com honrarias e na presença de todo o povo (2Cr 32.32-33).

Avivamento sempre ocorre por graça
Destas poucas observações, vistas até agora, podemos aprender que o avivamento sempre é uma manifestação da graça de Deus. Não é possível organizar um avivamento. Não há uma fórmula confiável para tanto, ao contrário do que algumas personalidades, tanto da história recente como da história antiga da Igreja, tentaram comprovar inutilmente.
O avivamento sempre é uma manifestação da graça de Deus. Não é possível organizar um avivamento. Não há uma fórmula.
O avivamento sempre é uma dádiva de Deus. Às vezes é uma resposta de Deus às orações insistentes e intensivas, porém, outras vezes é uma “chuva passageira” não programável. Isso pode nos trazer esperança e nos encorajar, também em nossa época em que as circunstâncias externas e a situação do povo de Deus apontam para qualquer outra coisa, menos para um avivamento.
Preguiça, mornidão, indiferença e conformação ao mundo são características marcantes entre os cristãos na Europa. Livros do mercado evangélico como “Gottesdienst ohne Mauern” (Cultos sem muros”) ou “Die Welt umarmen”(“Abraçar o Mundo”, ambos os títulos em tradução livre) sem querer descrevem a situação atual das igrejas também em nosso país e que foi descrito acertadamente por A.W.Tozer, há mais de 50 anos:
Fomos criados para nos relacionarmos com anjos, arcanjos e serafins, sim, com o próprio Deus que criou a todos – fomos chamados para sermos como águias voando livremente pelos ares, mas que, agora, afundamos a ponto de estarmos ciscando ao lado de galinhas comuns nos quintais das fazendas – isto, assim eu penso, é o pior que poderia ter acontecido a este mundo”.[5]
Ou, ainda, não menos drasticamente:
Uma igreja debilitada arremeda um mundo forte a se divertir com pecados astuciosos – para a sua própria vergonha eterna.[6]
Atualmente, como cristãos, em nossa latitude é mais comum presenciarmos “momentos sublimes de inutilidade” do que algum sinal de avivamento. No entanto, um monte de esterco pode se tornar em adubo para uma grande área de lavoura. Por isso, a história de Ezequias deveria nos encorajar para “esperar grandes coisas de Deus e fazer grandes coisas para Deus”, como disse, fez e vivenciou William Carey, o missionário pioneiro na Índia.
O fim dos tempos nunca deve ser motivo de resignação ou servir de álibi para a indolência. Muito menos serve de calmante para a desobediência!
“Em cada crise há uma oportunidade”. Nos últimos anos ouve-se constantemente essa afirmação, vinda de todas as direções – tanto de políticos como também de executivos economistas. Por isso, o baixo nível espiritual ou as atuais crises nas igrejas deveriam ser um incentivo, não para investir em “piedosas bolhas de ar”, mas para voltar às raízes e aos sólidos fundamentos da nossa fé.
A importância de modelos espirituais
A sabedoria popular diz que “figuras moldam”. Da mesma forma, um modelo pode marcar e influenciar o curso de uma vida. Ezequias tinha um modelo, um parâmetro para sua vida, no qual ele podia e queria se orientar e comparar. Era um modelo que o ajudou a fazer aquilo que era certo aos olhos de Deus:
Fez ele o que era reto perante o Senhor, segundo tudo o que fizera Davi, seu pai” (2Rs 18.3)
Como o seu pai físico, o rei Acaz, era um homem ímpio e, assim, inadequado para marcar positivamente a vida espiritual de seu filho, Ezequias procurou por orientação entre seus antepassados e encontrou Davi, o rei de Israel, o “homem segundo o coração de Deus”.
É uma bênção quando se encontra, no pai físico, um modelo e alguém que orienta nos caminhos de Deus. É o que lemos, por exemplo, no caso do rei Azarias que foi marcado positivamente pelo seu pai Amazias (2Rs 15.3). Sobre Amazias, a Bíblia relata:
Fez ele o que era reto perante o Senhor, ainda que não como Davi, seu pai; fez, porém, segundo tudo o que fizera Joás, seu pai” (2Rs 14.3).
Quando eu era um cristão jovem, fiquei muito impressionado com uma cena que Wilhelm Busch descreveu na biografia de seu irmão: “Johannes Busch – ein Botschafter Jesu Christi” (“Johannes Busch – um Mensageiro de Jesus Cristo”, em tradução livre).
Essa cena é uma ilustração comovedora para as palavras de Provérbios 17.6: “...a glória dos filhos são os pais”.
Que grande bênção é para nossos filhos quando, como pais e mães, podemos lhes deixar tal herança! Provavelmente a maioria dos pais não imagina quão precioso é esse presente que eles proporcionam para toda a vida a seus filhos e filhas, quando estes, já em tenra idade, podem amar e viver com o seu “pai herói”.
Entrementes, minha esposa Ulla e eu nos tornamos avós de um número crescente de netos. Para nós sempre é uma experiência especial quando observamos como os pequenos olham admirados para o seu pai quando ele se destaca em alguma atividade esportiva ou em brincadeiras ou também em suas atitudes durante o dia-a-dia. (Naturalmente, o mesmo é verdade para as mães!).
Temos a convicção que tais experiências são uma influência muito positiva para a saúde espiritual e psicológica dos filhos e, de fato, representam um “adorno” ou “tesouro” de valor inestimável para toda a vida deles.
Hoje há muitos jovens cristãos à procura de modelos na família ou na Igreja e se decepcionam quando não os encontram.
Hoje há muitos jovens cristãos à procura de modelos na família ou na Igreja e se decepcionam quando não os encontram ou não correspondem às suas elevadas expectativas. No entanto, podemos consultar nossa lista de “antepassados espirituais” e estudar as biografias de homens e mulheres cuja vida foi exemplar, desafiadora e orientadora.
Oswald Sanders expressou isso muito bem:
Se estiver certo que podemos conhecer uma pessoa pelos amigos que ela tem, então também é possível reconhecê-la através da leitura de sua biografia, pois ela reflete a sua fome interior e o seu desejo. (...) Para um líder, as biografias sempre são emocionantes porque elas transmitem personalidades. Nenhum outro gênero literário é capaz de transmitir melhores ensinamentos sobre os caminhos de Deus para a sua gente, além da Bíblia. Não é possível ler sobre a vida de grandes homens e mulheres sem que isso provoque entusiasmo e surja o desejo de uma realidade semelhante.[8]
Cito apenas alguns exemplos de como a leitura de diários e biografias influenciou decisivamente a vida de muitos cristãos:
- Os diários de David Brainerd inspiraram e incentivaram, entre outros, a Jonathan Edwards, John Wesley, William Carey, Henry Martyn, David Livingstone e Jim Elliot;
- A biografia de George Whitefield deixou marcas inextinguíveis em C.H. Spurgeon e em Georg Müller;
- Através dos diários de Georg Müller, por sua vez, Hudson Taylor e muitos outros adquiriram ânimo para se dedicar às Missões, unicamente na confiança em Deus;
- E quem consegue contar quantos homens e mulheres, da nossa geração, que foram desafiados a ter uma vida dedicada a Jesus, baseados no diário de Jim Elliot: “À Sombra do Altíssimo”?
O modelo de vida decisivo
Contudo, na avaliação de boas biografias, não devemos e não queremos nos tornar “luteranos”, “calvinistas”, “menonitas”, “wesleyanos”, “metodistas” ou outros “...istas”. Também a vida e a obra desses homens devem apontar para o nosso Senhor Jesus – cuja vida e exemplo deve ser e permanecer como o único “modelo original” perfeito para nossas vidas. Assim como Ezequias não se contentou apenas com os antepassados tementes a Deus, como Asa, Josafá, etc, mas tomou a Davi como modelo, assim também nós – na apreciação de nossos pais e mães espirituais – devemos permanecer “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...” (Hb 12.2). 




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A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: