sábado, 28 de janeiro de 2017

Jesus Cristo vai cobrar tudo de nós!

Pregue o Evangelho, e desde que é Necessário, Use Palavras.
Existe um ditado popular frequentemente repetido por cristãos. Isto tem ganho nova vida no Facebook e Twitter. Talvez você mesmo possa ter proferido essas palavras, comumente atribuidas à Francisco de Assis: “Pregue o Evangelho. Se necessário, use palavras”.

Eu penso que podemos considerar o que muitos estão querendo quando dizem algo similar. Como cristãos, nós deveríamos viver de tal forma que nossas vidas apontassem para a pessoa e a obra de Jesus. Todavia, boas intenções não superam dois problemas básicos com essa citação e sua suposta origem. Primeiro, Francisco de Assis nunca disse isso; segundo, essa citação não é bíblica.

Mark Galli pontuou que não há nenhum registro de Francisco, um membro de uma ordem de pregadores, proferindo nada parecido com isto. Na verdade, tudo que sabemos relacionado a ele sugere que ele não concordaria com essa suposta citação. Assis foi reconhecido por sua pregação e frequentemente pregava mais de cinco vezes por dia.

A idéia pode não ter soado atraente para Francisco, mas para muitos hoje, ministério sem palavras é uma abordagem atraente. Gostamos de dizer que "palavras valem pouco", e portanto, "ações falam mais do que palavras". Galli explana bem o sentimento que complementa nossa cultura:

"Pregue o Evangelho; se necessário, use palavras”, anda de mãos dadas com um pressuposto pós-moderno de que no fim, as palavras são vazias de significado. Isso sutilmente denigre o alto valor que os profetas, Jesus e Paulo colocaram sobre a pregação. Com certeza, queremos que nossas ações condizam com nossas palavras tanto quanto possível. Mas o evangelho é uma mensagem, notícias sobre o acontecimento e sobre a pessoa em torno do qual a história do planeta gira.

E este é o verdadeiro problema - não de quem essa citação originalmente vem, mas como ela pode simplesmente nos dar um entendimento incompleto do evangelho e de como Deus salva pecadores. Cristãos são rápidos para encorajar uns aos outros a "viver o evangelho", para "ser o evangelho" para os seus vizinhos, e até mesmo "evangelizar uns aos outros". O impulso missionário aqui é útil, no entanto o evangelho não é nada que o cristão demonstra, pratica ou se torna.

O apóstolo Paulo resume o evangelho como vida, morte e ressureição de Jesus Cristo, através do qual o pecado é expiado, pecadores são reconciliados com Deus, e a esperança da ressureição aguarda todo aquele que crê. O Evangelho não é um jeito de ser, mas sim uma história. O Evangelho é a declaração de que algo realmente aconteceu.

E desde que o Evangelho é a obra salvadora de Jesus,
isso não é algo que nós podemos fazer,
mas é algo que devemos anunciar.

Sim, nós realmente vivemos suas implicações, mas se devemos fazer o evangelho conhecido, faremos isso através de palavras.

Parece que a ênfase na proclamação está diminuindo, mesmo em muitas igrejas que se identificam como evangélicas. Mesmo que a proclamação seja a tarefa central da igreja. Não, essa não é a única tarefa que Deus nos deu, mas é a central. Enquanto o processo de fazer discípulos envolve mais do que comunicação verbal, e obviamente a vida de um discípulo é tida como falsa quando isso não passa de palavras, a obra fundamental que Deus deu a igreja é "proclamar as excelências" de nosso Salvador.

Uma vida piedosa deveria servir de testemunha para a mensagem que proclamamos. Mas sem palavras, o que nossas ações podem apontar a não ser nós mesmos? Uma vida piedosa não pode comunicar a encarnação, a substituição de Jesus por pecadores, ou a esperança de redenção pela graça somente através da fé somente. Nós não podemos ser boas novas, mas podemos anunciar isso, cantar isso, falar sobre isso e pregar a todos quanto ouvem. Na verdade, a comunicação verbal do evangelho é o único meio pelo qual pessoas são trazidas para um relacionamento correto com Deus. O apóstolo Paulo destacou isso para a igreja de Roma quando Ele disse:

"Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram?
E como ouvirão, se não há quem pregue?"​ - Rm 10v13-14.

Se nós devemos fazer discípulos de todas as nações, devemos fazer isso usando palavras. A pregação necessita do uso da linguagem. Então, deixe-me encorajar-nos a pregar o Evangelho, e usar palavras, uma vez que isto é necessário. Mas deixe-me dizer também que concordar com a centralidade da proclamação não é suficiente. Precisamos nos mover de acordo com a idéia da execução efetiva da mesma. Deixe-me encorajar-nos a sermos pessoas que não somente usam as palavras do evangelho, mas as usam de quatro maneiras.

1. Deixe seu evangelho em palavras ser compreensível.

Na nossa proposta de sermos precisos sobre assuntos teológicos, devemos também ter a certeza de que somos compreensíveis. Queremos declarar o evangelho bíblico de uma forma culturalmente acessível. Isso requer de nós a definição de termos teológicos, assim como adotar uma linguagem apropriada para as pessoas com quem falamos, onde quer que seja. Eu acho irônico quando alguém diz amar os puritanos e as vezes trai a prática de falar "claramente" como os puritanos faziam. As palavras do evangelho deveriam ser apresentadas, tanto quanto possível, em uma linguagem comum para os ouvintes. Como eles irão escutar se falamos em outra língua?

2. Deixe seu evangelho em palavras ser sério.

Nós comunicamos que o evangelho é um assunto sério porque é um assunto sério! Eu não estou sugerindo que todo mundo deveria ter o mesmo temperamento, mas estou dizendo que aquelas "boas novas" que salvam vidas deveriam ser propostas com sobriedade, sinceridade e zelo. Ninguém escuta uma proclamação sobre assuntos sérios apresentados de maneira leviana. Quando pregamos a Cristo, precisamos de sinceridade e clareza.

3. Deixe seu evangelho em palavras ser ouvido fora da igreja local.

Fazer discípulos significa transmitir o evangelho para aqueles que estão fora da igreja. Uma vez que acreditamos que o único meio dado por Deus para tirar as pessoas do reino da trevas e levá-las ao reino da luz, envolve a pregação do evangelho com palavras, nós deveríamos ser compelidos à falar tais palavras para qualquer um que ouví-las. Como aqueles enviados por Deus - nesse caso nós -, deveríamos estar preparados para "contar a história" para as pessoas não convertidas em nossas vizinhanças, escolas e locais de trabalho.

4. Deixe seu evangelho em palavras ser ouvido dentro da igreja local.

O evangelho deveria ser falado dentro da igreja porque até mesmo os remidos podem voltar-se para as tentações opostas do legalismo e ilegalidade. Uma das coisas mais importantes que um cristão faz é redirecionar outros cristãos de volta para Jesus através das boas novas do evangelho. Nós precisamos falar disso dentro da igreja, a fim de que os não cristãos visitantes que estão entre nós, possam ouvir quão precioso isso permanece em nossas vidas, e que isso não é apenas uma estação de passagem em nossa jornada espiritual. O evangelho é falado na companhia da fé tanto para nossa santificação quanto para nossa adoração.

O evangelho exige, ou até mesmo demanda, palavras. Então, vamos pregar o evangelho, e vamos  usar palavras, desde que elas são necessárias. Que elas possam ser palavras claras e vigorosas que possam chamar aqueles dentro e de fora da igreja para seguir Jesus.

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“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Poucas palavras na Bíblia são tão claras, mas ao mesmo desobedecidas justamente por pessoas que afirmam ser cristãs, como a que ensina que a única possibilidade de chegarmos a Deus é por meio do Seu filho Jesus Cristo. Única. E olha que a Bíblia traz isso na boca do próprio Jesus. Lembremos o que está em João 14:6: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, se não por mim.” Há quem leia a passagem, a ache correta, concorde, proclame que faz justamente isso na sua vida por ser cristão, mas quando indagado por sua fé em outros personagens bíblicos afirmam que pedem para que estes “intercedam” por ele para chegar a Deus. Sem noção do que diz a palavra de Deus, acham que não estão desobedecendo e, portanto, não estão fazendo nada errado. Ledo engano. Salientando que não se quer aqui atacar ou diminuir a missão dada por Deus a Maria, a mãe de Jesus, ou a nenhum personagem bíblico, a frase citada entre aspas deve ser de longe o maior exemplo de quando uma pessoa diz ser fiel à palavra de Deus, mas a distorce completamente. Percebam que, ao usar a expressão “o caminho”, Jesus não deixou o ensinamento de que devemos ter quem interceda por nós. Ele diz claramente que está nos dando um presente maravilhoso: pela nossa fé chegarmos ao Pai pelo único caminho que é ele, Jesus. Ponto final. A gramática nos ajuda a entender a frase. Se Jesus tivesse dito “um caminho” e não “o caminho”, aí, sim, poderíamos ter opções. Perceba, internauta, que há mais de um caminho para se chegar à praia, ao centro… Mas imagine, por exemplo, um apartamento no 10º andar com apenas uma porta. Será que esta porta é o caminho para o elevador ou um caminho? Alguém arriscaria pular a janela para chegar ao elevador ou só restaria uma única possibilidade: a porta? Para chegarmos a Deus, Jesus é essa única porta. Qualquer outro caminho representa o perigo da janela. E note-se que a Bíblica é didática. Não há passagem nenhuma falando em usar outro caminho para se chegar a Deus, exceto Jesus. Os que usam Maria, por exemplo, o fazem por conta própria. Não tem respaldo bíblico. Percebam que isso não sonega, como por ignorância teológica alguns acreditam, o importante papel que Deus reservou a Maria. A Bíblia, em João 1:1, diz que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Mais adiante um pouquinho, no mesmo livro, lê-se: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14). Ou seja, está cristalino que Jesus veio à terra para cumprir a missão de salvar a humanidade das garras de satanás. E no plano de Deus para o verbo se fazer carne era preciso nascer igual a todos nós – inclusive para nos deixar a lição que qualquer pessoa de carne e osso que tenha fé em Deus é capaz de superar as adversidades impostas pelo inimigo e conseguir a salvação. Assim, Deus escolheu Maria. Evidente que pelo mérito dela. Deus não escolheria qualquer uma para trazer o Seu filho ao mundo. Mas optou uma mulher também de carne e osso como todos nós. A partir do momento em que Jesus começou o seu ministério, era ele e o Pai. Só ele e o Pai. Uma decisão de Deus, e que quem tem fé Nele não discute. Prestem atenção a estas palavras de Jesus: “E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora (João 2:3-4). Percebam que, para quem não vive a fé na palavra de Deus, não entende que Jesus é, de fato, o único caminho para se chegar a Deus, as palavras soam ríspidas – sobretudo dirigidas à própria mãe. Todavia uma reflexão com o auxílio de outras passagens bíblicas joga luz no fato de Jesus ter uma missão dada por Deus, e somente Deus poderia colocar no seu coração o que fazer, como fazer e quando fazer. Aliás, a própria Maria, que nunca disse a ninguém que seria um caminho para Deus, ao menos não existe isso na Bíblia, testemunhou esta aliança Deus x Jesus. “Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2:5). Portanto, está evidente que tanto Jesus quanto Maria, assim como todos nós, temos missões dadas por Deus. Missões distintas. A partir do momento em que se pauta a vida na obediência à palavra de Deus, na fé na Bíblia, deixando ensinamentos religiosos à parte (Bíblia é bíblia. Religião é religião), entende-se isso e a frase que serve de título para este texto claramente. Mas, como diz Jesus, quem tem ouvidos que ouça. Deus no comando.