quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Deus tem o melhor (Creia)


Mensagem evangélica para quem perdeu a mãe - Mensagem da Palavra de Deus

Hoje, voc√™ est√° triste e sentindo o forte e doloroso sentimento de ter perdido a sua querida m√£e. Infelizmente vivemos num mundo de pecado onde temos que passar por essa dif√≠cil e dura etapa da morte.

Hoje voc√™ est√° abatido/a e sofrendo muito. A sua m√£e j√° n√£o est√° mais ao seu lado. Um tempo de luto, de choro e de aceita√ß√£o se faz necess√°rio para poder colocar para fora toda essa ang√ļstia de vivenciar a morte. Jamais nos acostumaremos com a morte, pois n√£o fomos criados para morrer. No cora√ß√£o do se humano existe um buraco do tamanho da eternidade. Um buraco do tamanho do nosso Deus. Um buraco que somente Ele pode preencher. Nada mais.

N√£o fique triste demasiadamente. N√£o se entregue a depress√£o. Aquilo que, hoje, voc√™ considera como perda √© na verdade mais uma etapa que todos n√≥s temos que passar. Voc√™ s√≥ vai ficar distante por um tempo maior do que o de costume. √Č como se a sua m√£e fizesse uma viagem muito longa. E de fato √© assim mesmo.

Saiba que todos aqueles nossos queridos que já partiram dessa vida, agora, estão todos dormindo nos braços do Senhor Jesus Cristo. Você pode estranhar:

Dormindo! Como assim? O Senhor Jesus Cristo nos ensinou:

E, tendo assim falado, acrescentou: L√°zaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despert√°-lo do sono.

Jo√£o 11:11

O Senhor Jesus nos mostrou o que acontece quando algu√©m parte deste mundo. A pessoa agora passa a dormir o sono da morte. Para o nosso esp√≠rito, a morte √© apenas um descanso. √Č um tempo de transi√ß√£o que, para n√≥s, parece demorar uma eternidade, mas no mundo espiritual n√£o √© assim. A nossa vida diante de Deus √© apenas um sopro ou um simples vapor que sobe e logo se dissipa pelos ares:

3 Tu reduzes o homem ao p√≥, e dizes: Voltai, filhos dos homens!

4 Porque mil anos aos teus olhos s√£o como o dia de ontem que passou, e como uma vig√≠lia da noite.

5 Tu os levas como por uma torrente; s√£o como um sono; de manh√£ s√£o como a erva que cresce;

6 de manh√£ cresce e floresce; √† tarde corta-se e seca.

Salmo 90:3 a 6

O homem √© semelhante a um sopro; os seus dias s√£o como a sombra que passa. - Salmo 144:4

No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. -Tiago 4:14

Existe outra palavra de Deus que também nos ensina sobre essa desconhecida e misteriosa etapa das nossas vidas:

Os mortos n√£o sabem coisa nenhuma, nem tampouco t√™m eles da√≠ em diante recompensa; porque a sua mem√≥ria ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu √≥dio e a sua inveja j√° pereceram; nem t√™m eles da√≠ em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Eclesiastes 9:5 a 6

Alegre-se! A sua querida mam√£e j√° n√£o sofrem mais. Ela n√£o t√™m mais desespero, ela n√£o tem mais medo e ela descansa tranquilamente nos bra√ßos amorosos do Senhor Jesus Cristo. Quando chegar o grande momento da nossa exist√™ncia espiritual, a nossa ressurrei√ß√£o, ela havera de ressuscitar para a vida eterna por causa da volta Gloriosa do nosso Senhor Jesus Cristo. O Ap√≥stolo Paulo nos ensinou:

A vossa vida est√° escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que √© a nossa vida, se manifestar, ent√£o tamb√©m v√≥s vos manifestareis com ele em gl√≥ria. - Colossenses 3:3 a 4

Por isso o Senhor Jesus Cristo nos disse:

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

Jo√£o 14:1

Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurrei√ß√£o e a vida; quem cr√™ em mim, ainda que morra, viver√°; - Jo√£o 11:25

Porquanto esta √© a vontade de meu Pai: Que todo aquele que v√™ o Filho e cr√™ nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no √ļltimo dia. - Jo√£o 6:40

Ningu√©m pode vir a mim, se o Pai que me enviou n√£o o trouxer; e eu o ressuscitarei no √ļltimo dia. - Jo√£o 6:44

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no √ļltimo dia. - Jo√£o 6:54

Na casa de meu Pai h√° muitas moradas; se n√£o fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. - Jo√£o 14:2

Queridos! N√£o devemos ficar tristes com a morte de algu√©m que muito amamos, pois estas pessoas n√£o est√£o sofrendo e muito menos est√£o tristes. Com certeza elas est√£o muito melhores que n√≥s, pois j√° n√£o vivem nesse mundo de pecado e j√° est√£o preparadas para se encontrarem com o Senhor da Gl√≥ria que na sua volta levar√° todos os seus filhos para Nova Jerusal√©m a Cidade Eterna na qual n√£o h√° dor, sofrimento, mentira, pecado, doen√ßa e nem morte. 

Na Cidade Eterna n√£o h√° nem mesmo o nosso t√£o querido sol, pois a Gl√≥ria do nosso Deus √© quem vai nos aquecer e nos iluminar. Isso n√£o √© maravilhoso. √Č l√° que os nossos amados ir√£o estar. N√≥s, em breve, voltaremos a nos encontrar com eles. Por isso n√£o devemos ficar tristes por que os nossos amados foram na nossa frente. Com certeza, quando o Senhor Jesus nos levar para l√°, eles haver√£o de estar l√° tamb√©m e, novamente voltaremos a nos falar, abra√ßar  e beijar. Portanto! espere em Deus. Aguente firme porque na Nova Jerusal√©m a grande felicidade voltar√° de maneira extraordin√°ria a inundar todos os nossos cora√ß√Ķes Am√©m!

Ele enxugar√° de seus olhos toda l√°grima; e n√£o haver√° mais morte, nem haver√° mais pranto, nem lamento, nem dor; porque j√° as primeiras coisas s√£o passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que fa√ßo novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras s√£o fi√©is e verdadeiras. Disse-me ainda: est√° cumprido: Eu sou o Alfa e o √īmega, o princ√≠pio e o fim. A quem tiver sede, de gra√ßa lhe darei a beber da fonte da √°gua da vida. Aquele que vencer herdar√° estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele ser√° meu filho. -Apocalipse 21: 4 a 7

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu n√£o vo-la dou como o mundo a d√°. N√£o se turbe o vosso cora√ß√£o, nem se atemorize. - Jo√£o 14:27

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

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1 Samuel 17:12-32 - Davi se revolta com a covardia dos israelitas e com a petul√Ęncia de Golias

Davi se revolta com a covardia dos israelitas e com a petul√Ęncia de Golias!


1 Samuel 17:12-32

Davi era filho de Jessé, do povoado de Efrata, que ficava perto de Belém de Judá.

Jessé tinha oito filhos.

No tempo em que Saul era rei, Jessé já estava bem idoso.

Os seus três filhos mais velhos tinham ido com Saul para a guerra.

O primeiro se chamava Eliabe, o segundo, Abinadabe, e o terceiro, Siméia.

Davi era o filho caçula.

Enquanto os seus tr√™s irm√£os mais velhos ficavam com Saul, Davi ia ao acampamento de Saul e voltava a Bel√©m para tomar conta das ovelhas do seu pai.  

Enquanto isso, os israelitas estavam em seu acampamento, apavorados com a proposta de Golias.

Durante quarenta dias Golias desafiou o exército israelita.

Todas as manhãs ele vinha até a borda oposta do vale, cruzava os braços sobre o tórax enorme, e bradava seus insultos.

Ao final, repetia a proposta: os israelitas deveriam escolher um homem para lutar contra ele, e neste combate estariam decididos √† guerra e o destino de ambas as na√ß√Ķes.

Um dia, preocupado com essa situação, Jessé chamou Davi, entregou a ele dez quilos de trigo torrado, dez pães e dez queijos, e disse ao filho:

_ Davi, estou preocupado com seus irmãos. Pegue dez quilos de trigo torrado e estes dez pães e vá depressa levar para os seus irmãos no acampamento. Leve também estes dez queijos ao comandante.

_ Mais alguma coisa meu pai?

_ Veja como os seus irmãos estão passando e traga uma prova de que você os viu e de que eles estão bem.

_ E onde eles est√£o agora?

_ Os seus irm√£os, o rei Saul e todos os outros soldados israelitas est√£o no vale do Carvalho, lutando contra os filisteus.    
_ Pode deixar, pai.

Na manh√£ seguinte, Davi deixou um empregado tomando conta das ovelhas e foi para o Vale.

Ele chegou ao acampamento justamente na hora em que os israelitas, soltando o seu grito de guerra, estavam saindo a fim de se alinhar para a batalha.

O exército dos filisteus e o exército dos israelitas tomaram posição de combate, um de frente para o outro.

Davi deixou as coisas com o oficial encarregado da bagagem e correu para a frente de batalha.

Chegou perto dos seus irm√£os e perguntou se estavam bem.

Enquanto isso os filisteus davam passagem para seu grande herói, Golias.

Enquanto Davi estava falando com eles, Golias avançou e desafiou os israelitas, como já havia feito antes.

E Davi escutou.

Bastou o gigante aparecer para todos os israelitas correrem para suas tendas.

Golias repetiu o desafio, e, quando Davi viu que todo Israel estava cheio de medo, e soube que a afronta do filisteu lhes era atirada dia após dia, sem que despertasse um campeão para silenciar o orgulhoso gigante, seu espírito se agitou dentro dele.

Inflamou-se de zelo para preservar a honra do Deus vivo, e o crédito de Seu povo.

Ent√£o Davi perguntou aos soldados que estavam perto dele:

_ O que ganhar√° o homem que matar esse filisteu e livrar Israel desta vergonha?

_ homem que derrotar Golias uma gorda recompensa e a mão de sua filha. Além disso, isentaria de impostos a família desse suposto homem valente.

_ Afinal de contas, quem é esse filisteu pagão para desafiar o exército do Deus vivo?

Eliabe, o irm√£o mais velho de Davi, ouviu-o conversando com os soldados. Ent√£o ficou zangado e disse:

_ √Ē, moleque! Quem √© que est√° tomando conta das suas ovelhas l√° no deserto, hein? Seu convencido! T√° achando que √© quem? Veio aqui s√≥ para ver a batalha, n√©? Moleque folgado!

_ Poxa meu irm√£o! Pega leve! Ser√° que eu n√£o posso nem fazer uma pergunta? Eu, hein…

Eliabe deu um deu de ombros e foi cuidar de sua vida.

Davi, por sua vez, saiu andando pelo acampamento, sondando aqui e ali para saber como seria recompensado o israelita que matasse Golias.

De todo mundo ouviu a mesma resposta, com uma ou outra variação.

De tanto ele perguntar, alguns soldados resolveram ir falar com Saul sobre o que acontecia:

_ Majestade, parece que há um rapaz aí no acampamento interessado na recompensa prometida a quem matar o gigante.

_ Ah, é? Que beleza, traga o tal rapaz aqui, quero falar com ele.

Os soldados saíram e voltaram trazendo Davi. Saul levou um susto:

_ Mas você, Davi? O que está fazendo aqui?

_ Seu Saul, eu acho uma vergonha o povo de Israel ter medo desse filisteu. Eu vou lutar com ele.




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Mentiras e Enganos

Absal√£o (2 Samuel 13:13-37-15:12)

Introdução

Quem j√° perdeu um filho conhece a dor causada por isso. A morte √© uma experi√™ncia muito dolorosa, mas h√° outras maneiras — ainda piores — de se perder um filho. No que diz respeito √† sua fam√≠lia, Davi sofreu muitas perdas, especialmente com rela√ß√£o aos filhos. Primeiro ele perdeu a primeira crian√ßa nascida de Bate-Seba, a vi√ļva de Urias (cap√≠tulo 12). Algum tempo depois, sua filha Tamar perdeu a virgindade em um estupro, estupro esse cometido por seu meio-irm√£o Amnom. Em seguida, Davi perdeu Amnom, devido √† vingan√ßa de Absal√£o por causa do estupro de Tamar, sua irm√£. A perda mais dolorosa de todas parece ter sido a de Amnom. Finalmente, Davi “perdeu” Absal√£o, morto pelas m√£os de Joabe e seus servos; mas, na verdade, ele j√° havia “perdido” Absal√£o muito tempo antes. Ele o perdeu quando Absal√£o matou o irm√£o, Amnom, e fugiu para Gesur, onde seu av√ī, Talmai, pai de sua m√£e, Maaca (2 Samuel 3:3), era rei e ofereceu-lhe ref√ļgio. Tal perda nunca foi recuperada, embora Absal√£o tenha obtido permiss√£o para voltar a Jerusal√©m e √† presen√ßa do rei. Esse √© o tipo de perda mais doloroso para um pai, pois sei que muitos de voc√™s passam por isso.
Tenho certeza de que quem teve esse tipo de perda tamb√©m j√° experimentou o sentimento de culpa que muitas vezes a acompanha. √Ä primeira vista, essa culpa parece ter sido acrescentada ao texto. N√£o parece que foi Davi quem provocou grande parte do seu pr√≥prio sofrimento? A perda de Absal√£o n√£o seria consequ√™ncia de suas falhas paternas? N√£o foi Davi quem, mesmo sabendo do estupro de Tamar e tendo ficado furioso por causa disso, n√£o fez nada a respeito? N√£o foi ele quem deixou Absal√£o viver em Gesur e depois permitiu, com relut√Ęncia, a sua volta, mas s√≥ o viu pessoalmente quando foi literalmente pressionado a isso? Absal√£o n√£o √© fruto de um lar fracassado?
Devo confessar que, a princ√≠pio, esta tamb√©m era minha opini√£o. Eu estava a ponto de mostrar as falhas paternas de Davi e sugerir que elas provocaram a queda e, por enfim, a morte do seu filho, Absal√£o. Agora, por√©m, j√° n√£o vejo as coisas dessa maneira. N√£o √© que Davi n√£o tenha pecado ou cometido erros, mas √© evidente que a queda de Absal√£o √© consequ√™ncia do seu pr√≥prio pecado, das suas pr√≥prias escolhas. Em meio ao sofrimento e √† dor causados pela “perda” de Absal√£o, acredito que Deus esteja graciosamente ensinando Davi, levando-o para mais perto de Si e tornando-o um homem cada vez mais segundo o Seu pr√≥prio cora√ß√£o. A hist√≥ria √© cheia de intriga e tristeza, mas, conforme lemos essa narrativa inspirada da Palavra de Deus, encontramos muita paz e consola√ß√£o.
Pano De Fundo
A hist√≥ria come√ßa muito antes do nosso texto. Em 1 Samuel 8, os l√≠deres de Israel confrontaram Samuel e exigiram a designa√ß√£o de um rei para govern√°-los. Essa exig√™ncia desagradou tremendamente a Samuel e a Deus, pois o cora√ß√£o do povo n√£o era reto diante do Senhor. Sob orienta√ß√£o divina, Samuel advertiu o povo sobre o alto custo de ter um rei (cap√≠tulo 8). Pouco depois, ele os repreendeu por causa de seus pecados, relembrando-os da fidelidade de Deus no cumprimento das Suas promessas, levando-os √†quela terra e dando-lhes sua possess√£o (cap√≠tulo 12). Deus deixou bem claro, por meio de Samuel, que um rei n√£o iria, e n√£o poderia, salv√°-los; sempre fora Ele quem salvara Seu povo e quem continuaria a salv√°-lo. Se o povo e seu rei confiassem em Deus e O obedecessem, Ele continuaria a livr√°-los e aben√ßo√°-los. Se n√£o, “pereceriam, tanto eles como o seu rei” (1 Samuel 12:25b).
Saul foi escolhido e designado por Deus para ser o primeiro rei de Israel. De modo geral, at√© que ele se saiu bem em seu trabalho (1 Samuel 14:47-48). Em algumas √°reas, ele foi at√© melhor que Davi. At√© onde sabemos, ele n√£o multiplicou para si esposas, cavalos ou riquezas (ver Deuteron√īmio 17:14-20). N√£o h√° registro de que ele tenha cometido adult√©rio como Davi. Ele realmente subjugou muitos inimigos de Israel. Seus grandes pecados foram aqueles decorrentes de sua rebeldia contra Deus: primeiro, por n√£o esperar Samuel e acabar oferecendo ele mesmo os sacrif√≠cios (1 Samuel 13); depois, por n√£o aniquilar totalmente os amalequitas (1 Samuel 15); e ent√£o, por pedir orienta√ß√£o a uma m√©dium e n√£o a Deus (1 Samuel 28).
Davi foi um grande rei e um homem segundo o coração de Deus. O pecado relacionado a Urias e Bate-Seba foi exceção à regra, mas foi um pecado monumental (1 Reis 15:5). A chave para a compreensão do que acontece em nosso texto é a acusação feita por Natã a Davi:
“Ent√£o, disse Nat√£ a Davi: Tu √©s o homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das m√£os de Saul; dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus bra√ßos e tamb√©m te dei a casa de Israel e de Jud√°; e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas. Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste √† espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amnom. Agora, pois, n√£o se apartar√° a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o SENHOR: Eis que da tua pr√≥pria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres √† tua pr√≥pria vista, e as darei a teu pr√≥ximo, o qual se deitar√° com elas, em plena luz deste sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.” (2 Samuel 12:7-12)
Todo poder, todas riquezas e toda gl√≥ria de Davi lhe foram dados por Deus. Sua prosperidade n√£o foi fruto da sua grandeza, mas da gra√ßa de Deus. Deus lhe disse que, se ele pedisse, Ele lhe daria “muito mais”. Davi queria mais, mas em vez de obedecer a Deus e pedir-Lhe, ele tomou Bate-Sabe, a esposa de Urias, ao qual depois matou. Deus graciosamente “removeu” o pecado de Davi, para que ele n√£o tivesse de morrer, como requerido pela lei. Todavia, houve algumas consequ√™ncias. A primeira foi a morte de seu primeiro filho com Bate-Seba (2 Samuel 12:14-23). A segunda foi o estupro de Tamar, sua filha, por seu pr√≥prio filho (e meio-irm√£o de Tamar, Amnom; 2 Samuel 13:1-19). A consequ√™ncia seguinte foi a morte de Amnom pelas m√£os (ou melhor, pela ordem) de Absal√£o, filho de Davi e irm√£o de Tamar (2 Samuel 13:20-36). Por conseguinte, Davi perdeu outro filho, Absal√£o, o qual teve de fugir de Israel e procurar ref√ļgio em Gesur, lugar governado por seu av√ī, Talmai (2 Samuel 13:37). Absal√£o ainda n√£o estava literalmente morto, mas certamente estava perdido para Davi e, para todos os efeitos, continuaria assim at√© sua morte, inclusive, pelas m√£os de Joabe (2 Samuel 18).
O objetivo desta mensagem é enfocar Absalão, seu caráter e sua rebelião contra o pai, e também a maneira como Deus o usou para disciplinar Davi e atraí-lo para mais perto de Si mesmo. Para tanto, precisamos voltar ao capítulo 13, onde vislumbramos pela primeira vez o caráter de Absalão.
Absal√£o, Amnom E Davi, E O Estupro De Tamar (13:1-36)
Já estudamos este texto na mensagem anterior, por isso não vou repassar novamente os detalhes. O que desejo fazer agora é mostrar os primeiros sinais de insubordinação de Absalão (contra Deus e Davi), e o início do rompimento entre pai e filho.
Sabemos que Amnom, auxiliado por Jonadabe, fez um mal tremendo √† sua fam√≠lia, especialmente √† sua irm√£. Ele enganou Davi, para que este desse ordens a Tamar para servir-lhe “caf√© na cama”. Ele violentou a irm√£ e depois se recusou a fazer a coisa certa, casando-se com ela. Mas ele n√£o foi o √ļnico a enganar o pai. Absal√£o fez a mesma coisa.
O que me perturba muito nesse texto s√£o estas palavras sobre Davi:
“Ouvindo o rei Davi todas estas coisas, muito se lhe acendeu a ira.” (1 Samuel 13:21)
Fico me perguntando como ele p√īde ficar t√£o irado com Amnom e mesmo assim n√£o ter feito nada. Acho que agora estou entendendo. As palavras do verso 21 v√™m n√£o s√≥ depois da narrativa do pecado de Amnom, mas tamb√©m da interfer√™ncia de Absal√£o:
“Absal√£o, seu irm√£o, lhe disse: Esteve Amnom, teu irm√£o, contigo? Ora, pois, minha irm√£, cala-te; √© teu irm√£o. N√£o se angustie o teu cora√ß√£o por isso. Assim ficou Tamar e esteve desolada em casa de Absal√£o, seu irm√£o.” (2 Samuel 13:20)
Vamos voltar um pouco para refletir sobre como a justiça bíblica teria visto o caso do estupro de Tamar. Poderíamos pensar que Amnom, como Davi, merecia a pena de morte. Mas não era o caso, pois Davi adulterou com uma mulher casada; Amnom violentou uma virgem. A lei era bem clara quanto à pena para esses casos:
“Se algu√©m seduzir qualquer virgem que n√£o estava desposada e se deitar com ela, pagar√° seu dote e a tomar√° por mulher. Se o pai dela definitivamente recusar dar-lha, pagar√° ele em dinheiro conforme o dote das virgens.” (√äxodo 22:16-17)
“Se um homem achar mo√ßa virgem, que n√£o est√° desposada, e a pegar, e se deitar com ela, e forem apanhados, ent√£o, o homem que se deitou com ela dar√° ao pai da mo√ßa cinq√ľenta siclos de prata; e, uma vez que a humilhou, lhe ser√° por mulher; n√£o poder√° mand√°-la embora durante a sua vida.” (Deuteron√īmio 22:28-29)
Tamar suplicou a Amnom que pedisse a Davi para dá-la a ele como esposa, mas Amnom não quis. No mínimo, ele deveria ter se casado com ela depois de tê-la violentado. Isso, na verdade, era o que a lei prescrevia. Somente a recusa de Davi teria impedido o casamento1. Por que, então, isso não aconteceu? Por que Amnom não se casou com Tamar? Pela história, fica bem claro que ele não queria mais nada com ela. Mas somente isso não teria impedido o casamento, pois Amnom não tinha escolha. O que o impediu de se casar com Tamar foi a interferência de Absalão, irmão dela.
Pelo texto, fica claro para mim que Absalão tinha em mente uma punição bem diferente:
“Mas Jonadabe, filho de Sim√©ia, irm√£o de Davi, respondeu e disse: N√£o pense o meu senhor que mataram a todos os jovens, filhos do rei, porque s√≥ morreu Amnom; pois assim j√° o revelavam as fei√ß√Ķes de Absal√£o, desde o dia em que sua irm√£ Tamar foi for√ßada por Amnom.” (2 Samuel 13:32)
Absalão odiava o meio-irmão pelo que ele tinha feito com Tamar, sua irmã. Ele não tinha nenhuma intenção de permitir ao rapaz se safar com tanta facilidade quanto a lei teria permitido. Desde o dia em que Tamar fora violentada, Absalão pretendia matar Amnom. Era só uma questão de tempo e oportunidade. Foi por isso que ele agiu como está registrado no verso 20. Ele disse à irmã para se calar e manter o assunto em família. Em outras palavras, ela não devia acusar Amnom. Em linguagem jurídica atual, ela não devia prestar queixa. Ela devia deixar o assunto com Absalão. Além disso, ele a levou para a casa dele, onde ela permaneceria desolada pelo resto da vida2.
O comportamento de Absalão preparava o terreno para o assassinato de Amnom. Sua conduta impediu Tamar de se casar e ter filhos. E também impediu Davi de agir de acordo com a lei de Moisés. Não é de admirar que Davi tenha ficado tão irado quando ouviu todas aquelas coisas. Ele ficou furioso porque estava de mãos atadas para tratar do caso de Amnom. O estupro de Tamar era um rumor não consubstanciado. As mãos de Davi foram atadas por Absalão. Davi, creio eu, ficou furioso não só pelo que Amnom fez, mas também pela atitude de Absalão.
Mas as transgress√Ķes de Absal√£o n√£o param por aqui. Ap√≥s se passarem dois anos e surgir uma oportunidade para tirar a vida de Amnom, ele realiza seu intento, fazendo de Davi um c√ļmplice involunt√°rio (embora um tanto relutante — como se pudesse sentir que algo n√£o cheirava bem nas inten√ß√Ķes de Absal√£o, mas sem saber exatamente o qu√™). Da mesma forma que Amnom enganou Davi, pedindo-lhe para mandar Tamar √† sua cabeceira, Absal√£o tamb√©m engana Davi, pedindo-lhe para mandar Amnom √† sua fazenda.
Absal√£o, Joabe, A Mulher De Tecoa E O Retorno De Absal√£o (13:37 - 14:33)
A rea√ß√£o inicial de Davi, como era de se esperar, foi de tristeza pela morte de Amnom. Mas j√° que ele estava morto, Davi podia e queria seguir em frente. Como o autor do texto coloca, Davi “j√° se tinha consolado acerca de Amnom, que era morto” (13:39). O filho de Davi, Amnom, se fora; seu filho Absal√£o estava vivo, mas escondendo-se como fugitivo da justi√ßa no reino de Gesur, governado por seu av√ī, Talmai (ver 2 Samuel 3:3). Davi amava Absal√£o e desejava poder v√™-lo (ele sabia que Absal√£o n√£o podia ir at√© ele, pois era um assassino condenado √† morte se voltasse a Israel).
Joabe conhecia o desejo de Davi e bolou um plano para trazer Absal√£o de volta a Israel. De forma alguma quero dizer que os motivos de Joabe eram aut√™nticos. Quero dizer que ele, como Absal√£o, parecia determinado a obstruir a justi√ßa. Meu entendimento deste cap√≠tulo est√°, de alguma forma, relacionado √† presun√ß√£o de que as a√ß√Ķes de Joabe n√£o s√£o muito confi√°veis, por isso, permitam-me explicar como cheguei a essa conclus√£o.
Embora, possa parecer √† primeira vista, a “hist√≥ria” contada pela mulher de Tecoa n√£o √© do mesmo tipo da hist√≥ria contada por Nat√£, a qual levou Davi ao arrependimento. Nat√£ era profeta; a mulher de Tecoa, n√£o. Nat√£ foi enviado por Deus para falar com Davi; a mulher de Tecoa, por Joabe. A mulher parece temer Joabe e n√£o estar muito disposta a fazer o que lhe foi pedido; Nat√£ abordou Davi com confian√ßa. A hist√≥ria da mulher n√£o √© real; a hist√≥ria de Nat√£, embora imagin√°ria, retratou fielmente o pecado de Davi. A hist√≥ria de Nat√£ terminou com uma acusa√ß√£o “Tu √©s o homem!” A historia da vi√ļva n√£o acusa Davi de pecado, mas de incoer√™ncia. Quando Nat√£ acusou Davi, este prontamente reconheceu seu pecado; quando a vi√ļva atinge o ponto principal do plano de Joabe, Davi cede a seu pedido com relut√Ęncia. Joabe parece grato demais pelo consentimento de Davi, como se isso fosse um favor pessoal a ele, n√£o a coisa certa a fazer.
Quando o encontro com a mulher de Tecoa chega ao fim, Davi parece suspeitar, com raz√£o, que “tem caro√ßo no angu”. O “caro√ßo” √© Joabe. Ao pressionar a mulher para lhe contar “toda a verdade e nada mais que a verdade” (que o plano foi de Joabe), ela diz a Davi que foi tudo ideia de Joabe e ela n√£o queria levar o plano adiante. Ela parece suspirar de al√≠vio quando a encena√ß√£o termina. Ela diz que Joabe orquestrou tudo para “mudar a apar√™ncia das coisas” (verso 20). Isso n√£o soa como se ela dissesse: “fiz tudo isso para o senhor fazer a coisa certa”?
As a√ß√Ķes posteriores de Joabe (sem mencionar algumas anteriores, como o assassinato de Abner) parecem trair suas segundas inten√ß√Ķes. O amor por Absal√£o aparentemente √© o ponto fraco de Davi, o qual Joabe tenta explorar em benef√≠cio pr√≥prio. Quando Absal√£o se rebela contra o pai, mal se ouve falar de Joabe. Absal√£o faz de Amasa o comandante do ex√©rcito de Israel (ou seja, do ex√©rcito que decide segui-lo). Quando Davi luta contra ele e suas tropas, ao que tudo indica, Joabe n√£o atua como comandante de todo o ex√©rcito, mas apenas de um ter√ßo das for√ßas de Davi (2 Samuel 18:2). Naturalmente, √© Joabe quem mata Absal√£o, mesmo tendo ordens de Davi para “trat√°-lo com brandura” (18:5; 11-15). Quando Davi reassume o trono, ele substitui Joabe por Amasa (19:13), mas Joabe acaba matando Amasa com o aux√≠lio de seu irm√£o Abisai (20:8-10). Finalmente, quando Davi j√° est√° velho e Adonias tenta se afirmar como sucessor do trono em lugar de Salom√£o, Joabe se une a ele, o que lhe custa a vida (1 Reis 2:28-33).
Absal√£o cometeu assassinato e procurou asilo pol√≠tico em Gesur, com seu av√ī. Davi n√£o estava errado por continuar a amar o filho e querer v√™-lo. Mas n√£o seria certo Davi perdo√°-lo para ele poder voltar. N√£o seria certo nem mesmo Davi ir at√© Gesur para visit√°-lo. Usando de artif√≠cio e artimanha, Joabe segue seus pr√≥prios interesses na tentativa de manipular Davi para trazer Absal√£o de volta a Israel.
A mulher da cidade de Tecoa procura Davi, pedindo seu aux√≠lio. Quando ele lhe pergunta qual √© o problema, ela lhe conta. Observar a troca de informa√ß√Ķes entre eles √© como assistir a uma partida de t√™nis. Cada vez que a mulher “saca” uma pergunta, Davi responde, s√≥ para ela voltar com outra pergunta, at√© que, finalmente, ele assume um compromisso com ela. Tendo obtido a palavra do rei, ela ent√£o aplica o seu caso e a resposta dele ao problema de Davi e Absal√£o.
A mulher diz: — Sou uma vi√ļva que tinha dois filhos. Eles brigaram entre si no campo, e n√£o houve quem os apartasse.3 — Por isso, um matou o outro. Se n√£o havia ningu√©m para apart√°-los, tamb√©m n√£o havia nenhuma testemunha do ocorrido. A morte pode ter sido em defesa pr√≥pria. √Č dif√≠cil presumir que tenha sido assassinato em primeiro grau (premeditado). Se o caso fosse levado aos port√Ķes da cidade de ref√ļgio, era improv√°vel que o filho sobrevivente fosse mandado para execu√ß√£o pelos vingadores do homem morto.
Davi responde: — Por que n√£o vai para casa e me deixa pensar no assunto? Depois eu lhe mando a resposta.
A mulher tenta novamente: — Compreendo, √≥ rei, que este √© um caso dif√≠cil e seria melhor o senhor n√£o se envolver pessoalmente. Posso entender, por isso, vou seguir minha vida e continuar o que vinha fazendo (escondendo o filho sobrevivente), eu aguento! Serei a √ļnica culpada, mas o senhor ser√° inocente.
Davi responde: — Ora, s√≥ minuto! N√£o estou dizendo que n√£o vou fazer nada. Eu s√≥ queria pensar um pouco mais no assunto. Mas vou lhe dizer o que farei. Se algu√©m a importunar, √© s√≥ me dizer e eu dou um jeito.
A mulher fala pela terceira vez: — Bem, √© muita gentileza de vossa majestade. Mas n√£o seria melhor e mais f√°cil se o rei fizesse logo um decreto, para n√£o ter de lidar com cada pessoa que me importunasse? Se o senhor disser que ningu√©m pode fazer mal ao rapaz, ele ficar√° seguro e n√£o vou mais ter de escond√™-lo. E quando fizer o decreto, se for com juramento divino, as pessoas saber√£o que o senhor est√° falando s√©rio (e provavelmente n√£o voltar√° atr√°s).
Davi responde: — O. K. Voc√™ venceu, eis o decreto real: “T√£o certo como vive o SENHOR, n√£o h√° de cair no ch√£o nem um s√≥ dos cabelos de teu filho.”
A mulher fala pela quarta vez: — Muito obrigada, √≥ rei, mas esse decreto n√£o representar√° um problema para o senhor? Como pode legislar para proteger a vida do meu filho e n√£o fazer o mesmo com o seu, Absal√£o? Todos sabem que um dia morrer√£o, mas Deus n√£o tem prazer na morte. Ele procura formas de manter os homens vivos e fazer retornar aqueles que est√£o longe dEle. Por que o senhor n√£o faz o mesmo, e tenta encontrar um meio de poupar a vida de Absal√£o e traz√™-lo de volta a Israel?
Davi responde: — √äpa! De repente est√° come√ßando a parecer que toda essa conversa tem mais a ver comigo e meu filho do que com voc√™ e o seu. Isso me parece coisa de Joabe. Diga-me a verdade: Ele est√° por tr√°s disso, n√£o est√°?
A mulher responde pela quinta vez: — √ď rei, quem pode vendar seus olhos? Sem d√ļvida eu n√£o posso. O senhor √© t√£o s√°bio que pode enxergar a verdade. Sim, Joabe est√° por tr√°s de tudo. Eu realmente n√£o queria fazer isso, mas fiquei com medo, principalmente dele. Ele fez tudo isso para mudar o aspecto das coisas, para que pare√ßam melhor.
Davi responde: — Tudo bem, Joabe4, vou atender seu pedido, feito com tanta artimanha por interm√©dio dessa mulher. V√° e traga de volta meu filho Absal√£o.
Estou pronto a admitir que esta é uma paráfrase bastante livre do diálogo entre Davi e a mulher de Tecoa; mas ela parece transmitir o sentido do que aparentemente ocorreu. Com muito cuidado, usando as palavras de Joabe, a mulher consegue fazer Davi assumir um compromisso com a segurança do seu filho. No fim, ele faz um decreto com juramento divino para que o rapaz não seja prejudicado. A mulher, então, apela para o precedente recém-estabelecido (o qual parece não poder ser alterado) e o pressiona a fazer o mesmo com seu próprio filho (cuja culpa é bem mais evidente).
Com relut√Ęncia, Davi cede √† press√£o de Joabe. Ele lhe d√° permiss√£o para trazer Absal√£o de volta a Israel. Sup√Ķe-se que ele n√£o deixar√° ningu√©m (nenhum vingador) tirar a vida de Absal√£o. Em determinado momento, por√©m, Davi pensa no que o filho fez e altera os planos. Absal√£o n√£o deve retornar a Israel como um homem inocente, livre para ir e vir a seu bel-prazer. Ele deve ficar em “pris√£o domiciliar”, detido em Jerusal√©m e na sua pr√≥pria casa5.
Talvez eu esteja vendo demais no texto, mas n√£o haveria uma esp√©cie de justi√ßa po√©tica nesta passagem, quando Davi det√©m Absal√£o em sua pr√≥pria casa? Por um lado, Absal√£o ainda √© um assassino n√£o julgado. Mant√™-lo “em isolamento” √© uma forma bem pr√°tica de proteg√™-lo. √Č tamb√©m uma maneira de mant√™-lo fora de circula√ß√£o. Afinal, aparentemente, foi a contragosto que Davi concordou com seu retorno. Mas tamb√©m me lembro de que foi Absal√£o quem confinou sua irm√£. Isolando Tamar na casa dele, ele a manteve calada. E tamb√©m desolada. Tudo isso contribuiu para ele poder realizar o plano perverso de assassinar Amnom. Agora parece um tanto apropriado que o pr√≥prio Absal√£o fique detido no mesmo lugar onde sua irm√£ foi isolada pelo resto da vida.
Absal√£o tem uma grande coisa a seu favor. Sua apar√™ncia √© excelente, sem um √ļnico defeito f√≠sico. O cabelo √© seu ponto forte; e todos sabem disso. Ele tem tr√™s filhos e uma bela filha, o que tamb√©m contribui para sua reputa√ß√£o. Ele √©, por assim dizer, a princesa Diana daquela √©poca. E Davi est√° se tornando o pr√≠ncipe Charles, devido a uma conspira√ß√£o cuidadosa e deliberada de Absal√£o. Mas falaremos disso mais tarde. Primeiro, vamos ver como Absal√£o obt√©m sua liberdade.
Ele ganha a liberdade ap√≥s dois anos de pris√£o domiciliar. Ele est√° zangado e frustrado. J√° que n√£o pode sair de casa, ele convoca Joabe para ir at√© l√°, mas √© ignorado. Depois de tentar pela segunda vez uma audi√™ncia com Joabe, Absal√£o toma medidas dr√°sticas. Ele manda seus servos atearem fogo ao campo de Joabe (pegado ao seu). √Č obvio que isso chama a aten√ß√£o de Joabe! Rapidinho ele vai pedir satisfa√ß√Ķes a Absal√£o, mas, em vez disso, √© Absal√£o quem lhe pede satisfa√ß√£o. Por que Absal√£o s√≥ pode ficar em sua casa? Se isso √© tudo o que pode fazer, seria melhor ter ficado em Gesur, pois l√° ele tinha liberdade. Absal√£o exige ver a face do rei.
√Č o que Absal√£o diz a seguir que me incomoda: “se h√° em mim alguma culpa, que me mate” (verso 32). Essas palavras nos soam um tanto familiares: “D√™-me a liberdade, ou a morte!”6 Mas, como ele pode falar desse jeito? Ele realmente acredita n√£o ter culpa? Ele pensa n√£o ser digno de morte? Pelo jeito, assim parece. Se for verdade, ent√£o, mais uma vez ele n√£o demonstra nenhum respeito pela lei de Deus. Ele queria a pena de morte para Amnom, embora isso n√£o fosse requerido pela lei. Ele pensa que a pena de morte √© dura demais e n√£o serve para ele, embora, segundo a lei, ele seja assassino. Eis um homem que n√£o manifesta absolutamente nenhum arrependimento.
Rebaixando Davi Aos Olhos Do Povo (15:1-12)
Joabe, no entanto, leva a exig√™ncia ao rei, o qual cede e permite a Absal√£o entrar em sua presen√ßa. Davi o beija pensando que certamente isso ir√° colocar um ponto final na quest√£o. Agora Absal√£o tem acesso ao rei e liberdade para ir aonde quiser. E quando ele vai, sem d√ļvida √© em grande estilo. Ele compra uma carruagem, cavalos e 50 corredores para ir √† sua frente (Com tantos guarda-costas, quem vai querer mat√°-lo?!).
Absalão teria sido um grande político. Pense bem, ele é exatamente isso! Todos os dias ele se posta na estrada de Jerusalém (fora da vista da cidade, e do seu pai, é claro!). Que visão deve ser! Um homem extremamente belo, com um cabelo de fazer inveja a qualquer mulher. Imagino que sua carruagem fique estacionada à vista de todos os transeuntes, junto com os 50 corredores. Cada efeito visual emana realeza e classe.
Absal√£o chama todos que passam por ali, perguntando-lhes de onde v√™m e por qu√™. Ele sa√ļda todo mundo de forma a se lembrarem dele. Imagine, por exemplo, que voc√™ est√° em uma rodovia e algu√©m faz sinal para seu carro parar ao lado de uma limusine estacionada. A porta se abre e o Vice-Presidente da Rep√ļblica desce do ve√≠culo, travando conversa com voc√™. Quando voc√™ tenta ser cerimonioso, ele o agarra firmemente pela m√£o e lhe d√° um grande e forte abra√ßo “sem-cerim√īnia”. Uau! Esse, sim, seria um encontro realmente inesquec√≠vel.
Mas ainda tem mais. Absal√£o n√£o s√≥ procura parecer bonzinho, ele tamb√©m faz Davi parecer muito mau. Ao saber de algum viajante se aproximando de Jerusal√©m em busca de justi√ßa, ele diz sentir muit√≠ssimo inform√°-lo de que o rei n√£o tomou as provid√™ncias necess√°rias para os casos de julgamento (isso, √© claro, √© mentira, pois acabamos de ver Davi ouvindo o caso da “vi√ļva” e julgando a seu favor). Absal√£o diz √† pessoa como isso o entristece, pois, pelo que sabe do caso, o julgamento seria favor√°vel a ela. A causa seria ganha, n√£o fosse o fato de Davi n√£o ter designado ningu√©m para ouvi-la. N√£o √© poss√≠vel fazer justi√ßa com Davi no trono. E assim, com muita habilidade, Absal√£o espalha que, se ele fosse juiz em Israel, faria as pessoas serem ouvidas, e julgaria a seu favor. N√£o se pode obter justi√ßa com Davi, mas com ele, a coisa seria bem diferente.
Absal√£o n√£o √© apenas mentiroso (dizendo n√£o haver ningu√©m para ouvir os casos), ele tamb√©m √© hip√≥crita. Exatamente qual tipo de “justi√ßa” ele dispensaria? O mesmo “tipo” assegurada por ele a Amnom? O tipo recebido por sua pr√≥pria irm√£? O “tipo” dispensado por ele a si mesmo? Absal√£o n√£o √© amigo da justi√ßa, nem dos oprimidos. Ele s√≥ leva as pessoas a pensar que √© seu amigo. E isso funciona! Ele conquista o cora√ß√£o do povo. Agora ele est√° pronto para agir.
Ap√≥s quatro anos7 menosprezando Davi e exaltando a si mesmo diante do povo, Absal√£o est√° pronto para agir. Seu plano √© fazer sua estreia como rei no mesmo lugar onde Davi fez a sua, e onde ele mesmo nasceu, Hebrom (2 Samuel 3:2-3). Primeiro, ele tem de dar um jeito de chegar l√° sem levantar suspeitas ou despertar a curiosidade de Davi. Ele conversa com o pai e conta-lhe que fez um voto enquanto estava em Gesur8. Ele votou que, se Deus lhe concedesse o privil√©gio de voltar a Israel, ele pagaria o voto em Hebrom. Agora, diz ele, √© hora de cumpri-lo. Davi lhe d√° permiss√£o para ir. E o despede “em paz”. O que, com toda certeza, n√£o vai resultar em “paz”.
Absalão leva consigo 200 homens de Jerusalém. Eles não fazem ideia do que ele tem em mente. No entanto, ele já tinha enviado mensagem às tribos de Israel dizendo que ao ressoar das trombetas deveriam declarar lealdade a ele, não a Davi. Além disso, ele também tinha dado um jeito de recrutar Aitofel, o gilonita, conselheiro de Davi. Aitofel tinha um dom excelente; seu conselho era extremamente sábio:
“O conselho que Aitofel dava, naqueles dias, era como resposta de Deus a uma consulta; tal era o conselho de Aitofel, tanto para Davi como para Absal√£o.” (2 Samuel 16:23)
A perda de Aitofel para Absal√£o √© um grande golpe. √Č de admirar que algu√©m t√£o s√°bio possa se aliar a Absal√£o. Todavia, Deus far√° uso de Aitofel. Deus usar√° seu conselho para cumprir a profecia (compare 2 Samuel 12:11-12 e 2 Samuel 16:20-22), e frustrar√° seu conselho para salvar Davi das m√£os de Absal√£o (2 Samuel 17:1-4).
Conclus√£o
Como √© triste ler essa hist√≥ria. O autor n√£o omite nenhum detalhe. O “rastro de l√°grimas” principia com o pecado de Davi a respeito de Urias e sua esposa, Bate-Seba. Ele come√ßa com a agonia de sua alma, antes mesmo de ele se arrepender e confessar seu pecado (ver Salmo 32:3-4). Depois continua com a morte de seu primeiro filho com a esposa de Urias. Logo em seguida, sua pr√≥pria filha (Tamar) √© violentada por um de seus filhos, e ent√£o, esse filho (Amnom) √© assassinado por outro filho (Absal√£o). Absal√£o foge para Gesur, e Davi sente saudades, mas sabe que n√£o pode v√™-lo. Da√≠, manipulado pelo engodo de Joabe, Davi se v√™ for√ßado a trazer Absal√£o de volta a Israel. Esta tamb√©m n√£o √© uma experi√™ncia muito agrad√°vel. Quando Absal√£o consegue a liberdade, ele a usa para arruinar a reputa√ß√£o de Davi e melhorar sua posi√ß√£o diante do povo. A seguir vem a rebeli√£o de Absal√£o, a divis√£o de Israel e, finalmente, a morte de Absal√£o pelas m√£os de Joabe. Esse √©, realmente, um rastro de l√°grimas.
Em meio a tanto sofrimento e adversidade, preciso novamente ressaltar que Deus n√£o est√° punindo Davi por seus pecados. Nat√£ deixou bem claro a Davi que ele n√£o seria submetido √† pena de morte por causa disso, pois o “Senhor removera seu pecado” (2 Samuel 12:13). Eis um erro bastante comum entre os crist√£os, ou seja, de que uma pessoa sofre por estar sendo punida por seus pecados. Os amigos de J√≥ acreditavam nisso e estavam sempre tentando faz√™-lo se arrepender (ver J√≥ 4 e 5). Os disc√≠pulos de nosso Senhor presumiram que o cego de nascen√ßa fosse assim por causa do pecado de algu√©m (Jo√£o 9:1-2). H√° aqueles cujo sofrimento √© resultado direto do seu pecado (ver Deuteron√īmio 28:15 e ss), mas nem sempre essa √© a explica√ß√£o para o sofrimento. √Äs vezes, o justo sofre simplesmente por ser justo (1 Pedro 4).
E tamb√©m h√° vezes em que os santos sofrem por serem “filhos de Deus”, os quais est√£o sendo preparados para a gl√≥ria (ver Hebreus 12). At√© mesmo nosso Senhor sofreu a fim de ser preparado para Sua gl√≥ria (ver Hebreus 2:10-18; 5:7-10; Filipenses 2:5-11). N√£o estou dizendo que o sofrimento de Davi n√£o esteja relacionado a seu pecado. Estou dizendo que o sofrimento n√£o foi puni√ß√£o, mas disciplina de Deus, a qual tinha o prop√≥sito de aproxim√°-lo do Senhor e desapeg√°-lo das coisas do mundo (compare 2 Cor√≠ntios 4:16-18).
Uma das coisas que Deus faz para disciplinar Davi √© permitir que ele veja seu pecado de um ponto de vista diferente. Davi foi insens√≠vel quando tomou Bate-Seba, deitou-se com ela e matou seu marido. Ele usou (ou abusou) do seu poder como rei para pecar. Agora, Deus graciosamente permite que ele veja seu pecado de outra perspectiva. Davi n√£o abusou do seu relacionamento com Deus, usando seu poder para correr atr√°s dos seus pr√≥prios interesses? Em nosso texto, Joabe parece fazer o mesmo. Amnom abusou do poder para tomar sua irm√£, da mesma forma que acredito Davi fez com Bate-Seba. Absal√£o tamb√©m abusou do poder, menosprezando Davi enquanto tentava conquistar seu trono. Davi n√£o tentou enganar Saul sobre sua aus√™ncia? Agora Absal√£o tamb√©m engana Davi sobre sua ida a Hebrom. Davi n√£o tentou enganar Urias para encobrir seu pecado? Agora ele √© enganado por Amnom, depois por Absal√£o, e ent√£o por Joabe e a mulher de Tecoa. Davi, o “filho” de Deus (ver 2 Samuel 7:8-17), n√£o se rebelou contra Deus quando pecou? Agora, seu(s) filho(s) se rebela(m) contra ele. Davi n√£o abusou do poder, oprimindo quem era impotente contra ele? Agora ele sente sua impot√™ncia quando Absal√£o frustra todas as oportunidades para ele exercer justi√ßa para Tamar, Amnom e at√© mesmo para o povo de Israel (2 Samuel 15:2-6). Davi agora √© capaz de ver seu pecado sob uma luz diferente, conforme ele √© repetido por outras pessoas.
O texto tem muito a dizer sobre educa√ß√£o de filhos. Mesmo uma leitura superficial da B√≠blia deixar√° claro que n√£o h√° pais perfeitos. At√© os homens e mulheres mais piedosos falharam como pais (pense em Eli, Samuel, Saul e agora Davi). Todos n√≥s almejamos ser pais melhores diante de Deus. N√£o porque “bons pais” garantam filhos tementes a Deus, mas porque “bons pais” agradam a Deus. Devemos procurar ser bons pais porque √© isso o que Deus requer de n√≥s.
Quando nossos filhos errarem, e eles v√£o errar, n√£o devemos nos envergonhar e ficar cheios de culpa, como se f√īssemos os √ļnicos respons√°veis por seus erros. Veja os filhos de Davi estudados at√© aqui. Amnom era um rapaz desprez√≠vel, um tolo. Salom√£o ser√° o homem mais s√°bio que j√° viveu. Adonias tentar√° usurpar o trono do irm√£o. Absal√£o perverteu o ju√≠zo, assassinou o irm√£o e se voltou contra o pr√≥prio pai. Estou certo de que, no caso de Absal√£o, as falhas de Davi afetaram seu filho de modo prejudicial. Assim dizendo, n√£o creio que o texto tenha sido escrito para nos mostrar como Davi foi um mau pai, mas para nos mostrar como Absal√£o foi desobediente. Sua desobedi√™ncia foi devido √†s suas pr√≥prias escolhas. E ela foi usada por Deus para disciplinar Davi, para torn√°-lo um homem mais segundo o Seu cora√ß√£o.
Por favor, n√£o deixe esta mensagem ou este texto sentindo-se fracassado, dominado pela culpa, porque um de seus filhos de alguma forma est√° “perdido” para voc√™. Os pecados cometidos por voc√™ realmente fazem parte da vida dele, mas ele, como Absal√£o, tem de decidir se quer ou n√£o ter f√© e obedecer. Se ele n√£o cr√™, a culpa n√£o √© toda sua; talvez nem mesmo seja sua. Mas se voc√™ √© crist√£o, ent√£o, eu lhe garanto que Deus usar√° at√© mesmo a rebeli√£o do seu filho para lhe aperfei√ßoar e levar-lhe a ter um relacionamento mais √≠ntimo com Ele. √Äs vezes, nossos filhos s√£o o nosso “deus”, e essa √© uma das formas como Deus esclarece as nossas prioridades. No Antigo Testamento em especial, muitas vezes vejo as falhas familiares fazendo parte do grande plano de Deus para o Seu povo. Essas falhas n√£o O impedem de realizar aquilo que Ele prometeu; e muitas vezes s√£o os meios pelos quais Ele cumpre Suas promessas.
Creio haver uma li√ß√£o sobre disciplina a ser aprendida neste texto; no caso, disciplina dentro da fam√≠lia. Davi queria restaurar seu relacionamento com o filho, Absal√£o. Ele sabia que n√£o podia ignorar ou distorcer a lei para facilitar esse reencontro. Ele teve de ser enganado para permitir o retorno do filho, mesmo sabendo n√£o ser o certo. Podemos consider√°-lo frio e insens√≠vel por n√£o permitir a Absal√£o ver sua face. N√£o concordo. Creio que ele entendia que reconcilia√ß√£o s√≥ pode vir depois de arrependimento, n√£o antes. Ele ficou furioso, n√£o s√≥ por Amnom ter violentado Tamar, mas tamb√©m por Absal√£o ter obstru√≠do a justi√ßa e assassinado Amnom. Ele n√£o podia se reconciliar com Absal√£o at√© este se arrepender, e at√© sua ira (de Davi) ser “propiciada” (termo teol√≥gico pomposo para aplacada ou satisfeita). Quando Joabe enganou Davi para ele permitir o retorno de Absal√£o, ele o faz de forma a n√£o facilitar o arrependimento ou a reconcilia√ß√£o. Se temos de culpar algu√©m pelo pecado de Absal√£o (al√©m do pr√≥prio Absal√£o, principal respons√°vel), esse algu√©m √© Joabe, n√£o Davi, pois √© ele quem promove a reconcilia√ß√£o sem arrependimento.
Isso me faz lembrar da história de José e seus irmãos. Os irmãos de José haviam cometido um grande pecado contra ele ao raptá-lo e vendê-lo como escravo. De acordo com a história, José amava seus irmãos, e desejava se reconciliar com eles. Mas ele não podia fazê-lo até que se arrependessem. Por isso, vemos a saga prolongada das duas viagens daqueles homens ao Egito, culminando no seu arrependimento sincero. Foi então que José revelou sua identidade. Eles se arrependeram e José os perdoou. Aí, sim, a reconciliação foi possível. Isso também era necessário ao relacionamento de Davi com Absalão, mas os esforços de Joabe só conseguiram atrapalhar a reconciliação, não facilitá-la.
Conheço muitos pais que estão tão desesperados para se relacionar bem com seus filhos que deixam de discipliná-los. E quando os filhos se rebelam, ficam tão ansiosos para tê-los de volta que os recebem de braços abertos, sem ter havido arrependimento; por isso, a reconciliação não pode ser verdadeira. O mesmo acontece na igreja. Para se ter verdadeira união na igreja, sincera comunhão entre os santos, é preciso, antes da reconciliação, existir repreensão, disciplina e arrependimento.
O filho de Davi, Absal√£o, tamb√©m tem algo a nos ensinar. √Č uma li√ß√£o sobre qual √©, ou n√£o, a verdadeira submiss√£o. Ele parece ser um caso cl√°ssico de algu√©m que “cospe no prato em que come”. Ele n√£o tem senso de dever para com o pai, e nem um pingo de gratid√£o. Mas, muito al√©m disso, ele n√£o tem absolutamente nenhuma submiss√£o verdadeira a seu pai e rei. Como Satan√°s, ele se acha o “sucessor” do trono. Ele n√£o se submete ao pai. Pelo contr√°rio, ele usa sua posi√ß√£o e poder para enfraquecer a autoridade de Davi e dividir o reino. Pelas costas, ele fala mal do pai, fazendo-o parecer mau aos olhos dos outros. E tudo isso s√≥ para “se promover”.
Quantos de n√≥s n√£o fazemos a mesma coisa no servi√ßo? Quantos n√£o falam pelas costas do chefe com os colegas de trabalho? Quantos n√£o tentam passar uma p√©ssima imagem de seus superiores e uma boa imagem de si mesmos? Quantas esposas n√£o minam a autoridade e a dignidade do marido diante dos filhos? Quantos maridos n√£o fazem o mesmo com a esposa (falando mal dela para os filhos ou colegas, seja verdade ou inven√ß√£o)? Quantas vezes n√£o acontece o mesmo na igreja! Quem gosta de se exibir e aparecer n√£o costuma lan√ßar d√ļvidas sobre a capacidade dos l√≠deres, sobre suas decis√Ķes e sobre sua lideran√ßa, enquanto alega que faria um trabalho bem melhor no lugar deles? Absal√£o √© um alerta para todos n√≥s sobre a submiss√£o e o seu contraponto, a rebeli√£o.
Finalmente, para concluir esta li√ß√£o, gostaria de deixar algo para voc√™ pensar: A mesma coisa que Davi estava disposto a fazer, mas n√£o p√īde — salvar seu filho, Absal√£o — Deus tamb√©m n√£o e, por isso, mediante Seu Filho sem pecado, Ele constituiu muitos “filhos”. No cap√≠tulo 18, verso 33, Davi expressou o desejo de ter morrido em lugar de Absal√£o. N√£o podia ser assim e, mesmo que pudesse, n√£o seria bom para Absal√£o. Davi n√£o podia salvar seu filho da mesma forma que n√£o podemos salvar os nossos. Mas Deus fez o que o homem n√£o pode fazer. Ele entregou o Seu Filho sem pecado, Jesus Cristo, para sofrer e morrer na cruz do Calv√°rio para pagar os nossos pecados. Ele deu o Seu Filho amado para os nossos pecados serem perdoados, e para nos tornarmos Seus filhos. O que nenhum homem pode fazer (salvar seus entes queridos), Deus pode. Ele nos deu o perd√£o dos pecados e a filia√ß√£o que tanto precis√°vamos. Ele o fez por um √ļnico meio, a morte sacrificial, o sepultamento e a ressurrei√ß√£o de Seu Filho, Jesus Cristo. Para se reconciliar com Deus, voc√™ precisa reconhecer seu pecado, sua rebeldia contra Deus, e aceitar a d√°diva de perd√£o e vida eterna que Ele lhe oferece. Oro para que voc√™ j√° a tenha recebido e, se n√£o, que a receba.
Tradução: Mariza Regina de Souza
1 Há, é claro, a questão de Tamar ser meia-irmã de Amnom. Isso representa um problema, mas se eles tivessem se casado, ela seria para Amnom exatamente o mesmo que Sara foi para Abraão, esposa e meia-irmã. Em todo caso, no entanto, deixarei essa questão de lado, presumindo que o casamento fosse possível, assim como Tamar presumiu.
2 No início eu pensava que Absalão tivesse feito isso para o bem da irmã. No entanto, quanto mais leio a história, mais me convenço de que ele sacrificou os interesses dela pelos seus próprios interesses, para poder se vingar.
3 Um amigo meu me disse que, no Oriente Médio, uma briga deve continuar até que alguém intervenha para pará-la. Às vezes, uma luta tem início e uma das partes, ou ambas, espera pela intervenção para poder parar com dignidade. Se ninguém os detiver, eles devem lutar até a morte. Talvez seja esse o caso do texto.
4 Tem-se a n√≠tida impress√£o de que Joabe estava bem ali, ao lado da mulher de Tecoa, dando-lhe uns cutuc√Ķes enquanto ela dizia sua fala. O texto n√£o diz que Davi mandou busc√°-lo, mas que falou com ele. Pela narrativa, chego √† conclus√£o de que Joabe estava ali o tempo todo em que a mulher falou com Davi.
5 Posso estar indo um pouco al√©m, mas pense no seguinte. Davi deu instru√ß√Ķes a Absal√£o para voltar para sua pr√≥pria casa (verso 24). Absal√£o n√£o devia ver a face de Davi, o que certamente teria acontecido se ele pudesse andar livremente por Jerusal√©m e arredores. Absal√£o se encheu da situa√ß√£o, mas teve de convocar Joabe para ir √† sua casa; ele n√£o foi √† casa de Joabe ou de Davi. Creio que foi porque ele n√£o podia deixar sua casa. Mas quando ganhou liberdade total, suas idas e vindas com uma carruagem e 50 corredores se tornaram muito mais vis√≠veis.
6 Nota da Tradutora: Famosa frase de Patrick Henry, pronunciada na Conven√ß√£o de Richmond em 1775, algo como o nosso “Independ√™ncia ou Morte!”.
7 Observe a nota de rodap√© da NASB, a qual indica que, embora o texto hebraico pare√ßa indicar “quarenta”, outros manuscritos indicam “quatro”, o que parece ser requerido pelo contexto.
8 Talvez eu esteja vendo demais no texto, mas parece muita coincidência que Absalão explique sua ausência da presença do rei (Davi) com quase a mesma desculpa usada por Davi para explicar sua ausência da presença do seu rei (Saul, veja 1 Samuel 20:1-34). Será possível que o engodo de Davi não tenha sido tratado até agora, quando ele pode ver, novamente, como é sentir-se enganado?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017


A Bíblia Desestimula a Liberdade de Pensamento?

As chamas lançam-se em direção ao céu à medida que a fogueira devora livros preciosos atirados nela por autoridades alemãs. Um episódio ocorrido na Alemanha nazista? Sim, mas também poderia ser um episódio ocorrido no ano 1199, quando um arcebispo católico-romano ordenou a queima de todas as Bíblias em alemão.

Na verdade, as queimas de livros — s√≠mbolo universal da repress√£o da liberdade de pensamento e de express√£o — foram incidentes ocorridos em muitos pa√≠ses e em muitos s√©culos. N√£o raro foram instigadas por l√≠deres religiosos que temiam o efeito que a liberdade de pensamento teria sobre o povo.

N√£o admira que muitos hoje presumam que a B√≠blia imp√Ķe restri√ß√Ķes r√≠gidas √† livre indaga√ß√£o intelectual. Mas ser√° que ela realmente faz isso? Ser√° que a B√≠blia estimula restri√ß√Ķes √† liberdade de pensamento?

‘Ame a Deus de toda a mente’

A B√≠blia n√£o desestimula o uso da mente. De fato, Jesus incentivou cada um de n√≥s a ‘amar a Deus de toda a mente’. (Marcos 12:30) Seu minist√©rio mostra que ele tinha intenso interesse em acontecimentos da √©poca (Lucas 13:1-5), biologia (Mateus 6:26, 28; Marcos 7:18, 19), agricultura (Mateus 13:31, 32) e natureza humana (Mateus 5:28; 6:22-24). Suas ilustra√ß√Ķes indicam que Ele entendia claramente os princ√≠pios da Palavra de Deus e a forma√ß√£o e modo de pensar dos seus ouvintes e que avaliava cuidadosamente como tornar a Palavra de Deus compreens√≠vel aos ouvintes.

Paulo suplicou a todos os crist√£os que prestassem servi√ßo a Deus com a “faculdade de racioc√≠nio”. (Romanos 12:1) Incentivou os tessalonicenses a n√£o deixar que desencaminhantes ‘express√Ķes inspiradas os demovessem de sua raz√£o’. (2 Tessalonicenses 2:2) Tinha conhecimento de poesia grega e cretense (Atos 17:28; Tito 1:12) e de equipamentos e procedimentos militares (Ef√©sios 6:14-17; 2 Cor√≠ntios 2:14-16). E estava atento aos costumes locais. — Atos 17:22, 23.

Embora tivessem tanta liberdade de pensamento, Jesus e Paulo n√£o se consideravam a √ļnica autoridade quanto ao que √© certo e ao que √© errado. Em vez de rejeitar a B√≠blia a favor do seu pr√≥prio racioc√≠nio, Jesus repetidas vezes citava as Escrituras. Sua resposta r√°pida e dura quando Pedro o incentivou a considerar um proceder diferente da morte sacrificial, que era a vontade de Deus para ele, mostra que ele nem sequer cogitaria essa maneira de pensar. (Mateus 16:22, 23) Similarmente, Paulo disse aos cor√≠ntios: “Quando fui ter convosco . . ., n√£o me apresentei com o prest√≠gio da palavra ou da sabedoria para vos anunciar o mist√©rio de Deus.” (1 Cor√≠ntios 2:1, A B√≠blia de Jerusal√©m) Como Jesus, seu racioc√≠nio baseava-se solidamente nas Escrituras. — Atos 17:2.

A B√≠blia estimula o uso das faculdades mentais ao m√°ximo, mas n√£o sem nenhuma restri√ß√£o. No entanto, o √īnus da responsabilidade de manter o modo de pensar em harmonia com o de Deus cabe a cada crist√£o, individualmente, n√£o √† igreja, ou congrega√ß√£o. Assim, quando v√°rios ef√©sios renunciaram publicamente √† pr√°tica do espiritismo e tornaram-se crist√£os, Paulo n√£o assumiu a responsabilidade de queimar seus livros, mas ‘grande n√ļmero dos que haviam exercido a magia trouxeram seus livros e os queimaram √† vista de todos’. (Atos 19:19, BJ) Por que aqueles crist√£os acharam necess√°rio queimar seus pr√≥prios livros?

A primeira linha de defesa

Considere esta ilustração. Para o êxito de uma defesa militar, muitas vezes é preciso várias linhas de trincheiras defensivas. Nenhum general bem-sucedido acharia que uma delas não é importante e deve ser entregue sem luta. Na luta do cristão contra o pecado, também há várias linhas de defesa.

Tiago 1:14, 15 diz que “cada um √© provado por ser provocado e engodado pelo seu pr√≥prio desejo. Ent√£o o desejo, tendo-se tornado f√©rtil, d√° √† luz o pecado”. O primeiro passo rumo ao pecado √© cultivar um desejo errado na mente. Por isso, a primeira linha de defesa √© refrear-se de cultivar o desejo — controlar o modo de pensar.

√Č por causa dessa liga√ß√£o entre pensamentos e a√ß√Ķes que a B√≠blia nos adverte: “Mantende as vossas mentes fixas nas coisas de cima, n√£o nas coisas sobre a terra.” (Colossenses 3:2) Quando os crist√£os se recusam a fixar a mente em imoralidade, espiritismo ou apostasia, eles tomam essa decis√£o, n√£o por temerem que essas id√©ias se mostrem superiores √†s verdades da B√≠blia, mas por desejarem evitar qualquer coisa que possa lev√°-los a um proceder pecaminoso.

‘Todas as coisas est√£o abertamente expostas’

Outro motivo importante para controlarmos nosso modo de pensar √© amor a Deus e respeito por sua habilidade de conhecer os nossos pensamentos. Imagine que voc√™ tem um amigo prezado ou um parente achegado que √© especialmente sens√≠vel a sujeira ou p√≥. Deixaria de convidar seu amigo a sua casa por n√£o querer fazer a limpeza extra que seria preciso? Ser√° que o amor n√£o o motivaria a fazer o necess√°rio esfor√ßo extra para manter as coisas limpas? A sensibilidade de Deus a nossos pensamentos mais √≠ntimos √© mostrada no Salmo 44:21: “Ele se apercebe dos segredos do cora√ß√£o.” Paulo disse que somos respons√°veis por nossos pensamentos: “N√£o h√° cria√ß√£o que n√£o esteja manifesta √† sua vista, mas todas as coisas est√£o nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma presta√ß√£o de contas.” — Hebreus 4:13; Salmo 10:4; Prov√©rbios 6:16, 18.

J√≥ reconheceu a responsabilidade que o homem tem perante Deus por seus pensamentos. “J√≥ . . . oferecia sacrif√≠cios queimados . . .; pois, dizia J√≥, ‘meus filhos talvez tenham pecado e amaldi√ßoado a Deus no seu cora√ß√£o’.” (J√≥ 1:5) O mero desejo deliberado de envolver-se num proceder errado pode ser considerado por Jeov√° como pecado. — Note √äxodo 20:17.

Verdadeira liberdade de pensamento

A B√≠blia incentiva os crist√£os a estabelecer individualmente o alvo de trazer “todo pensamento ao cativeiro, para faz√™-lo obediente ao Cristo”. (2 Cor√≠ntios 10:5) N√£o se consegue isso por meio de restri√ß√Ķes impostas por l√≠deres religiosos, mas por se exercer autodom√≠nio e por se ter amor, bem como entendimento, por Deus e Seus princ√≠pios. Atingindo-se esse alvo, alcan√ßa-se a verdadeira liberdade de pensamento, limitada somente por normas piedosas e aumentada pela alegria de saber que, mesmo em nossos pensamentos, agradamos ao Criador.


Os Orgulhosos e os Humildes

Depois de mencionar as virtudes de Jo√£o, o Batizador, Jesus volta sua aten√ß√£o para os orgulhosos, os vol√ļveis, em volta dele. “Esta gera√ß√£o”, declara ele, “√© semelhante √†s criancinhas sentadas nas feiras, que gritam para seus companheiros de folguedos, dizendo: ‘N√≥s tocamos flauta para v√≥s, mas n√£o dan√ßastes; lamuriamos, mas n√£o vos batestes em lamento.’”

Que quer Jesus dizer com isso? Ele explica: “Jo√£o n√£o veio nem comendo nem bebendo, contudo dizem: ‘Ele tem dem√īnio’; o Filho do homem veio comendo e bebendo, todavia dizem: ‘Eis um homem comil√£o e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’”

√Č imposs√≠vel satisfazer as pessoas. Nada lhes agrada. Jo√£o leva uma vida austera de abnega√ß√£o como nazireu, em harmonia com a declara√ß√£o do anjo, de que “n√£o deve beber nenhum vinho nem bebida forte”. E ainda assim as pessoas dizem que ele est√° endemoninhado. Por outro lado, Jesus vive como qualquer outro homem, n√£o praticando nenhuma austeridade, e √© acusado de excessos.

Qu√£o dif√≠cil √© agradar √†s pessoas! S√£o iguais √†queles companheiros de folguedos, alguns dos quais se negam a dan√ßar quando outras crian√ßas tocam flauta, ou a ficar pesarosos quando seus coleguinhas choram. N√£o obstante, Jesus diz: “A sabedoria √© provada justa pelas suas obras.” Sim, a evid√™ncia — as obras — torna claro que as acusa√ß√Ķes tanto contra Jo√£o como contra Jesus s√£o falsas.

Jesus passa a censurar destacadamente as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, onde tem realizado a maior parte de suas obras poderosas. Se tivesse feito essas obras nas cidades fen√≠cias de Tiro e S√≠don, diz Jesus, essas cidades se teriam arrependido em saco e cinzas. Condenando Cafarnaum, que aparentemente serviu-lhe de base domiciliar durante o seu minist√©rio, Jesus declara: “No Dia do Ju√≠zo ser√° mais suport√°vel para a terra de Sodoma do que para ti.”

Jesus, a seguir, louva publicamente seu Pai celestial. Sente-se induzido a isso porque Deus esconde preciosas verdades espirituais dos s√°bios e dos intelectuais, mas revela essas coisas maravilhosas aos humildes, a bem dizer, a pequeninos. Por fim, Jesus faz o atraente convite: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre v√≥s o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de cora√ß√£o, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo √© ben√©volo e minha carga √© leve.”

Como oferece Jesus revigoramento? Faz isso proporcionando liberta√ß√£o das tradi√ß√Ķes escravizadoras com que os l√≠deres religiosos sobrecarregam as pessoas, inclusive, por exemplo, os regulamentos restritivos da guarda do s√°bado. Mostra tamb√©m o caminho para o al√≠vio aos que sentem o peso esmagador da domina√ß√£o das autoridades pol√≠ticas e aos que, com consci√™ncia atribulada, sentem o peso dos seus pecados. Revela a tais aflitos como seus pecados podem ser perdoados e como podem usufruir um precioso relacionamento com Deus.

O jugo ben√©volo que Jesus oferece √© o da dedica√ß√£o total a Deus e o de podermos servir ao nosso compassivo e misericordioso Pai celestial. E a carga leve que Jesus oferece aos que v√™m a ele √© a da obedi√™ncia aos requisitos de Deus para a vida, ou seja, Seus mandamentos registrados na B√≠blia. E obedecer-lhes de modo algum √© pesado. Mateus 11:16-30; Lucas 1:15; 7:31-35; 1 Jo√£o 5:3.




Significado de N√ļmeros 1


N√ļmeros 1
1.1 — A express√£o falou mais o Senhor a Mois√©s marca o tom deste livro. As revela√ß√Ķes de Deus a Seu servo Mois√©s s√£o mencionadas mais de 150 vezes (e de mais de 20 maneiras diferentes) em N√ļmeros.
No deserto do Sinai. Esta era a √°rea geogr√°fica de N√ļmeros, um ambiente que serve como uma poderosa met√°fora espiritual. Os israelitas n√£o viviam pura e simplesmente no deserto. Na verdade, eles, como uma na√ß√£o, estavam viajando espiritualmente por uma terra √°rida. Deus j√° os havia libertado da escravid√£o, mas ainda n√£o os havia levado √† Terra Prometida. Assim, os israelitas tinham de enfrentar sofrimentos f√≠sicos e priva√ß√Ķes no lugar √°rido onde estavam perambulando, para testar a sua f√© (Nm 21.4-9).
O local especial da manifesta√ß√£o divina era a tenda da congrega√ß√£o, tamb√©m chamado de tabern√°culo do Testemunho (Nm 1.50,53).
A refer√™ncia de tempo, no primeiro dia do segundo m√™s no segundo ano, √© feita a partir do acontecimento fundamental da hist√≥ria de Israel: a liberta√ß√£o do povo da escravid√£o no Egito.
O √™xodo constituiu o nascimento da na√ß√£o de Israel e representava para os israelitas do Antigo Testamento o que a morte e a ressurrei√ß√£o de Jesus representam hoje para os crist√£os. O segundo m√™s corresponde aproximadamente a abril, uma √©poca que mais tarde seria conhecida em Cana√£ como o m√™s das colheitas gerais entre as prim√≠cias e o Pentecostes. O censo de N√ļmeros √©, de certo modo, “a colheita de Deus” das pessoas. Os acontecimentos de N√ļmeros se passaram em um per√≠odo de 38 anos, provavelmente na segunda metade do s√©culo 15 a.C.
1.2,3 — O prop√≥sito do censo era ser um alistamento militar. Este n√£o tinha um objetivo social, pol√≠tico ou econ√īmico. Em vez disso, o recenseamento ajudaria Israel a preparar seus ex√©rcitos para a guerra e conquistar a terra de Cana√£. Por esta raz√£o, eram contados os indiv√≠duos do sexo masculino, fisicamente capazes, e que tinham de 20 anos para cima. Exatamente como Deus prometeu a Abra√£o h√° muito tempo (Gn 15.16-21), Ele agora estava preparando os israelitas para ocupar Cana√£. O Senhor come√ßava a realizar o processo de entrega da Terra Prometida ao povo. Al√©m disso, o censo demonstrou aos israelitas a fidelidade divina no cumprimento de outra promessa que fizera a Abra√£o: a multiplica√ß√£o de seus descendentes (Gn 12.2; 15.5; 17.4-6; 22.17). (Leia o cap√≠tulo 26, para o segundo censo.)
Imagine-se ouvindo a voz de Deus! Mois√©s a ouvia (Nm 1.1). As Escrituras nos d√£o poucas informa√ß√Ķes de como era essa experi√™ncia, mas a B√≠blia de fato diz que o Senhor falou com o profeta face a face, como qualquer fala com o seu amigo(√äx 33.11). Aqueles que desejam ouvir a voz do Senhor devem saber que Ele fala por meio de Sua Palavra.
A B√≠blia √© a Palavra de Deus. Embora os livros b√≠blicos tenham sido escritos por seres humanos, s√£o a Palavra do Senhor. Nos cinco primeiros livros da B√≠blia, Mois√©s afirma v√°rias vezes que est√° apresentando as palavras que Deus lhe ordenou que escrevesse (√äx 24.4). Da mesma forma, o escritor declara que a Lei lhe foi revelada por Deus (√äx 25.1; Lv 1.1; Nm 1.1; Dt 1.6). Na verdade, a express√£o Falou o Senhor a Mois√©s √© repetida 33 vezes somente em Lev√≠tico. Al√©m disso, o Novo Testamento tamb√©m afirma que as instru√ß√Ķes que Mois√©s recebeu vieram de Deus:
• Jesus usou as palavras Deus lhe falou quando citou o acontecimento da sar√ßa ardente (Mc 12.26).
• Jesus e os fariseus reconheciam a Lei como dada por Deus (Mt 19.4-7; Jo 9.29).
• Est√™v√£o citou o que Mois√©s escrevera como palavras de Deus (At 7.6).
• Pedro disse que Mois√©s e os outros profetas falaram inspirados pelo Esp√≠rito Santo (2 Pe 1.21; compare com Hb 1.1).
Deus claramente falou com Mois√©s, mas Ele tamb√©m se dirigiu a n√≥s, por meio de Sua Palavra escrita, a B√≠blia. Os judeus e os crist√£os, ao longo dos s√©culos, preservaram a mensagem divina desde o momento que ela foi revelada. Muitos passaram toda a sua vida e direcionaram seu trabalho para que os ensinamentos divinos chegassem a n√≥s nos dias de hoje. A B√≠blia j√° foi banida, queimada, e, algumas vezes ridicularizada, mas ainda assim sua verdade permanece inalter√°vel. Ela continua a ser o teste da ortodoxia para todos aqueles que se dizem de Deus ou que afirmam andamos caminhos dele.
1.4 — Um homem de cada tribo ajudaria Mois√©s e Ar√£o na imensa tarefa de contabilizar a na√ß√£o. A participa√ß√£o destas pessoas garantiria que a contagem feita fosse imparcial e correta.
1.5-15 — Os nomes dos homens que estavam convosco. Nesta listagem h√° certa pung√™ncia. Ela deveria ter sido uma lista de pessoas her√≥icas, pois os indiv√≠duos que figuram nela seriam os l√≠deres das tribos imortalizados na hist√≥ria da conquista de Cana√£. Por causa das atitudes de descren√ßa da na√ß√£o em Cades (cap√≠tulos 13 e 14), estes homens e todos aqueles contados com eles perecer√≠am no deserto. Muitos destes nomes s√£o compostos de termos que fazem refer√™ncia a Deus. Chamamos tais denomina√ß√Ķes de teof√≥ricas, pois aludem √† f√© na presen√ßa e na provis√£o de Deus na vida de Seu povo: Elizur (meu Deus √© uma rocha), filho de Sedeur (Shaddai √© a chama), chefe de R√ļben (v. 5); Selumiel (minha paz √© Deus), filho de Zurisadai (minha rocha √© Shaddai), chefe de Sime√£o (v. 6); Naassom (significado n√£o conhecido), filho de Aminadabe (meu parente [Deus] √© nobre), chefe de Jud√° (v. 7); Natanael (Deus concedeu), filho de Zuar (aquele pequeno), chefe de Issacar (v. 8); Eliabe (meu Deus √© Pai), filho de Helom (como uma muralha), chefe de Zebulom (v. 9); Elisama (meu Deus ouviu), filho de Ami√ļde (meu parente [Deus] √© majestoso), chefe de Efraim (v. 10); Gamaliel (recompensa de Deus), filho de Pedazur (a Rocha [Deus] resgatou), chefe de Manass√©s (v. 10); Abid√£ (meu Pai [Deus] √© o Juiz), filho de Gideoni ([Deus √©] meu lenhador), chefe de Benjamim (v. 11); Aiezer (meu irm√£o [Deus] √© ajuda), filho deAmisadai (meu parente [Deus] √© Shaddai), chefe de D√£ (v. 12); Pagiel (encontrado por Deus), filho de Ocr√£ (preocupado), chefe de Aser (v. 13); Eliasafe (Deus somou), filho de Deuel (conhe√ßa Deus), chefe de Gade (v. 14); Aira (meu irm√£o [Deus] √© cast√°strofe — talvez uma express√£o de aviso aos inimigos), filho de En√£ (olhar), chefe de Naftali (v. 15).
1.16-18 — Os homens convocados dentro da comunidade foram escolhidos por causa de suas posi√ß√Ķes de lideran√ßa. A palavra l√≠deres em hebraico √© nasi'.
1.19 — Como o Senhor ordenara a Mois√©s. Esta express√£o mostra que o tom dos cap√≠tulos 1 a 10 √© de submiss√£o por parte de Mois√©s e do povo √†s revela√ß√Ķes da vontade de Deus. √Ä medida que o Senhor ordenava, Mois√©s e os israelitas respondiam prontamente.
1.20-43 — Os filhos de R√ļben [...] e as suas gera√ß√Ķes. Cada um dos 12 minipar√°grafos dos vers√≠culos 20 a 43 segue o mesmo padr√£o desta express√£o. Primeiro, cita o nome da tribo; depois as particularidades de sua fam√≠lia; em seguida, a estipula√ß√£o de que os homens contados eram fisicamente capazes e tinham de 20 anos para cima, o nome da tribo de novo, e, finalizando, o n√ļmero contabilizado deste cl√£. As √ļnicas varia√ß√Ķes deste padr√£o est√£o nos vers√≠culos 32 a 35, nos quais √© explicado que Efraim e Manass√©s s√£o os filhos de Jos√© (como no v. 10). Esta observa√ß√£o relembra ao leitor de que Jos√© teve sua partilha em dobro dentre as tribos de Israel. Seus dois filhos receberam dotes iguais aos dos tios com rela√ß√£o √† posteridade israelita. (Veja Nm 1.47-50, para a tribo de Levi.) Todo este trecho b√≠blico tem uma aura de celebra√ß√£o envolvendo-o. Os detalhes podem parecer repetitivos e tediosos para n√≥s, mas estes provocariam a emo√ß√£o nas respectivas unidades tribais: “Esta √© nossa fam√≠lia! Aqui est√£o todos os seus membros dentre os milhares de Israel”.
1.44-46 — O n√ļmero total dos homens fisicamente capazes (que tinham pelo menos 20 anos de idade) era 603.550. Somando-se √† quantidade de mulheres, crian√ßas, velhos e incapazes que n√£o foram contabilizados neste censo, havia uma popula√ß√£o total de aproximadamente dois a cinco milh√Ķes de pessoas.
1.47,48 — Os levitas n√£o foram inclu√≠dos no censo. A tribo de Levi era sagrada e pertencia exclusivamente a Deus (o cap√≠tulo 3 registra as fam√≠lias, os n√ļmeros e os deveres dos levitas). Para que pudesse manter as 12 tribos separadas, mesmo porque os levitas n√£o foram contados com as outras, a tribo de Jos√© recebeu dois dotes, um para cada filho, Efraim e Manass√©s (Nm 1.10,32-35). Assim, a tribo de Jos√© ficou com uma por√ß√£o em dobro (Gn 49.22-26).
1.49,50 — O tabern√°culo do Testemunho tamb√©m √© chamado de tenda da congrega√ß√£ono vers√≠culo 1 e de tabern√°culo no vers√≠culo 51.0 pr√≥prio termo tabern√°culo designa uma tenda de natureza port√°til e tempor√°ria. Ele era um santu√°rio m√≥vel, especialmente moldado para a adora√ß√£o a Deus por pessoas que estavam em marcha no deserto.Testemunho aponta para o significado de alian√ßa da tenda. Dentro do templo estavam os s√≠mbolos da presen√ßa de Deus no meio do Seu povo, Seus sinais de cont√≠nuo relacionamento com os israelitas.
1.51-53 — O termo estranho do vers√≠culo 51 n√£o faz refer√™ncia a uma pessoa n√£o israelita, mas sim a um indiv√≠duo n√£o levita (Ex 12.43). A puni√ß√£o de morte mencionada neste mesmo vers√≠culo √© reiterada em N√ļmeros 3.10,38 ; 18.7, e foi imposta em N√ļmeros 16.31-33 (1 Sm 6.9). Assim, percebe-se que a presen√ßa de Deus acarretava b√™n√ß√£o ou ju√≠zo ao acampamento. Eram aben√ßoados aqueles que tinham temor e respeito pelo Alt√≠ssimo e por Suas leis. Em contrapartida, eram penalizados aqueles que n√£o honravam a divina presen√ßa.
1.54 — Assim fizeram os filhos de Israel. Esta express√£o revela o ambiente de obedi√™ncia que reinou na primeira parte de N√ļmeros. Desta forma, surpreendemo-nos quando vemos a posterior rebeli√£o do povo no cap√≠tulo 11.