sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Vamos estudar que o tempo está próximo.

Estudando João Capítulo 8.

Comentários Bíblicos
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João 8
8.1 — As pessoas foram para casa (v. 53), mas Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça (Lc 9.58), passou a noite no monte das Oliveiras.

8.2 — A locução pela manhã cedo significa literalmente ao amanhecer.

Todo o povo vinha ter com ele. Como a Festa dos Tabernáculos havia se encerrado no dia anterior (Jo 7.2,37), ainda havia muitos visitantes em Jerusalém. Atraídos pelo surgimento de um Rabi famoso, formou-se logo uma multidão. Assentando-se. Os mestres antigamente em Israel costumavam sentar-se para ensinar. Jesus ficou na posição de um mestre que tinha autoridade.

8.3 — Trazer uma mulher apanhada em adultério e colocá-la no meio de todos foi uma maneira rude de interromper Jesus. Mas o que os fariseus queriam mesmo era confundi-lo (Jo 7-45).

8.4,5 — As tais sejam apedrejadas. O apedrejamento era a pena específica para alguns casos de adultério (Dt 22.23,24), mas não para todos. A Lei requeria que ambos os adúlteros fossem apedrejados. Mas onde estava o homem então/ Eles já tinham violado a Lei por terem trazido somente a mulher. Por que as autoridades religiosas quiseram punir somente a mulher, e não também o homem? Tu, pois, que dizes? O pronome tu está muito claro no texto grego. Os líderes religiosos estavam preparando uma armadilha para que Jesus dissesse algo que contrariasse a Lei.

8.6 — Tentando-o. Se Jesus dissesse que ela não deveria ser apedrejada, estaria opondo-se à Lei judaica. Se dissesse para apedrejá-la, Jesus estaria opondo-se à lei romana, que não permitia que os judeus aplicassem execuções (Jo 18.31). Quanto ao que Jesus escrevia com o dedo na terra só se pode conjecturar. Alguns dizem que Ele escreveu os Dez Mandamentos registrados em Êxodo 20. Mas se o que Ele escreveu fosse importante realmente teria isso registrado. Talvez a questão aqui não seja o que Ele escreveu, mas o fato de Ele ter escrito.

No Antigo Testamento, Deus escreveu a Lei com Seu dedo (Êx 31.8). E bem provável que, caso Jesus estivesse mesmo escrevendo a Lei, Ele simbolicamente estava dizendo ser não apenas um mestre da Lei, mas o próprio Legislador e Juiz. Se fosse um mero rabi, Ele teria dado Seu veredicto segundo a Lei mosaica. No entanto, como o Promulgador da Lei, Ele pôde agir com aquela mulher do mesmo modo como Deus agiu com Israel no deserto: perdoando!

8.7 — Depois de analisar a questão, Jesus respondeu a Seus acusadores. Mas Ele não aboliu a Lei de Moisés em sua resposta, ao contrário, Ele a aplicou à vida daqueles que acusavam a mulher.

8.8 — Tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Deus escreveu os Dez Mandamentos duas vezes, e Jesus escreve duas vezes nesse mesmo episódio Qo 8.6). Além disso, tanto em Êxodo como em João, o dedo só é mencionado na primeira vez.

8.9,10 — Saíram um a um. Jesus entrou no templo ao amanhecer (Jo 8.2), e essa cena deve ter acontecido minutos depois. Então, enquanto tudo isso acontecia, o sol devia estar nascendo. E quando tudo foi revelado pela luz do sol, a culpa dos fariseus foi exposta pela luz do mundo (v. 12).

8.11 — A advertência não peques mais indica que Jesus havia perdoado a mulher. Contudo, embora não a tenha condenado, Ele não foi condescendente com seu pecado. Alguns acham que o Senhor os perdoará depois que eles fizerem o melhor que puderem. Mas Jesus perdoou aquela mulher depois de ela ter feito o pior que podia. Jesus nos ama como somos (Rm5.8), mas nos ama mais ainda para permitir que continuemos sendo os seres limitados que somos.

8.12 — Eu sou a luz do mundo. Assim como o sol é a luz natural deste mundo, Jesus é a sua luz espiritual. E por ser a luz do mundo, Jesus expõe o pecado (v. 1-11) e dá vista aos cegos (9.1-7).

8.13-59 — No trecho dos versículos de 1 a 11, os líderes judeus tentam difamar Jesus, mas não obtêm êxito. Aí, então, eles o atacam abertamente. Em João 8.13-59, eles fazem uma série de acusações e perguntas: (1) Tu tens que provar o que estás dizendo? (v.12-18); (2) Onde está teu Pai? (v. 19,20); (3) Será que Ele vai se matar? (v. 21-24); (4) Quem és tu? (v. 25-32); (5) Como podes tu dizer que serás livre? (v. 33-38); (6) Eles se dizem filhos de Deus e Abraão (v. 39-47); (7) Tens demónio (v. 48-51); (8) És tu maior do que Abraão? (v. 52-57). Tinha visto Abraão? (v. 57-59). Veja o que Jesus declarou nesse capítulo: Eu sou a luz do mundo (v. 12); Sei de onde vim e para onde vou (v. 14); Eu a ninguém julgo (v. 15); Eu sou de cima (v. 23); Eu não sou deste mundo (v. 23); Falo o que dele tenho ouvido (v. 26,29,30); Eu vim de Deus (v. 42); Eu o conheço (v. 55); Antes que Abraão existisse, eu sou (v. 58).

8.13 — A acusação teu testemunho não é verdadeiro aqui não significa que o testemunho de Jesus era falso, mas insuficiente. Os fariseus recorreram ao direito legal para desafiar Jesus, pois nenhum homem podia testemunhar a favor de si mesmo ao ser julgado pela corte judaica. A questão é que se Jesus era o único que podia testemunhar sobre quem Ele afirmava ser, isso não seria suficiente para provar Seu caso.

8.14 — Meu testemunho é verdadeiro. Em João 5.31, Jesus se baseia em um argumento legal e apresenta outro testemunho. As vezes, somente a própria pessoa é que conhece a verdade sobre si mesma. Sendo assim, dar-se a conhecer é a única maneira de se chegar à verdade (Jo 7.29; 13.3).

8.15 — A expressão segundo a carne também pode significar segundo a aparência ou pelos padrões humanos. Os líderes religiosos tiravam suas conclusões baseados nos padrões humanos e análises externas, superficiais e imperfeitas. Jesus jamais fez algum julgamento pela aparência ou segundo os padrões humanos.

8.16-18 — Não sou eu só. Jesus podia afirmar que Suas palavras eram corretas e verdadeiras, embora a Lei de Moisés exigisse duas testemunhas para que algo tivesse validade (Dt 17.6; 19.15). Por meio dos sinais, tanto o Pai como Jesus haviam dado testemunho de que aquelas obras e palavras eram verdadeiras. Os fariseus acusaram Jesus de não ter trazido provas que corroborassem a Sua argumentação (v. 13). Mas a resposta de Cristo foi: o julgamento de vocês é superficial (v. 14,15); eu e meu Pai somos a minha prova (v. 16-18).

8.19 — Onde está teu pai? Já que o Pai fazia parte do testemunho de Jesus, os fariseus queriam saber onde Ele estava. Não me conheceis a mim nem a meu Pai. Mesmo que os fariseus pudessem ver o Pai, eles não creriam no que Jesus lhes estava dizendo. Jesus veio para que todos conhecessem o Pai 0o 1.18), mas eles não o receberam.

8.20 — Porque não era ainda chegada a sua hora: Veja João 2.4.

8.21,22 — Terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? A crença judaica colocava o suicídio no mesmo nível do assassinato.

8.23 — Vós sois cá de baixo. Jesus não se referia ao inferno, mas a este mundo.

8.24 ,2 5 — Eu sou era uma designação do próprio Deus (Ex 3.14). Jesus estava dizendo ser Deus. Mas Sua afirmação não foi entendida pelos líderes judeus naquela ocasião. Tal declaração fez com que os líderes judeus atentassem contra a vida de Jesus (v. 59).

8.26,27 — Jesus tinha muitas coisas a dizer. E todas elas verdadeiras porque as recebera do Pai. O preconceito e a incredulidade cegaram os líderes judeus. Jesus explicou de modo bem claro, e por diversas vezes, que Ele havia sido enviado pelo Pai (Jo 5.36,37), mas eles não quiseram aceitar tal verdade.

8.28 — Levantardes. Uma alusão à crucificação.

8.29 — Imagine um simples mortal dizendo: Porque eu faço sempre o que lhe agrada [a Deus]. E uma declaração clara da divindade de Jesus.

8.30 — O verbo grego traduzido por creram aparece quase que exclusivamente no Evangelho de João (Jo 1.12; 2.11; 3.15,16,18,36; 6.29,35,40,47; 7.38,39; 9.35,36; 10.42; 11.25,26,45; 12.44,46). A frase descreve a fé na mensagem de Jesus (1 Co 1.21), o que resulta em vida eterna.

8.31 — Aos judeus que criam (gr. pisteuo) nele. Alguns afirmam que estes não criam nele realmente. E, para apoiar tal opinião, argumentam que o verbo crer nesse versículo não vem seguido da preposição em no original. Jesus, contudo, está falando aqui dos que verdadeiramente creem nele para a vida eterna. Sendo assim, pelo menos nesse versículo, não há diferença alguma entre creram (v. 30) e criam (v. 31). Permanecerdes, ou seja, continuar, prosseguir.

8.32 — E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Aquele que permanece na Palavra de Deus conhece a verdade (v. 31; 17.17). Veja que Jesus não diz que devemos conhecer a Palavra, e sim a verdade. Os acusadores de Jesus procuraram nas Escrituras, porém não encontraram aquele que é a verdade. Os que creem em Cristo, como descrito no versículo 30, têm de permanecer nas palavras da Bíblia para conhecer a verdade. E essa permanência os leva a uma experiência com a verdade que os liberta. O capítulo 15, mais especificamente o versículo 10, explica como permanecer na verdade: Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. O verbo libertará alude à libertação da escravidão do pecado. Obediência ao Senhor implica ter comunhão com Ele, ser protegido do pecado e provar do Seu amor.

8.33 — Nesse capítulo todo, Jesus está envolvido em um debate com Seus acusadores, os fariseus (v. 13). Eles também são designados pelo termo judeus (v. 22,48,52,57) e pelo pronome eles (v. 19,25,27,33,39,41,59). Os versículos 30 a 32 abrem um parêntese para falar daqueles que, em meio à multidão, creram em Jesus depois de ouvir o que Ele disse aos Seus acusadores. No versículo 33, os líderes judeus voltam a falar. Portanto, a objeção nesse versículo vem dos acusadores de Jesus, e não dos que creram, conforme os versículos 30 a 32. Nunca servimos a ninguém. A objeção dos fariseus é notória. No passado, os israelitas haviam sido escravos dos egípcios, dos assírios e dos babilônios. E naquela ocasião Israel estava sob o domínio de Roma.

8.3 4 — Servo do pecado. Jesus está falando aqui da escravidão espiritual. E dessa escravidão ninguém pode libertar-se sozinho; precisamos de alguém para nos libertar (Rm 8.34).

8.35,36 — O servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. O filho sempre fará parte da família e terá todos os privilégios. Esse provérbio se encontra no versículo 36, e sua aplicação aqui prova que o Filho é Jesus Cristo (veja o Filho do Homem - v. 28). Como membro da família, o filho também pode conceder seus privilégios a outros.

8.37 — Descendência de Abraão, ou seja, herdeiros humanos de Abraão. Mas eles só seriam descendentes espirituais se tivessem fé. No entanto, em vez de confiarem em Jesus para terem seus pecados perdoados, os líderes judeus queriam matá-lo. Eles ouviram a palavra, mas não creram nela. E foi por isso que eles não conheceram a verdade (compare com o v. 31).

8.38 — Veja a diferença entre meu Pai e vosso pai. Posteriormente, Jesus acabou dizendo quem era de fato o pai deles (Jo 8.44).

8.39 — Nosso pai é Abraão. Os fariseus acreditavam que, por serem descendentes de Abraão, o lugar deles estava garantido no céu. Mas honrar aqueles que falavam em nome de Deus também fazia parte das obras de Abraão (Gn 14 e 18).

8.40 — Apesar de toda a argumentação de Jesus, aqueles homens queriam matá-lo. As obras deles não tinham nada a ver com Abraão, e, por essa razão, eles não eram filhos dele.

8.41 — Nós não somos nascidos de prostituição. Desde os tempos antigos, isso tem sido interpretado como uma zombaria, como se eles estivessem dizendo a Jesus: Não somos filhos bastardos como você. Ao que parece, o boato de que Jesus fora concebido fora do casamento foi algo que o perseguiu por muitos anos.

8.42,43 — Por não poderdes ouvir a minha palavra. O pecado cegou tanto os olhos e endureceu tanto o coração daqueles homens que eles se tornaram incapazes de aceitar as palavras de Jesus.

8.44-47 — Tendes por pai. Jesus sabia o que estava no coração das pessoas (Jo 2.25), e é por isso que Ele conhecia a motivação das atitudes delas. O diabo é homicida, e seus agentes queriam matar Jesus.

8.48 — Não dizemos nós bem que és samaritano e que tens demônio? Os líderes judeus acusaram Jesus de ser samaritano e de ter demônio. Eles aproveitaram para fazer a mesma acusação que Jesus fizera contra eles antes, ou seja, de não serem filhos de Abraão (v. 39,40), e sim do diabo (v. 44) A discussão entre Jesus e os líderes judeus ficou muito acalorada. E os ânimos por parte dos fariseus se alteraram tanto que eles deixaram de lado a razão.

8.49 — E vós me desonrais. Os líderes judeus estavam desonrando Jesus, embora o destino eterno deles dependesse de como receberiam a mensagem do Cristo (v. 51).

8.50 — Há quem a busque e julgue. Deus Pai é quem buscava a glória de Cristo e julgaria aqueles que não o honrassem.

8.51 — Jesus, por Sua graça, estendeu aos líderes judeus a promessa do perdão e da vida eterna. A expressão minha palavra aqui se refere ao que Ele disse sobre si mesmo. Morte não se refere à morte física, mas à morte espiritual que é resultado da separação eterna de Deus.

8.52,53 — És tu maior do que Abraão?Abraão e todos os profetas guardaram a Palavra de Deus e morreram. Jesus não estava dizendo que ia impedir a morte física, mas que daria a vida eterna. Para os líderes judeus, entretanto, essa era a prova de que ele estava endemoninhado.

8.54,55 — Serei mentiroso como vós. Veja como Jesus é duro ao confrontar os líderes judeus. A hipocrisia religiosa suscitava a ira de Jesus. Por outro lado, Ele não negou perdão à mulher apanhada em adultério.

8.56 — Exultou por ver o meu dia. Abraão procurou por aquele que cumpriria todas as promessas feitas a ele — as promessas que incluíam bênçãos a todas as nações (G13.8,9, 29).

8.57 — Eles não entenderam o que Jesus disse. Por isso perguntaram: Viste Abraão? Mas o que Jesus disse, na verdade, foi que Abraão havia visto o dia dele (v. 56).

8.58,59— Eu sou. Jesus não estava dizendo que viveu antes de Abraão; Ele estava dizendo que era eterno, que era o próprio Deus (Êx 3.14). Nessa hora, os líderes judeus entenderam que Jesus estava dizendo que era Deus, e por isso pegaram em pedras para apedrejá-lo por blasfêmia (Lv 24.16).

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A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: