terça-feira, 9 de janeiro de 2018

É tempo de mudar nosso modo de vida!

ESTUDO SOBRE AS OBRAS  DA CARNE



“PORQUE AS OBRAS DA CARNE são: prostituição, impurezas, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias... os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.19-23). 
Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que Gálatas 5.16-26. Paulo não somente examina a diferença geral do modo de vida desses dois tipos de crente, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si, mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.
OBRAS DA CARNE – “Carne” (gr. sarx) é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8, 13; Gl 5.17, 21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (Gl 5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14). As obras da carne incluem: 
(1) Prostituição (gr. pornéia), i.e., imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de quadros, filmes ou publicações pornográficos (cf. Mt. 5.32; 19.9; At 15.20,29; 21.25; 1 Co 5.1). Os termos moichéia e pornéia são traduzidos por um só em português: prostituição. 
(2) “Impureza” (gr. akatharsia), i.e., pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração (Ef 5.3; Cl 3.5).
(3) “Lascívia” (gr. aselgeia), i.e., sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e a decência (2 Co 12.21).
(4) “Idolatria” (gr. eidololatria), i.e., a adoração de espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra (Cl 3.5).
(5) “Feitiçarias” (gr. pharmakeia), i.e., espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática de feitiçarias (Êx 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23).
(6) “Inimizades” (gr. echthra), i.e., intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizades extremas. 
(7) “Porfias” (gr. eris), i.e., oposição, luta por superioridade (Rm 1.29; 1 Co 1.11; 3.3).
(8) “Emulações” (gr. zelos), i.e., ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros (Rm 13.13; 1 Co 3.3).
(9) “Iras” (gr. thumos), i.e., ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações violentas (Cl 3.8);
(10) “Pelejas” (gr. eritheia), i.e., ambição egoísta e a cobiça do poder (2 Co 12.20; Fp 1.16,17).
(11) “Dissensões” (gr. dichostasia), i.e., grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja (1 Co 11.19).
(12) “Heresias” (gr. hairesis), i.e., introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (Rm 16.17).
(13) “Invejas” (gr. fthonos), i.e., antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos. 
(14) “Homicídios” (gr. phonos), i.e., matar o próximo por perversidade. A tradução do termo phonos na Bíblia de Almeida está embutida na tradução de methe, a seguir, por tratar-se de práticas conexas. 
(15) “Bebedices” (gr. methe), i.e., descontrole das atividades físicas e mentais por meio de bebida embriagante. 
(16) “Glutonarias” (gr. komos), i.e., diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.

As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, i.e., não terá salvação (Gl 5.21).





Estudo O Fruto do Espírito Santo

Gálatas 5.22-23



INTRODUÇÃO

No interior de cada crente é travado um grande conflito: o Espírito contra a carne. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5.17).
Até o dia da nossa conversão, a "carne" ou a natureza pecaminosa reinava sozinha. Nascemos de novo e o Espírito Santo veio habitar em nós com o objetivo de controlar e mudar toda a nossa vida. O conflito é inevitável, mas se desejamos uma vida cristã vitoriosa, devemos entregar o controle e a direção da nossa vida ao Espírito Santo. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5.25). 
O Espírito Santo reinando em nós produzirá o caráter cristão. Ele produzirá em nós as virtudes do caráter de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo chama estas virtudes de o "Fruto do Espírito Santo".



1. O QUE E O FRUTO?

A metáfora do "fruto" aparece várias vezes no Novo Testamento, designando sempre algum "resultado" (Mt 3.8; 7.16; Rm 1.13; Ef 5.9; Hb 13.15). O fruto do Espírito são qualidades morais divinamente implantadas. São resultados da ação do Espírito em nosso caráter.
Primeiro, a sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que-praticamos naturalmente, o "fruto do Espírito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.



Segundo, o seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colheita": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7). O nosso interior é como um campo onde estamos semeando diariamente. Aquilo que você semear você irá colher. "Semeie um pensamento, e você colherá uma ação; semeie uma ação, e você colherá um hábito; semeie um hábito e você colherá um caráter; semeie um caráter e você colherá um destino". Se você deseja que o Espírito Santo produza o fruto em você, forneça-lhe os meios: oração e leitura bíblica. "A graça nos confere os meios para colhermos abundante safra espiritual".
Terceiro, a sua maturidade é gradual. Antes de ser um fruto maduro, há etapas que precisam ser cumpridas. Isto demanda tempo: primeiro a flor, depois o embrião e por fim, o fruto (Mc 4.28). O Espírito Santo não tem pressa e um caráter cristão maduro é resultado de uma vida inteira.



2. O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO

Lemos em Gálatas 5.22-23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas cousas não há lei.”
Há uma classificação comum destas virtudes: amor, alegria e paz (meu relacionamento com Deus); longanimidade, benignidade e bondade (meu relacionamento com os outros); fidelidade, mansidão e domínio próprio (relacionamento comigo).
Vejamos cada virtude separadamente:



2.1. Amor:

Na língua grega "amor" (ágape) é uma palavra distinta usada para descrever a natureza do amor de Deus (Jo 3.16). Ele nos amou sem que oferecêssemos motivos para que Ele nos amasse. E é esse amor que o Espírito derrama em nosso coração (Rm 5.5), para que possamos obedecer ao mandamento de Jesus: O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei (Jo 15.12).
No "Hino ao Amor" (1 Co 13), Paulo apresenta quinze características do amor: é sofredor, benigno, não é invejoso, não se ufana, não é soberbo, não é indecoroso, não é interesseiro, não se irrita, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, alegra-se com a verdade, tudo aguenta, tudo acredita, tudo espera e tudo suporta.
O amor expressa o conteúdo total da fé cristã. O amor é a essência do caráter divino: Deus é amor (1 Jo 4.8).



2.2. Alegria:

A alegria (no grego "charis") é o gozo da graça, é um bem-estar espiritual, resultado de uma correta relação com Deus. A fonte desta alegria é o Senhor (Fp 3.1; 4.4,10; Rm 12.12). É a chamada "alegria da fé" (Rm 15.13; Fp 1.25) e a "alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17; 1 Ts 1.6). Esta alegria independe das circunstâncias externas e pode ser desfrutada em meio às tristezas e aflições desta vida.



2.3. Paz:

Paz (Shalom, no hebraico – Jz 6.24) inclui tudo quanto Deus tem dado em todas as áreas da vida. A paz é uma dádiva de Deus (SI 4.8; 29.10-11; 119.165) e pode ser desfrutada somente na presença de Deus (Nm 6.24).
No contexto do Novo Testamento, Jesus é a nossa paz ("eirenê", no grego). Confira em Ef 2.14-18. Nele encontramos sossego, mesmo em meio às tribulações. A paz de Cristo não significa ausência de guerra, mas é uma tranquilidade interior. Ela é uma dádiva sobrenatural e indestrutível (Jo 14.27; 16.33). Em Cristo temos paz com Deus (Rm 5.1) e a paz de Deus (Fp 4.7).
"A paz é o primeiro fruto que se observa após o perdão de pecados" (Adam Clarke).



2.4. Longanimidade:

Longanimidade ("makrothumia", no grego) significa literalmente "fôlego comprido" ou "lento à ira". É a paciência para suportar injúrias de outras pessoas. E um atributo de Deus, que tolera pacientemente todas as fraquezas humanas, não se deixando tomar por explosões de ira ou furor (Nm 14.18; SI 86.15; Rm 2.4; 1 Pe 3.20).
O Espírito Santo nos capacita à longanimidade, isto é, sermos tolerantes com as pessoas cuja conduta visa provocar-nos à ira (Mt 18.21-35).



2.5. Benignidade:

Benignidade (no grego, "chrestotes") significa uma disposição gentil e graciosa para com os outros. Também significa "excelência de caráter" e "honestidade". É um atributo divino (Mt 11.30; Tt 3.4). Jesus Cristo é o nosso modelo de gentileza, pois sempre se mostrou gentil para com os seus semelhantes. No caso da mulher flagrada em adultério (Jo 8.1-11), enquanto os homens se mostraram inflexíveis e exigentes, Jesus revelou a sua benignidade.



2.6. Bondade:

Bondade (no grego, "agathosune") significa aquilo que é bom e útil. É a qualidade de generosidade e de ação gentil para com outras pessoas. "Uma pessoa é bondosa quando se dispõe a ajudar àqueles que estão em necessidade" (M. Lutero). A bondade é um atributo de Deus (SI 34.8; 107.1; Mt 19.17).
Bondade e benignidade são termos que estão ligados entre si (Rm 2.4; Ef 2.7). W. Barclay diz que a diferença está no fato de que a bondade pode reprovar, corrigir e exortar (Mc 11.15-18); mas, a benignidade só pode ajudar (Jo 8.10-11).
O Espírito Santo produz em nós uma bondade que é, ao mesmo tempo, amável e enérgica.



2.7. Fé:

Fé (no grego, "pistis") pode significar tanto "confiança" quanto "fidelidade". Para Paulo, "fé" significa o recebimento da mensagem da salvação e a conduta baseada no Evangelho (Rm 1.8; 1 Co 2.5; 15.3, 14, 17). O cristão vive pela fé, e de fé em fé (Hb 11.1-6).
John Stott diz: "Fé é a confiabilidade que convida outras pessoas a confiarem em nós. É a fidelidade provada, a dignidade sólida de alguém que sempre cumpre as suas promessas e termina o que começa".



2.8. Mansidão:

Mansidão (no grego, "prautes") possui três significados principais: submissão a Deus (Mt 5.5; 11.29); dócil ou não soberbo (Tg 1.21); consideração (1 Co 4.21; 2 Co 10.1; Ef 4.2). O termo era aplicado também para coisas, palavras, remédios, ações e sentimentos que acalmam e suavizam.
A mansidão é o resultado da verdadeira humildade, que reconhece o valor do outro e se recusa a se considerar superior. É a virtude daqueles que herdarão a terra (Mt 5.5). Jesus Cristo é o modelo perfeito de mansidão.



2.9. Domínio Próprio:

Domínio próprio (no grego, "egkrateia") significa "autocontrole", o domínio dos próprios desejos e apetites. É o senhorio sobre a língua, os pensamentos, os apetites e as paixões sexuais (Pv 16.32; 1 Co 7.9; 9.25).
A vitória mais difícil é a vitória sobre o próprio eu ou sobre as próprias paixões. Somente com o poder do Espírito Santo é possível o domínio próprio.



CONCLUSÃO

Quando olhamos para o fruto do Espírito Santo vemos um retrato de Jesus Cristo. Todas as nove virtudes acima estão presentes no caráter de Cristo. Elas só podem ser implantadas no crente, por intermédio do Espírito Santo. Ele é quem opera a transformação moral do crente (2 Co 3.18). Deixe o Espírito trabalhar em seu caráter!



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