sexta-feira, 25 de maio de 2018

A Cura de um Cego de Nascença

A cura de um Cego de Nascença é uma das mais belas histórias da Bíblia. A cura do cego, se dá nas águas do Tanque de Silo é.
Um recipiente quadrangular, medindo 25 metros de comprimento por 5 metros de largura e 5 metros de profundidade.
A água vinha de um canal subterrâneo, com 530 metros de comprimento, da fonte chamada Virgem, localizada mais ao norte do vale de Cedrom. Esse túnel, descoberto em 1886, foi construído por ordem do rei Ezequias.
O texto do livro de João cap. 9, inicia afirmando que Jesus, passando, viu um cego de nascença. Ali estava aquele homem. Nasceu cego. Cresceu cego. Não sabia ler nem escrever. Não tinha utilidade para a sociedade judaica.
Atualmente os cegos podem aprender, ler e escrever, pois há o sistema Braille. Mas no tempo de Jesus os cegos não tinham valor algum. E nascendo cego, eram logo apontados como sendo castigados por pecados.
O Tanque de Siloé próximo à Cidade de Davi.

Este homem, cego, que havia passado toda sua vida na escuridão, era visto assim. Seu sofrimento era relacionado com castigo. E se estava sendo castigado, porque então ajudar? Assim permanecia abandonado, sozinho, dependendo da caridade e da compaixão de quem por ele passasse.
É interessante que Jesus andando, o viu. Isso porque Jerusalém era uma grande cidade. E em meios urbanos, com muitas aglomerações, muita gente nas ruas, é difícil ser notado. Veja por exemplo as grandes capitais do Brasil.
Multidões passam de um lado para o outro sem se importar com a vida de quem quer que seja. No meio de tanta gente, porém sempre sentimos como que sozinhos. Porque as pessoas se importam no máximo com seus familiares ou amigos, o restante é apenas a multidão.
Mas Jesus não vê multidões. Jesus vê cada indivíduo. E Jesus prendeu sua atenção naquele pobre homem cego de nascença. Aí os seus discípulos, que estavam imersos na crença da "causa e efeito", já começaram a indagá-lo, com um julgamento errado:
"E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" João 9:2
E nós, seres humanos, somos assim mesmo, implacáveis! Julgamos o que não sabemos, condenamos com preconceitos. Tratamos com indiferença, vemos multidões, não enxergamos o cuidado que cada ser individualmente necessita.
Mas Jesus parou, para falar com o cego de nascença. Isso é realmente maravilhoso! Jesus se importa com cada ser humano. Sem distinção. O mestre mostra aos seus discípulos que não havia nenhum castigo e nenhuma maldição hereditária sobre a vida daquele homem.
Ao contrário, havia, na realidade humana daquela geração, uma cegueira muito mais profunda e pavorosa do que aquela em que se deixa de ter a visão física desta realidade.
"Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus." João 9:3
A pior cegueira é aquela em que se deixa de enxergar o sentido real da vida. Pela reação dos fariseus à cura daquele pobre homem cego de nascença ( pois se deu num sábado ), podemos ver em quão densas trevas eles estavam.
Levando uma vida sem nenhum sentido nobre e real, eles se prenderam a legalismos e rituais pesados. Deixaram esfriar o amor nos corações e se esqueceram do principal da lei, que era o perdão e a misericórdia.
Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles." João 9:16
Jesus Cura o Cego de Nascença.

Para estes Jesus se declara como o sentido real, pelo qual eles deveriam viver e caminhar, para que não andassem mais em trevas. Assim como declarou numa ocasião imediatamente anterior:
"Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida." João 8:12
De forma que, quem tem a Jesus como norte, como rumo, passa a enxergar e nunca andará confuso ou em escuridão.
Ao preparar-se para realizar mais um milagre em seu ministério, Jesus aproveita a oportunidade para trazer lições morais valiosíssimas. Ele poderia ter simplesmente declarado a cura imediata do cego de nascença, como fez em outras situações.
Mas a cegueira estava relacionada a verdades mais profundas. Jesus queria não só curar a cegueira material, palpável, como também abrir os olhos espirituais do cego e de todos demais. Assim o lodo feito com sua saliva, passa a representar a cegueira espiritual, que precisava ser lavada.
"Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado)." João 9:6
Deste modo o homem cego de nascença, parte para lavar o lodo de seus olhos, no Tanque de Siloé, para que uma vez curado, possa também ter um rumo a seguir, um norte para se guiar, ao passo que Jesus se apresenta como tal direção e como sentido supremo da vida.
Sua visão se abriu de tal forma que, diferente dos seus pais, ele não temeu ao ser interrogado pelos fariseus. Ele fez uma declaração que mostrou que a sua cura total, era incontestável.
"Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo." João 9:25
E Jesus estava aparte, vendo aquilo tudo, sereno, calmo. Quando soube que o expulsaram do templo, se apresenta a ele. E aquele que não era mais cego conseguiu enxergar também, aquilo que toda a casta religiosa de Israel não teve capacidade de ver.
"E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou." João 9:37-38
É preciso ver e enxergar o sentido espiritual dos fatos. Algo que os olhos humanos pouco conseguem ver. Devemos sempre pedir a Deus que remova o lodo que nos impede de ver o seu propósito.
Jesus veio para possamos ver, mas, muitos infelizmente permanecem perdidos, em trevas, cegos, muito embora seus olhos funcionem muito bem.



Nenhum comentário:

Postagem em destaque

A Pena Capital e a Lei de Deus - Crimes e Punições na Palavra de Deus Escrito por O Tempora, O Mores. Postado em Artigos Índice de Artigos Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Estamos tão enraizados em nossa cultura, em como ela trata a questão da quebra da lei, que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. Vamos, portanto, dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos, quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. A primeira coisa que nos chama a atenção, é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição, nem como meio de reabilitação. Isso realmente nos intriga, pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. Quando um crime é cometido, a punição que pensamos de imediato é a cadeia. "Merece cadeia!; devia estar na cadeia"! Dizemos com tanta freqüência. Mas na sociedade de Israel, no Antigo Testamento, a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números 15.34 lemos: "...e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer...". Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. Jeremias foi encarcerado e Paulo, igualmente, diversas vezes, dentro do sistema romano de punições. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. 2. Desta forma, por mais familiarizados que estejamos com esse conceito, não encontramos, na Palavra de Deus, o encarceramento como remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. Muito menos, encontramos a idéia de "proteção da sociedade" através da segregação do indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age. Ou seja, não encontramos, nas prescrições dadas ao povo de Deus, cadeias para punir, remediar, reabilitar ou proteger. 3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21 lemos, "...quem pois matar um animal restituí-lo-á, mas quem matar um homem assim lhe fará". A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime cometido. Como a restituição da vida era impossível, ao criminoso, no seu caso a punição era a perda da própria vida. 4. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. Para os casos de furto, a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. Vejamos em Êxodo 22.4 "...se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento, ou ovelha, pagará o dobro". 5. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado, a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Assim lemos em Êxodo 22.1 "...se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas". 6. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso, tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O que queremos dizer é que, contrariamente aos nossos dias, quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso, o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado, concedido e salvaguardado, na legislação mosaica. Vemos isso em Êxodo 22.2: "...se o ladrão for achado a minar e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue". 7. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome, deviam ser tratados com clemência, mas mesmo assim, persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono, uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes, tornando desnecessário o furto, como vemos em Deuteronômio 24.19 a 21. Desta forma lemos em Pv. 6.30, 31: "...não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma, tendo fome; mas encontrado, pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa..". 8. Vemos então, em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem, a sabedoria ali encontrada. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias, que o homem, a elas hoje chega, baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam. Com efeito os encarceramentos prolongados, hoje aplicados, não produzem reabilitações, não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se, na realidade, em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. 9. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas, a sentença é a pena de morte. Lemos isto em Deuteronômio 17.12: "...o homem pois que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel". [10] 10. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade, para o criminoso primário, era total e absoluta. Indo na direção contrária à nossa sociedade, que coloca o criminoso iniciante enjaulado, em condições subumanas, como criminosos experientes " que se encarregam de formá-lo na escola do crime, o criminoso primário em Israel, pagando a indenização devida, estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma, pois restituição havia sido efetivada. 11. Por outro lado, havia aqueles que se recusavam a obedecer, reincidindo no caminho do crime. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos, mas não através do encarceramento " uma forma pseudo-humanitária, somente onerosa, imperfeita e impossível de produzir resultados. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical, mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade. Além disto, poderíamos falar no efeito didático, que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. 12. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias, o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune, sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos, mas a sua rápida aplicação. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. Nesse sentido, temos o registo apropriado da Palavra de Deus, em Eclesiastes 8.11:"Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal". 13. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel, na sociedade atual. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como, por exemplo, pela quebra do sábado), pois destinavam-se a uma nação específica, dentro de específicas circunstâncias, e com propósitos definidos, da parte de Deus. Muitos dos princípios encontrados, naquela sociedade agrária, entretanto, são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. A rapidez das sentenças; as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores, em benefício das vítimas; a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator, sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos "vítimas do sistema"; o apreço pela vida humana, acima de qualquer outra perda; o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis; o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem, não apenas com meras palavras, mas com duras penas contra os malfeitores; a ênfase, respaldada igualmente em penas severas, no respeito aos anciãos e às autoridades; são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema, penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. A questão de crimes, punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Mas o que realmente significa este termo. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada, se não fizermos uma exploração, neste estágio, do significado da Lei de Deus, e da sua relevância aos nossos dias: