sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A mulher segundo o coração de Deus

A mulher foi o último ser criado por Deus; foi o ápice da criação: cheia de beleza, meiguice, delicadeza, força espiritual; foi criada para ser mãe e esposa, carinhosa e sensível. Foi o coroamento da natureza. Ela é a imagem e semelhança mais sensível de Deus. A sua beleza e charme encanta o coração do homem, porque foi criada para ele. Há uma música que diz: “creio na mulher que se enfeita e se embeleza para ser a mais bonita criação de nosso Pai”.
A Bíblia está repleta de passagens falando da mulher, exaltando a sua grandeza, mas também chamando a atenção quando ela se desvirtua. O livro dos Provérbios diz: “Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor” (Pr 31,10).
O livro do Eclesiástico tem um longo trecho que diz: “Feliz o homem que tem uma boa mulher, pois, se duplicará o número de seus anos. A mulher forte faz a alegria de seu marido, e derramará paz nos anos de sua vida. É um bom quinhão uma mulher bondosa; no quinhão daqueles que temem a Deus, ela será dada a um homem pelas suas boas ações. Rico ou pobre, o seu marido tem o coração satisfeito, e seu rosto reflete alegria em todo o tempo. É um dom de Deus uma mulher sensata e silenciosa, e nada se compara a uma mulher bem-educada. A mulher santa e honesta é uma graça inestimável; não há peso para pesar o valor de uma alma casta. Assim como o sol que se levanta nas alturas de Deus, assim é a beleza de uma mulher honrada, ornamento de sua casa. Como a lâmpada que brilha no candelabro sagrado, assim é a beleza do rosto na idade madura. Como fundamentos eternos sobre pedra firme, assim são os preceitos divinos no coração de uma mulher santa (Eclo 26,1-24). “Uma mulher virtuosa é a coroa de seu marido, mas a insolente é como a cárie nos seus ossos”. (Pr 12,4).
Mas a Bíblia também fala da mulher sem virtudes: “É melhor viver com um leão e um dragão, que morar com uma mulher maldosa” (Eclo 25,23). “Uma mulher maldosa é como jugo de bois desajustado; quem a possui é como aquele que pega um escorpião. A mulher que se dá à bebida é motivo de grande cólera; sua ofensa e sua infâmia não ficarão ocultas. O mau procedimento de uma mulher revela-se na imprudência de seu olhar e no pestanejar das pálpebras” (Eclo 26,9-12).
Esta Palavra ajuda a mulher a compreender o que Deus deseja dela. Quando Deus percebeu que o homem não era feliz no Paraíso, então, criou a mulher e lhe deu como uma “ajuda e companheira adequada” (Gen 2,18). Isto mostra que uma mulher pode ser uma grande alegria para seu esposo, mas pode ser também a sua tristeza. Paulo VI disse que: “o homem tem o primado da cabeça; a mulher tem o do coração”. Não se pode confundir entre si o masculino e o feminino, pois cada qual tem seus valores. As qualidades masculinas e as femininas precisam umas das outras.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ESTUDO DO LIVRO DE "MATEUS  3:1-17

Mateus 3:1-10

1.E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia,
2.E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
3.Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas.
4.E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.
5.Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão;
6.E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.
7.E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
8.Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;
9.E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.
10.E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 
Mateus 3:1-10
Estudo
João Batista começou seu ministério, pregando no deserto da Judéia.
A pregação dele incluiu dois temas principais (veja a mensagem de Jesus em 4:17):
(1) O arrependimento.
(2) A chegada iminente do reino dos céus.
João veio como precursor de Jesus, cumprindo a profecia de Isaías 40:3.
**Obs.: A citação de Isaías 40:3 aqui (3:3) é importante. João veio para preparar o caminho do Senhor (Jesus). Na profecia original, a palavra "Senhor" é o tetragrama (YWHW) que é usado como um dos nomes mais comuns de Deus (traduzido como Senhor, Jeová, etc.). É uma de muitas provas bíblicas da divindade de Jesus. As pessoas hoje que negam a divindade de Jesus não aceitam o que a Bíblia afirma: Jesus é Jeová! (Para uma explicação mais completa deste ponto, veja o livrete "Jesus e a Natureza de Deus").
O "jeito" de João Batista foi diferente, até estranho. Mas, não devemos nos preocupar com a aparência ou o jeito do mensageiro. Devemos julgar pela fonte da mensagem.
Muitos judeus saíram para serem batizados por João no rio Jordão.
João questionou os motivos deles e ensinou que devessem produzir "frutos dignos de arrependimento". Ele deixou claro que ninguém seria salvo por meramente ser judeu.
**Obs.: O arrependimento é uma decisão de mudança, que deve ser acompanhado pelos frutos que mostram a sinceridade da decisão.
As árvores que não produzem bons frutos seriam cortadas e lançadas ao fogo.
Mateus 3:11-12
11.E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.
12.Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. 
Mateus 3:11-12

Estudo
João frisou um ponto muito importante: a superioridade de Cristo.
(1) João não era digno de levar as sandálias de Jesus (serviço de escravo)
(2) João não possuiu o poder que Jesus tem. João tinha poder para batizar nas águas, mas Jesus batizaria com o Espírito Santo e com fogo.
**Obs.: Os comentários de João em 3:11 sobre os batismos têm sido usados para defender várias ideias erradas sobre o batismo com o Espírito Santo. Preste atenção neste trecho para observar:
(1) Que João não está dizendo que o batismo com o Espírito Santo é mais importante do que batismo nas águas. A comparação não está entre batismos, e sim entre pessoas. João tinha poder sobre um pouco de água. Jesus tem poder sobre o Espírito Santo e sobre o fogo.
(2) O sentido de "fogo" neste contexto. Muitas pessoas associam o fogo daqui com as "línguas, como de fogo" do dia de Pentecostes (Atos 2:3). Mas o contexto de Mateus 3 mostra que o batismo com fogo é o castigo eterno dos malfeitores (leia, de novo, 3:10 e 3:12).
Mateus 3:13-17
13.Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.
14.Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
15.Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu.
16.E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.
17.E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
Mateus 3:13-17

Estudo
 Jesus foi da Galiléia ao rio Jordão para ser batizado por João.
A conversa entre João e Jesus destaca um fato importante: o propósito do batismo de Jesus era diferente do que o dos outros que foram batizados. Jesus não tinha pecado, mas se batizou para "cumprir toda a justiça", obedecendo a vontade do Pai para trazer a salvação aos homens pecadores.
Logo após o batismo de Jesus, encontramos três pessoas divinas fazendo coisas diferentes em lugares diferentes ao mesmo tempo:
- Jesus saiu da água.
- O Espírito desceu como pomba.
- Deus Pai falou do céu.
Jesus se mostrou obediente, e o Pai declarou sua satisfação com ele: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo."




terça-feira, 6 de novembro de 2018

Jesus Virá!

Zacarias 13.1-9 - A Purificação do Povo de Deus


O capítulo anterior termina com a descrição ímpar de um lamento nacional entre os israelitas, atingindo cada faixa etária, gênero e classe social. A razão desse pranto geral e genuíno foi a consciência da rejeição do Messias, resultando em uma conversão nacional do povo que, no passado, foi qualificado como tendo uma “dura cerviz” (Êx 33.3,5,9). Contudo, quando o arrependimento e a fé do pecador se encontram com a graça e o amor do Senhor, o resultado é maravilhoso e, nesse caso, é anunciado no capítulo 13de Zacarias, a saber, uma grande restauração e purificação do remanescente fiel.
Assim, o escritor prevê que a fé de Israel terá como contraparte a ação purificadora de Deus (v.1): “Naquele dia, haverá uma fonte de água aberta para a casa de Davi e para os moradores de Jerusalém a fim de lavar pecados e impurezas”. A Bíblia fala sobre rios que correrão na terra seca quando Jesus reinar sobre seu povo (Is 35.6; 41.18). O próprio Zacarias fala de águas que correrão de Jerusalém para Leste e para Oeste depois do retorno do rei messiânico (Zc 14.8). Entretanto, o que ele parece ter em mente nesse texto vai além de uma simples corrente de água, pois seu efeito não é apenas refrescar os sedentos, ou suprir plantações e rebanhos, mas também lavar os pecados das pessoas. Assim, essa menção figurada parece ser extraída do uso de água na purificação dos levitas em sua consagração (Nm 8.7) e no preparo da água misturada com as cinzas de uma novilha vermelha usada na purificação e remoção das impurezas do povo da aliança (Nm 19.9). Assim, ela se une a outras figuras que se referem ao perdão de pecados como um ato de lavagem com água (Sl 51.2,7; Is 1.16-18). De fato, nessa ocasião se cumprirá uma das profecias mais esperadas por Israel no sentido de ser restaurado diante do Senhor, na qual o próprio Deus promete: “Aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei” (Ez 36.25).
O resultado prático da purificação que o Senhor promoverá no meio de Israel é que, além do perdão, haverá o abandono da rebeldia e de todos os seus veículos (v.2a): “Naquele dia — declara o Senhor —, eu eliminarei o nome dos ídolos da terra”. De um modo surpreendente, a história de Israel no Antigo Testamento é marcada pelo abandono do seu Deus e pelo apego a todo tipo de religiosidade pagã de seus vizinhos. Atualmente, o abandono do Senhor se dá por outras formas de idolatria que tomam seu lugar no coração das pessoas, mas o problema geral permanece. A promessa divina é, mediante a conversão do povo, promover um completo abandono de toda crença, doutrina, valor e apego que se interponha entre Deus e o seu povo. O resultado será a completa rejeição de qualquer veículo de rebeldia que antes desviava as pessoas do seu redentor (v.2b): “E não haverá mais lembrança deles, nem tampouco dos profetas e dos espíritos imundos”. Nesse ponto, são inseridos dois outros fatores que agem no sentido de impedir que as pessoas creiam no salvador e lhe entreguem suas vidas: os “profetas” e os “espíritos imundos”. Apesar de o texto mencionar apenas “profetas”, o contexto geral deixa claro que o escritor tem em mente a figura do falso profeta e dos “espíritos imundos” diabólicos que agem por meio deles. Com a ação divina, esses inimigos da verdade também silenciarão seus enganos e engodos.
A verdade é que a existência de Israel também foi marcada pela ação dos falsos profetas, os quais foram influentes e obtiveram êxito em enganar o povo e desviá-los dos retos caminhos de Deus (Is 9.15,16; Jr 14.14-16; 23.13-16; 28.15-17; 29.21,32; Ez 13.16,22; Mq 3.5-7,11). Por isso, Zacarias assegura ao remanescente fiel que isso não tornará a ter lugar no meio do povo de Deus, não apenas por causa da justa liderança do Messias, mas também pela fidelidade do próprio povo remanescente (v.3): “Se alguém ainda profetizar, seu pai e sua mãe que o geraram, dirão a ele: Você não viverá, pois disse mentiras em nome do Senhor. Assim, seu pai e sua mãe que o geraram o traspassarão quando ele profetizar”. A fidelidade do povo purificado pelo perdão divino será tamanha que nem mesmo as ligações sanguíneas serão mais fortes que os laços da fé e do amor com o redentor. Desse modo, diferente de hoje, quando os pais ficam do lado de seus filhos, inclusive quando estão errados, os próprios progenitores de um aspirante a profeta do engano serão seus acusadores, pois ninguém em Israel aceitará conviver com o erro e com a mentira novamente, preferindo a verdade e a honra do seu rei. Isso não significa que os pais não terão amor por seus filhos ou que serão radicais ao ponto de desprezar a vida dos rebentos, mas sim que eles serão fiéis às ordens de Deus de tratar segundo a orientação divina aquele que diz “mentiras em nome do Senhor” (Dt 13.1-5).
Outro impacto que a purificação do povo de Deus terá sobre as pessoas é que os próprios falsos profetas se envergonharão da sua atividade enganosa (v.4a): “Naquele dia, cada profeta se envergonhará da sua visão ao profetizar”. O texto hebraico não deixa claro o tempo da atividade que é motivo da vergonha desses homens.Pode ser que ainda haja quem queira agir como um falso profeta — a Bíbliaprevê um aumento de falsos profetas durante esse período (Mt 24.23,24) —, sem, contudo, encontrar espaço para fazê-lo livremente no meio do Israel convertido, ou mesmo para se vangloriar disso. Ou pode ser que o texto se refira à atividade passada de homens que foram falsos profetas e que agora, mediante o arrependimento, a fé e a purificação, envergonham-se do que fizeram no passado. Apesar de essa última possibilidade ser uma opção bastante atraente, os versículos 3 e 6 favorecem a primeira opção.
Como consequência natural disso, tal atividade será suprimida (v.4b): “E não usará mais roupa de pele de animais a fim de enganar”. Todos os artifícios utilizados pelos promotores de mentiras sobre Deus e sua palavra — tanto no passado como no presente — serão abandonados e não farão mais vítimas entre os seguidores do Senhor. Em vez disso, tais homens assumirão seu lugar devido, sem desejar ser mais do que são, nem clamar para si prerrogativas que pertencem ao Messias e que só podem ser concedidas por Deus (v.5): “Mas cada um deles dirá: ‘Eu não sou profeta. Sou um trabalhador da terra, pois lido com a terra desde a minha juventude’”. A tradução desse texto é bem difícil e controversa, mas seu sentido geral é bem claro. O desejo que tais homens têm de se apresentar e atuar como profetas que anunciam uma mensagem própria e independente, não atrelada à revelação divina de verdade, será suprimido por temor e por vergonha.
A razão para tal temor é reafirmada no versículo seguinte, que diz (v.6): “E quando alguém lhe perguntar: ‘Que ferimentos são esses em suas mãos?’, então ele responderá: ‘Fui ferido na casa dos que me são queridos’”. Isso significa que nem as pessoas mais próximas dos enganadores os apoiarão, nem aceitarão sua atividade contrária ao ensino bíblico. O acréscimo à figura geral feito por esse texto está no fato de os ferimentos notados no corpo dos falsos profetas da época serem infligidos pelos “que me são queridos”, uma menção que pode apontar para seus próprios pais — conforme foi predito no v.3 —, mas que também pode englobar os amigos do profeta mentiroso, completando o quadro da total rejeição de falsas profecias entre o povo santo e restaurado.
Dito isso, o texto apresenta uma mudança em sua estrutura e traz uma ordem divina a uma espada que é personificada em meio à poesia profética (v.7): “Ó espada, desperta contra o meu pastor, aquele que é meu companheiro — declara o Senhor dos exércitos. Fere o pastor e o rebanho se dispersará. Mas eu voltarei a minha mão para os pequenos”. O contexto imediato de Zacarias sugere que os pastores infiéis de Israel — seus líderes iníquos — seriam punidos pelo Senhor e que, como consequência disso, osseus rebanhos — o Israel desobediente — seriam espalhados (cf. Zc11.6,8,9,16). Contudo, o Novo Testamento utiliza este texto para falar sobre a dispersão dos discípulosdepois da crucificação de Jesus: “Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas” (Mt 26.31). Duas indicações no texto favorecem a interpretação messiânica do versículo 7. A primeira é o fato de o pastor ferido, diferente do que se esperaria no caso de se tratar de um líder infiel, ser chamado de “meu pastor” e de “aquele que é meu companheiro”. Essas expressões apontam para uma profunda e intensa comunhão entre o Senhor e seu pastor. A segunda indicação é o caráter altamente messiânico e escatológico do capítulo como um todo. Não se está tratando aqui dos pecados do passado, mas da restauração e purificação do futuro, além da fidelidade do povo diante da sua redenção. Desse modo, parece que Zacarias, depois de falar dos efeitos da purificação, expõe, nos vv.7-9, o meio utilizado por Deus para promover a restauração do seu povo. Ela só é possível mediante o ferimento fatal do pastor divino, o Deus encarnado na pessoa de Jesus Cristo. Em resumo, o capítulo traça uma distinção entre o resultado das atuações dos falsos profetas e do supremo e verdadeiro Profeta do Senhor.
Algo que pode trazer alguma confusão à figura é o fato de a ordem de Deus para se ferir seu pastor ser dada a uma “espada”. Não foi com uma espada que Jesus foi morto e a lança que o perfurou apenas o feriu quando ele já estava morto. Entretanto, a espada é uma das metáforas para o juízo de Deus, além de ser um frequente instrumento utilizado por ele para punir uma nação (Êx 5.3,21; 22.22-24; Lv 26.25,33; 2Sm 12.9; Is 27.1), de modo que se entende que tal pastor seria o alvo do juízo divino em lugar daqueles a quem ele salva. Em decorrência da morte do seu pastor divino, Israel também sofreu o juízo previsto na lei mosaica e foi espalhado pela Terra (cf. Dt 28.64-68). Entretanto, essa disciplina não representa uma rejeição definitiva (Rm 11.1-4), especialmente porque Deus continua a separar para si e santificar um pequeno rebanho israelita (Rm 11.5), de modo que Zacarias também anuncia que o Senhor voltaria sua mão para os “pequenos”. O termo “pequenos” aqui utilizado não tem o sentido de tamanho, mas aponta para pessoas insignificantes e desprezadas, sem força para assumir as rédeas do seu destino sozinhas. São pessoas assim que o Senhor socorreria com sua mão graciosa e amorosa, preservando para si um pequeno remanescente até que viesse o tempo da restauração de todo o povo.
Se a mão do Senhor preservaria uma parte do seu povo, o restante sofreria uma dura punição, o que tem ocorrido ao longo de toda a história e o que também acontecerá de modo dramático nos dias da Grande Tribulação (v.8): “E acontecerá em toda a terra — declara o Senhor — que dois terços serão aniquilados e morrerão. Mas um terço restará nela”. É difícil dizer se aqui o termo “terra” deve ser escrito com letra minúscula — referindo-se à terra da promessa, o território de Israel — ou com letra maiúscula — referindo-se a todo o planeta. Apesar de tais números encontrarem semelhanças no relato da tribulação mundial descrita no livro de Apocalipse, o contexto imediato parece favorecer a ideia de um território, a terra de Israel, em que o povo desprezado será alvo da graça renovada de Deus. Contudo, antes de ser agraciado pela libertação divina, Israel será reduzido a apenas um terço da sua população local nos dias daquela tribulação, seja pela perseguição do anticristo e seus exércitos, ou pelas ações de juízo vindas do próprio Deus. Tal destruição cairá sobre os israelitas endurecidos em seus pecados, assim como fatalmente recairá sobre a falsa igreja ao redor do mundo,sendo este o apropriado e predito juízo de Deus aos seguidores hipócritas do seu nome.
Se dois terços dos judeus serão julgados nesse período, o remanescente será fortalecido e purificado (v.9a): “Farei o terço restante passar pelo fogo. Eu o purificarei como se purifica a prata e o aquilatarei como se aquilata o ouro”. É certo que a figura do fogo é frequentemente utilizada nas Escrituraspara se referir ao juízo de Deus (Nm 11.1; Dt 32.22; Sl 78.21; Is 30.33). Mas nesse caso, o escritor lança mão dessa figura para se referir à purificação, tomando como base a conhecida atividade dos ourives de purificar e refinar metais preciosos por meio do fogo. Trata-se de uma comparação muito vívida da ação de Deus que, por meio de provações que recaem sobre seus servos em conjunto com seu socorro, torna-os mais puros. Na verdade, situações assim são propícias para que o homem reveja seus valores e suas atitudes, desprezando o que é passageiro e sem valor e se apegando ao que é eterno e valioso. É a esse tipo de ação que o salmista se refere ao dizer: “Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre a nossa cabeça; passamos pelo fogo e pela água; porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso” (Sl 66.10-12).
O resultado dessa purificação se verá em um relacionamento renovado entre Deus e seu povo remanescente (v.9b): “Ele chamará o meu nome e eu lhe responderei, dizendo: ‘Você é o meu povo’. Então, ele dirá: ‘O Senhor é o meu Deus’”. A ação de chamar pelo nome do Senhor na Bíblia vai além de uma simples supertição ou de uma busca por socorro apenas em momentos de aflição. Chamar ou invocar seu “nome” é uma evidência da fé e da conversão daquele que clama por ele. Isso quer dizer que, mediante a purificação de Israel, o Senhor voltará a dizer com propriedade que “você é meu povo”, enquanto os israelitas, agora convertidos e restaurados, responderão com toda sinceridade de coração que “o Senhor é o meu Deus”, cumprindo, com isso, a predição de outros profetas, como Oseias: “Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!” (Os 2.23).
A dinâmica exposta nos dois últimos versículos sugere que o livramento do remanescente da morte é seguido por seu arrependimento e conversão, e não o contrário. A pergunta que devemos nos fazer, como igreja do Senhor, é se é realmente preciso que nós também passemos por situações que nos provam a fim de sairmos delas arrependidos e purificados de pecados e de rebeldias. Toda a Escritura nos serve de exemplo do que acontece àqueles que resistem ao comando e ao amor de Deus, além de evidenciar o custo e as vantagens de andar em comunhão com ele. Assim, só é preciso decidirmos se queremos aprender tal obediência do modo fácil ou do modo difícil.



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

COMO SABER SE ALGUÉM É UM HOMEM DE DEUS?

Tem se tornado muito comum  entre nós, cristãos evangélicos, rotular pessoas como “homens ou mulheres de Deus”. Isto ocorre porque em muitas ocasiões ouvimos uma palavra “ungida” e entendemos que é o suficiente para elegermos aquela pessoa um “homem ou mulher de Deus”. Será que é tão simples assim? Devemos ser ingênuos e simplistas nesta avaliação? Será que todos são de fato “de Deus”? Como reconhecer uma pessoa verdadeiramente de Deus? Para facilitar nossa reflexão, usarei, com sua permissão, apenas o termo homem de Deus, mas estarei me referindo a ambos os sexos.
Muitas pessoas hoje estão buscando um título religioso, pois isto dá um certo “status” e “regalias” no contexto social em que vivemos, especialmente nas igrejas. Algumas pessoas têm sido ordenadas sem a mínima condição (este tipo de ordenação é duvidosa em sua validade) e sem o mínimo de treinamento para desempenhar tão nobre função. Na verdade tem se banalizado a condição de pastores e pastoras como homens de Deus. Há também que se destacar, alguns que se auto  ordenam e outros que são falsos pastores travestidos de homens de Deus.
Nós, cristãos, precisamos ser cuidadosos em rotular pessoas como “homens de Deus” e até de recomendá-los como pregadores. Neste campo é preciso muito cuidado e cautela.
Quais são as características de um falso “homem ou mulher de Deus”?
·         Seu forte são os dons e não o caráter – Muitas destas pessoas têm um dom especial de Deus, mas não desenvolveram um caráter aprovado pelas escrituras. Não tem cobertura espiritual e não são discipulados. Conseguem atrair multidões com seus dons, mas mancham o evangelho com seu mau caráter. Estes trazem grandes prejuízos ao Reino de Deus.
·         Amor e apego ao dinheiro – Normalmente são pessoas que usam o ministério com a motivação pessoal de enriquecimento ilícito.
·         A família não participa de seu ministério – Infelizmente nestes casos alguns destes “homens de Deus” sempre viajam sem a família ou pelo menos sem a esposa. O ministério está dissociado de seu lar.
·         Vida sexual duvidosa – Alguns destes têm uma vida sexual duvidosa e misteriosa. Como não se abrem com ninguém, e quase nada se sabe sobre sua prática nesta área.
·         Ensinos heréticos travestidos de espiritualidade – São especialistas em ensinos de relevância no contexto bíblico. Falam com muita propriedade sobre o Reino de Deus, atacam a concepção bíblica de cobertura espiritual e discipulado, aprovam o novo casamento em qualquer circunstância, exacerbam de modo anti-bíblica a doutrina da graça enfatiza a guarda do sábado, etc., porém sempre instalam uma heresia em seus ensinos.
·         “São proselitistas – Os falsos homens de Deus” são aqueles que procuram atrair as pessoas após si. Lutam para tirá-los de suas congregações ao denegrir seus pastores e igrejas.
Como identificar um “homem de Deus”?
Primeiramente é necessário não se empolgar com as pessoas pela aparência e pelos dons. Isto é apenas um aspecto e por incrível que pareça, não é o mais importante. Vamos ver alguns sinais que podem nos ajudar a reconhecer um verdadeiro homem de Deus:
1.      Caráter – Um “homem de Deus” de verdade é uma pessoa marcada por um bom caráter. Um homem cheio de dons, mas sem caráter é um potencial destruidor da obra de Deus. II Rs 5:15,16
2.      Obediência – Todo “homem de Deus” é marcado por um espírito submisso às autoridades. Ele tem cobertura espiritual e é obediente ao seu discipulador e às autoridades sobre ele constituídas. Saul é um exemplo oposto de obediência. A obediência é mais importante que sacrifícios e serviço para Deus. I Sm 15:22,23
3.      Fidelidade – A fidelidade é outra característica marcante nestas pessoas. São fiéis ao seu Deus e à Sua Palavra, ao seu casamento, à sua liderança, à sua igreja e aos seus discípulos.  I Co 4:1,2
4.      Irrepreensibilidade – A irrepreensibilidade não é sinônimo  de perfeição, mas revela uma característica fundamental em um homem de Deus, pois até quando ele erra, ele toma as decisões certas, se arrependendo e corrigindo seus erros. Ser irrepreensível é buscar andar em harmonia com os ensinos da Palavra de Deus. Lc 1:5.6
5.      Maturidade – Outra forma de identificar um verdadeiro “homem de Deus” é constatando sua maturidade na condução de sua vida e de seu ministério. Não se deve atribuir este título a pessoas imaturas e inconsequentes. Ef 4:12,13
6.      Família – Esta é um dos mais marcantes sinais na vida de alguém que merece o reconhecimento de “homem de Deus”. É uma das condições que o apóstolo Paulo apresenta para alguém poder estar no ministério. I Tm 3:1-7; I Tm 5:8
7.      Dons – Os dons são muito importantes e eu diria que são a cereja do bolo para a celebração do ministério de um “homem de Deus”. Não é a base, mas é muito importante e útil. Rm 11:29
Com esta reflexão, a intenção é dupla:
1.      Identificar os verdadeiros “homens de Deus” para não me alimentar da palavra contaminada e não ser iludido e enganado por sinais e prodígios realizados por homens supostamente “de Deus”. Já dizia a sabedoria popular: “nem tudo que brilha é ouro”. É importante que honremos as pessoas que conhecemos e convivemos. Às vezes, temos muita facilidade de honrar e reconhecer como “homens de Deus” pessoas que nem conhecemos direito e desonramos quem está próximo de nós, pagando um alto preço por nossas vidas. Honre seu pastor, seu líder e seu discipulador. Eles são os verdadeiros “homens de Deus”!
2.      Avaliar se estou sendo, de fato, uma pessoa de Deus. Antes de mais nada, preciso avaliar a minha própria condição e diante de Deus, em sinceridade e honestidade, procurar me conformar com os requisitos bíblicos para me tornar uma verdadeira pessoa de Deus, para glorificá-lo sempre em minha vida.
Que Deus nos abençoe e nos faça homens e mulheres cheios do Espírito Santo e dos dons, mas que as marcas maiores sejam as que revelam a nossa relação de obediência aos requisitos bíblicos que podem nos aprovar, acima de tudo, aos olhos de Deus, mas também aos olhos das pessoas, como verdadeiros “homens e mulheres de Deus”.
Ø  Ministério Palavra Poder e Unção
Ø  Evangelista Manoel Moura


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