terça-feira, 12 de março de 2019

A VIDA VIVIDA EM JESUS

Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
A VIDA DO APÓSTOLO PAULO

Paulo, conhecido como Paulo de Tarso ou São Paulo, cujo nome original era Sha'ul ("Saulo") (Tarso, c. 9 — Roma, c. 64) é considerado por muitos cristãos como o mais importante discípulo de Jesus ("Yeshua") e, depois de Jesus, a figura mais importante no desenvolvimento do cristianismo nascente.

Vida
Paulo de Tarso foi um apóstolo diferente dos demais, por ter dado maior ênfase aos gentios, (não Judeus) pois a sua atenção era destinada a eles que estavam espalhados pelo mundo (Atos 13:47). Paulo, assim como os outros Apóstolos, também teria, em tese, visto Jesus Cristo (Atos 9:17, I Coríntios 15:8, dentre outros textos). Paulo era um homem culto, pois era fariseu seguidor de rabi Gamaliel. Destaca-se dos outros apóstolos pela sua cultura, considerando-se que os outros apóstolos em sua maioria eram pescadores. A língua materna de Paulo era o grego. É provável que também dominasse o aramaico.
Educado em duas culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela difusão do Cristianismo entre os gentios e é considerado uma das principais fontes da doutrina da Igreja. As suas Epístolas formam uma secção fundamental do Novo Testamento. Alguns afirmam que ele foi quem verdadeiramente transformou o cristianismo numa nova religião, e não mais uma seita do Judaísmo.
Foi a mais destacada figura cristã a favorecer a abolição da necessidade da circuncisão e dos estritos hábitos alimentares tradicionais judaicos (veja Controvérsia da circuncisão e Concílio de Jerusalém). Esta opção teve a princípio a oposição de outros líderes cristãos, mas, em consequência desta revolução, a adoção do cristianismo pelos povos gentios tornou-se mais viável, ao passo que os Judeus mais conservadores, muitos deles vivendo na Europa, permaneceram fiéis à sua tradição, que não tem um móbil missionário.


Infância

Paulo nasceu em Tarso, na Cilícia, que atualmente pertence à Turquia, numa família judaica da Diáspora (dispersão) (na altura já havia uma diáspora de judeus que viviam espalhados pelo mundo, sobretudo na Pérsia, mas também em torno do mediterrâneo, em Alexandria e no norte de África, na Turquia, Grécia e outras partes do Império Romano, incluindo a atual península Ibérica). Nasceu em data desconhecida mas "sem dúvida antes do ano 10 da nossa era" (Étienne Trocme). Nascido na tribo de Israel de descendência Benjamim (Fp.3-5), adquiriu a cidadania romana mantendo a fé judaica, e educou-se na tradição judaica. Durante toda sua vida a cidadania romana foi um meio de proteção física. Como ele próprio diz, foi circuncidado ao oitavo dia e mantém-se sempre na lei mosaica. Diz-se mesmo um Fariseu. A sua formação primária foi feita numa escola de cultura grega, como atestam as suas cartas. Mas ele afirma que recebeu também o ensino por parte de rabinos.

Jerusalém

Em determinada altura Paulo deve ter ido viver em Jerusalém. As cartas dos apóstolos afirmam que ele foi aluno do rabino Gamaliel em Jerusalém. Não há dúvida de que passou uma parte importante da juventude em Jerusalém.
Foi em Jerusalém que Paulo participou no apedrejamento de Santo Estêvão, um líder de um grupo fervoroso dos seguidores de Jesus, naquela época nomeado diácono. Ainda não se chamava de Cristianismo a doutrina de Cristo, mas sim de "Caminho". O apelido "cristão", o termo que hoje e usado no mundo para todos os seguidores de cristo, surgiu pela primeira vez na cidade de Antioquia em referência aos discípulos de Cristo naquela cidade (At 11,26). Foram assim chamados pelos moradores daquela metrópole devido ao bom exemplo que davam e por sempre testemunhar a respeito de Jesus. Desde então o título pegou e suplantou os outros nomes pelos quais eram chamados, como por exemplo "nazarenos", nome pelo qual eram conhecidos os discípulos, pelos judeus (At 24,5). O apelido cristão generalizou-se de tal forma que, em pouco tempo, todos os membros das igrejas de Cristo passaram a ser assim chamados. Não houve outro que representasse tão bem os discípulos de Cristo até meados do século III, período no qual houve a necessidade de acrescentar um sobrenome a este apelido. Paulo foi um perseguidor destes seguidores de Jesus, núcleo de cristãos que procuravam difundir a nova fé entre os judeus de Jerusalém.

Conversão de São Paulo, por Caravaggio, 1600.
O argumento de Paulo na sua perseguição aos seguidores do "Caminho" era a defesa da "tradição dos pais" e da lei mosaica, que ele via como ameaçada pelos seguidores de Jesus. Alguns autores chegam mesmo a colocar a hipótese de Paulo ter sido um zelote mas Paulo na verdade foi um fariseu, dado o seu fervor religioso. Também o fato de sua vida ter sido colocada em perigo após ter tomado partido pelos cristãos leva Étienne Trocmé a dizer que isso "corresponde bem ao pouco que sabemos sobre a organização do partido zelote".
Em determinado momento, Paulo de Tarso saiu do mundo judaico e foi para Atenas pregar. Os relatos contam que, na sua estada na Acrópole, ele consegue converter Dionísio Ariopaseta.

Missão de Damasco

Saulo, ferveroso defensor da tradição judaica, foi enviado a Damasco para fazer face à agitação dos seguidores do "Caminho".
Foi durante esta missão a Damasco que Saulo tomou o partido dos cristãos que perseguia anteriormente. Foi aqui que Paulo, indo no caminho de Damasco, já perto da cidade, viu um resplendor de luz no céu que o cercou, e caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". (Atos 9.1-22) Paulo converte-se a Jesus Cristo. A esta mudança, ele fez corresponder uma mudança de nome. Abandonou o nome Saulo e, deste momento em diante, fez-se conhecer como Paulo.

Viagens e apostolado
Paulo a escrever as epístolas (obra atribuída a Valentin de Boulogne ou a Nicolas Tournier)
Após muitos anos de atividade missionária, com três grandes viagens apostólicas descritas na Bíblia (incluindo GréciaMacedônia e Ásia Menor nos itinerários), onde fundou diversas comunidades, foi preso em Jerusalém por volta do ano 61 d.C. sob a falsa acusação de estar infiltrando gentios no Templo de Jerusalém, o que era punido com a morte pelos judeus. Conseguindo se desvencilhar das mãos das autoridades do templo, apelou ao imperador romano, sendo enviado a Roma.
Na viagem para Roma o navio em que seguia naufragou, tendo ido parar à ilha de Malta. Esteve numa gruta, onde hoje se situa a Igreja de São Paulo em Rabat. Durante os três meses que ali teria passado, Paulo teria sido mordido por uma serpente e saído ileso do confronto. Um episódio que levou os habitantes locais a vê-lo como um Deus. Mais tarde, teria curado o pai do governador da ilha antes de partir.
Quando finalmente chegou a Roma teria sido julgado e, após cerca de dois anos encarcerado, foi libertado.
Segundo a tradição e pelo que é descrito em suas cartas, reiniciou sua atividade missionária, sendo que, muito provavelmente, visitou a península Ibérica e retornou à Ásia Menor, onde, em Trôade, foi denunciado por um ferreiro de nome Alexandre, sendo repentinamente preso e, mais uma vez, enviado a Roma. Lá, ficou encarcerado no segundo subsolo do Cárcere Mamertino.
Foi julgado e condenado à morte por Nero que, naqueles tempos, estava perseguindo duramente os cristãos. Em face de ser cidadão romano, em vez de ser crucificado, Paulo teria sido decapitado em 64 d.C. em um lugar conhecido como Águas Salvias. Seu túmulo encontra-se na Basílica de São Paulo Extra-Muros, na "Via Ostiense", local tradicionalmente aceito como sendo de seu martírio.

Aspecto físico


Não se tem qualquer relato confiável do aspecto físico de Paulo. Os únicos relatos que se possui são do final do século II e não são mais do que a projecção dos ideais estéticos a uma figura lendária. Dizia-se que Paulo era manco de uma perna, tinha problemas de vista e era calvo, tinha aproximadamente 1,50 metro de altura.
Há indícios de que Paulo tinha problemas de saúde, padecendo de uma doença crónica e dolorosa, da qual ignoramos a natureza, mas que lhe terá sido um obstáculo à sua atividade normal. Por volta dos anos 58–60 ele descrevia-se a si próprio como um velho.



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