sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Recordando: Reino de Deus = Governo de Deus a) Sobre a criação (natureza): “Todas as coisas foram criadas por Ele e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Pássaros, árvores, répteis, peixes, grandes felinos, mamíferos, flores, planetas, galáxias, terra, moléculas, são todos governados de maneira natural. Sendo o que são, fazendo o que fazem, estão obedecendo ao governo de Deus. Essa parte da criação não tem a capacidade de fazer de forma diferente, não têm escolhas. b) Sobre o homem: O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26) O que isso quer dizer? Uma grande diferença em relação a todo o restante da criação! Ao ser criado à imagem e semelhança de Deus o homem recebeu espírito, vontade, emoções, inteligência e personalidade, características que as outras criaturas não possuem. Tudo isso quer dizer que o homem pode fazer escolhas. Você acha que uma baleia pode escolher andar? Ou um passarinho pode decidir viver debaixo d’água? O homem (que não foi criado para o mar nem para o espaço) pode, no entanto, viver vários meses sob as águas (dentro de submarinos nucleares) ou no espaço (dentro da estação orbital). Então, o governo de Deus sobre o homem não é automático, depende da escolha e concordância do homem; é, portanto, um governo permitido, um governo com consentimento! Como isso ocorre? Não é difícil entender: Deus comunica a sua vontade ao homem através da sua palavra e do Espírito Santo. O homem, então, torna-se responsável por obedecer ou não à vontade de Deus. Se obedece, o Reino de Deus (governo de Deus), está presente em sua vida. Se escolhe não obedecer, não há Reino de Deus (governo de Deus) em sua vida. A obediência ou a desobediência do homem são atitudes conscientes, atitudes onde a inteligência que lhe foi dada participa ativamente, atitudes em que ele exercita a sua capacidade de fazer escolhas. Como era no princípio? Deus criou o homem e a mulher e comunicou a eles a sua vontade com bastante clareza. Por exemplo: a) “E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a” (Gn 1.28). É uma ordem clara? b) O homem também devia lavrar a terra e cuidar dela: “Tomou pois o Senhor ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar” (Gn 2.15). Alguma dúvida? c) Especificou qual deveria ser sua alimentação: “E disse Deus ainda: eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento” (Gn1.29). É difícil entender isso? d) Autorizou-o a ter vida sexual com sua esposa: “… sede fecundos, multiplicai-vos…” (Gn 1.28); “Por isso deixa o homem o seu pai e a sua mãe e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2.24) e) Estabeleceu limites para seu comportamento: “E o Senhor lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17). Alguma dificuldade de interpretação? O que o homem podia comer? O que ele não deveria, jamais, comer? O que aconteceria com sua vida se ele comesse? Enquanto o homem e a mulher aceitaram (escolheram) o governo de Deus sobre suas vidas tudo estava em harmonia, tudo era bom e saudável: • O homem consigo mesmo: paz, alegria interior permanente; • O homem com seu próximo (esposa): harmonia, cumplicidade, amizade fraterna, amor; • O homem com a natureza: zelo, cuidado; • O homem com Deus: comunhão, proximidade, intimidade, bênção, vida; O que aconteceu? A maioria de vocês já sabe: ao invés de crer e confiar em Deus e no Seu governo, Adão e Eva deram ouvidos à serpente (o próprio satanás disfarçado de serpente). Mas eles tinham recebido ordens de Deus de dominar sobre esse tipo de animal: “…domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra” (Gn 1.26). Ao invés de exercerem a autoridade que receberam de Deus e mandar aquele animal se calar e ir embora, ouviram seu discurso, sua proposta indecente, a qual pode ser compreendida da seguinte maneira: “Deixem de ser tolos! Esqueçam essa história de obedecer a Deus, Ele está escondendo de vocês algo muito bom, que eu conheço e vocês não. Vejam, na verdade vocês não precisam de Deus, podem ter uma vida muito melhor se comerem daquele fruto: vocês vão ser iguais a Deus! Já pensaram? Iguais a Ele, vocês vão conhecer o bem e o mal, o que acham? E então, por que estão se demorando? Vão lá e comam o fruto!” E eles comeram! Rebelaram-se contra uma ordem clara de Deus … e eles pecaram! Essencialmente o pecado é isso: rebelião contra Deus! Fazer a minha vontade, fazer o que “me dá na cabeça”, o que quero, o que parece melhor para mim, deixando de lado a autoridade de Deus, a vontade de Deus, o governo de Deus, o Reino de Deus. Nesse ponto é importante meditar nas seguintes perguntas: 1. Quando escolheu fazer a sua própria vontade e não a de Deus, a vida do homem melhorou ou piorou? 2. O que aconteceu com Adão e Eva após terem pecado foi um castigo de Deus, ou não? Definitivamente, não foi um castigo de Deus! Deus havia dito “…certamente morrerás” e não “…certamente te matarei”. São duas afirmações bem diferentes. Não! O que ocorreu com eles foi a consequência de sua própria escolha. A partir dessa escolha o pecado entrou neles, destruindo o que Deus tinha criado, deformando o homem e a mulher de tal maneira que eles perderam a imagem de Deus, não compartilhavam mais da mesma natureza! Ao escolherem dar ouvidos à serpente (satanás) e seguir o caminho sugerido por ela o homem e sua mulher se tornaram escravos do pecado, escravos de satanás … morreram! “Portanto, assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12) “Não há um justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.” (Rm 3.10-12) Da mesma maneira que Adão e Eva, todos os homens e mulheres estão em pecado diante de Deus: a) Pela herança do pecado (Rm 5.12); b) Por suas próprias atitudes de rebelião e desobediência à vontade de Deus: cada um vive como quer, cada um faz a sua própria vontade. Isso trouxe alguma consequência? Claro que sim! Lembram da harmonia que havia na obediência de Adão e sua esposa a Deus? Não existe mais! • O homem consigo mesmo: temores, ansiedades, depressões, enfermidades; • O homem com seu semelhante: orgulho, inveja, disputas, ódios, rancores, gritarias, guerras, crimes, mentiras, inimizades, divórcios; • O homem com a natureza: poluição, aquecimento global, extinção de espécies, inundações • O homem com Deus: distância, falta de comunhão, desconhecimento de Deus, maldição, morte O domínio e a presença do pecado estão operando tudo isso. Cada uma dessas coisas é um sintoma de morte, a morte que Deus avisou que aconteceria. Observemos o que o Espírito Santo nos fala por meio da carta de Paulo aos Efésios: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso (caminho) desse mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência … fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2.1-3) Um espírito muito poderoso controla o homem natural, sugerindo, incentivando e favorecendo um estilo de vida de desobediência e confrontamento em relação a Deus. A alguns, esse espírito oprime de tal forma que os leva às tentativas de fuga por meio do álcool, das drogas, do suicídio. A outros conduz a todo tipo de idolatria, seja ao dinheiro, a si mesmo, à fama, à força, ao sexo, a outros homens, a demônios. Esse é um gravíssimo problema de natureza espiritual. E o homem não tem em si mesmo nenhum recurso para remediar essa situação! “Pois todos pecaram e estão destituídos (afastados) da glória (presença) de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção (liberdade obtida pelo pagamento de um preço) que há em Jesus Cristo” (Rm 3.23) A definição do que é o homem, segundo as escrituras Mas o que é isso? As pessoas têm dado respostas diferentes a essa pergunta. Alguns dizem que os problemas são principalmente econômicos, outros, que são sociais, e ainda outros, que são psicológicos. Certamente, essas respostas podem oferecer alguma compreensão sobre alguns dos sintomas do nosso sofrimento, mas a Bíblia ensina que a doença é muita mais intensa e profunda. Em poucas palavras, o problema é o pecado — rebelião contra o Deus criador que nos criou. O livro de Gênesis descreve como Deus criou o mundo pelo poder do seu mero comando, e de acordo com Gênesis 1.26-28, o coroamento da obra de Deus foi a criação dos seres humanos. Únicos entre todas as criaturas do universo, os seres humanos são feitos “à sua própria imagem”. Ser criado à imagem de Deus significa muitas coisas. Nós, seres humanos, refletimos o caráter e a natureza de Deus em nossa racionalidade, criatividade, e até mesmo em nossa capacidade de nos relacionarmos com Deus e uns com os outros. Mas a imagem de Deus não se refere simplesmente ao que somos; também se refere ao que Deus nos criou para fazer. Além de viverem em comunhão com Deus, a Adão e Eva foi dado o encargo de governarem e cuidarem da criação de Deus como seus vice regentes. Assim, Deus lhes disse que deveriam “subjugar” a terra e “ter domínio” sobre ela — não abusando dela ou tiranizando-a, mas “a cultivando e guardando” (Gênesis 2.15). Ao agirem assim, eles comunicariam a toda a criação o amor, poder e bondade do Criador. Talvez, mais fundamentalmente, isso é o que significa ser a imagem de Deus no mundo: como um antigo rei do Oriente Próximo poderia gravar um “retrato” de si mesmo em uma montanha como um lembrete para o seu povo de quem havia se sentado no trono, Adão representava a autoridade de Deus ao mundo sobre o qual lhe fora dado domínio. Todavia, a autoridade de Adão sobre a criação não era absoluta; era derivada e circunscrita pelo próprio Deus. As pessoas muitas vezes se perguntam por que Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim. A razão é que a árvore lembrava a Adão e Eva que sua autoridade para governar e subjugar a terra não era absoluta. É por isso que o ato de Adão e Eva comerem o fruto foi um pecado tão trágico. Ao comerem o fruto, Adão e Eva estavam tentando fazer exatamente o que a serpente, com falsidade, lhes disse que podiam: eles estavam tentando “ser como Deus” (Gênesis 3.5). Eles estavam se apoderando de mais poder e autoridade do que Deus lhes tinha dado, tentando, assim, obter o elevado trono de Deus. As consequências do pecado de Adão foram nada menos que catastróficas. Deus havia prometido que se os humanos comessem do fruto da árvore proibida, certamente morreriam. O que Deus quis dizer não era apenas morte física, mas também — e mais terrivelmente — a morte espiritual. Era uma punição justa e correta. Não somente um Deus perfeitamente santo e justo jamais toleraria tal mal e pecado em sua presença, mas também, ao declararem a sua independência de Deus, Adão e Eva separaram a si mesmos da fonte de toda a vida e bondade. Eles mereciam a ira de Deus por sua rebelião contra ele, e o salário do seu pecado foi nada menos que morte eterna, condenação e inferno. Pior ainda, quando Adão pecou, ??ele o fez como representante de todos os seres humanos. Paulo escreveu aos romanos: “pela ofensa de um só, morreram muitos” (Romanos 5.15). É por isso que cada um de nós confirma repetidamente o ato de rebelião de Adão contra Deus com nosso próprio pecado. Nós também desejamos estar livres da autoridade e governo de Deus, e assim nos entregamos à busca do prazer e da alegria nas coisas criadas como fins últimos. No processo, declaramos que Deus não é digno da nossa adoração, e assim provamos ser dignos da maldição da morte espiritual que Deus pronunciou no princípio. Se a história da Bíblia terminasse ali — com seres humanos sob a ira de Deus sem uma possibilidade de fuga — viveríamos numa realidade desesperadora. Mas, louvado seja Deus, a história não acaba aí. Em vez de nos deixar morrer em nosso pecado, Deus age para salvar. Por meio da encarnação, morte e ressurreição do seu Filho, Jesus, ele salva o seu povo dos seus pecados e retifica tudo, de uma vez por todas, finalmente e para sempre.


 

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